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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Música de 2018 #2

Segunda parte do meu balanço musical de 2018. Podem ler a primeira parte aqui. Até agora, a crónica tem sido um pouco mixórdia de temáticas, mas as secções seguintes falarão apenas de um artista ou banda (embora a segunda fale tanto de uma banda como do trabalho a solo de um dos membros). O primeiro item será uma estreia absoluta neste blogue. Deem, assim, as boas-vindas a... 

 

  • Carly Rae Jepsen

 

Conheci Carly Rae Jepsen ao mesmo tempo que quase toda a gente: em 2012, quando o mundo inteiro andava obcecado com Call Me Maybe. Ainda hoje gosto da música. A letra é um bocadinho totó, mas isso faz parte do apelo. Além de que a melodia é irresistível. No que toca a músicas virais, esta é das melhores – até porque saiu num ano em que tivemos de levar com Gangham Style…

 

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Quado Carly lançou o seu álbum, Emotion, três anos mais tarde, não teve o mesmo hype. Alguns dos singles geraram algum buzz, mas o seu impacto não se comparou ao de Call Me Maybe. As críticas, no entanto, foram positivas (houve quem chamasse a Emotion o “1989 de 2015”). Um YouTuber que sigo há uns anos, aliás, teceu rasgados elogios ao álbum Emotion, na altura.

 

Teimosa como sou, só há pouco mais de um ano é que resolvi espreitá-lo no Spotify. Já na altura gostei e acrescentei várias faixas às minhas playlists. Mesmo assim, foi só este ano, depois de comprar o álbum em CD é que me rendi a sério a Emotion. Não digo que goste de todas as músicas deste projeto, mas quando gosto, gosto mesmo muito.

 

O primeiro single, I Really Like You parece ter sido criado para recriar o fenómeno Call Me Maybe. A letra cai em territórios parecidos. Tom Hanks e Justin Bieber até foram recrutados para o videoclipe. A música não teve o mesmo impacto de Call Me Maybe, mas na minha opinião é melhor: um tudo nada mais cativante e com um melhor desempenho vocal. 

 

A faixa-título Emotion é também irresistível – ainda que com uma letra inesperadamente mazinha (não no sentido de mal escrita, a narradora é que é mazinha). Por sua vez, All That é uma balada que parece saidinha dos anos 80.

 

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Making the Most of the Night é uma música de que, de início, me esquecia um pouco, perdida entre tantas músicas giras. No entanto, quando a ouvia, censurava-me por não lhe dar mais atenção. Adoro a maneira como começa num tom mais grave, acelerando e abrandando, até finalmente entrar em crescendo até ao refrão.

 

Estas são apenas algumas de várias boas músicas da edição padrão do álbum. Foi esta que comprei em CD, para ouvir no carro, logo, conheço-a um pouco melhor que as faixas extra. Emotion tem uma data de b-sides, várias das quais foram lançadas num EP, chamado Emotion side B, no ano seguinte. Consta que foram compostas à volta de 250 canções nos trabalhos para Emotion (e que a editora fez uma confusão enorme no lançamento deste álbum). De qualquer forma, encontram-se várias pérolas entre estas faixas extra.

 

Uma delas é Love Again, que faz parte da edição japonesa. Confesso que só me apercebi desta há relativamente pouco tempo, mas tenho andado obcecada pelo seu refrão, cheio de luz.

 

Quem foi o idiota que deixou esta música de fora do Spotify? Não, não! Quem foi o idiota que deixou esta música de fora da edição padrão do álbum. O que a editora fez com Emotion devia dar direito a cadeia!

 

 

Dizia eu que há quem ache que o side B é ainda melhor que a edição padrão de Emotion. Eu não vou a esse ponto, mas está definitivamente ao mesmo nível – com músicas como Cry, Store e First Time. As minhas preferidas são Higher – com uma melodia que, de facto, nos leva aos céus – e Roses – uma balada lindíssima, romântica e um tudo nada sensual. Aquela terceira estância é uma obra de arte.

 

Deixei a minha preferida para o fim: Run Away With Me, a música que abre a edição padrão de Emotion. Eu nunca me apaixonei a sério, mas quer-me parecer que Run Away With Me é a tradução musical de cair de amores (se não for, ficarei desiludida). Desde as notas iniciais de saxofone, passando pela melodia irresistível, o refrão explosivo, terminando nos vocais em coro. Andei semanas viciada e dá para vê-lo – foi a segunda mais tocada no meu Spotify.

 

A letra não é nada do outro mundo, mas cumpre o seu papel. Fala de uma escapadela romântica, de fugir a tudo para estar com a pessoa amada. Está longe de ser um tema super original, eu sei, mas, mais do que na letra, a força da música está na emoção genuína com que Carly a interpreta.

 

 

Run Away With Me tem, assim, todos os elementos que atraem na música de Carly Rae Jepsen. Aliás, as músicas de Emotion – tanto a edição padrão como as múltiplas faixas extra – representam o meu ideal de música pop: bem interpretada, com melodias cativantes. As letras não precisam de ser muito muito boas ou profundas (aliás, se tenho alguma falha a apontar à música de Emotion é o facto de, em certos momentos, parecer algo impessoal), desde que não sejam completamente ocas. Desde que sejam minimamente sentidas.

 

Estes elementos, aliás, também estão presentes nas músicas de que falei na secção anterior, especialmente no synth pop dos anos 80 e nas músicas dos ABBA.

 

Por tudo isto, é um crime que Carly Rae Jepsen não receba mais atenção – quando a música mainstream de hoje em dia é tão medíocre que os Grammys tiveram de nomear músicas como The Middle e Girls Like You.

 

Consta que Carly se prepara para lançar o sucessor a Emotion em 2019. Não sei muito sobre este álbum, apenas que Carly terá composto à volta de oitenta músicas para este projeto (estou a ver que esta não sofre de bloqueio criativo), que terá influências disco e que o primeiro single é Party For One. É uma música gira e tem um toque pessoal que as músicas de Emotion não parecem ter – segundo Carly, a música foi inspirada numa noite que teve, pouco após uma separação. Se o resto do álbum for parecido, não me queixo.

 

 

Fico então a aguardar esse álbum. Ainda não sei se escreverei sobre ele aqui no blogue, mas, depois de Emotion, estou definitivamente curiosa.

 

Depois de, até agora, termos falado de músicas mais de fora do nicho habitual deste blogue, o resto da crónica será um pouco mais conservador. Começando por…

 

  • My Indigo & Within Temptation

 

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Já tinha referido My Indigo, o side project de Sharon den Alden dos Within Temptation, de passagem, no balanço musical do ano passado. O álbum saiu em abril e não desiludiu. Foi mais um exemplo de música com influência dos anos 80 – desta feita, à mistura com folk e alguns elementos orquestrais, parecidos com os que encontramos na música dos Within Temptation. Mais do que isso, é um álbum emotivo, real, com um toque agradável de melancolia – para uma audiência mais velha que a da música mais mainstream.

 

Confesso que é o género de música de que tenho precisado nos últimos dois anos.

 

Não me vou alongar muito, pois quero escrever uma análise a este álbum a curto/médio prazo. De qualquer forma, My Indigo permitiu a Sharon curar o seu bloqueio criativo e ganhar inspiração para o novo álbum dos Within Temptation. Este chamar-se-á Resist e será lançado a 1 de fevereiro.

 

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Duas semanas antes do álbum novo da Avril Lavigne, Head Above Water. É um aspeto curioso em que reparei há pouco tempo: desde 2004, tanto a Avril como os Within Temptation têm lançado os seus álbuns de estúdio quase ao mesmo tempo. Under My Skin e The Silent Force saíram em 2004. The Best Damn Thing e The Heart of Everything saíram em 2007 com pouco mais de um mês de intervalo (e, além disso, rimam!). Goodbye Lullaby e The Unforgiving saíram em 2011 com pouco mais de duas semanas de intervalo. O álbum homónimo de Avril e o Hydra saíram com pouco menos de três meses de intervalo em finais de 2013, início de 2014.

 

Isto deve ser apenas uma coincidência, creio eu (se alguém tiver provas em contrário, avise-me). É possível que existam outros artistas ou bandas que lancem música ao mesmo tempo. Em todo o caso, eu acho piada.

 

Os Within Temptation já partilharam umas quantas canções de Resist, mas a única que oiço com alguma regularidade é o primeiro avanço, The Reckoning. É uma boa música – gosto em particular na sequência que parece uma espécie de trompa de guerra eletrónica. Também gosto da participação de Jacoby Shaddix, dos Papa Roach.

 

Não quis ouvir as outras músicas, tirando uma vez ou duas. Tal como tenho referido nos últimos tempos, não gosto de ouvir um álbum às prestações, antes do lançamento oficial.

 

 

Uma palavra que tem sido usada para descrever o conceito de Resist é “futurista”. Segundo a banda, o álbum foi inspirado pela atualidade cada vez mais digital e as consequências para a humanidade. Aquilo que temos visto em termos de estética do álbum e dos videoclipes, aliás, dão a ideia de um futuro distópico, talvez mesmo  cyber punk.

 

Faz sentido. Os álbuns até The Heart of Everything foram inspirados por fantasia épica/medieval. The Unforgiving inspirou-se em fantasia urbana (Hydra foi menos conceptual). O passo lógico seguinte, de facto, é o futuro, o distópico, a ficção científica.

 

Fico contente, pois sempre gostei desta faceta dos Within Temptation – embora tenha de admitir que, nos últimos tempos, prefiro música mais… “real”, menos fantasiosa.

 

Enfim. Pode ser que me ajude quando decidir voltar a escrever ficção.

 

São, assim, dois álbuns novos por que esperar em fevereiro. Não vou falar sobre Avril Lavigne e o álbum Head Above Water neste texto, pois já falei muito sobre ele há pouco tempo.

 

Na verdade, só vou falar sobre mais um artista nesta crónica. Nada mais nada menos que…

 

  • Mike Shinoda

 

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A era do álbum Post Traumatic durou o ano todo (acho que ainda nem sequer acabou). Começou a 25 de janeiro, com o lançamento do EP com as três primeiras músicas. Foi continuando ao longo do primeiro semestre, com o lançamento de vários singles até à publicação do álbum completo. Mesmo depois, Mike continuou a lançar singles e videoclipes. A título pessoal, foi durante os últimos meses do ano, enquanto trabalhava na análise, que passei mais tempo com Post Traumatic.

 

E agora, em dezembro, Mike lançou o vinil de Post Traumatic, com duas canções inéditas, Prove You Wrong e What the Words Meant.

 

Em termos musicais, se Over Again e Ghosts se juntassem e tivessem um filho, esse seria Prove You Wrong. É conduzida pelo piano e algumas das melodias lembram Ghosts. Ao mesmo tempo, possuir várias semelhanças com Over Again: é cantada maioritariamente em rap, a segunda parte é cantada num tom mais agudo, denotando raiva e os últimos refrões surgem acompanhados de guitarras e vocais que, em certos momentos, parecem a voz de Chester.

 

Em termos de letra, Prove You Wrong está ali num intermédio entre Crossing a Line e Make It Up As I Go. É menos esperançoso e luminoso que o primeiro. É movido a determinação, como o segundo, mas o tom é menos sombrio.

 

 

Como já tínhamos visto com várias canções de Post Traumatic, Mike está à procura de um caminho para a sua vida, de um novo normal, depois de o antigo normal ter morrido, com o Chester. O rapper anda à procura de encorajamento, de votos de confiança, da parte dos demais, mas ninguém parece acreditar a sério nele. Assim, Mike decide cerrar os dentes e levar os seus planos a cabo, só mesmo para calar os céticos.

 

Eu perguntou-me quem eram essas pessoas que não acreditavam em Mike. Não estou a ver, por exemplo, a esposa dele, a família próxima, os colegas dos Linkin Park ou mesmo os fãs a duvidarem das capacidades de Mike – pelo contrário, Mike revelou que, ainda no rescaldo imediato da morte do Chester, pessoas na Internet suplicavam-lhe que não deixasse de fazer música.

 

Tudo isto leva-me a pensar que os destinatários de Prove You Wrong serão os seus próprios demónios, as suas inseguranças personificadas. As vozes que Mike diz que já não consegue ouvir em Can’t Hear You Now.

 

Acho que Prove You Wrong é a minha preferida das duas músicas novas, no entanto, What the Words Meant não fica muito atrás na minha consideração. É, aliás, uma música fascinante.

 

 

A sonoridade de What the Words Meant é grave e algo melancólica. De uma maneira estranha, a parte depois do segundo refrão lembra-me Midnight, dos Coldplay.

 

Segundo Mike, a letra de What the Words Meant foi inspirada por uma conversa que teve com uma artista musical (ele não revelou o nome dela). Mike gostara muito de um certo álbum dela e perguntou-lhe acerca dos assuntos das canções. Ela respondeu-lhe que eram sobre a morte da sua irmã. Ao saber disso, Mike nunca mais ouviu essas músicas da mesma maneira – até porque ele tivera uma perda semelhante.

 

Não estando, nem de longe nem de perto, a comparar a dor de Mike com a minha, esta é uma letra com que qualquer fã dos Linkin Park se pode identificar pós julho de 2017.

 

Conforme veremos quando voltar a escrever sobre a música da banda, depois do que aconteceu ao Chester, pelo menos metade da discografia dos Linkin Park (e também dos Dead by Sunrise) soa a pedidos de ajuda e/ou bilhetes de suicídio. Antes, se calhar, não levávamos muito a sério ou achávamos que, entretanto, ele tinha resolvido essas questões (sou culpada de ambos os casos, sobretudo do segundo). Agora sabemos que não era exagero, que não era uma personagem que Chester estava a representar. Era tudo real e, no fim, ele não conseguiu ultrapassar nada daquilo.

 

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Como diz Mike nesta música, quem me dera não ter descoberto a verdade. Muito menos desta forma.

 

É uma pena que estas músicas não tenham sido incluídas na edição padrão do álbum. Mas compreendo porque não foram. Como vimos acima, Prove You Wrong é demasiada parecida com outras músicas do álbum e a letra é um pouco redundante. Por sua vez, What the Words Meant foge um bocadinho ao conceito principal de Post Traumatic. Além de que a edição padrão já conta com dezasseis faixas – e eu não excluiria nenhuma delas a favor de Prove You Wrong e What the Words Meant.

 

Enfim.

 

Nós – os fãs, Mike e os outros membros dos Linkin Park – temos passado o último ano e meio tentando habituar-nos a um mundo sem Chester. De maneiras diferentes, a ritmos diferentes, com graus de sucesso diferentes, é certo. Mas consola-me, de uma maneira estranha, saber que estamos todos no mesmo barco.

 

No que diz respeito a mim, não tenho estado mal. Não digo que não volte a ir-me abaixo, sobretudo quando os restantes membros dos Linkin Park tomarem uma decisão em relação ao futuro da banda. Mas acho que a pior parte já passou.

 

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Quero acreditar que o mesmo se passa com Mike e os outros. Que eles encontraram alguma paz de espírito, um novo normal.

 

Tal como referi na análise ao álbum, a música que encerra Post Traumatic, Can’t Hear You Now, descreve bem o meu estado de espírito na maioria de 2018 e neste momento. Não apenas no que toca a Chester, mas no que toca à vida em geral. Sinto-me melhor que no fim de 2017, ainda que mantenha muitas das minhas inseguranças. Acho que estou no caminho certo – quero ver o que vem a seguir.

 

O futuro dos Linkin Park enquanto banda continua uma incógnita. Os membros que restam têm dado a entender que querem, um dia, voltar a fazer música juntos – apenas não sabem quanto.

 

Pessoalmente, não sei o que quero. Não sei se quero que voltem só os cinco, se quero que arranjem outro vocalista, se quero que continuem sob outro nome. Estou sempre a mudar de opinião. Nesta fase, prefiro deixar a bola do lado deles, não ter nenhuma opinião. O Mike, o Phoenix e os outros que decidam o que quiserem, quando quiserem. Quando derem esse passo, eu lidarei com isso.

 

E foi isto o meu ano musical. Em baixo está uma playlist com todas as músicas de que falámos aqui e mais algumas.

 

 

2018 foi um ano um bocadinho menos interessante que 2017, mas também 2017 não foi interessante pelos melhores motivos. Sinto, aliás, que 2018 foi o ano em que os músicos do meu “nicho” começaram a recuperar dos anos difíceis que tiveram – que tivemos todos. O Mike lançou música a solo. A Avril está de volta ao mundo da música, após a sua doença. Sharon e os Within Temptation também estão de volta após um período de bloqueio. Os Paramore encerraram a era After Laughter e parecem mais felizes que quando a começaram.

 

Talvez estejamos todos, finalmente, a dar a volta por cima.

 

Temos uns quantos álbuns por que esperar em 2019. Já falámos sobre os dos Within Temptation e da Avril.

 

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Quem, pelos vistos, também se prepara para lançar um álbum novo é Bryan Adams. Não se sabe muito sobre ele, ainda – apenas que se chamará Shine A Light, que o primeiro avanço terá o mesmo nome, que Bryan filmou o videoclipe há cerca de duas semanas e que terá uma digressão no Reino Unido em 2019.

 

Confesso que não contava com esta. Depois de ter esperado sete anos e meio por um álbum novo após 11, em 2008, não estava habituada a esperar apenas três ou quatro anos pelo sucessor a Get Up.

 

Quando é que eu me tornei uma mulher tão paciente?

 

É possível que Shine a Light inclua uma digressão que passe por Portugal. Talvez já em 2019, talvez só em 2020. Mais uma vez, não passou assim tanto tempo depois da última vez. No entanto, se ele voltar, vou tentar ir. Depois do que aconteceu ao Chester, não quero desperdiçar nenhuma oportunidade. Já foi suficientemente mau não ter conseguido ir ao Porto ver a Lorde, em junho último.

 

Para além destes três, há outros álbuns que me interessam a caminho, ou que se especulam que possam estar a caminho em 2019. Já referi o de Carly Rae Jepsen, mas também poderemos ter álbuns dos Sum 41, dos Coldplay, de Mika. Na altura, decido se escrevo sobre eles ou não.

 

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No que toca a este blogue, 2018 não foi um ano muito fácil. Por causa do meu emprego novo, tenho tido muito menos tempo para escrever. Houve alturas em que não foi fácil gerir. Infelizmente, isso não deverá mudar em 2019.

 

Ao mesmo tempo, apesar de ter tido menos tempo, apesar de, demasiadas vezes, ter estado semanas e semanas sem conseguir publicar, quando consegui, foram textos de que me orgulho. Os textos de Pokémon através das gerações, por exemplo, deram imenso trabalho, mas valeram a pena – oh, se valeram. Outros textos que destaco são a última análise a Tri, as análises a Head Above Water e a Post Traumatic.

 

Este foi também um ano em que recebi bastante feedback aqui no meu blogue. Falo dos comentários do Fernando e do Miguel, mas também aqueles que recebi no grupo Comunidade Portuguesa de Pokémon e Digimon PT. Vocês sabem que eu não dependo de validação externa no que toca à minha escrita. Mas há dias em que ajuda. Há dias em que ajuda mesmo muito. Estou muito grata.

 

Espero, então, conseguir manter este nível em 2019: produzir textos de que me orgulhe, mesmo que demorem.

 

Obrigada, então, por tudo o que fizeram por mim e pelo meu blogue em 2018. Que tenham um 2019 muito feliz, com saúde (mas não muita muita, porque senão fico sem emprego), dias bons, momentos bons, boa música, bons filmes, bons jogos, muitos Pokémon Shinies, enfim, tudo de bom. Continuem desse lado!

Mike Shinoda – Post Traumatic (2018)

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Mike Shinoda lançou, no passado dia 15 de junho, Post Traumatic, o seu primeiro álbum em nome próprio – apesar de já habitar no mundo da música há cerca de vinte anos, sobretudo como cérebro dos Linkin Park, mas também com o seu side-project, Fort Minor.

 

O projeto Post Traumatic, aliás, começou com um EP de três músicas, lançado no início do ano – já falámos sobre ele antes, bem como sobre um par de músicas que Mike lançou uns meses depois.

 

Na verdade, à data do lançamento oficial, quase metade do álbum estava cá fora. Penso que já referi aqui que não gosto muito dessa moda: quando vamos ouvir o álbum pela primeira vez as músicas que já conhecemos antes ensombram as que não conhecemos. Demora imenso tempo até estarem todas em pé de igualdade.

 

Foi, em parte, por isso que depois de About You me esforcei por não ouvir nada até ao lançamento oficial do álbum. Mike, no entanto, explicou que a ideia era ir partilhando as músicas connosco em tempo real, dentro do possível, documentando o seu estado de espírito na altura.

 

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Post Traumatic é isso, aliás: um diário musical de Mike, nos primeiros nove meses, mais coisa menos coisa, após a morte de Chester Bennigton. A tracklist está ordenada de modo mais ou menos cronológico. E de facto nota-se uma evolução ao longo do álbum, começando com um tom sombrio (raiva, desesperança, frustração e, sobretudo, luto) e terminando num tom… não diria luminoso, mas bem menos pesado, com alguma esperança, até.

 

Não que seja uma progressão linear. Mesmo depois de um ponto de viragem algures entre Promises I Can’t Keep e Crossing A Line, há ocasiões em que Mike parece regredir, em que a uma música mais leve se segue uma mais sombria. O contraste mais ostensivo, na minha opinião, é Hold It Together (uma das mais pesadas de todo o álbum) a seguir a Crossing a Line. Outro exemplo é Ghosts vir antes de Make It Up as I Go – que, por sinal, começa com a frase “I keep on running backwards”. O próprio Mike já comentou, em diversas ocasiões, que o todo este processo não lhe tem sido linear, que as fases do luto – negação, raiva, negociação, depressão, aceitação – não ocorrem necessariamente por esta ordem. Cada pessoa tem a sua progressão.

 

Eu argumentaria que o tema principal de Post Traumatic é precisamente controlo. Não apenas sobre as emoções da perda, mais até sobre as consequências dessa perda.

 

Conforme tínhamos comentado antes, Mike não perdeu apenas uma das pessoas mais importantes da sua vida, ele essencialmente perdeu o seu emprego, o seu modo de vida, parte da sua identidade. Perdeu os Linkin Park. O futuro da banda tem sido amplamente discutido ao longo do último ano, ano e meio (se pode ou deve continuar sem Chester, se devem arranjar um novo vocalista, etc), mas lá está: não se sabe. Ninguém sabe. Depois de quase duas décadas de Linkin Park, da noite para o dia a vida profissional de Mike, tal como a conhecia, esfumou-se, deixando-o sem saber o que fazer.

 

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A frase “only my life’s work hanging in the fucking balance”, de Over Again, parece ser a ideia principal de Post Traumatic, o denominador comum à maioria das faixas. O álbum documenta a busca de Mike por controlo sobre o seu destino, a procura de, como o próprio têm referido, “um novo normal”.

 

Já escrevi antes sobre as primeiras quatro faixas do álbum. As minhas opiniões não mudaram radicalmente desde essa altura. No entanto, gosto um bocadinho mais de Watching As I Fall e Nothing Makes Sense. A primeira faz mais sentido no contexto do álbum – falaremos melhor sobre isso mais à frente – e ganhei apreço às guitarras elétricas, bem à Linkin Park, depois dos últimos refrões.

 

Também Nothing Makes Sense Anymore faz mais sentido (no pun intended) no contexto do álbum. Os efeitos na voz do Mike não me incomodam tanto e compreendo um bocadinho melhor a letra, as metáforas. A pintura que levou com tinta entornada quando estava quase pronta. Mike num penhasco sobre o mar, julgando-se protegido do tumulto das ondas, até o chão abater-se sobre os seus pés, atirando-o para a tempestade. Mike debatendo-se no escuro, à procura de uma luz. Gosto particularmente dos versos “I’m a calll without an answer, I’m a shadow in the dark, trying to pull it back together, as I watch it fall apart”.

 

Passou-se isso com a maior parte das músicas em Post Traumatic: precisei de tempo, de ouvir várias vezes, para aprender a apreciá-las. Isso, ou estou numa altura em que só consigo ouvir música com ouvidos de ouvir sob a forma de CDs no meu carro.

 

 

Quando About You foi lançada, por exemplo, não achei nada de especial – mais uma vez, não era fã dos efeitos na voz de Mike. No entanto, uma vez mais com o tempo deixei-me de ralar com isso, sobretudo no contexto do álbum.

 

O tema principal da canção é o facto de toda a gente assumir que toda e qualquer música criada pós Jullho de 2017 será sobre Chester. Não que não seja compreensível: foi um acontecimento de grande impacto na vida pessoal dele e toda a gente soube. Um pouco à semelhança do que acontece, por exemplo, com as músicas da Taylor Swift, em que toda a gente tenta descobrir sobre qual nos ex-namorados ela canta.

 

No entanto, uma coisa são ex-namorados, outra coisa muito diferente é um homem que morreu demasiado cedo e de uma forma horrível. Tendo em conta que Mike sente dificuldade em manter o luto sob controlo (e havemos de voltar a falar sobre esse aspeto), não lhe será fácil ouvir toda a gente perguntando-lhe coisas como:

 

– E neste verso, em que falas de beijar o céu? És tu a tentares ir ter com o Chester ao Além?

 

Talvez isto tenha sido um fator pesando contra a decisão de lançar música a solo – saber que não poderia fugir a estas perguntas, que mesmo que compusesse sobre outros temas, as pessoas iriam sempre ligá-lo a Chester. Aliás, em About You, Mike parece não querer dar esse passo. Em parte pelos motivos que acabámos de discutir, em parte porque já passara metade da sua vida fazendo música. Talvez já não tivesse nada sobre que cantar.

 

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É um medo que todas as pessoas criativas têm de vez em quando: que um dia a fonte seque e já não tenham nada para criar. Mike chega mesmo a pôr a hipótese de aproveitar a desculpa e zarpar.

 

Ainda bem que não o fez.

 

Em About You, temos a participação de blackbear. Segundo Mike, os versos que ele interpreta foram inspirados na experiência que ele teve com os Linkin Park (ele colaborou com Mike na composição de Sorry For Now, no álbum One More Light). Os versos são abstratos de propósito, a ideia é cada ouvinte fazer a sua interpretação.

 

A meu ver, estes versos refletem sobre o processo de cantar sobre, lá está, alguém que morreu. O narrador (o próprio blackbear?) parece achar que é apenas uma cura rápida, nada que funcione a longo prazo (“Find something that works fits the symmetry, for only a quick broken remedy”). Ao mesmo tempo, também fala da falta de controlo sobre o processo de luto, tal como referimos antes.

 

 

A faixa que se segue, Brooding, é um tema instrumental. O termo “brooding” não tem tradução literal em português – significa algo como amuar, sem a conotação condescendente.

 

É um bocadinho complicado tentar interpretar o significado de uma peça instrumental, mas vou tentar... Brooding começa, de facto, de forma melancólica, ganhando ritmo depois do primeiro minuto – talvez simbolizando emoções em conflito, talvez representando uma tomada de decisão. Não sei. Signifique o que significar, faz uma boa transição entre About You e Promises I Can’t Keep.

 

Em termos musicais, esta última tem um estilo parecido ao do álbum Living Things. É o que acontece com muitas músicas neste álbum: adotam um estilo híbrido entre rock e eletrónico, semelhante ao dos álbuns A Thousand Suns e Living Things. Promises I can’t Keep tem ainda alguns elementos que me recordam Leave Out All the Rest. Em todo o caso, é um estilo de que gosto.

 

Em termos de letra, Promises I Can’t Keep pega de novo no tema da perda de controlo, parecendo até uma sequela direta a A Place to Start. Mike lamenta o fim da sua vida antiga com os Linkin Park, segura, previsível. Receia o futuro. Culpa-se a si mesmo por ter sido apanhado de surpresa, por não ter conseguido evitar o que aconteceu.

 

 

Ao mesmo tempo, no refrão, Mike parece ganhar noção que a segurança da sua vida antiga, o controlo que tinha sobre ela, eram ilusórios. Que não havia muito que ele pudesse ter feito. Assim, Mike procura habituar-se a isso. Procura aceitar que poderá não conseguir pôr os seus planos em prática e, lá está, cumprir as suas promessas.

 

Penso que é aqui que se dá o switch, que quando Mike se conforma com a instabilidade, quando aceita que a sua vida nunca mais será a mesma, que fica em condições de dar o próximo passo.

 

O que nos leva a Crossing A Line.

 

Tal como já tínhamos visto antes, esta faixa também pega no tema da falta de controlo, da incerteza, mas sob um ponto de vista mais esperançoso. Mike continua a sentir-se impotente perante o desconhecido, mas ao menos sabe o que quer fazer e acredita em si mesmo.

 

Crossing A Line continua a ser uma das minhas preferidas. Após uma primeira parte bastante sombria, o seu tom luminoso é agradável.

 

 

Avançando um pouco na tracklist, aliás, encontramos Make it Up As I Go, que me soa a uma versão sombria de Crossing A Line. Em ambas as canções, Mike mostra-se decidido a seguir em frente, a construir uma nova vida, a encontrar “um novo normal”. A diferença está na motivação. Em Crossing A Line, Mike é motivado por esperança. Em Make it Up As I Go, Mike é motivado por resignação, impaciência, mesmo teimosia, diria eu.

 

Mike queixa-se, mais uma vez, que o caminho para a recuperação não é linear, que de vez em quando dá passos para trás. Admite mesmo que ainda não está bem, que ainda tem dúvidas, que de vez em quando perde a esperança.

 

No entanto, Mike não quer de todo ficar parado e ceder ao desespero. Sabe que ninguém pode ajudá-lo, que tem de ser ele mesmo a desenrascar-se. Quer seguir em frente, mesmo que não saiba para onde vai, mesmo que tenha de se venturar no desconhecido. Mesmo que tenha, como reza o título da canção, de ir improvisando, de ir inventando pelo caminho.

 

É uma letra que acho muito interessante e algo estranha, mesmo. No que toca a músicas sobre seguir em frente, estou habituada a temas luminosos e letras esperançosas – Last Hope, dos Paramore, Keep Holding On, da Avril Lavigne, Million Reasons, da Lady Gaga, Crossing a Line neste mesmo álbum. Não estava habituada a uma música ao mesmo tempo sombria e motivadora. Mas acredito que existam pessoas que se identifiquem mais com este estilo do que com músicas como as que referi acima.

 

 

K.Flay é quem canta o refrão de Make it Up As I Go. Julgo que esta é a primeira vez que ouvimos a voz de Mike ao lado de uma voz feminina. Não sou grande fã da voz de K., soa-me demasiado artificial. Em Make it Up as I Go até encaixa bem, mas não sei se ia gostar de ouvir uma música cantada a solo por ela.

 

Voltando um bocadinho atrás na tracklist, a Crossing a Line, uma das músicas mais esperançosas de todo o álbum, segue-se uma das mais deprimentes. Holding It Together mostra as piores partes do processo de luto: os esforços que Mike ia fazendo para não ir abaixo, as noites mal dormidas, a sua esposa, Anna Shinoda, sofrendo com ele.

 

A música fala especificamente de um episódio verídico, em que alguém terá falado a Mike acerca de Chester, durante uma festa de anos de uma criança- Mike não gostou e terá respondido com uma piada que não caiu bem.

 

Estou certa que o tal sujeito, ou sujeita, não terá falado com más intenções. Eu própria, se calhar, também meteria o pé na poça. Mas, lá está, Mike estava com dificuldades em manter as emoções do luto sob controlo. Talvez pensasse que a festa de anos do miúdo ajudá-lo-ia a espairecer. Até vir esta pessoa estragar tudo.

 

 

Há pessoas que dão tempo a Mike para recuperar, que o aconselham a não ter pressas. Um bom conselho, só que Mike sente o tempo a passar, deixando-o para trás. Como diria Ellis Grey, o carrossel não pára de girar. Não dá para carregar no botão de pausa, não dá para andar para trás, não dá para sair dele.

 

Não que Mike não o tenha tentado, como vemos em Lift Off.

 

Esta é uma faixa interessante. Tem uma sonoridade inesperadamente etérea, fazendo pensar em voos noturnos e céus estrelados. A interpretação do refrão – por Chino Moreno, dos Deftones – também contribui para esse efeito. As estâncias, cantadas em rap, casam estranhamente bem com o acompanhamento atmosférico.

 

A parte musical condiz com a letra da canção. Mike terá composto Lift Off baseando-se na necessidade que sentiu, em diferentes alturas desde que Chester morreu, de fugir da tudo. De, lá está, tentar carregar no botão de pausa e sair do carrossel.

 

 

A expressão “Lift Off”, “descolagem” será, então, uma metáfora para este escapismo: levantando voo em direção ao espaço, longe de tudo, fugindo para um plano superior, etéreo. Para sítios perfeitos, como se calhar diria Lorde.

 

As estâncias também usam imagens espaciais. Na primeira estância, Mike usa um bocadinho de “braggadocio” – uma espécie de arrogância vazia que quase tudo o que é rapper demonstra na sua música. Não faz muito o meu estilo, confesso, mas depois do ano que Mike teve, não me importo. Se isso o ajuda…

 

A segunda estância é interpretada por Machine Gun Kelly (só me apercebi há relativamente pouco tempo que era o tal que não se encaixava em Papercut, durante o concerto por Chester). A parte dele lembra-me um pouco Airplanes, de B.o.b e Hayley Williams no sentido em que fala de sonhos falhados.

 

Agora que penso nisso, Airplanes e Lift Off são bastante parecidas: tanto pela parte de Machine Gun Kelly, pelas temáticas aeronáuticas e espaciais e pela sonoridade algo atmosférica e sonhadora.

 

 

Ghosts é a música mais pop de todo o álbum. Segundo Mike, nesta faixa ele permitiu-se a si mesmo divertir-se. “Já tive dias difíceis que chegue”, disse mesmo. “Se acordo e me sinto bem, não devia sentir-me culpado por me divertir.”

 

Eu também acho que não. O próprio Mike afirmou, durante o concerto no Hollywood Bowl, que Chester quereria que ele, o resto da banda, os fãs, se divertissem, que não estivessem sempre em baixo. Não quando existem horas e horas de vídeos de Chester fazendo palhaçadas, no YouTube.

 

E eu confesso que, com isto tudo, a última coisa que queria era que Mike perdesse essa faceta da sua personalidade. A faceta que se ria (e Mike é daquelas pessoas que se ri com a cara toda) quando o Chester fazia uma das suas; que ficou atónita quando, durante o concerto no Hollywood Bowl, o público cantou durante o vídeo dos Unicorns and Lollipops; que ainda hoje é conhecido por #trollnoda; que faz coisas destas.

 

Em Ghosts dá, então, para ver essa faceta – sobretudo no videoclipe. Foi o próprio Mike a produzi-lo. O protagonista é uma meia-fantoche, chamada Boris, acompanhado pela sua namorada (?), Miss Oatmeal.

 

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A música em si é bem menos pesada que a maioria de Post-Traumatic, mas  não é assim tão leve como parece. Ghosts fala sobre o lado sobrenatural da vida: sonhos, dejá-vus, coisas que vislumbramos pelo canto do olho e que desaparecem quando olhamos diretamente. Depois de uma perda como a de Chester, terão vindo muitas pessoas ter com Mike, falando-lhe destes aspetos mais surrealistas da vida.

 

 No que toca a estas coisas, Mike diz ter uma mente aberta, mas que nunca teve nenhum contacto direto com o sobrenatural – tirando uma experiência com uma médium, que lhe disse onde poderia encontrar um certo objeto.

 

Eu confesso que, no que toca a estas coisas, me inclino mais para o cético. Não digo preto no branco que não existe, mas sou uma mulher de ciência: tendo a acreditar no que é palpável, no que se pode provar sem contestação. No que toca a estes fenómenos, na minha opinião, muitos deles poderão ser manifestações do subconsciente.

 

Mas, lá está, compreendo o apelo, sobretudo se estivermos a falar de entes queridos. Além de que, como diria Albus Dumbledore, só porque ocorre nas nossas cabeças, não significa que não seja real. Como li algures no Twitter, estes fenómenos serão tão reais quanto uma pessoa necessite que sejam – desde que, claro, como também diria Dumbledore, não nos percamos em fantasias e nos alheemos por completo do presente.

 

 

O que nos leva, de novo, à letra de Ghosts. Nesta, os fenómenos sobrenaturais são retratados como uma fonte de consolo, um mundo para onde Mike foge durante a noite. Não existem referências diretas a Chester em parte nenhuma desta canção, nem Mike falou dele a propósito de Ghosts, tanto quanto sei. Mas é possível que Mike interprete estas manifestações como sinais enviados pelo amigo. É possível que ele encontre algum consolo nisso, na “presença” do amigo.

 

Não me interpretem mal, isto são apenas especulações minhas. Não acredito que Mike alguma vez confirme esta minha teoria – o que é compreensível.

 

No que toca a estas coisas do sobrenatural, gosto muito mais deste lado agridoce do que da faceta assustadora. O mundo real assusta muito mais, sobretudo os seres humanos, não precisamos de inventar coisas sobrenaturais para nos assustarem. É por isso que não acho piada quase nenhuma ao Dia das Bruxas.

 

Mas estou a desviar-me.

 

I.O.U. é a faixa de que menos gosto em Post Traumatic. Não porque seja má, antes porque não faz muito o meu estilo: um tema puramente hip-hop, com muito “braggadocio”, que Mike terá composto a pensar em Fort Minor. Tenho vindo a descobrir que não gosto assim tanto desse estilo musical.

 

 

Não que não aprecie nada em I.O.U. – por exemplo, gosto imenso dos versos “Used to be the quiet kid in the sandbox, now it’s ‘hands up’ everytime that your man rocks”

 

Our man, o nosso homem. O nosso Mike. Ah ah!

 

Segundo o próprio, os amigo de Mike terão ficado descansados quando o ouviram a disparatar (a expressão que ele usou foi “talking shit”) numa música de rap. Era sinal de que ele estava a recuperar, a voltar a ser o Mike que conheciam e adoravam. Por isso é que não me queixo. Mais uma vez, se isso o fizer feliz…

 

Mas continuo a preferir rap/hip-hop temperado com outros estilos musicais, como em Post Traumatic e em quase toda a discografia dos Linkin Park.

 

 

Um exemplo disso é Running From My Shadow – uma música com a participação de grandson, com um estilo que é um denominador comum à maioria de Post Traumatic.

 

A letra fala sobre, bem, fugir da própria sombra: negração, procrastinação, empurrar problemas com a barriga, ciclos viciosos. Segundo Mike, Running From My Shadow não fala sobre uma situação específica, antes sobre uma infinidade de momentos diferentes, um padrão na sua vida.

 

Confesso que também tenho esse defeito, até certo ponto: complicando questões que poderia ter resolvido de maneira simples se as tivesse encarado como uma mulher adulta, boicotando-me a mim mesma, como reza Caught in the Middle. Já fui pior.

 

Destaco o verso de grandson, que resume bem a mensagem da canção: “Running from my shadow, now my shadow is my only friend!”. Se continuamos sempre a adiar, a adiar, um dia a batata quente explode-nos nas mãos. E não há ninguém que possamos culpar ou a quem recorrer senão a nós mesmos.

 

 

World’s on Fire tem uma sonoridade interessante. Começa minimalista e assim se mantém até ao primeiro refrão. Ganha, depois, alguns elementos eletrónicos que fazem lembrar Robot Boy.

 

Quando falámos sobre o vídeo de Nothing Makes Sense Anymore, comentámos que este parece comparar o que aconteceu à vida de Mike com os incêndios na Califórnia, no final de 2017. A letra de World’s on Fire também pega nessa metáfora – desta vez para dizer, em suma, “when the world’s on fire, all I need is you”. “

 

You” é quase de certeza a esposa de Mike, Anna Shinoda, talvez também os seus filhos. Numa altura em que, como temos assinalado várias vezes neste texto, uma parte do mundo de Mike ardeu, Anna terá sido o seu porto de abrigo, o seu consolo, quem o impediu de ir completamente abaixo. Mesmo que Mike perca tudo, só precisa dela para sobreviver.

 

E tem razão. Por muito que se fale, que se escreva, o que mais importa são as pessoas. O resto é irrelevante.

 

Por outro lado, tenho vindo a reparar que o refrão de World’s On Fire parece ter sido composto a pensar na voz de Chester – não tanto a melodia principal, mais os backvocals mais agudos. Fazem lembrar algumas canções dos Linkin Park, como por exemplo Waiting for the End ou Rebellion, em que as vozes dos dois harmonizavam, com Chester cantando as melodias mais agudas, regra geral. Não me custa imaginá-lo fazendo o mesmo nesta canção.

 

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Não sei se Mike se apercebe disto, se o seu subconsciente ainda está habituado a compôr para a voz de Chester, se esse hábito vai desaparecer com o tempo. Faz parte do processo, suponho eu.

 

Chegamos, finalmente, a Can’t Hear You Now, uma das minhas preferidas. Sendo este um álbum muito autobiográfico, com uma tracklist ordenada de forma mais ou menos cronológica, não surpreende que esta, a última faixa, seja uma das músicas mais animadoras e esperançosas. Não deixa, no entanto, de manter um certo grau de sarcasmo e melancolia.

 

Em Can’t Hear You Now, vemos um Mike mais confiante em si próprio – não com “braggadaccio”, como noutras músicas, algo mais genuíno. Admite que ainda tem dias maus, de vez em quando, que por vezes sente o controlo a fugir-lhe. No entanto, está numa fase bem melhor, no geral. Na maior parte do tempo consegue ignorar os seus demónios, as suas inseguranças, bloquear a sua influência.

 

Em Watching As I fall, Mike dizia que queria fugir precisamente a essas vozes – “Maybe I’m just falling to get somewhere they won’t”. Em Can’t Hear you Now, vemos que ele conseguiu.

 

 

Um dos motivos pelos quais gosto tanto de Can’t Hear You Now é por saber que, pelo menos no momento descrito pela canção, Mike está numa fase menos infeliz. Sinto pena quando o CD reinicia automaticamente no meu carro, regressando a A Place to Start.

 

Também gosto porque me identifico com ela. A minha vida não tem sido, nem de longe nem de perto, tão má como o 2017 de Mike, mas também sinto que estou num período melhor em relação ao ano passado. Tenho os meus dias maus, claro (demasiados), tenho as minhas neuroses, mas hoje tenho uma segurança e uma confiança em mim mesma que não tinha há anos – se é que alguma vez a tive.

 

Mas estou a desviar-me. Outra vez.

 

Alguns de vocês devem andar a perguntar por Looking for an Answer. Mike disse numa entrevista que a deixou de fora porque não se encaixava no ritmo do álbum – e eu acho que ele tem razão.

 

Não sei se Mike está a guardar Looking for an Answer para um, ainda hipotético, futuro álbum dos Linkin Park ou outro projeto qualquer. Pode ser até que ele nunca chegue a gravá-la. Talvez Mike não queira regressar ao momento em que compôs a canção (ele admitiu, em entrevista recente, que não lhe é fácil cantar músicas como A Place to Start e partes de Over Again). Talvez ele queira que seja uma faixa exclusiva do concerto por Chester.

 

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Para ser sincera, a ausência de Looking for an Answer não me incomoda. Estou bastante satisfeita com Post Traumatic tal como está.

 

A maior força deste álbum é o facto de ser tão pessoal, tão honesto – fazendo-me ignorar certos aspetos que, noutras circunstâncias, me incomodariam muito mais. Como, por exemplo, alguns efeitos na voz de Mike e o “braggadocio”. Conforme tenho referido várias vezes ao longo dos anos neste blogue, música assim tem muito mais valor.

 

É nesta parte que costumo fazer uma atualização sobre a maneira como tenho lidado com a morte do chester. Não que muitos de vocês se ralem, penso eu, mas escrever sobre isso, no texto de fim de ano e na análise às primeiras músicas de Post Traumatic, ajudou-me, na altura. Por isso, tenham paciência, vão ter de me aturar.

 

Até há cerca de mês e meio, estava mais ou menos da mesma maneira que em abril: melhor que em 2017, com altos e baixos. Momentos em que ainda não acreditava que aconteceu mesmo, vídeos antigos de bastidores que me davam – ainda dão – vontade de rir e chorar ao mesmo tempo.

 

No entanto, tive uns dias maus em finais de outubro – mais especificamente no aniversário do concerto por Chester. Estava a rever partes do vídeo no YouTube. A certa altura, cheguei à parte do discurso de Chester no último concerto que deu em vida. E fui-me abaixo.

 

 

Naquele dia tinha havido (mais) um tiroteio nos Estados Unidos – com motivações anti-semíticas. No dia seguinte, Jair Bolsonaro ganharia as eleições no Brasil. Nessa altura, eu só pensava que Chester tinha morrido menos de duas semanas depois de fazer aquele discurso – um discurso que ele fez para tentar consertar o mundo, no rescaldo do atentado em Manchester. E desde julho de 2017 só via – ou melhor, só vejo – o mundo deteriorando-se cada vez mais.

 

Onde está a justiça nisto? Quem permite que isto aconteça? Que entidade superior achou por bem tirar-nos Chester, deixando-nos a braços com um mundo cheio de energúmenos?

 

Demorei uns dias a sair desta. Uma das coisas que me salvou deste estado de espírito foram palavras de Mike. Ele tem andado em digressão para promover Post Traumatic. Não passou por Portugal e, infelizmente, tão cedo não deverá fazê-lo.

 

Tenho, mesmo assim, evitado ao máximo spoilers dos concertos, mas sei que estes têm incluído um momento de homenagem a Chester, na forma de In the End – com o público cantando as partes que não o rap. Antes dessa música, Mike costuma falar um bocadinho sobre o amigo que perdeu e tudo o que se tem passado desde aí. Numa das vezes, disse que uma das coisas que queria fazer com esta digressão era deixar os fãs exprimirem as suas emoções em relação a Chester.

 

 

Eu fiquei sem palavras. Mike não tinha de fazer isto. Ele tinha todo o direito de ignorar-nos, de dizer que a nossa dor não era nada comparada com a dele, da família e amigos próximos de Chester – e não é, nunca tive ilusões disso.

 

Em vez disso, Mike virou o microfone para nós, deu-nos espaço para sentirmos o que tínhamos a sentir, exprimirmos o que tínhamos a exprimir. Nós não merecemos Mike, tal como não merecíamos Chester.

 

E no entanto é essa a questão. É isso que Chester faria, é isso que Chester quereria que Mike fizesse. Afinal de contas, Chester teve uma vida muito mais difícil que muitos de nós, sofreu muito mais que muitos de nós. E em vez de se tornar uma pessoa cínica, amarga e misantrópica, tornou-se o completo oposto disso: um homem gentil, divertido, que adorava os seus fãs, que distribuía alegria, que tentou quase até ao fim da sua vida fazer deste mundo um lugar melhor.

 

Ele escolheu ser assim, ele escolheu ser melhor. Escolheu tratar bem um mundo que não o merecia – embora não tenha sido capaz de tratar bem a si mesmo.

 

É isto que significa a hashtag #MakeChesterProud (demorei mais de um ano a percebê-lo), o movimento que Mike começou e que ele e outras pessoas próximas de Chester têm conduzido. Escolhermos ser melhores, apesar da nossa dor, cuidarmos uns dos outros como de nós mesmos, agarrarmos todos os momentos de felicidade que encontrarmos, virarmos as costas ao ódio, à intolerância, à toxicidade. Se não pudermos consertar o mundo inteiro, consertarmos o que está ao nosso alcance.

 

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Eu quero pelo menos tentá-lo.

 

Isto ficou um bocadinho lamechas, admito-o, mas eu precisava de escrever isto. Tenham paciência comigo, ainda estou a aprender a lidar com este mundo, com esta vida. Conforme escrevi no texto anterior, estes últimos anos não foram fáceis para ninguém. Consola-me um bocadinho saber que estamos no mesmo barco, de certa forma, que estamos todos a fazer o que podemos para, lá está, mantermos a cabeça à tona da água.

 

 

Estive várias semanas sem publicar – este texto demorou-me mais do que estava à espera – mas tão cedo não tenciono fazer um hiato tão grande. Estou já a trabalhar nos meus textos habituais de fim de ano, tenho uma entrada de Músicas Ao Calhas planeada e respostas a uma tag.

 

Em todo o caso, como sempre, obrigada pela vossa paciência.

 

Mike Shinoda – Post Traumatic (o EP e não só)

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Como é do conhecimento geral, Chester Bennigton morreu no ano passado. A sua morte deixou a sua banda, os Linkin Park, com um futuro incerto. Tirando o concerto de homenagem em finais de outubro do ano passado, cada um dos membros sobreviventes encontra-se, neste momento, a seguir o seu próprio caminho, à parte da banda. Para Mike Shinoda – segundo vocalista, multi-instrumentista e, para todos os efeitos, cérebro dos Linkin Park –  esse caminho passa por lançar música a solo

 

Em entrevistas recentes, Mike confessou que, mesmo antes de Chester morrer, já tinha a vaga ideia de, um dia, investir num projeto a solo, em música que ele pudesse criar e lançar sem passar pelo crivo de colegas de banda. Um pouco o que o próprio Chester fez com os Dead By Sunrise. A morte do melhor amigo – da pessoa com quem, nas palavras de Mike, passava mais tempo tirando a sua esposa – acabou por acelerar esses planos. Mike afirmou que, embora nem todas as músicas deste trabalho novo sejam sobre o luto por Chester, foi por aí que o projeto começou. Sendo o luto uma jornada tão pessoal, tão íntima, Post-Traumatic é um trabalho igualmente íntimo e pessoal. Para além de compôr e produzir estas músicas ele mesmo, os videoclipes vieram todos do telemóvel de Mike – o único que não veio, foi filmado com fãs.

 

Não estou surpreendida por ouvir música a solo por parte do Mike, nesta altura do campeonato. Julgo tê-lo ouvido dizer, numa entrevista de há uns anos, que ele é daquele género de compositores que precisa de estar sempre a trabalhar em algo, para o músculo não atrofiar. Em declarações mais recentes, já a propósito de Post-Traumatic, Mike referiu mesmo que, desde miúdo, sempre se voltou para a música e para o desenho nestas alturas – são a sua maneira de lidar com momentos difíceis.

 

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Eu encaro a escrita da mesma maneira: algo que faço quase todos os dias, em parte para não perder a prática (tal como expliquei aqui), mas sobretudo por necessidade. Eu preciso de ter algo para escrever, mesmo que nunca seja publicado de nenhuma forma. Também é a minha maneira de lidar com períodos mais infelizes, quer escrevendo sobre eles ou (e isto é mais frequente, confesso) como forma de consolo ou escapismo.

 

Quando o Chester morreu, no entanto, Mike teve de se obrigar a regressar ao estúdio, reaprender a compôr. Chegou a dizer que, nas primeiras semanas, compôs uma série de “músicas grunge más”, algumas propositadamente más, algumas propositadamente ridículas, até conseguir compôr algo decente. Daí Post-Traumatic.

 

Este começou por ser apenas um EP de três músicas, lançado em finais de janeiro. Na altura não escrevi sobre ele porque ainda não tinha uma opinião formada sobre ele. Mas agora que Mike lançou mais um par de faixas, confirmando que Post-Traumatic vai ser um álbum, é uma boa altura para dar o meu parecer.

 

Antes de começar, dizer apenas que, na minha opinião, estas faixas valem mais pelas letras que pela parte musical. Desse modo, não vou focar-me tanto em instrumentais como faria noutras circunstâncias.

 

  

Sem grande surpresa, um dos temas recorrentes nestas músicas é desorientação, insegurança. É o que acontece, não apenas quando se perde um melhor amigo, mas também quando o trabalho de quase duas décadas fica comprometido. A Place to Start, que abre o EP – e que deverá abrir o álbum – reflete exatamente isso. A faixa – que, segundo Mike, chegou a ser considerada para introdução ao álbum One More Light, com uma letra diferente, claro – tem um instrumental grave e melancólico, bem a condizer com a letra.

 

Em a Place to Start, Mike afirma que, essencialmente, não tem maneira de seguir com a sua vida, que sente que não tem controlo sobre ela. Diz que receia tomar decisões, pois podem acabar mal. Ao mesmo tempo, quer fazer alguma coisa. Começar por algum lado, tal como reza o título da canção.

 

Havemos de regressar a esta ideia.

 

  

Consta que Over Again é a música mais popular do EP e eu concordo com a opinião geral. Não é difícil perceber porque é que as pessoas gostam: é a mais crua, a mais específica, de todas lançadas até agora, aquela que chama os bois pelos nomes. Mike compôs a primeira estância na véspera do concerto de homenagem a Chester, no Hollywood Bowl, e a segunda no dia a seguir. Ambas as estâncias referem-se diretamente a esse concerto e a tudo o que levou a ele.

 

Na primeira parte da canção, assim, ouvimos acerca da decisão de fazer o concerto, nas primeiras semanas a seguir à morte de Chester, de como chegara o dia do concerto… e do pavor que Mike tinha de subir ao palco.

 

Mais uma vez, sem surpresas aqui. Eu mesma chorei quando anunciaram esse concerto, em inícios ou meados de setembro. E tornei a chorar na manhã que se seguiu ao concerto. Eu, que sou apenas uma fã, cujo único contacto com Chester fora agarrar-lhe a mão durante dois segundos.

 

A segunda parte aborda o pós-concerto e é muito mais intensa, rica em raiva e revolta, em que Mike parece disparar em múltiplas direções: aos críticos da banda, ao processo de luto que parece nunca mais acabar, àqueles que que não parecem compreender a dimensão do problema de Mike. O verso “Only my life’s work hanging in the fucking balance” é esclarecedor – Mike disse mesmo no Genius (mais sobre esse site aqui) que é a ideia principal de Post-Traumatic.

 

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Ao mesmo tempo, Mike confessa que não sabe o que sente em relação ao concerto em si, que quase se foi abaixo em certos momentos – isto apesar de terem existido alturas em que ele parecia animado. A certa altura, chegou a dizer que se estava a divertir, o que lhe parecia estranho.

 

É como o próprio Mike disse durante o concerto: é uma montanha-russa de emoções. Em Over Again, Mike diz que só queria que se tornasse mais fácil. A língua inglesa tem esta palavra extraordinária, closure, que não tem tradução direta para português. É um misto entre conclusão e aceitação. Essencialmente, dar um capítulo da vida de uma pessoa por encerrado e partir para outra. Algo que Mike não consegue fazer.

 

Se esta música tivesse saído um mês antes, teria dado cabo de mim.

 

O que nos leva ao refrão. O título da música Over Again refere-se ao facto de o luto nem sempre ser um processo linear. O sentimento de perda nunca desaparece de vez, está apenas dormente, despertando quando menos esperamos. E, quando acontece, abalam uma pessoa. Mike têm dado vários exemplos em que, em suma, ele até está a ter um dia bom, sai para comprar gelado, toca uma música dos Linkin Park ou é abordado por um fã e volta tudo de novo. Como reza One More Light, “the reminders pull the floor from your feet.”

 

 

Queria, por fim, chamar a atenção para os vocais do segundo e terceiro refrões e, sobretudo, perto do fim da canção: muitos, eu incluída, julgam ouvir a voz de Chester no coro. Chegou a pensar-se que talvez fossem vocais antigos do cantor, gravados para um dos álbuns de Linkin Park mas que nunca chegaram a ser usados. No entanto, Mike disse no Twitter que não, os vocais são dele mesmo – quanto muito, estaria a canalizar o Chester dentro de si.

 

Eu gosto disso. É uma parte do Chester que continua a viver em Mike – na voz dele e não só, como reza Everglow, dos Coldplay. Sempre consola um bocadinho.

 

  

Existem muitas coisas boas em Over Again, como podem ver, é a minha faixa preferida até ao momento. Por sua vez, Watching As I Fall é das menos apelativas para mim – o que não significa que seja má.

 

Tem um ritmo um pouco mais acelerado que as outras canções do EP e, tal como em Over Again, ouve-se muita raiva e revolta na letra e interpretação. Os temas são os mesmos: o luto não linear, a desorientação, o surrealismo. Destaca-se o facto de Mike estar a passar por tudo isto sob o olhar do público.

 

Estas foram, então, as músicas lançadas quando Post-Traumatic era apenas um EP. Por sua vez, Crossing A Line e Nothing Makes Sense Anymore foram lançadas há apenas duas semanas, já como parte do álbum. Além disso, nota-se que pelo menos Crossing A Line foi composta numa fase diferente das músicas do EP.

 

  

Crossing A Line – o primeiro single oficial – está a tornar-se uma das minhas preferidas de Post-Traumatic por causa da letra, um tudo nada mais esperançosa que as outras músicas. Se em a Place to Start, Mike não sabia o que fazer consigo mesmo, em Crossing a Line, ele parece ter uma ideia mais clara. As inseguranças persistem mas, desta feita, Mike tem esperança.

 

Se dúvidas existiam antes, Mike deixa bem claro no Genius que a decisão de que Crossing A Line fala é o seu álbum a solo… e sobre o medo que Mike sentia da reação dos seus colegas de banda ao projeto.

 

Eu compreendo as inseguranças de Mike, sobretudo à luz da morte de Chester – podia parecer que ele estava a desistir dos Linkin Park. Mas eu acho que o Brad, o Phoenix e os outros nunca diriam que não. Eles nunca tiveram problemas nem com Fort Minor (ao ponto de incluírem músicas como Remember the Name na setlist de vários concertos dos Linkin Park) nem com Dead by Sunrise (ao ponto de, segundo uma entrevista que vi na altura em que escrevi a análise a Out of Ashes mas que não consigo encontrar agora, terem dado ao Chester a possibilidade de lançar Out of Ashes com o nome dos Linkin Park). Porque haveriam de levar a mal este projeto do Mike?

 

De qualquer forma, Mike queria mesmo que os amigos soubessem que ele não estava a abandoná-los.

 

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A expressão “Crossing a line” – cruzando um risco, ultrapassando um limite – faz pensar em algo proibido, irreversível. Consigo pensar em várias outras possíveis interpretações para coisas “proibidas” a que a canção pode estar a referir-se. Mike está já a cruzar um limite só pelo facto de estar a seguir com a sua vida após a morte do Chester. Ao mesmo tempo, mais uma vez remetendo para A Place to Start, Mike está a deixar um lugar depressivo mas confortável para se aventurar no desconhecido.

 

Por outro lado, só o facto de este trabalho deixar a alma de Mike a nu é algo suficientemente desconfortável para equivaler a cruzar uma linha.

 

O videoclipe para Crossing a Line é mais sofisticado que os outros, mas mantém o carácter pessoal e intimista. O vídeo foi filmado no mesmo sítio onde os Linkin Park terão começado como banda. Mike avisou quarenta e cinco minutos antes no Twitter que ia para lá, pedindo aos fãs para irem lá ter se pudessem. Como se pode ver no vídeo, apareceu imensa gente.

 

Eu com inveja deles? Não! Que ideia…

 

  

Falta apenas falar sobre Nothing Makes Sense Anymore, que foi lançada juntamente com Crossing a Line. Esta, no entanto, tem mais semelhanças com as músicas do EP, lançadas em janeiro.

 

Para esta, queria começar por falar do videoclipe. Este mistura imagens dos incêndios que assolaram Los Angeles em dezembro do ano passado com imagens do telemóvel de Mike, quando este foi visitar os terrenos ardidos. Faz-me lembrar, como é evidente, os nossos próprios incêndios, no ano passado.

 

Não me surpreende que Mike tenha escolhido este cenário para o vídeo. Suponho que ele se identifique com uma vítima dos incêndios – com as devidas ressalvas, claro, porque mal por mal Mike não perdeu a sua casa. Mesmo assim, a morte de Chester foi algo que lhe destruiu a vida que conhecia e Mike encontra-se, agora, a reconstruir uma vida nova sem Chester, a encontrar o novo “normal”.

 

É sobre isso que fala a letra de Nothing Makes Sense Anymore – à mistura com os temas recorrentes de luto e incerteza.

 

Sobre a parte musical, queria dizer apenas que os efeitos na voz de Mike irritam-me um pouco, tornam o seu desempenho demasiado artificial, pouco humano. Estes efeitos também existem em Crossing a Line, eu sei, mas só no refrão, não incomodam tanto. Talvez Mike não tenha gostado do seu desempenho vocal e tenha acho que precisava de ajustes.

 

 

Em suma, conforme dei a entender antes, estas canções são mais ou menos o que se esperava da parte do Mike, tendo em conta as circunstâncias. É possível que tenhamos mais músicas assim no resto de Post-Traumatic. Pergunto-me, aliás, se Looking for an Answer fara parte da tracklist. Mike ainda não a lançou porque, segundo um tweet dele, não conseguira descobrir a melhor maneira de apresentá-la.

 

Eu gosto do Mike, quase tanto como gostava do Chester. Para além de ser um bom músico, parece ser uma boa pessoa, um bom exemplo, com sentido de humor, chegado aos fãs. Tal como Chester era. Tenho pena de, entre muitas outras coisas, não podermos voltar a vê-los juntos, mas estou grata por ainda termos Mike na nossa vida, por termos música criada por ele, mesmo que não seja Linkin Park.

 

Aqui entre nós que ninguém nos ouve, nesta fase, não me importaria muito muito se os Linkin Park nunca mais se voltassem a reunir, se a partir de agora Mike só criasse música para si mesmo. É o que sinto neste momento – não garanto que não mude de ideias no futuro. Mas, nesta fase, estou aliviada por os Linkin Park estarem em pausa, com cada membro seguindo o seu caminho, porque ainda não me sinto preparada para ver os Linkin Park continuando sem o Chester, seja de que forma for.

 

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Mais uma vez sublinho: é o que eu sinto agora. Não está escrito em pedra.

 

Já que falo disso, suponho que faça sentido fazer uma atualização da maneira como tenho lidado com a morte do Chester, nos últimos tempos. Curiosamente, tenho estado bastante melhor este ano – a pior parte ficou em 2017. Talvez tenha ajudado escrever sobre isso nesse texto. Talvez o facto de a minha própria vida andar a correr melhor este ano tenha feito com que parasse de projetar os meus próprios dramas no que aconteceu ao Chester. De qualquer forma, está menos insuportável do que antes.

 

E, mesmo assim, de vez em quando apanha-me desprevenida – como Mike descreveu nestas canções, mas muito mais atenuado, claro. Houve uma ocasião em que estava a escrever despreocupadamente para o meu outro blogue, com o Spotify em modo aleatório. De repente, começa a tocar a música One More Light (que não ouvia há algum tempo) e deu-me um baque.

 

Esta foi a ocasião mais intensa. Para além dessa, às vezes dou por mim a lacrimejar quando oiço certas músicas. Como Breaking the Habit ou Numb (ponho-me a pensar no concerto no Hollywood Bowl, em que tocaram esta sem ninguém a cantar, apenas o microfone iluminado). Por fim, escrever este texto voltou a despertar um bocadinho do luto em mim.

 

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Entretanto, ainda tenho o álbum One More Light por analisar. Não o fiz ainda por uma questão de calendário – tenho uma data de textos que quero escrever e publicar antes de me voltar para esse. Como tal, ainda devo demorar alguns meses.

 

Para já, quero ver se o próximo texto que publico é o próximo de Pokémon através das gerações, a análise à sexta geração, que deverá vir em duas partes Não sei se consigo publicá-los já já, mas nunca depois de finais de maio.

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre. Continuem ligados!

Músicas Não Tão Ao Calhas - Heavy

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"I don't like my mind right now..." 

 

Os Linkin Park preparam-se para lançar o seu sétimo álbum de estúdio, One More Light, no próximo dia 19 de maio. O primeiro single desse álbum, lançado no passado dia 16 de fevereiro, chama-se Heavy e inclui a participação de Kiiara nos vocais.

 

O título Heavy é irónico pois esta música é tudo menos pesada. Pelo contrário, tanto quanto sei, Heavy é a canção mais pop da discografia da banda até ao momento, o que, previsivelmente, está a causar polémica entre os fãs. Um dos motivos, de resto, pelos quais não publiquei esta análise mais cedo - para além do lançamento da segunda geração em Pokémon Go, que fez com que, pelo menos no meu caso, o hype regressasse em força - foi porque precisei de algum tempo para me afastar do barulho provocado pela polémica e formar a minha própria opinião sobre a faixa.

 

Infelizmente, esta não é muito favorável. Heavy tem uma instrumentação muito pop, muito genérica, só se tornando interessante a partir do segundo refrão. Esta faixa, a meu ver, pedia guitarras estilo Final Masquerade. A versão acústica de Heavy, que a banda apresentou em direto no Facebook, no dia em que o single foi lançado, sempre tem um pouco mais de personalidade. Os desempenhos vocais, tanto de Chester como de Kiiara, são o melhor da canção, contudo.

 

 

A letra de Heavy fala, essencialmente, de ansiedade, depressão, paranóia, mas de uma forma demasiado vaga para que possamos levá-la a sério. Acaba, também, por se tornar algo repetitiva, embora não ao nível de Until It’s Gone, verdade seja dita.

 

Não consigo, portanto, gostar de Heavy, por muito que tente. É demasiado curta, tem pouca substância, cansativa após três ou quatro audições. Até Darker than Blood tem mais personalidade que isto. Não ficará na História. Não escondo que é uma desilusão que uma das minhas bandas preferidas - que inclui Chester Bennington e Mike Shinoda, duas das minhas pessoas favoritas no mundo da música - tenha produzido um primeiro single tão fraquinho.

 

Tal como referi no início deste texto, o álbum que inclui Heavy, One More Light, sai em maio. Os Linkin Park têm falado sobre este álbum há vários meses. Eu até estava a gostar das pistas que iam deixando - sobretudo o facto de as músicas supostamente se basearem nas vidas pessoais dos membros da banda. Cunho pessoal, por norma, é um ponto forte. No entanto, se Heavy é a ideia deles de música com cunho pessoal, mais valia terem ficado quietos.

 

Os membros da banda afirmaram, também, que o seu processo de composição mudou. Antes, eles começavam pela música em si, só depois criavam a melodia e escreviam a letra. Neste álbum, eles começaram pela melodia e pela letra - chegavam a gravar cantado sobre piano ou guitarra acústica. Depois, construíam o resto da música em torno dessa melodia. Sempre explica o facto de os vocais sobressaírem tanto em Heavy.

 

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Tudo muito bonito e tal, mas eu suspeito que esta não seja a história toda. Em One More Light, os Linkin Park trabalharam  pela primeira vez com compositores sem serem membros da banda: nomes como Justin Parker (que trabalhou com Lana del Rey, Rihanna e Ellie Goulding, entre outros) e Julia Michaels (que trabalhou, entre outros, com Selena Gomez, Gwen Stefani e, de todas as pessoas, Britney Spears). Isto faz-me desconfiar de propósitos comerciais.

 

Os membros da banda adotaram logo uma postura defensiva nas redes sociais. Ainda antes do lançamento de Heavy, Mike afirmou no Twitter que “O género [musical] morreu”. Mais tarde, Chester partilhou um artigo que defende o direito de as bandas mudarem de estilo (não que eu, pelo menos, alguma vez tenha questionado esse direito...). Com tudo isto, é óbvio que a polémica não vai ficar por aqui, que o resto de One More Light será igualmente polarizante e a banda sabe-o.

 

Por muito que me irritem os puristas musicais, aqueles fãs que se recusam a aceitar que os seus artistas preferidos não gravem o mesmo álbum outra e outra vez… eu não sei se quero que os Linkin Park virem cem por cento pop. Sobretudo se for com tão pouca substância como Heavy. Eles sempre foram uma banda de experimentalismo, de teorias híbridas e tal. Contudo, tal como afirmou um YouTuber crítico musical que respeito muito no Twitter, longe de explorar novos territórios, Heavy é uma amostra do pop mainstream que enche a rádio dos dias de hoje. Sinceramente, Linkin Park é melhor do que isto.

 

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Os Linkin Park continuam a ser uma das minhas banda preferidas, atrás de Paramore. A nossa relação tem quase dez anos e inclui dois concertos inesquecíveis. Entre outras coisas, não sou capaz de ser demasiado dura com uma banda que inclui um tipo que se veste como na fotografia acima e que diz que, se não estivesse na música, seria treinador de Pokémon (quem diria que um tipo cujo trabalho, cinquenta por cento das vezes, envolve gritar para um microfone poderia ser tão adorável…?).

 

Assim, vou dar-lhes o benefício da dúvida. Talvez Heavy seja a mais comercial do álbum, daí ser o primeiro single. Talvez as outras músicas tenham letras melhores e um som mais trabalhado. Quem sabe? Voltaremos a falar quando o álbum sair ou se lançarem outro single...

 

Liebster Awards #2

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Eu já tinha respondido aos Liebster Awards há cerca de ano e meio. No entanto, fui nomeada de novo pela Miana do blog 1/2 tigela (que tenho vindo a acompanhar há algumas semanas e gosto muito). Visto que as perguntas são diferentes das que respondi anes, resolvi aceitar o desafio. Peço desculpa por só responder agora, mas tinha de acabar a minha análise a Ketsui antes de o próximo filme sair. 

 

Vamos a isso, então:

 

11 factos sobre mim:

 

1) A minha flor preferida é a papoila vermelha.

2) Se só pudesse comer um alimento para o resto da minha vida, esse seria esparguete.

3) Já tenho idade para me vestir mais à senhora, mas ainda adoro usar calças de ganga, ténis e um boné.

4) Dito isto, das poucas ocasiões que usei um fato formal (blazer e calças)adorei.

5) Os GNR são a minha banda portuguesa preferida.

6) Os Xutos e Pontapés são a minha segunda banda portuguesa preferida, quase empatados com os GNR.

7) Sei tocar guitarra e um bocadinho de piano.

8) A primeira canção "a sério" que aprendi na guitarra foi Back to You, de Bryan Adams.

9) O meu Pokémon preferido é o Vaporeon.

10) A minha marca de chá preferida é Lady Grey.

11) Descobri hoje de manhã que Wada Kouji, o músico que canta Buttefly, o tema de abertura de Digimon Adventures, faleceu vítima de cancro. Apesar de nunca ter gostado por aí além dessa música até ouvir a versão de Tri, estou aqui ouvindo a versão em piano da canção, sentindo vontade de chorar...

 

 

 

Agora as perguntas...

 

1)Lema de vida?

 

Eu não teho um lema propriamente dito, ou pelo menos um que seja radicalmente diferente do de outras pessoas. Um daqueles com que mais me identifico é este aqui em baixo, de Mike Shinoda dos Linkin Park, sobretudo a parte do "Don't be an asshole". São cada vez menos as pessoas que seguem esse conselho, infelizmente.

 

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2) Banda ou artista de eleição?

 

Conforme os leitores do meu blogue estão gregos de saber, o meu cantor preferido é Bryan Adams, a minha cantora preferida é Avril Lavigne. A minha banda preferida não é uma coisa tão fixa mas, neste momento, são os Paramore

 

3) O que achas da adoção por casais do mesmo sexo? 

 

Como diz Ricardo Araújo Pereira (vivemos numa altura em que as palavras de maior sabedoria saem da boca de comendiantes...), sou daquelas que acredita que aquilo que uma pessoa faz entre lençóis, a menos que seja pedofilia, não é um bom indicador da sua capacidade de educar uma criança. Desde que esta seja criada com amor e respeito, sem que nada de essencial lhe falte, não me interessa se tem dois pais, duas mães, só um pai, só uma mãe, um pai e uma madrasta, uma mãe e um padrasto, só avós. Nenhuma criança merece crescer sem família. 

 

4) Para além do português, que outra língua falas fluentemente?

 

Inglês. Sou praticamente bilingue.

 

5) Uma cidade ou país que queres visitar?

 

Gostava de visitar Moçambique, onde nasceram os meus pais.

 

6) O que mais aprecias no sexo oposto?

 

O mesmo que aprecio em qualquer pessoa: que seja bem-educada, simpática (ou, pelo menos, tenha um mínimo de cortesia). Que tenha uma mente aberta e seja capaz de aceitar pontos de vista contrários aos seus. Em suma, que não seja um "asshole" (penso que a melhor tradução é "besta"). Pode parecer pouco - isto no fundo são características básicas de uma pessoa decente - mas estas características são cada vez mais subvalorizadas

 

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7) Uma coisa que muita gente faça e que aches estúpido/irritante?

 

Este é apenas um exemplo, mas aquilo de que me lembro agora é a atitude contraditória da sociedade perante o álcool. Qualquer pessoa com dois dedos de testa conhece os danos que o álcool pode fazer a uma pessoa e, no enanto, uma boa parte da população (adolescentes sobretudo) acham que beber até cair para o lado é "fixe". Não que eu seja abstémia: adoro Somersby (sobretudo agora, que o calor se faz sentir de vez em quando), gosto de uma boa sangria, de vinho espumante, entre outras bebidas. Nunca me embebedei a sério e, para ser sincera, não acho que tenha perdido nada por isso. Consigo compreender (bem, mais ou menos) que uma pessoa goste de se embebedar de longe a longe e, não vou ser hipócrita, os eventos do meu livro só aconteceram porque o protagonista bebeu um shot a mais. Mas sinceramente, se vocês não conseguem divertir-se e/ou arranjar coragem para fazer algo sem um estímulo etílico, vocês têm um problema.

 

8) Coisas mais importantes da tua vida?

 

A minha família e a minha cadela.

 

9) O teu sonho?

 

É menos um sonho que um projeto de vida: escrever e publicar mais livros e ter pelo menos dois filhos.

 

10) Uma pessoa conhecida com quem gostasses de jantar?

 

Existem várias, mas acho que aquela com quem poderia aprender mais (sobre escrita e não só) seria J.K.Rowling.

 

11) Qual a tua bebida favorita?

 

Neste momento é o chocolate quente com chantilly do Jeronymo. 

 

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E já está. Não vou estar a nomear ninguém em específico para responder à TAG. Quem quiser, que responda e, já agora, partilhe nos comentários o link com as respostas para eu ler. Obrigada.

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