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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Paramore (2013) #2

 

Segunda parte da crítica ao álbum Paramore. Podem ler a primeira parte AQUI. Começo, agora, a entrar nas músicas de que realmente gosto. 
 
Hate to See Your Heart Break



 
"For all the things that you're alive to feel
Just let the pain remind you hearts can heal"
 
Hate to See Your Heart Break é uma balada suave, terna - mais terna do que é habitual ouvirmos por parte dos Paramore - com alguns ecos de In the Mourning em termos sonoros. Em termos de letra, por sua vez, assemelha-se um pouco a Darlin e Everybody Hurts de Avril Lavigne no sentido em que ensina a lidar com a dor. É uma música bonita mas não tem o carácter arrebatador que outras baladas, como My Heart e The Only Exception, possuem.


Grow Up

 

"We get along, for the most part,
Me and reality, the light and the dark"
 
Esta é uma das faixas onde se notam mais inovações na sonoridade, com especial destaque para os elementos eletrónicos. Gosto, em particular, da conclusão da música. O tema é algo recorrente na discografia dos Paramore mas, tal como em Fast in My Car, a letra parece ser mais específica do que a maioria do álbum. Acho que tem uma ou outra referência à crise dos Farro mas ensina a ultrapassar os problemas, a deixar de termos pena de nós próprios, a agarrarmo-nos às coisas boas. A crescer, em suma.


Still Into You



"Let them wonder how we got this far
'Cause I don't really need to wonder at all"
 
Até ao momento, julgo que os singles foram bem escolhidos. Still Into You acaba por ser a faixa mais pop de todo o álbum e Now a mais pesada, a mais rock. Em relação à primeira, não tenho muito mais a dizer que não tenha dito na entrada que dediquei a ela. Apenas que já descobri como é que se fazem as sombras chinesas do lyric video. Agora não sou capaz de ouvir a música sem as imitar.

O videoclipe da música foi lançado no mesmo dia que o CD, tornando o dia 9 de abril ainda mais memorável. Eu estava à espera de um videoclipe diferente, com uma história de amor semelhante à relatada pela letra. No entanto, segundo a própria banda, não optaram por isso porque, tendo a letra sido baseada na relação da Hayley com o seu atual namorado, não quiseram expô-los ainda mais. Assim, gravaram este vídeo, sem enredo, refletindo mais o lado pop e festivo de Still Into You. A mim, desiludiu-me um pouco , esperava algo com mais conteúdo, mas também, depois de os dois últimos videoclipes terem sido tão tensos, também lhes deve ter sabido bem terem gravado um vídeo só para se divertirem.

Em todo o caso, gosto mais do lyric video. 


Proof


"My heart is bigger than the distance in between us"
 
Esta é uma faixa que vai na linha de Still Into You, no sentido de ser uma música de amor, alegre e confiante. Ao contrário do single, está é bem mais clássico Paramore, com guitarras pesadas, dando vontade de saltar e abanar o capacete. Fala sobre um relacionamento à distância mas em que isto não constitui impedimento e não existe qualquer insegurança. Lembra-me um pouco I Drove All Night (original de Roy Orbison, mas a minha versão preferida é a de Céline Dion), em particular a segunda estância.


Now

"Feels like I'm waken from the dead and everyone's been waiting on me..."

Now permanece uma faixa marcante neste álbum. Quando escrevi pela primeira vez sobre ela, há já mais de dois meses, afirmei que esta não era uma música de consumo rápido, que era bastante complexa. Não deve, por isso, provocar admiração que, neste longo intervalo de tempo, tenha ganho novos significados.

Os Paramore descreveram-no como o seu hino de vitória, assinalando o facto de terem ultrapassado um momento turbulento e estarem prontos para o que vem a seguir. Uma mensagem em que muitas pessoas se poder rever. Quanto a mim, por exemplo, hei de cantá-la se algum dia Portugal sair desta crise... Na verdade, a discografia dos Paramore tem vários temas na mesma linha (Hallelujah, Looking Up...) mas Now destaca-se pelo seu tom combativo, desafiador, que me levou a incluir a faixa na minha playlist de cenas de ação. Posso, ao início, ter estranhado Now mas agora encontra-se bem entranhada.

Para isso, muito contribuiu o videoclipe, lançado algumas semanas depois do single. Que é capaz de ser um dos meus favoritos dos últimos tempos. A cena de batalha - que também ficaria bem num videoclipe dos Linkin Park ou dos Within Temptation - ajuda-me quando, na minha escrita, estou a trabalhar em cenas de ação. Tem, além disso, uma certa graça ver os elementos da banda no meio daquilo, numa situação que, de certa forma, podia ter saído de um filme ou da minha escrita. Quando vi o vídeo pela primeira vez, passei uma boa parte dizendo coisas tipo: "Foge, Hayley!"

Quanto ao final, foi pura e simplesmente surpreendente.

Uma das melhores coisas deste vídeo é o facto de ter múltiplas interpretações. Os Paramore afirmaram que o vídeo tinha uma mensagem pacifista, semelhante de certa forma à do filme Looper (tenho de o ver um dia destes), de o-amor-é-sempre-a-solução. Uma das minhas interpretações é a cena de batalha simbolizar um conflito interior, um trauma, cuja única solução é desistir do ressentimento, fazer as pazes consigo mesmo e com outros, perdoar.

Apesar de achar que a mensagem pode, facilmente, resvalar para o campo do cliché, a verdade é que tenho-me deparado com a mesma mensagem - com variações, como é evidente - em diferentes locais. Talvez fale do tema noutra entrada, a propósito de outro assunto.


Daydreaming


"I wanna get out and build my own home
On a street where reality is not much different from dreams I've had
A dream is all I have..."

Estou a chegar ao topo das minhas preferências. Daydreaming é uma delas. Em termos de sonoridade, é uma das mais interessantes do álbum. Tal como Now, tem padrões interessantes de bateria. Temos violinos, alguns elementos eletrónicos, sem deixarmos de ter guitarras elétricas, uma bela interpretação por parte da Hayley. Mas o ponto mais forte é, na minha opinião, a letra que, uma vez mais, tem imenso a ver comigo. Eu , que sou muito sonhadora - sou escritora, escrevo ficção, de onde acham que isso vem? - e muitas vezes, em particular nesta fase da minha vida, sinto-me desiludida com a realidade. Gosto do pormenor da escola, na segunda estância - quem nunca passou aulas sonhando acordado, enquanto esperava pela campainha?

 

Uma vez mais, vêm-me músicas de Avril Lavigne à mente: uma b-side chamada Falling Down, cuja letra também fala do choque entre sonhos e realidade - embora de uma forma muito mais vaga. Outra é My World, do álbum Let Go, cujo refrão fala igualmente sobre sonhar acordado.
 

Terceira Parte
Quarta Parte

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Músicas Não Tão Ao Calhas: Now

Inauguro assim uma nova rubrica para o Álbum. Será em tudo igual às Músicas Ao Calhas, a única diferença  é que, nesta rubrica, falarei de músicas recém-lançadas pelos meus cantores e/ou bandas preferidos. E visto que, em princípio, teremos vários lançamentos de discos este ano, cada um precedido de um single, em princípio teremos várias Músicas Não Tão Ao Calhas.
 
Começarei por falar sobre "Now", lançado ontem, dia 22 de janeiro, o primeiro single do quarto álbum dos Paramore, que será homónimo e lançado oficialmente dia 9 de abril - mas que estará à venda em Portugal no dia 8.

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"Bringing my sinking ship back to the shore"

Começarei com os pontos fracos. O maior deles é a repetição. Compreendo que os versos "If there's a future we want it now" e, em particular, "There's a time and a place to die but this ain't it" têm força, têm sonoridade, parecem ter sido escritos de propósito para se fazerem imagens para publicar no Tumblr mas não havia necessidade de estarem constantemente a repeti-los. Dá vontade de dizer: "Já percebemos!" Mas suponho que seja um defeito da rádio atual, parecem assumir que nós, os ouvintes, só conseguimos decorar três versos por música.
 
Nesse aspeto, Now é bastante radiofónica mas, por outro lado, não o é exatamente. Não é um êxito pré-fabricado, como Diamonds, agradável ao ouvido mas sem grande conteúdo por detrás que imortalize a faixa. O que tem vantagens e desvantagens pois demora-se ainda bastante tempo a entrar na onda da música. O exemplo mais evidente é o início, que soa demasiado estranho. 

 
Tirando o "Don't try to take this from me", Now tem a sonoridade típica à Paramore. Recorda-me vagamente Careful. Este excerto acima, publicado há umas semanas, torna-se interessante pois faz-nos reparar em certos elementos da música, como por exemplo, os coros (serão coros?) após o segundo refrão, o "Now-ow-ow-ow-ow-ow-ow-ow" (um aparte só para dizer que é um bocadinho chato estar sempre a contar os "ow-ow-ow" para citar o verso corretamente...), que se revelaria o verso que serve de pilar à música, e a bateria. Este último instrumento é um dos pontos fortes da música. Nunca altura em que, em quase todas as músicas, se programa um sintetizador para repetir o mesmo padrão de batida do princípio ao fim da música, torna-se extremamente refrescante ouvir uma verdadeira bateria, com baquetas e pratos, que apresenta diferentes sequências ao longo de uma faixa. Destaque também para as guitarras elétricas no refrão.
 
Passando à frente dos versos repetidos, a letra de Now é forte. Tal como já havia sido dado a entender anteriormente, fala sobre recuperação após uma derrota, recomeço, pegar de novo nas armas e regressar ao campo de batalha. Isto será, com certeza, uma alusão à crise por que a banda passou aquando da saída dos irmãos Farro. Alguns dos versos apenas cantados uma vez chegam a ser mais interessantes do que os que são repetidos até ao infinito. Como, por exemplo, "Feels like I'm waking from the dead and everyone's been waiting on me". Parece descrever a atitude dos fãs e do público em geral, à espera que a banda resolvesse os seus problemas e lançasse o sucessor a Brand New Eyes. De qualquer forma, a mensagem da música parece adequar-se àquilo que os Paramore têm dito sobre o seu quarto álbum - que, durante o processo de gravação, redescobriram-se a si mesmos "como músicos, cantores, como pessoas". Nesse aspeto, a escolha de Now para primeiro single parece vir em linha com isso.

 

 
Não sei se Now é representativa do álbum que promove. Em entrevista, os Paramore deram a entender que é mais pesada do que as outras faixas do álbum homónimo. Dizem mesmo que "andam a explorar território novo", que o álbum terá mais pop e dance. Em suma, preparam-se para lançar o seu The Best Damn Thing (lembrem-se: a Avril Lavigne é sempre o meu termo de comparação!), pelo menos no que toca a polémica entre os fãs. Eu própria tenho opiniões contraditórias sobre o assunto, mas prefiro guardá-las para a análise ao álbum, depois de ouvi-lo.
 
Em suma, apesar de considerar que os Paramore têm músicas melhores do que Now, gosto do seu novo single. Eles arriscaram com este single, provavelmente estão igualmente a arriscar com o álbum Paramore, há que dar-lhes crédito por isso. Para mim, foi um presente de aniversário adiantado (sim, completo 23 anos daqui a menos de quarenta minutos), não apenas pela música em si mas também pelo assunto para uma nova entrada no blogue, pelo escape ao stress da época dos exames, pela expetativa aumentada pelo álbum Paramore. Agora que venha o 8 de abril, que eu quero ouvir mais destes três!

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