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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Linkin Park - The Hunting Party (2014) #4

 

Última parte da crítica a The Hunting Party, dos Linkin Park. Podem ler as três primeiras partes aqui, aqui e aqui.
 
"We are not satisfied
We are hungry
 
Hungry for the visceral
Cathartic
Inspired
Defiant
 
We are not heroes
Or anti-heroes
 
We carry only the flag
That is our own
 
Now is not the time 
To look back and see
If anyone is following
 
Now is the time to
charge forward 
Into the unknown"
 
The Hunting Party é, definitivamente, um dos álbuns mais pesados e roqueiros da banda, se não for o mais pesado. As guitarras e, sobretudo, a bateria são senhoras e rainhas pela primeira vez em muito tempo na discografia da banda, a primeira, em particular, enlouquece com frequência ao longo do álbum. Já aqui tinha referido que eles estão a tentar resgatar o rock, mas Mike, em declarações posteriores, afirmou mesmo que a mensagem de The Hunting Party vai além disso. Os Linkin Park não se limitam a ser agressivos na sonoridade, eles afirmam-se agressivos na atitude, no modo de vida, pro-ativos, carnívoros, caçadores, eles vão atrás daquilo que querem, em oposição a uma certa cultura de passividade predominante na sociedade atual. Daí o titulo The Hunting Party. 
 
Não tenho gostado, por outro lado, da direção que algumas das declarações de Mike tomaram. Segundo ele, a banda queria fazer uma espécie de regresso à adolescência, à altura em que rejeitavam teimosamente qualquer sonoridade que passasse num anúncio publicitário ou de que os seus pais gostassem, no fundo, que fosse "mainstream". Admito que muito boa gente possa identificar-se com essa filosofia, eu no entanto acho que é infantil e mesmo, sendo eles uma banda de sucesso, hipócrita. Vou supor, por isso, que eles tenham falado disso apenas do ponto de vista de nostalgia. 
 
Todo o conceito de resgatar o rock, mesmo dos carnívoros e caçadores, é interessante mas acaba por não se refletir diretamente nas letras das músicas, tirando o rap de Guilty All the Same, e mesmo assim. Uma incoerência sem grande importância, mas real. As temáticas são praticamente todas Linkin Park, com o tema da guerra e tudo o que com ela se relaciona a predominar - o que confere consistência ao álbum em termos de conceito. Por outro lado, The Hunting Party não repete o erro de alguns dos seus antecessores ao não incluir faixas demasiado parecidas umas com as outras, pelo menos não ao ponto de se confundirem.
 

 

Considero The Hunting Party um bom álbum, sólido, não por ser mais parecido com The Hybrid Theory e Meteora que com A Thousand Suns ou Living Things, como a maior parte dos fãs, mas sim porque, dentro do seu estilo, está bem feito. Ao contrário de muito boa gente, não acho que os três álbuns da banda tenham sido um erro, muito menos Living Things.
 
Devo confessar, aliás, que gosto mais de Living Things do que de The Hunting Party. Não por achar que LT é melhor, porque não é (tem, também, as suas imperfeições), é uma questão de preferência pessoal. Living Things tem um equilíbrio perfeito entre o rock e o eletrónico, entre a emoção e a agressividade, tem mais diversidade que The Hunting Party. No entanto, tudo isto não é defeito, é feitio. Os Linkin Park não queriam fazer um Living Things 2.0, queriam fazer um disco mais rock que eletrónico, agressivo, macho. E como o fizeram bem, não se pode criticar.
 
Por outro lado, eu fico sempre algo desconfortável quando um artista ou banda adota um estilo num trabalho novo que rompe com o estilo de discos anteriores. Dá a sensação - sobretudo em conjunto com algumas declarações aquando do lançamento dos álbuns em questão - de que estão a renegar os trabalhos anteriores. Mesmo depois de testemunhar mudanças do género em... bem, praticamente todos os cantores ou bandas que acompanho, de falar várias vezes neste assunto aqui no blogue, frequentemente contrariando-me a mim própria, ainda não decidi em que circunstâncias gosto que os artistas mantenham o estilo que os caracteriza ou se prefiro que eles procurem evoluir. 
 
Pelo menos em relação a The Hunting Part e aos Linkin Park , não tenho nada de negativo a assinalar, tirando um pormenor ou outro. A banda fez um bom álbum, ao seu nível, não desiludiu. Não se podia exigir mais.

Não posso deixar de falar do concerto do Rock in Rio, a que assisti ao vivo e... na primeira fila. Não exatamente à frente do palco, mais à direita, um local que as câmaras não captavam mas, de qualquer forma, bem melhor do que me atrevia a sonhar - até porque só conseguimos arranjá-lo não muito antes do início da atuação dos Linkin Park. (Não vou dizer como é que conseguimos este lugar, pois tenciono voltar a usar este truque quando surgir a oportunidade) Se tivesse sabido antes, teria levado qualquer coisa, um cartaz, uma bandeira, um cachecol, qualquer coisa que pudesse oferecer-lhes atirando para o palco. Fiz questão de ficar mesmo junto à grade, pedi à minha irmã e aos amigos dela, com quem fui ao concerto, para se juntarem a mim, mas eles quiseram ficar mais atrás, alegando que se via melhor. Mais tarde arrepender-se-iam.

Quanto ao concerto em si, devo dizer que fiquei algo desiludida em alguns aspetos, começando pela setlist. Achei interessantes as misturas de músicas e as longas introduções instrumentais - um elemento que, mais tarde, predominaria no álbum novo - mas as faixas incompletas (algumas das quais das minhas preferidas) irritaram-e. De Crawling, por exemplo, só tivemos direito ao refrão.

Por outro lado, gostei da inclusão na música original do refrão de Numb/Encore.
 

 

Outro aspeto que desiludiu foi a falta de contacto com o público, em comparação com as atuações anteriores no Rock in Rio. Sobretudo agora em que eu estava na fila da frente e tudo. Depois de nas duas edições anteriores Mike ter ido ao público em In the End e daquele cachecol do F.C. Porto do concerto de 2012, o concerto deste ando foi definitivamente um desapontamento. Nesse aspeto, o concerto de há dois anos foi melhor, até porque a setlist incluia mais das faixas favoritas dos fãs.

No entanto, por muitas críticas que lhe façamos, nenhum concerto é mau quando é com um cantor ou banda de que realmente gostamos. E eu fiz por aproveitar aquele concerto ao máximo. Portei-me como uma autêntica metaleira, dando headbangs como nunca na minha vida, saltando, batendo palmas, cantando em altos berros. Fiquei de bangover durante dois ou três dias. Eles chegaram a cantar mesmo à minha frente, o Mike uma vez, o Chester três vezes (de uma das vezes meteu piada ver o Chester com um pé em cima de um caixote do lixo e um segurança segurando esse mesmo caixote...). Julgo que chegaram a olhar para mim. Na altura, fiz gestos pedindo que viessem para ao pé do público. Hoje vejo que teria sido melhor ter-lhes soprado beijos ou feito vénias. Mas quando estas coisas acontecem, não há muito tempo para pensar.

O melhor foi mesmo no final, nas despedidas, quando o Chester saltou do palco para contactar com o público do meu lado. Chegou a ir abraçar-se a uma miúda em lágrimas, mesmo na ponta da fila. Passou rapidamente pela zona onde eu estava, dando-me tempo para lhe agarrar a mão durante dois segundos, se tanto. As pulseiras dele arranharam-me os dedos. Meio minuto depois, em completo modo fangirl, gabava-me:

- Eu toquei na mão do Chester!

A minha irmã, naturalmente, ficou com vontade de me matar mas, em minha defesa, eu bem insisti que ela viesse para ao pé de mim.

 

Coisas de fangirl à parte, já aqui tinha falado de como tenho vindo a admirar muito Chester Bennington ao longo dos últimos anos, sobretudo tendo em conta o seu passado complicado. Hoje sinto-me grata por ele ter sobrevivido a todas essas dificuldades, tendo sido capaz de me proporcionar, juntamente com os companheiros de banda, mais uma noite inesquecível, bem como os álbuns dos Linkin Park e Dead By Sunrise.

 

Entretanto, Bryan Adams anunciou que se prepara para lançar ao longo dos próximos meses nada mais nada menos que três álbuns. Um de covers e uma única música inédita, intitulado Tracks of My Years, com edição prevista para o próximo mês, cuja capa é apresentada em cima (por favor, ignorem o cabelo...). O segundo álbum será uma reedição de Reckless, para comemorar os trinta anos de lançamento, com músicas extra - suponho que saia em novembro, à volta do dia 5, a data do lançamento do álbum original. Por fim, algures em 2015, lançará um disco de originais.

Não deixarei de falar desses trabalhos à medida que forem sendo editados - tenho aliás uma série de notas sobre Reckless, redigidas ainda antes de saber da edição especial, que pensava utilizar para escrever uma entrada a propósito do aniversário deste álbum. Anseio sobretudo pelo álbum de originais, o primeiro desde 11 em 2008. Durante algum tempo pensei que Bryan não tornaria a lançar um CD de músicas inéditas. Ele não precisa, não tem nada a provar, e agora dá demasiado trabalho em termos de marketing e promoção lançar álbuns de originais - e ele nunca foi adepto de entrevistas. Ele podia perfeitamente continuar em modo de celebração de carreira, lançando faixas inéditas aqui e ali, dando concertos Bare Bones ou de banda completa, e, pelo menos ao longo dos próximos anos, continuaria a arrastar multidões atrás de si sem grandes dificuldades. Mas se Bryan quer lançar um décimo-segundo álbum, eu não me queixo, até aprecio. Entre outras coisas porque, em princípio, associado a esse álbum virá um concerto em território português - mas sobre isso falarei melhor em caso de confirmação.

Estas foram as primeiras entradas após uma ausência prolongada. Queria ver se, nos próximos tempos, conseguia escrever alguns textos que ando a adiar há semanas, ou mesmo meses, mas a minha vida anda complicada, às vezes falta-me a vontade de escrever. Talvez as publicações voltem a ter alguma regularidade quando as coisas melhorarem, mas não estou em condições de prometer nada. Vou fazer por insistir na escrita, que às vezes é a única coisa que faz sentido na minha vida. Foi sempre assim. Até lá...

Músicas Não Tão Calhas - Until It's Gone

 

 

Na passada segunda-feira, dia 5 de maio, a banda norte-americana Linkin Park lançou Until It's Gone, o segundo avanço do seu sexto álbum de estúdio, The Hunting Party (tal como eu calculava que fariam mais ou menos nesta altura). Depois de o primeiro single, Guilty All the Same, se destacar pela sonoridade crua e metaleira, em Until It's Gone são resgatados alguns dos elementos que caracterizaram os últimos trabalhos da banda. No entanto, não se deixa de notar uma partida relativamente a Living Things, uma base bem mais rock.

 
 
 
"'Cause finding what you got sometimes
Means finding it alone"

Vou começar pelo menos bom da música, que é a letra. Esta encaixa-se no que é típico dos Linkin Park; no entanto torna-se demasiado repetitiva, acabando por se tornar irritante. Martela vezes sem conta a frase-feita "you don't know what you've got until it's gone" e o (escasso) resto da letra gira em torno disso. O que é pena, porque alguns versos da segunda estância tinham potencial para ir além do chavão, dar um pouco mais de profundidade à música, se as ideias latentes tivessem sido desenvolvidas. É a segunda vez num curto espaço de tempo que as letras da banda caem na armadilha dos clichés, das frases-feitas, espero que isto não esteja a constituir-se um hábito.

O arranjo musical é, de longe, o ponto forte de Until It's Gone. Em ritmo midtempo, a faixa abre com uma sequência eletrónica, que se torna a marca identificativa de Until It's Gone. Não faltam guitarras elétricas, com o respetivo solo, que se misturam com órgãos de igreja e um som que se assemelha ao repicar de sinos. A maior surpresa reside nos coros suave. Todos estes elementos conjugados conferem a Until It's Gone um carácter em simultâneo épico e dramático. Não me lembro de os Linkin Park alguma vez terem lançado uma música assim - talvez o tenham feito em A Thousand Suns, não estou tão familiarizada com ese álbum. Possui, contudo, alguns ecos de Powerless.

A única falha da sonoridade de Until it's Gone diz respeito aos perfeitamente desnecessários efeitos na voz de Chester.

 

Conforme já foi dado a entender anteriormente, Until It's Gone diverge de Guilty All the Same e mesmo daquilo que tem sido descrito como o estilo de The Hunting Party. Calculo que a música tenha sido incluída no álbum de propósito para servir de single radiofónico. Porque, sejamos sinceros, por muito que eles queiram salvar o rock, não vão conseguir fazê-lo se o álbum não for ouvido por ninguém a não ser os fãs da banda e/ou do estilo musical. O tema até se encaixa na premissa de que já falei aqui no blogue: a ideia em que os produtores musicais parecem acreditar, de que, hoje em dia, os apreciadores de música só conseguem decorar três versos por música no máximo.
 
Não digo que o desejo deles de terem tempo de antena seja uma coisa má, atenção. Numa altura em que, no meu estágio, temos a Rádio Comercial ligada o dia todo (acreditem, não é pêra doce), seria agradável ouvir Until It's Gone por entre os temas que, não sendo maus, se tornam cansativos de tanto serem martelados repetidamente sob a forma de ondas hertzianas. O meu problema com esta música é que, na minha opinião, Until It's Gone tinha potencial para ser algo extraordinário, ao nível dos melhores temas dos Linkin Park - e chegou a parecer-mo da primeira vez que a ouvi - mas, por causa da letra pouco imaginativa, contenta-se em ser apenas "boa". 
 
Espero, sinceramente, que isso não seja a regra no resto de The Hunting Party porque, depois de Living Things, tenho a fasquia alta. O mesmo se passa com o concerto do Rock in Rio, dia 30 deste mês, que espero tão bom como os das edições de 2008 e 2014. Sei que estou a ser exigente, mas temos pena. Foram os Linkin Park que me habituaram mal.

Músicas Ao Calhas: New Divide

Nas minhas entradas mais recentes - tirando a última - tenho falado de músicas da minha playlist de cenas de ação. Continuando nessa linha, falo hoje de outro grande título dessa lista: New Divide. Esta é faixa é também uma das minhas favoritas dos Linkin Park. Só não é a favorita porque várias músicas do CD Living Things andam a desafiar esse estatuto.
 
 

"Like a startling sign that fate had finally found me"

New Divide foi criada para tema do segundo filme dos Transformers, Retaliação, na sequência da utilização de What I've Done no primeiro. A série contra, para já, três filmes mas só vi o primeiro - curiosamente, a primeira visualização, no cinema, deu-se precisamente na altura em que começava a familiarizar-me com o trabalho musical dos Linkin Park - e até gostei, sobretudo pelo humor, apesar de não ter sido propriamente um filme marcante. Nunca vi nem o segundo nem o terceiro e não tenciono fazê-lo - as críticas que tenho lido arrasam completamente os filmes e não quero estragar o primeiro. Na verdade, o melhor de Transformers é mesmo a banda sonora.

 

Conforme já mencionei acima, What I've Done foi o tema do primeiro filme. E apesar de a letra falar de arrependimento, expiação e redenção, sendo portanto aplicável, não só ao filme como também a muitas outras situações, em termos musicais, é uma faixa rock vulgar, com pouco do carácter experimentalista, híbrido, que define os Linkin Park.


New Divide tem claros ecos de What I've Done mas deduzo que tal seja propositado; talvez a ideia fosse precisamente, de certa forma, criar uma sequela para o tema do primeiro filme. No entanto, New Divide é bastante superior à sua "prequela": mais interessante, mais "híbrida", conforme procurarei explicar de seguida.
 


 
A letra de New Divide não é muito específica. Dá uma ideia de perigo, de tensão, como se estivesse a ocorrer uma catástrofe, mais especificamente uma tempestade. Condiz bem com filmes de ação de todos os tipos, em particular daqueles cheios de explosões, como os dos Transformers. Ajuda a entrar no espírito, a definir um ambiente de tensão, de combate - daí que seja uma das minhas favoritas para a escrita de cenas de ação.


No entanto, é na parte musical que reside a força de New Divide: uma faixa híbrida, tanto com elementos rock, como guitarras elétricas pesadas e bateria, como elementos eletrónicos. Começando pelo iníco, com o som semelhante a trovões e a sequência que se tornou a identidade da música. Outro dos pontos fortes é a batida, proveniente tanto da já referida bateria de Rob Bourdon como da percussão programada por Joe Hann. A minha parte favorita é a sequência entre o segundo refrão e o terceiro verso. A interpretação de Chester Bennington também está cinco estrelas mas também outra coisa não seria de esperar. A sua voz surge ligeiramente alterada por vezes, em particular nos primeiros versos, mas sem os exageros de The Catalyst ou Until it Breaks. Tudo isto dá um grande poder à música, um caráter muito in-your-face, tornando New Divide numa das melhores músicas dos Linkin Park.




Durante muito tempo, desde a primeira audição de New Divide, tive vontade de montar um vídeo para a música - sobretudo pela batida - mas faltou-me sempre material visual. Os filmes do Pokémon que eu e a minha irmã encontrámos na Internet foram as primeiras imagens adequadas que encontrei. Durante algum tempo, os dois primeiros filmes foram os únicos que encontrámos, por isso é que só usei esses para esta montagem, mas a música adequa-se perfeitamente às partes mais tensas, sobretudo do que toca aquilo que mencionei acima sobre as catástrofes. Se quiserem ler mais sobre estes dois filmes, consultem esta entrada.

Os Linkin Park também contribuíram para a banda sonora do terceiro filme, desta feita com Iridiscent. Esta faixa difere grandemente de What I've Done e New Divide: é uma balada guiada pelo piano, a que se junta a batida, guitarra elétrica e alguns elementos eletrónicos, tudo isto num tom bastante melancólico. No entanto, na minha opinião, a letra ficou demasiado fraca para ficar entre as minhas favoritas. Destaque, contudo, para o refrão cantado em coro e, mais uma vez, a interpretação de Chester.

Contudo, os Linkin Park não foram os únicos a contribuir para a banda sonora deste terceiro filme: os Paramore também o fizeram, com um tema que, mais tarde, figurou nos Singles Club.



"I'm just collecting your victims,
they're getting stronger,
I hear them calling..."
 
O ponto fraco de Monster é a sua letra vaga. Nota-se que a música transmite muita raiva mas não se percebe ao certo a que se dirige. Já Decode, outro tema deles composto de propósito para uma banda sonora, tem a mesma fraqueza. Conforme estive a comentar com uma fã da banda, no dia em que atuaram no Optimus Alive, talvez eles não tenham assim tanto jeito para bandas sonoras. Há quem especule que a letra, invulgarmente sombria para tema dos Paramore, é sobre a saída dos irmãos Farro da banda - na altura do lançamento de Monster, apenas haviam decorrido pouco mais de seis meses desde o triste episódio - mas, pessoalmente, não vejo grande relação tirando, talvez, o verso "Now that you're gone the world is ours". Tem, na minha opinião, bastantes mais referências aos Transformers, em particular na segunda estância, com vagas referências à urgência de salvar o Mundo, mesmo que a letra, no seu conjunto, deixe bastante a desejar.
 
Em termos musicais, não há muito a dizer: é a típica faixa dos Paramore. Destaque no entanto para a bateria antes dos refrões.
 
Apesar de nem todos os fãs terem gostado de Monster, de eu mesma ter ficado um pouco de pé atrás aquando das primeiras audições, existe algo que me atrai na música, não sei ao certo o quê. talvez o facto de a ter incluído na playlist de cenas de ação, talvez por a agrupar junto de New Divide, não sei. Desde que tenho este Álbum, desenvolvi ainda mais o meu sentido crítico, habituei-me a analisar de forma quase inconsciente todas as formas de entretenimento mas, mesmo agora, existem coisas que não consigo explicar.
 


Talvez um dos fatores seja o videoclipe: um dos meus favoritos dos Paramore antes do lançamento de Now.  Realizado por Shane Drake, filmado num hospital abandonado, reflete bem o facto de ser a banda sonora de um filme de ação. Pontos ainda para a edição, que liga bem com a música - o que não surpreendeu, visto Shane ter feito o mesmo com o videoclipe de Smile, de Avril Lavigne.

Parece que o quarto filme dos Transformers sairá no próximo ano. Não sei se os Linkin Park serão de novo convidados a contribuir para a banda sonora - talvez na altura estejam prestes a lançar um sexto álbum. Talvez os Paramore tornem, igualmente, a participar, com um single lançado da mesma forma que Monster foi, numa espécie de Singles Club. Talvez convidem outra banda qualquer. De qualquer forma, depois de  What I've Done, Monster e, sobretudo, New Divide, estou definitivamente curiosa em relação a um potencial tema de Transformers 4. Existe muito boa gente queixando-se da mediocridade destes filmes - não posso concordar nem contradizer pois só vi o primeiro - mas, pela parte que me toca, se estiverem sempre associados a boa música, podem vir à vontade!
 

Música de 2012 #2

Para além de Guardian, duas músicas que me marcaram o ano que termina são do âmbito, não deste blogue, mas do meu outro, sobre a Seleção Nacional. Isto por serem hinos de apoio à Equipa de Todos Nós, lançados a propósito do Euro 2012 - o melhor período deste ano para mim. As músicas em questão são o "Hino da Seleção 2012" de Paulo Lima e o tema "Portugal Is All In" composto pela Adidas. A primeira por, entre outros motivos, me recordar um dos meus melhores dias de 2012. A segunda é um grande guilty pleasure. Mais pormenores no meu blogue O Meu Clube É a Seleção!, em particular nestas entradas AQUI e AQUI.
 

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No entanto, em termos musicais, para mim, 2012 pertenceu aos Linkin Park. Cortesia do concerto que eles deram no Rock in Rio e do álbum que lançaram, Living Things. Sei que já fiz a crítica a esse álbum (podem lê-la AQUI) mas essa foi escrita pouco após tê-lo ouvido as músicas pela primeira vez, são apenas as primeiras impressões. Com o tempo, com o lançamento dos videoclipes, das versões instrumentais, entre outras coisas, as músicas foram ganhando significados diferentes.

 
Os singles Burn It Down, Lost in The Echo, Castle Of Glass e Powerless continuam a ser as minhas músicas preferidas. É curioso, os Linkin Park costumam escolher para single as músicas de que mais gosto. Isso já tinha acontecido com A Thousand Suns mas nunca acontece com os álbums da Avril Lavigne... Talvez tenha uma queda para as faixas mais rentáveis comercialmente dos Linkin Park. Contudo, no caso de Living Things, acredito firmemente que, independentemente do potencial comercial, os singles lançados até agora são as músicas mais fortes do álbum.

 

"Let the sun fade out and another one rise
Climbing through tomorrow"


Dizem que o próximo single será I'll Be Gone. Não acho que seja má escolha. E mesmo que fosse, os quatro primeiros singles são suficientemente bons para compensá-lo. I'll Be Gone não é das mais marcantes de Living Things, na minha opinião, mas não deixa de ser uma faixa interessante. Como já tinha afirmado na crítica ao Living Things, I'll Be Gone é uma faixa pós-apocalíptica, de tom melancólico. Faz-me recordar um pouco a música Goodbye, de Avril Lavigne. Ambas as músicas falam sobre a necessidade de partir de modo a encerrar um capítulo e a abrir um novo - embora o sentimento seja diferente. Em I'll Be Gone há uma amargura de derrotado, de pessoa que perdeu tudo e se vê obrigada a desistir.

 

"I watched you fall apart and chased you to the end
I'm left with emptiness that words cannot defend
You'll never know what I became because of you..."

Powerless assemelha-se a I'll Be Gone em termos de sentimento, podendo mesmo servir de prelúdio à segunda. O assunto da letra é típico Linkin Park: desilusão, traição, impotência. O ponto forte da faixa é mesmo a parte musical: a introdução Tinfoil, o piano, a bateria forte, os vocais que se perdem na música após o segundo e o terceiro refrão, dando grande emotividade à faixa e mesmo um carácter épico.


"I can't fall back, I came too far
Hold myself up and love my scars"

O segundo single de Living Things com direito a videoclipe é a faixa que abre - primorosamente - o álbum: Lost in The Echo. Para além daquilo que referi na primeira crítica de Living Things, um dos seus pontos fortes é a letra: poderosa, desafiadora, cheia de personalidade - embora uma significativa parte disso venha da interpretação de Mike Shinoda, para mim o melhor rapper do Mundo. Tem vários versos marcantes, frequentemente citados por mim e pela minha irmã: "Test my will, test my heart" "Ya'll go hard, I'll go smart" e em particular "Hold myself up and love my scars". Acaba por ilustrar uma situação marcante do meu segundo livro, "O Tsunami", assemelhando-se, nesse aspeto, a Faster, dos Within Temptation.

Estava bastante curiosa relativamente ao videoclipe mas este acabou por ser dececionante. Estava à espera de algo mais dinâmico, com mais história. Já sairia beneficiado se pelo menos incluísse imagens da banda interpretando a música. Mas admito que teve a sua graça ver pessoas chorando e gritando perante uma foto minha em biquíni.

 

"Bring me home in a blinding dream
Through the secrets that I have seen..."

Outra faixa marcante este ano foi Castle Of Glass. Como já afirmei na primeira crítica, esta música tem um efeito engraçado: fala sobre vulnerabilidade, pede cura e consolo após uma dura batalha mas, ao mesmo tempo, o seu tom etéreo é reconfortante por si só - esse efeito acentua-se na versão usada no videoclipe. Uma entrevistadora disse o mesmo há uns tempos. Sei que estou a repetir-me mas sim, também serve de banda sonora à minha história. Neste caso, ao episódio do terceiro livro em que estava a trabalhar aquando do lançamento de Living Things.


Esta música teve, finalmente, um videoclipe à altura da qualidade de Living Things. Embora, inicialmente, não tenha achado muita piada à associação da música a um videojogo, o Medal Of Honor Warfighter. Foi uma das coisas de que menos gostei neste regresso dos Linkin Park, a parte da publicidade. Começando pela Honda Civic Tour e terminando em só lançarem o vídeo de Castle Of Glass após não sei quantos downloads do jogo.

Já me disseram, contudo, que a Honda Civic Tour é algo que várias bandas fazem de vez em quando, que depois é lançado um carro criado pelos artistas. Não é tão mau como pensei à primeira, mas... Mesmo a parte dos videojogos acaba por ter razão de ser. Eu mesma já colhi inspiração a videojogos, direta ou indiretamente - destaque para o Pokémon - e não me admirava se os Linkin Park tivessem feito o mesmo - parece que o Chester gosta de videojogos... Acho, apenas, que uma música estilo Lost in the Echo seria mais adequada.


"So when you fall, I'll take my turn
And fan the flames as your blazes burn"

No entanto, a música de 2012 foi Burn It Down. Não há volta a dar, nenhuma outra música teve neste ano o impacto que o primeiro single de Living Things teve. Afirmei, anteriormente, que o impacto não seria muito diferente se Lost In The Echo ou Castle Of Glass tivessem sido escolhidas como introdução ao álbum - agora não tenho tanta certeza disso pois a música tem vários motivos que a tornam especial, para além do facto de ter sido o primeiro single.

Um deles, já foi mencionado na primeira crítica: por ilustrar um episódio importante do meu segundo livro. Outro tem a ver com o AMV (anime music video, ou seja, videoclipe de anime) do Pokémon que montei poucos dias após o lançamento do single. É algo que faço há alguns anos, montagens de vídeo para o YouTube e fui ganhando jeito com a prática. Para além da parte do conceito do fogo, o terceiro verso descreve um pouco o início do primeiro filme do Pokémon, a história de Mewtwo e Geovanni. Modéstia à parte, acho que o meu AMV ficou melhor que o videoclipe oficial, mais porque este último não faz justiça à música. Mas vejam por vocês:


Burn It Down tem, além disso, uma energia incrível, poderosa e contagiosa, do início ao fim. Começando pela sequência de notas que abre e fecha a música, passando pelas fortes batidas, pelos acordes de guitarra, a melodia fortíssima. O rap do Mike está também bem conseguido, relativamente pausado, tornando-se fácil de acompanhar e decorar (o que não acontece, por exemplo, em Lost In The Echo. Estou sempre a trocar-me toda...) sem deixar de ter grande atitude. Sempre que passa na rádio, e não têm sido poucas vezes - foi até a quarta mais votada na Rádio Comercial em 2012 - eu e a minha irmã aumentamos o volume e cantamos. Já lhe disse que, um dia, temos as duas de cantá-la num karaoke.



Todo o álbum é extraordinário. Poderoso, contagiante e francamente inspirador. Mais de metade das músicas serão citadas nos meus livros, o que o torna, para mim, um álbum imortal.

Ouvir um CD novo de um artista ou banda é como ler uma sequela de um livro - quando lemos de novo o(s) antecessor(es), vemo-lo sob uma nova perspetiva, reparamos em coisas em que não tínhamos reparado antes, ou melhor, ganham novo significado. Foi o que aconteceu com os álbuns antigos dos Linkin Park, redescobri músicas que já conhecia. Gosto particularmente de Hybrid Theory, da energia das músicas, apesar de serem muito parecidas umas com as outras. Esse e o Living Things são, na minha opinião, os melhores dos Linkin Park.

 

Descobri, também, que os elementos da banda são divertidos, surpreendentemente divertidos tendo em conta a música que criam e interpretam. O Mike é o meu favorito, embora o Chester também seja engraçado. A minha irmã costumava ter medo dele - ele no concerto do Rock in Rio estava um bocado assustador, suando em cascata, fazendo cara de mau - mas isso passou-lhe depois de vê-lo cantando enquanto saltava à corda...
 

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Em 2013, deverão sair muitos bons álbuns. Os Paramore já anunciaram o deles para abril. Foi batizado com o mesmo nome da banda - mais pormenores numa eventual crítica ao álbum - e o single Now deve ser lançado em breve. A Avril Lavigne supostamente já acabou as gravações há umas semanas, ou mesmo há uns meses, mas ainda não anunciou o seu quinto álbum, o que está a levar-nos a nós, os fãs, à loucura. Mas em princípio sairá em 2013. O Bryan Adams tem dado a entender que se encontra em estúdio, trabalhando num álbum novo - a ser verdade, será o primeiro álbum de estúdio a ser lançado desde 11, de 2008. E visto que, trinta anos de carreira e não sei quantas músicas mais tarde, ele ainda consegue tocar-me quando descubro uma ou outra música antiga que ainda não conhecia, estou também ansiosa por esse álbum. Por fim, diz-se que os Within Temptation também devem editar um disco em 2013.
 
Como se pode ver, não deverá faltar música de qualidade no ano que começou há menos de uma hora. Para me dar inspiração ou, pura e simplesmente, para nos alegrar os dias. Não deixarei de falar aqui no blogue sobre os singles e álbuns que forem saindo. Bem como de séries que estiver a ver - tenho já uma ou duas entradas planeadas sobre esse assunto -  de livros, de filmes, enfim, o que me der na gana.
 
Deixo, por isso, os meus votos de um bom ano, boas músicas, boas séries, bons livros, bons filmes, enfim, tudo de bom. Feliz 2013!
 

 

Linkin Park - Living Things (2012)

 

 
Começo, desde já, por falar sobre o último CD que ouvi. Esta crítica já tinha sido publicada no Fórum Avril Portugal.
 
Os Linkin Park são há já vários anos uma das minhas bandas preferidas. Não só por, obviamente, gostar da música deles, mas também por causa do inesquecível concerto do Rock in Rio de 2008. Esse concerto, a química que conseguiram manter com o público - tal como voltou a acontecer no RiR de 2012 - fizeram com que me apaixonasse pela banda. Atrevo-me a dizer que é a minha banda preferida, mais porque, pelo carinho que demonstraram para com os fãs nestes concertos, simpatizo particularmente com os vocalistas Chester Bennington e Mike Shinoda - algo que não acontece, ou melhor, acontece em menor escala com outras bandas de que gosto: Sum 41, Paramore, Green Day, Within Temptation, Simple Plan...
 
O grupo californiano sempre teve um estilo único, muito claro nos seus dois primeiros álbuns, Hybrid Theory e Meteora. Agrada-me a mistura de rock alternativo, nu-metal (o que quer que isso seja...), rap e um ou outro elemento eletrónico - sobretudo porque eu não sou grande apreciadora de rap cru, só com batida, sem acompanhamento musical. Parece que isto é um processo que ocorre naturalmente na banda. Cada um mete os elementos de que gosta nas músicas, criando um som que não é possível rotular sem ser como "Linkin Park".
 
Não sou daqueles fãs mais hardcore, que conheceram a banda com Hybrid Theory e/ou Meteora, se agarraram àquele estilo e ofenderam-se quando os Linkin Park quiseram experimentar coisas diferentes. Já conhecia músicas como Breaking The Habbit e Numb antes de Minutes to Midnight mas foi com esse CD que me tornei fã. As minhas favoritas eram músicas como In The End, Numb, Leave Out All The Rest, demorei algum tempo a aprender a gostar das faixas mais pesadas, como Place For My Head e Faint. Por isso, não me tem incomodado tanto como, se calhar, tem incomodado outros fãs mais puritanos, eles explorarem outros estilos musicais. Eu, aliás, gosto de alguma variedade nestas coisas. Mas já lá vamos. 
 
Os dois primeiros álbuns são bastante homogéneos, tornando-se um pouco repetitivos em certas alturas. A fórmula é quase sempre a mesma: guitarra elétrica, um ou outro elemento eletrónico, vocais de Chester Bennington, às vezes apimentados com os seus icónicos gritos, o rap de Mike Shinoda. 
 
Em Minutes do Midnight nota-se alguma evolução. Algumas faixas repetem a velha fórmula, noutras há abertura a sons diferentes, a emoções diferentes. Como em Leave Out All The Rest. Em 2008, o Mike disse que achava que esta era a melhor faixa que eles haviam composto até à altura. Hoje, dois álbuns mais tarde, ainda acho que é uma das melhores deles.
 
A Thousand Suns é, na minha opinião, o álbum menos conseguido da banda. Percebe-se que eles queriam experimentar coisas novas, é de louvar essa atitude, e a sonoridade está de acordo com as tendências da altura. No entanto, neste, de alguma forma, perderam-se no processo. Tirando The Catalyst - abusa do auto-tune mas é incrivelmente contagiante - e Waiting For The End to come, as músicas são bastante insonsas. Não me interpretem mal, não são más mas não cativam verdadeiramente, não viciam, não têm alma.
 
 

 

 
Ora, Mike afirmou que Living Things, o mais recente álbum da banda, editado há poucas semanas, nunca teria sido concebido se não fosse cada um dos quatro álbuns anteriores, que o quinto disco assenta no passado dos Linkin Park e projeta-se para o futuro. É o que, de facto, acontece em Living Things: a sonoridade é atual, moderna, com elementos da música urbana, à semelhança de A Thousand Suns - com a diferença de que não são deixados de fora os elementos mais clássicos dos Linkin Park - guitarras elétricas pesadas, nu-metal, a antiga fórmula - nem as emoções de Minutes to Midnight. O resultado é um som poderoso e... espetacular. As músicas seguem-se umas às outras a uma velocidade vertiginosa. Quando damos por ela, o CD já acabou.
 
As três primeiras faixas do disco são um bom exemplo desta nova sonoridade híbrida: teclados contagiantes, batidas poderosas, letras com a atitude in-your-face de músicas como Bleed It Out e New Divide, energia incrível.
 
                                           
 
 
Especificando, Lost in The Echo, que será o próximo single com direito a videoclipe, abre o CD de forma especular com aquela introdução contagiante, o rap enérgico de Mike, cheio de personalidade e, no final, a alternância entre os "Go" cantados e os "Go" gritados. 
 
In My Remains lembra um pouco o material mais antigo da banda, embora também inclua elementos mais recentes. O terceiro verso que se prolonga até aos refrões finais está muito bem metido, dá vontade de nos juntarmos ao coro. 
 
 
 
Burn It Down foi o primeiro single e tem estado, há várias semanas, entre as minhas músicas preferidas. Tal como as duas anteriores, tem batidas poderosas, atitude e energia à New Divide. A letra, à volta do conceito do fogo - recordando-me músicas como  Iron, dos Within Temptation, e Into the Fire, de Bryan Adams -  é particularmente interessante para mim, por causa dos meus livros. Sobretudo, porque refletirão muito bem um momento particular daquele que, em príncipio, será a sequela de "O Sobrevivente".
 
 
 
O álbum outras músicas mais pesadas, de que não gosto tanto. Tirando Victimized, abusaram um pouco do auto-tune e efeitos semelhantes. Until it Breaks, então, é a faixa de que menos gosto neste álbum - embora tenha gostado de ouvir os vocais de Brad, o guitarrista, pela primeira vez, o resto da música ficou demasiado aleatória, sem coesão. Por outro lado, Lies Greed Misery não me agradou à primeira vez, precisamente pelo auto-tune que considero desnecessário, mas, depois de ouvi-la algumas vezes, o refrão ficou-me preso na cabeça. Agora, dou por mim cantarolando: "I want to see you choke in your lies..."
 
 
Tem, por fim, algumas baladas, recordando um pouco Minutes to Midnight: Roads Untraveled, I'll Be Gone, Castle of Glass e Powerless, com letras excelentes e tons, em geral, melancólicos, recordando músicas como Shadow Of The Day e Leave Out All The Rest. A primeira tem uma espécie de sininhos irritantes mas, à parte isso, parece uma Iridiscent aperfeiçoada, uma mensagem de consolo. Em Castle of Glass, por seu lado, pede-se consolo. A própria música é, aliás, estranhamente reconfortante. I'll Be Gone e Powerless invocam um cenário pós-apocalíptico, dominam sentimentos de desilusão, de resignação. 
 
Em suma, em Living things há um equilíbrio quase perfeito entre o que é clássico e o que é moderno no grupo oriundo da Califórnia. A sonoridade pode não ser a mesma mas não há dúvida que aquilo é Linkin Park. Os temas são os mesmos de sempre, muito emo: raiva, frustração, traição, busca por conforto, revolta, tormenta, mas também esperança. Fazem o mesmo que têm feito nos últimos doze anos: fornecem uma maneira saudável de gerir emoções negativas. No meu caso, o tom de desafio, combativo, de muito do seu material constitui, à semelhança dos Within Temptation e de algumas músicas dos Sum 41, a banda sonora perfeita para a minha escrita, para quando estou a trabalhar em cenas de ação, em que as minhas personagens estão em confronto direto com os maus da fita. 
 
Não sei dizer qual destas faixas é a minha preferida. Talvez Burn it Down, pelos motivos que já mencionei, pelo impacto que me causou. No entanto, outras músicas, como, se calhar, Lost in the Echo, Castle of Glass e Powerless teriam efeitos semelhantes caso fossem o primeiro single. Diria que estas quatro são as melhores de Living Things mas é difícil escolher.
 
Espero agora que os Linkin Park regressem em breve a Portugal para um concerto em nome próprio, em que dê para ver a energia deste álbum transportada para o palco. Não me é difícil, aliás, imaginá-los a interpretar algumas destas músicas ao vivo. Mas gostava de vê-lo com os meus próprios olhos. Ou, pura e simplesmente, ser capaz de voltar a cantar as velhas músicas em coro com milhares de pessoas.
 
Isto é como diz a minha irmã: o Justin Bieber, a Lady Gaga, os One Direction, são todos muito bonitos e tal, são grandes fenómenos, mas não demorarão a serem substituídos por outras modas. Por outro lado, músicos como os Linkin Park, a Avril Lavigne, os Coldplay, entre outros, podem nem sempre ter tanta atenção mediática, mas manterão sempre uma legião significativa de fãs, sem precisarem de artificialismos. Continuarão a fazer música de qualidade durante mais vinte, trinta ou quarenta anos, crescerão connosco.  Em suma, o primeiro grupo de músicos que mencionei serão de curta duração, os outros ainda têm vários anos de carreira pela frente. Depois, levaremos os nossos filhos aos concertos deles e contar-lhes-emos acerca daquela vez em que um tipo deixou o Chester numa posição difícil depois de lhe colocar um cachecol do F.C.Porto ao pescoço no concerto do Rock in Rio.

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