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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Música de 2017 #2

Primeira publicação de 2018! Bom Ano, minha gente! Hoje continuamos a falar da música que me marcou em 2017. Como poderão ler aqui, se ainda não o tiverem feito, terminámos a primeira parte com uma música cantada em português. A próxima música desta lista também é cantada na nossa língua – e sei que não fui de todo a única a render-me a ela.

 

  • Salvador Sobral – Amar Pelos Dois

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Não podia falar da música de 2017 sem falar de Salvador Sobral e de Amar Pelos Dois. Nunca me interessei muito pelo Festival da Canção mas, à semelhança da maior parte dos portugueses, não fiquei indiferente ao músico e à canção que finalmente nos sagraram vencedores da Eurovisão. A noite de 13 de maio é capaz de ter sido a mais feliz do ano todo – foi como estivéssemos a ganhar o Euro 2016 outra vez.

 

Confesso que, noutras circunstâncias, talvez a música me tivesse passado ao lado. É lindíssima, sim, mas está longe de ser pioneira. Não faltam por aí baladas de piano-e-violinos. Ainda este ano tivemos Writer in the Dark, de Lorde. Por sua vez, a minha cantora preferida, Avril Lavigne, tem uma data delas – destacando-se Innocence.

 

Também acho que, se esta música tivesse saído há dez, quinze anos, talvez tivesse passado despercebida a muita gente. Mas estamos em 2017: os instrumentos a sério estão em vias de extinção, tal como já referi antes; pelo menos noventa por cento das músicas que tocam na rádio são descartáveis; a larga maioria das músicas da Eurovisão são mais espetáculo, “foguetes”, que conteúdo (embora a edição deste ano tivesse umas quantas músicas giras, sobretudo a da Bélgica). Não foi, por isso, grande surpresa que Amar pelos Dois se tenha destacado. A sua vitória sempre abrirá caminho para que músicas parecidas, com mais emoção e conteúdo, se qualifiquem para o Festival do próximo ano.

 

 

  

E de facto, se ouvirmos com atenção, Amar Pelos Dois é uma música encantadora na sua simplicidade. A minha manicura habitual diz que a canção lhe parece saída de filmes antigos da Disney – bem visto. A música funcionaria bem como uma serenata de um príncipe à sua amada ou cantada pela Branca de Neve aos animais da floresta.

 

Outro ponto a favor é o facto de o Salvador ser… “Salvadorable”. Possui o equilíbrio perfeito entre esquisito e fofinho – penso que é a isto que os anglo-saxónicos chamam “adorkable”. Ele acaba por ser parecido com a Lorde no sentido em que ambos sentem e interpretam música com o corpo todo, de forma pouco convencional. Tem, ainda um sentido de humor terra a terra, que fica sempre bem.

 

  

Isto é, até se virar contra ele, no concerto do Juntos Por Todos.

 

A boca em si não me chateou… muito. Não era de todo a melhor altura para dizer aquilo, mas não acho que tenha sido por mal. São daquelas atitudes típicas de quem é famoso há pouco tempo e ainda não tem noção da sua posição. O que me chateou mais é que pôs toda a gente a falar sobre isso e as coisas boas que aconteceram durante o resto do concerto passaram ao lado.

 

Enfim. Mais importante é que o dinheiro chegue mesmo às vítimas.

 

Em setembro, o Salvador colocou a carreira em pausa, pelos motivos de saúde que todos conhecemos. Felizmente, há poucas semanas, recebeu finalmente um coração novo (esperemos que este também possa amar pelos dois…) e, por alturas do Natal, saiu dos Cuidados Intensivos. Ainda lhe espera uma recuperação longa, mas todos desejamos que tudo corra bem a partir de agora e que não demore muito a regressar aos estúdios e aos palcos – de preferência, a tempo de dar um saltinho ao próximo Festival da Canção, organizado por Portugal.

 

  • Paramore

 

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Os Paramore foram a banda que mais ouvi no Spotify, como poderão ver aqui. Isso deve-se muito ao álbum que lançaram – e que, de maneira paradoxal, me fez revisitar a discografia antiga deles. After Laughter é muito 2017, com uma data de canções sobre pessimismo, sobre desânimo, sobre cair na real… disfarçadas de músicas alegres. Uma espécie de escapismo ao contrário.

 

As minhas opiniões sobre o álbum não mudaram muito desde que publiquei a minha análise, no verão passado. After Laughter está muito bem feito – não parenas graças a Hayley Williams, às suas letras, à sua interpretação, mas também aos instrumentais criados por Taylor York, com a ajuda ocasional de Zac Farro.

 

Quando se fala de Paramore, a maior parte das pessoas fala apenas sobre a Hayley, tratando os outros membros (ou ex-membros) como mera banda de apoio. O que é um erro. Se Hayley é a cara, a voz e o final das músicas dos Paramore, Taylor é o cérebro. É onde surgem os xilofones de Hard Times, os riffs de Told You So, a guitarra acústica de 26, o piano de Tell Me How.

 

Para não dizer, mais uma vez, que poderá ser graças a Taylor que ainda temos Paramore.

 

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O que nos vale é que o Taylor é muito tímido, segundo consta, não parece ser pessoa para reclamar créditos (talvez seja por isso que ainda não tenha imitado Josh ou Jeremy).

 

Mais sobre isso um dia destes.

 

Tal como referi acima, After Laughter representa bem este ano, pelo menos para mim. Uma das principais, nesse capítulo, é 26. Já tinha referido, na análise, que esta, na minha opinião, descreve um conflito entre idealismo e cinismo. Acho que já tinha dito aqui, algures, que por norma não sou uma pessoa cínica e não desejo sê-lo.

 

  

No entanto, tive momentos este ano em que estive perto – sobretudo durante as tais semanas de desânimo, depois do concerto pelo Chester. Houveram alturas em que não me reconhecia a mim mesma e que me assustaram – uma delas aquando dos jogos da Seleção de novembro, em que não me conseguia entusiasmar como antes. Procurava agarrar-me a qualquer resquício de esperança, de alegria, que conseguisse encontrar, mas a realidade nem sempre colaborava. Até mesmo no filme mais recente de Tri (cuja análise andava a escrever na altura) a esperança e o idealismo tinham saído derrotados, no final mais sombrio daquele universo.

 

Consegui ultrapassar esse mau momento, mas nada me garante que não volte a cair no desânimo, um dia destes. Não quero de todo perder a capacidade de sonhar, de me entusiasmar com pequenas grande coisas, como a minha escrita, jogos de futebol, músicas novas, entre outras coisas. De esperar por dias melhores. Tal como Hayley diz, em 26, sobreviver nem sempre é a parte mais difícil. Às vezes, o mais difícil é manter a nossa esperança e o nosso idealismo intacto, perante todas as facetas horríveis deste mundo.

 

Sem pensar que, por muito triste que seja a perda de pessoas excelentes, como o Chester, a verdade é que não parecem existir grandes vantagens em viver neste planeta.

 

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A propósito do Chester, mais uma vez, a morte dele deu-me novas perspetivas sobre as músicas Idle Worship e No Friend – músicas que nos recordam que os nossos heróis são apenas humanos. Prova melhor do que o que aconteceu a Chester não há.

 

Um excerto de No Friend reza assim “I see myself in the reflection of people’s eyes, realizing that what they see may not be even close to the image I see in myself”. Parece-me que esse sempre foi o caso de Chester – ele que descrevia a sua própria mente como um lugar hostil, que dizia que ele mesmo era o seu pior inimigo, quando, na verdade, era idolatrado por milhões. E, no fim, ninguém conseguiu salvá-lo dele mesmo.

 

Mas regressemos aos Paramore. Neste final de 2017, Hayley parece um bocadinho melhor que há alguns meses, quando o Aflter Laughter estava para sair. Talvez o pior já tenha passado para ela e para o resto da banda.

 

Em todo o caso, gosto sempre de recordar que a última frase em After Laughter é “I can still believe”. Se a Hayley ainda consegue manter a esperança, ou a fé, ou o que quer que lhe chamemos, nós podemos tentar fazer o mesmo.

 

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  • Lorde

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Aquando do texto de Ano Novo do ano passado, eu sabia que voltaria a escrever sobre Lorde no texto deste ano. Após o excelente Pure Heroine, a fasquia estava alta para o segundo álbum de Ella Yelich-O'Connor. No entanto, Melodrama não desiludiu ninguém: é uma autêntica obra de arte, do princípio ao fim. Desde a energia dançante de Green Light e Supercut, à vulnerabilidade de Liability de Writer in the Dark, passando pela bipolaridade de Hard Feelings/L.O.V.E.L.E.S.S.

 

Não que o público em geral tenha dado por isso. Segundo as minhas pesquisas, apenas o single Green Light teve sucesso moderado. Conforme já tinha escrito antes, Homemade Dynamite seria o grande single – até lançaram um remix com uns quantos artistas da moda, a ver se descolava. Não que tenha tido grande sucesso, tanto quanto sei.

 

Tem piada. Em 2013/2014, quando ainda não era fã dela, as rádios portuguesas tocavam Royals até dar comigo em doida. Agora que já sou, não me lembro de ter ouvido uma música que seja dela.

 

De qualquer forma, continuo a fazer figas para que ela venha a Portugal no próximo ano.

 

  

Parece-me um sacrilégio estar a falar de favoritos num álbum tão consistentemente bom, mas tenho andado obcecada com Sober: uma canção como nenhuma outra, que combina inúmeros pormenores fantásticos. Deste os “Night, midnight, lose my mind”, às trompetes e saxofone no refrão, passando pelo rugido de um tigre (numa trela de ouro, espero eu). Este podcast disseca os elementos todos.

 

Não que as outras canções fiquem atrás em qualidade, mesmo não sendo tão intricadas. Nalgumas, aliás, a simplicidade é o seu ponto forte. Como Liability (só piano) e Writer in the Dark (piano e violinos, como vimos antes). Outras recriam o estilo minimalista de Pure Heroine. Nomeadamente Hard Feelings/L.O.V.E.L.E.S.S. e a reprise de Liability.

 

Já que falamos no estilo minimalista de Lorde, queria fazer um aparte e falar sobre o cover que ela gravou para o Live Lounge da BBC 1 e que tem incluído nos seus concertos.

 

 

Quando descobri acerca deste cover, fiquei contente por dois motivos. Primeiro, porque In the Air Tonight é uma das minhas canções preferidas de todos os tempo. Escrevi sobre ela aqui no blogue, há quase cinco anos (!!). Segundo, porque a versão original é perfeita para a Lorde – tão perfeita que me pergunto porque não reparei mais cedo.

 

Conforme escrevi na altura, a versão original de In the Air Tonight é grave, um tanto ou quanto fantasmagórica, assenta-se muito na percussão, com destaque para o famoso solo, no final da segunda estância. A música acabou, assim, por antecipar o estilo característico de Lorde, sobretudo do seu primeiro álbum.

 

Isto para não falar dos “Oh, Lord” – que, nesta versão, têm imensa piada.

 

Mas regressemos a Melodrama. Falta falar sobre a minha canção preferida nesse álbum e de todo 2017: Perfect Places.

 

  

Já tinha explicado antes aquilo que me atrai na música: um refrão que é puro ecstasy, uma letra com a qual me identifico. Tenho vindo a identificar-me cada vez mais com Perfect Places, aliás – sobretudo com o verso “I hate the headlines and the weather”.

 

No site Genius, Lorde escreveu sobre esta frase: “Esta música começou a ganhar forma no final do verão de 2016, em Nova Iorque e as notícias eram horríveis todos os dias e estava tanto calor de uma maneira errada, da maneira como eu imagino o tempo num filme de desastres mesmo antes de uma bomba rebentar ou de os aliens aterrarem. Deu comigo em doida, um bocadinho, eu andava por Midtown e sentia-me à beira de arrancar as minhas roupas ou de me passar perante um estranho. E todos os dias nas notícias diziam “Lado positivo! Temperaturas recorde todo o fim de semana!” e eu pensava “NÃO PERCEBEM O QUE ISTO SIGNIFICA!!! VAMOS TODOS MORRER!!!” Este é provavelmente o verso mais Melodrama em todo o álbum.”

 

Bem, tendo em conta o que se passou em Portugal com os incêndios, num verão que nunca mais acabava, nada disto me parece melodramático. Eu, aliás, alteraria o verso seguinte para “My whole country is on fire”.

 

E, claro, a parte do “All of our heroes fading”. Já me fartei de falar do Chester, mas este ano também perdemos Pedro Rolo Duarte (que ouvia há vários anos na rádio) e o Zé Pedro, dos Xutos – mais uma banda que não vai voltar a ser o mesmo. E não nos limitamos a heróis de carne e osso – tenho também um herói de infância que não teve um desfecho feliz da última vez que o vi.

 

  

Perfect Places funciona, assim, como uma boa representação do meu 2017: o mundo desabando à minha volta, eu tentando agarrar-me à minha versão de sítios perfeitos, às coisas boas da vida, a experiências que transcendessem a turbulência deste ano. Podem não resolver nada, podem não passar de escapismo, mas em certas ocasiões são das poucas coisas que me fazem levantar da cama. Que me impedem, lá está, de ceder ao cinismo.

 

E a verdade é que, apesar destas queixas todas, o ano 2017 trouxe várias coisas boas: as músicas de que falámos neste texto (em particular a que venceu na Eurovisão), o bom período da Seleção Portuguesa, a segunda e terceira geração de Pokémon Go, bem como os Raids Lendários, os jogos Ultra Sun e Ultra Moon, os dois filmes de Tri (mesmo com todos os defeitos, mesmo com o final triste do último).  Enquanto tivermos coisas como essas nas nossas vidas, conseguiremos sobreviver. Eu pelo menos conseguirei.

 

 

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Agora que já falei sobre os principais artistas e músicas deste ano, deixo aqui algumas notas sobre outros músicos do meu nicho. Bryan Adams lançou Ultimate, um Greatest Hits com um par de músicas novas, Ultimate Love e Please Stay.

 

Ultimate Love tenta abordar temas atuais e ser inspiradora, mas não consegue elevar-se acima de clichés e banalidades. De Please Stay gosto mais, apesar de não fugir muito à fórmula das canções de amor de Bryan Adams. Essa, ao menos, tem passado algumas vezes na rádio.

 

Não tenho mais a dizer sobre estas faixas. Aqui entre nós, tanto elas como o próprio CD, Ultimate, eram desnecessários.

 

  

Primeiro, os Spotifys e YouTubes desta vida tornaram os álbuns de Greatest Hits obsoletos. Se alguém quiser conhecer melhor um artista ou banda, vai às playlists This Is [Artist] ou pesquisa no YouTube e clica nos primeiros resultados. Fãs de longa poderão comprar o CD para a coleção, mas calculo que muitos, como eu, limitar-se-ão a comprar as músicas inéditas no iTunes.

 

Segundo, o álbum de inéditas mais recente do Bryan saiu há apenas dois anos. Não fazia falta material novo tão cedo, na minha opinião.

 

Dito isto, é bom saber que Bryan ainda não se acomodou, continua com vontade de fazer e lançar música, dar concertos. Conforme escrevi há quase dois anos, se o Bryan ainda não se cansou, eu também não me canso.

 

Por sua vez, Sharon den Adel, dos Within Temptation, inaugurou um projeto a solo, de nome My Indigo. O álbum, homónimo, tem lançamento marcado para 20 de abril e já duas canções foram divulgadas: uma homónima, My Indigo, e Out of the Darkness.

 

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Tenho gostado do que ouvi até agora, sobretudo de My Indigo – a primeira que conhecemos, a meio de novembro. Estive quase para escrever sobre ela, nas Músicas Não Tão Ao Calhas, mas preciso de mais tempo para decifrar a música. Prefiro esperar pelo lançamento do álbum.

 

My Indigo é, assim, o primeiro álbum por que esperar em 2018. Outro será, possivelmente, o sexto de Avril Lavigne… que, se se recordarem do texto do ano passado, ela tinha prometido para este ano. Eu, na altura, pensava que estava a ser pessimista quando dizia para apontarmos para novembro e dezembro. Pelos vistos não estava…

 

Não é o atraso em si que me incomoda, atenção. Não me importo de esperar… muito. A doença de Lyme não é brincadeira nenhuma, os sintomas podem durar anos (alguns fãs esquecem-se disso). Mesmo tirando o Lyme da equação, também não quero que a Avril lance material com o qual não esteja satisfeita, só porque os fãs estão impacientes. Um bom álbum pode demorar um ano ou cinco a ser lançado. Mas um mau álbum dura para sempre depois de partilhado com o mundo.

 

Confesso que um dos motivos para pensar assim foi um tweet da Lorde, há algumas semanas: quando um idiota qualquer reclamou com ela por ter demorado quatro anos a lançar um álbum, ela disse não vai lançar álbuns “que existam apenas numa única dimensão”, nem que leve dez anos a criá-los.

 

  

Não, o meu problema não é a demora – sobretudo se o sexto álbum valer a espera. O meu problema é que a Avril tem a mania de fazer promessas que depois não cumpre. Ela, por exemplo, passou os primeiros meses de 2017 deixando pistas sobre possíveis canções novas, em especial Warrior. Chegou mesmo a dizer, num vídeo, que “fez um álbum sem tentar fazer um álbum”. Mas, depois disso, passaram-se meses e meses sem mais nada de concreto e, no mês passado, num direto do Facebook, disse mesmo que ainda nem sequer tinha gravado Warrior.

 

Isso para não falar da palavra “soon”, que já se tornou um meme entre os fãs.

 

Eu nem me posso irritar com ela, porque já não é a primeira vez que ela faz isto. Já com os últimos dois álbuns foi este drama. Preferia mil vezes que ela se mantivesse calada, demorando o tempo que quiser em estúdio, e, quando estivesse pronta – e por “pronta” quero dizer já com nome, capa, tracklist, pelo menos um single lançado e, de preferência, CDs físicos sendo já enviados para as lojas e datas de digressão marcadas (para Portugal, por favor!!!!) – fizesse o grande anúncio nas redes sociais.

 

E, mesmo assim, acho que só acreditaria quando as músicas aparecessem no Spotify ou no iTunes.

 

  

Em todo o caso, espero mesmo que este álbum valha este drama todo. Vai ser bom ouvir música nova da Avril, depois de tudo o que aconteceu desde o último álbum.

 

É com esta nota de esperança que termino este texto. Deixo uma playlist com as músicas de que falámos aqui.

 

 

Também podem ver e ouvir aqui as músicas que mais toquei no Spotify este ano, se quiserem.

 

Que 2018 corra melhor para todos nós (já será bom se não ocorrer mais nenhuma tragédia, como a dos incêndios florestais, e se mais nenhum dos meus heróis ou qualquer pessoa de quem goste, morrer). Que não falte boa músicam, pelo menos. Fiquem bem. Feliz Ano Novo!

Paramore - After Laughter (2017) #2

Segunda parte da análise a After Laughter. Primeira parte aqui.

 

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Existem algumas canções em After Laughter que fogem à norma do falsamente alegre. Uma delas é Forgiveness – que terá sido a primeira a ser composta para este álbum. Esta faixa é conduzida por notas suaves de guitarra, acompanhada por baixo e uma bateria discreta.

 

Consta que a letra de Forgiveness foi inspirada numa crise na relação de Hayley com o seu, em breve, ex-marido. O que não surpreende. A letra descreve um cenário em que alguém pede perdão, mas a narradora está ainda demasiado magoada para concedê-lo.

 

Uma pessoa poderia interpretar esta letra como um retrocesso. Em vários momentos ao longo do Self-Titled, Hayley parecia razoavelmente aberta ao perdão. Não tanto porque a(s) outra(s) pessoa(s) o merecessem, mais por uma questão de paz de espírito. É possível que seja assim para algumas situações, mas não para todas. Sobretudo se a ofensa em questão ainda está fresca na memória e/ou se a outra pessoa ainda não fez nada para merecer ser perdoada.

 

Por outro lado, podem existir casos em que “perdoar e esquecer” até seja benéfico para a pessoa ofendida. Dito isto, existem coisas que ninguém tem a obrigação de perdoar.

 

  

Desde Brand New Eyes, todos os trabalhos dos Paramore (incluindo o Singles Club) têm incluído uma balada acústica. After Laughter manteve essa tradição. Se dois desses números acústicos – Misguided Ghosts e Hate to See Your Heart Break – se juntassem e tivessem um filho, esse seria provavelmente 26. Para além da guitarra acústica, esta faixa possui ainda uma secção de violino lindíssima.

 

Em entrevista, Hayley revelou que escreveu a letra de 26 como uma carta para a versão mais jovem de si mesma. Eu diria, também, que esta letra representa um conflito entre o seu lado mais cínico e o seu lado mais sonhador. Os dois sempre se manifestaram na música dos Paramore (Careful e Brick By Boring Brick para o cinismo; Miracle e Daydreaming para o idealismo). Em 26, Hayley quer agarrar-se ao lado sonhador, idealista – embora sinta que a realidade a puxa para o cinismo.

 

Nem todas as canções em After Laughter são assim tão depressivas, felizmente. Uma delas é, por sinal, uma das minhas preferidas: Pool. Esta é a única canção de amor neste álbum. Em entrevista, Hayley referiu que não se sente muito à vontade no que toda a canções de amor, que provavelmente nunca criará uma música romântica propriamente dita, idílica, sem um senão, sem uma reserva. E agora, com a separação, duvido que tão depressa voltemos a ter canções de amor no reportório dos Paramore.

 

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Em linha com isso, Pool parece fazer referências à ansiedade de Hayley. A letra compara um relacionamento amoroso a um mar agitado ou a uma piscina sem fundo: mergulhar nele é algo arriscado, incerto, perigoso, mas irresistível. No fundo (no pun intended), a narradora está a aprender que, no amor, nem sempre poderá ter controlo total. Existirá sempre um grau de incerteza relativamente ao futuro.

 

Não que isso tenha resultado muito bem para a Hayley…

 

Pool tem, aliás, sido a minha canção de verão deste ano. Tanto graças à sua sonoridade new wave, à anos 90, que me dá uma certa nostalgia, bem como às várias referências aquáticas – algo de que sempre gostei, tal como referi num texto recente deste blogue.

 

A única canção verdadeiramente alegre em After Laughter é Grudges. Consta que Zac e Taylor colaboraram na composição do instrumental (que não difere muito do resto do álbum), o que motivou Hayley a escrever sobre o regresso do baterista à banda. A letra celebra, assim, o renascimento da amizade, deixando de lado o passado, os motivos da antiga zanga e a longa ausência. Os vocais de Zac na terceira parte da música foram bem sacados.

 

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Vou falar, agora, das músicas de que gosto menos em After Laughter. Caught in the Middle, para começar, deixa-me algo dividida. Não sou grande fã da parte musical – não sendo má, não é nada por aí além. O refrão, por sua vez, soa-me estranho, um bocadinho forçado.

 

Por outro lado, a letra de Caught in the Middle é aquela com a qual mais me identifico em todo o After Laughter. Há coisa de uns dois, três anos, estive numa situação semelhante à descrita nesta letra: incapaz de pensar no passado, nos sonhos que tinha, nas promessas que fizera a mim mesma, e que não tinham dado em nada; cheia de medo de pensar no futuro a médio/longo prazo. Ainda hoje, em dias maus, chego a regressar temporariamente a esse modo.

 

Felizmente, não era algo que interferisse assim tanto com a minha vida, que me impedisse de funcionar normalmente. O caso da Hayley terá sido bem mais grave – ao ponto de,como ela descreveu em entrevista, ter desistido temporariamente da banda, ter passado dias e dias a ver séries, sem sair da cama, ter tido mesmo um diagnóstico de depressão e ansiedade. Costuma-se dizer, de resto, que a depressão ocorre quando somos atormentados pelo passado e a ansiedade ocorre quando somos atormentados pelo futuro – mas isto, claro, é simplificar demasiado a questão.

 

Não posso deixar de falar daqueles que serão, de longe, os melhores versos neste álbum: “I don't need no help, I can sabotage me by myself”, cantados no melhor tom sarcástico de Hayley. Tenho vindo a perceber, nos últimos tempos, que também tenho uma tendência para me boicotar a mim mesma. Ando a tratar disso…

 

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Mas este álbum é a consulta no psicólogo da Hayley, não minha.

 

Tenho tido um relacionamento complicado com Idle Worship. Nesta música, encontramos uma Hayley cínica, amarga, mesmo enraivecida. Sob um instrumental mais sombrio que no resto do álbum, Hayley tece críticas à veneração que muitos fãs nutrem por ela.

 

Confesso que fiquei, um pouco, com as orelhas a arder. Já passei há muito a fase de ter ídolos absolutos. Dito isto, muitos de vocês já terão reparado que passo a vida a falar de Hayley como uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música, a minha guia espiritual. Sobretudo graças ao marcante álbum Self-Titled.

 

Mas não posso dizer que Hayley esteja errada – que não seja um fardo ter tanta gente idolatrando-nos. Não me custa, aliás, imaginar uma Hayley deprimida sentindo-se a anos-luz da carismática vocalista dos Paramore, que dominava os palcos com a sua voz, a sua energia e o seu cabelo cor de chama.

 

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Este pode, até, ser outro dos motivos pelos quais ela desistiu dos Paramore por algum tempo – por não se sentir capaz de voltar a ser a Hayley que todos conhecemos e adoramos.

 

Por outro lado, Idle Worship serve para nos recordar que, só porque Hayley é uma cantora excelente e bem sucedida, isso não significa que não tenha problemas, falhas, como toda a gente. O seu iminente divórcio é um bom exemplo disso. Não é de todo razoável exigir que ela seja sempre um exemplo a seguir, que faça tudo bem, que não cometa erros.

 

Até porque Hayley sabe perfeitamente que, nos piores momentos da banda, toda a gente se volta contra ela. Já aconteceu antes. Várias vezes.

 

Devo dizer, no entanto, que Hayley não é uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música por achar que ela é (ou deveria ser) sempre perfeita, carismática, glamourosa – essa criatura, se existisse, não teria nada a ver comigo. Ela é uma das minhas preferidas porque é humana, com falhas e dificuldades tal como todos nós – e porque transfere a sua humanidade para a sua música.

 

  

No Friend é uma música que demorei algum tempo a compreender. Quando a ouvi pela primeira vez, cheguei a pensar que era um glitch ou algo do género – com o seu riff de guitarra repetitivo e os vocais masculinos que mal se conseguem ouvir. Consta, então, que foi co-composta e interpretada por Aaron Weiss, dos MeWithoutYou (que Hayley refere como a sua banda preferida). Os Os registos originais no site da ASCAP indicam que esta foi composta como um outro para Idle Worship – e de facto notam-se algumas semelhanças no instrumental. A letra torna, além disso, a pegar no tema da veneração tóxica.

 

Muitos fãs têm estranhado a música, eu incluída. No entanto, está a acontecer comigo o mesmo o que aconteceu com Future, no Self-Titled: de início, também não gostava, mas acabei por compreender o seu propósito.

 

A minha teoria é que os membros oficiais dos Paramore, Hayley sobretudo, a certa altura, precisaram de exorcizar demónios no que diz respeito à história turbulenta da banda. Precisaram de alguém de fora que dissesse coisas que eles, provavelmente, sentem, mas que não têm coragem de dizer eles mesmos. E a letra escrita por Aaron Weiss acaba por fazer referências a vários temas da discografia dos Paramore. No Friend não é, de todo, uma das minhas canções preferidas em After Laughter, mas compreendo a sua inclusão no álbum.

 

Até porque, ao deitar toda a raiva cá para fora, abre-se caminho a Tell Me How: o momento mais vulnerável em After Laughter.

 

  

Tell Me How é conduzida por notas de piano, ao qual se juntam notas de guitarra e uma bateria discreta, tudo muito suave. Na mesma linha, os vocais de Hayley são graves, quase sussurrados, magoados.

 

Fora de contexto, poder-se-ia pensar que a letra se refere a uma separação amorosa. No entanto, para uma pessoa minimamente informada sobre a situação da banda ao longo dos últimos anos, fica claro que a letra sobre Jeremy. Hayley chora (mais uma) amizade que perdeu, as infinitas mudanças na banda, o eterno ciclo de destruição e reconstrução dos Paramore. Uma das frases que se destaca em Tell Me How é a que reza “Of all the weapons you fight with, your silence is the most violent”.

 

Suponho que esta seja a parte da Hayley que desistiu da banda durante algum tempo.

 

A ideia com que fico é que, em Tell Me How, Hayley se encontra numa encruzilhada. Não só sem saber se deve continuar nos Paramore ou não, mas também sem saber se deve continuar a debater-se com o passado, a tentar descobrir onde é que errou, ou se deve seguir com a sua vida.

 

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Gosto de pensar que Hayley escolheu a segunda opção, que é a isso que se referem os versos finais. Tell Me How (e o próprio álbum After Laughter) termina com Hayley dizendo “I can still believe” – uma nota de esperança encerrando um álbum bastante deprimente, na sua maioria.

 

After Laughter não é tão bom (ou melhor, não é tão arrebatador) como o Self-Titled, mas também não estava à espera que fosse. É, no entanto, tão intricado e introspetivo como são os álbuns anteriores. E as referências a problemas de saúde mental – ainda muito pouco falados e cheios de preconceitos – tornam-no ainda mais relevante.

 

Aquilo que mais impacto me tem causado, no que toca a After Laughter, é a mudança na mensagem relativamente ao Self-Titled. Tal como escrevi na altura, este último é um álbum de sobreviventes, de vencedores, um álbum otimista, confiante no futuro. Admito mesmo que esse espírito me contagiou, a certa altura na minha vida. Fez-me sentir igualmente confiante, otimista, convencida de que já sabia como a vida funcionava, qual era o meu lugar no mundo.

 

É óbvio, agora, que a realidade havia de nos atingir, mais cedo ou mais tarde. No caso da banda, isso veio na forma da desistência de Jeremy e talvez mesmo na separação de Hayley.

 

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Esse, de resto, é o tema de After Laughter: o momento em que a batata quente nos explode nas mãos sem que estivéssemos à espera. O momento após uma gargalhada em que regressamos ao mundo real.

 

O facto de a banda, ao que parece, ter deixado para trás os elementos emo/pop punk tem causado controvérsia entre os fãs e não só. Era de esperar. Pessoalmente, admito que terei algumas saudades das guitarras pesadas em Paramore. À parte isso, a mudança de estilo não me incomoda, porque as músicas são boas. Estão muito bem feitas, com vários elementos que não se notam à primeira audição, com boas letras. O rótulo que os demais queiram colocar neste estilo musical é irrelevante.

 

O regresso dos Paramore às luzes da ribalta, de resto, tem-me feito redescobrir – mais uma vez – a discografia deles. Em particular o primeiro, All We Know Is Falling. Estou a descobrir que a tensão, os conflitos, a instabilidade fazem parte do DNA dos Paramore. O seu primeiro álbum foi maioritariamente inspirado pela desistência de um membro, Jeremy (a primeira, apenas temporária). Músicas desse álbum, como a homónima All We Know, Pressure, Here We Go Again, Conspiracy continuam a aplicar-se bem à banda, sobretudo nos momentos mais turbulentos.

 

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Os Paramore bem podem dizer que, agora, estão mais fortes do que nunca e tal, mas eu já ouvi essa antes – e só os acompanho a sério desde finais de 2010! Fãs mais antigos já devem ter ouvido esta mais vezes. Estou cada vez mais convencida de que a banda nunca terá estabilidade. Poderá chegar o dia em que termine de vez – ou, pelo menos, em que entre num hiato prolongado.

 

Depois de ter escrito sobre Riot! há dois anos, planeava escrever sobre Brand New Eyes pouco tempo depois. Confesso que tencionava tecer duras críticas aos membros da banda, por terem dito que a criação daquele álbum tinha resolvido os conflitos dentro do grupo. O que claramente não era verdade – conforme provado pela saída de Josh e Zac.

 

No entanto, depois de Jeremy ter saído da banda, fiquei sem coragem para escrever sobre isso – porque teria de admitir que o Self-Titled, um dos álbuns da minha vida, era igualmente “mentiroso”.

 

Só agora, mais de um ano e meio após a partida de Jeremy, em que começo a aceitar a eterna instabilidade da banda, é que me sinto em condições de escrever sobre Brand New Eyes. Não será a curto prazo – talvez daqui a uns meses.

 

Já agora, um aparte sobre os meus planos imediatos para o blogue. Tenho ainda dois álbuns lançados recentemente sobre os quais quero escrever. Um deles é One More Light, dos Linkin Park (Alerta Spoiler: gostei mais do que estava à espera mas, mesmo assim, não por aí além). O outro é Melodrama, de Lorde (Alerta Spoiler: A miúda não desiludiu, de todo). Espero não me demorar muito tempo com estes textos.

 

Quanto aos Paramore, ainda que esteja algo cética relativamente ao futuro da banda, espero, no entanto, que os próximos tempos sejam mais felizes para a Hayley, o Zac e o Taylor.

 

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Paramore - After Laughter (2017) #1

 

No passado dia 12 de maio, os Paramore lançaram o seu quinto álbum de estúdio, intitulado After Laughter. Eu comecei a trabalhar na análise a esse disco no dia em que saiu, acreditem. Só que, entretanto, a Seleção Portuguesa entrou em ação e assim se manteve durante mais de um mês. Ou seja, quase todo o tempo de escrita que tive foi consumido pelo meu outro blogue.

 

Daí que esta análise só esteja a ser publicada agora.

 

A vantagem deste atraso é ter apanhado umas quantas entrevistas sobre o álbum, em particular a da revista Fader – que revela imenso sobre After Laughter e mesmo sobre a história de Hayley e dos Paramore como banda. Apanhei essas entrevistas… e a separação de Hayley e do seu marido.

 

Lá se vai uma das minhas canções de amor preferidas.

 

Como tenho muito a dizer sobre After Laughter, resolvi dividir esta análise em duas partes. O resto será publicado amanhã. Falemos, então, sobre o quinto álbum de estúdio dos Paramore.

 

 

Aquilo que salta à vista (ou melhor, à audição) ao ouvir After Laughter é a sonoridade – os elementos de pop punk são praticamente inexistentes. Temos guitarras elétricas, sim, mas usadas de maneira diferente – em vez de acordes pesados, temos notas mais soltas, misturadas com xilofones, teclados e sintetizadores. O resultado é um som tropical, com elementos de new wave e de pop dos anos 80. Uma pessoa pode ser levada a pensar que After Laughter é um disco leve, de verão.

 

Desde que não se ligue às letras.

 

Uma das características deste álbum é a sua consistência: o facto de as músicas serem parecidas umas com as outras, embora não ao ponto de se confundirem. O reverso da medalha é que, a partir de certa altura, as coisas tornam-se demasiado formulaicas. Falo, sobretudo, das terceiras estâncias – se forem a ver, numa boa parte das músicas, as terceiras estâncias consistem, apenas, em um ou dois versos repetidos inúmeras vezes (nalguns casos com variações mínimas). Ao fim de algum tempo, cansa.

 

Outro aspeto menos bom em After Laughter é o facto de os vocais de Hayley não impressionarem por aí além – pelo menos em comparação com álbuns anteriores. Existem, aliás, muitas ocasiões em que os vocais se reduzem a quase sussurros.

 

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Também é verdade que vocais muito agudos e/ou prolongados, estilo Now, Decode ou Misery Business, não se encaixariam muito bem neste tipo de música. Além disso, há que recordar que Hayley estava a debater-se com depressão aquando das gravações de After Laughter – é bem possível que ela não tivesse vontade de elevar a voz. Por outro lado, visto que muitas destas músicas foram precisamente inspiradas pela depressão de Hayley, os vocais baixos adequam-se, sobretudo nos momentos de maior vulnerabilidade.

 

O que nos leva às letras das canções. Todos os álbuns dos Paramore, à exceção de Riot!, têm-se inspirado numa qualquer crise atravessada pela banda – porque, conforme comentámos extensivamente antes, a banda está sempre a atravessar uma crise ou tentando recuperar-se após uma crise. After Laughter não é exceção – até porque é o primeiro álbum que a banda edita após a saída do baixista Jeremy Davies. A inspiração, no entanto, não é assim tão direta na maior parte das músicas – só no sentido em que a crise nos Paramore poderá ter despoletado a depressão e ansiedade de Hayley.

 

O álbum After Laughter tem, aliás, sido elogiado precisamente por se focar em diferentes aspetos da vida de alguém que lida com um qualquer problema de saúde mental (eu ainda tenho algumas dificuldades em dizer, pura e simplesmente, doença mental por causa de todo o estigma associado), seja uma depressão, uma crise de ansiedade. Ou então, que esteja apenas a passar por… bem, tempos difíceis.

 

Por exemplo, Told You So fala sobre profetas da desgraça, que em vez de ajudarem, ainda mais enterram a pessoa. Rose-Colored Boy, ao invés, fala sobre pessoas que não sabem de todo o que acontece numa depressão, que acham que tudo se resolve com sorrisos e “pensamento positivo”. Forgiveness fala, precisamente, sobre as dificuldades em “perdoar e esquecer”. Caught in the Middle fala sobre desorientação. 26 fala sobre cinismo e sonhos desfeitos. Tell Me How revela vulnerabilidades.

 

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Isto pode ser um bocadinho esticado, mas, na minha opinião, em After Laughter existe uma canção para cada fase do luto. Hard Times representa a negação ou, pelo menos, o choque. No Friend e, talvez, Iddle Worship representam a raiva. 26 simboliza a negociação. Por sua vez, Tell Me How representa a parte da depressão e existem ainda algumas pistas, perto do fim da faixa, que apontam para uma eventual aceitação. Hayley referiu, em entrevista, que ainda não tinha ultrapassado por completo certas coisas de que fala em After Laughter – nesse aspeto, não é de surpreender que não haja uma única música para aceitação.

 

Falemos, agora, sobre as músicas em si. Hard Times (sobre a qual já falámos antes) é a primeira na tracklist e foi o primeiro single. Quando escrevi sobre ela, critiquei a letra por trazer pouco de novo no que toca aos Paramore. No entanto, agora que conhecemos o resto do álbum, faz sentido que esta seja/tenha sido a primeira canção que ouvimos em After Laughter: uma vez que apresenta o tema e estrutura da maior parte das faixas do álbum e faz uma ligação com os trabalhos anteriores.

 

Confesso, por outro lado, que nesta fase ando um bocadinho farta de Hard Times – a maior parte das outras canções em After Laughter são melhores, tanto em termos de letra como da musicalidade.

 

Uma das minhas preferidas neste álbum é Rose-Colored Boy. Calculo que seja uma das mais pop neste álbum e onde mais se notam as influências dos anos 80 – eu, pelo menos, vejo algumas semelhanças com a clássica Girls Just Want to Have Fun. As primeiras notas dão logo a ideia de uma festa numa praia tropical – sensação reforçada pelos vocais, estilo meninas de claque “Low key! No pressure! Just hang with me and my weather!”.

 

 

É claro que a última coisa em que a letra nos faz pensar é em festas. Rose-Colored Boy fala sobre aquelas pessoas irritantes, que insistem em ver o lado positivo em tudo. Ou que acham que as pessoas só caem em depressões porque têm pena de si próprias e que, se fizessem um esforço, curavam-se (acreditem, há muitos a pensar assim). Alguns fãs especulam sobre a identidade do tal Rose-Colored Boy: há quem diga que é o Taylor (pouco provável, na minha opinião), há quem diga que é Chad Gilbert, o, em breve, ex-marido de Hayley. Eu, no entanto, acredito que Hayley se terá cruzado com inúmeros Rose-Colored Boys e Girls aquando da sua depressão.

 

Pessoalmente, nunca fui uma pessoa pessimista ou cínica, nem faço questão de o ser. Prefiro sentir-me alegre em vez de me sentir triste e encarar a vida com esperança e otimismo. Mas a verdade é que o otimismo e o “pensamento positivo” só ajudam até certo ponto – quando estes implicam a repressão de sentimentos negativos, como a raiva ou a tristeza, são mesmo prejudiciais. E, conforme aprendemos com o filme Inside Out/Divertida-mente (vi-o pela primeira vez há bem pouco tempo e ando obececada com ele), a tristeza é saudável. A pressão para reprimir a infelicidade, para estar sempre feliz, otimista, sorrindo com os dentes todos, é precisamente aquilo que leva uma pessoa à depressão.

 

O que nos leva a Fake Happy (que, ao que parece, será o próximo single de After Laughter).

 

  

Esta música possui uma introduçãozinha acústica, com vocais graves, resumindo a mensagem da canção. Depois, soam os teclados. Os vocais de Hayley soam saltitantes, irresistíveis – sobretudo no pré-refrão. O refrão em si é tão cativante como os das melhores músicas dos Paramore.

 

Fake Happy fala, assim, sobre a dificuldade em manter as aparências quando nos sentimos infelizes – e, ao mesmo tempo, sobre a futilidade dessas aparências quando, na verdade, todos fingem ser mais felizes do que realmente são. Uma mensagem relevante nos dias que correm, em que as pessoas procuram vender a sua vida como perfeita nas redes sociais. Consta, até, que os americanos são particularmente obcecados pela ideia de felicidade e pensamento positivo.

 

Eu acho curioso porque Portugal tem uma cultura oposta. Conforme referido neste artigo da BBC, no nosso país, há uma cultura de tristeza – com o fado e os poemas de Camões, que achava que a sua vida era a “mais desgraçada que jamais se viu”. Os portugueses gostam de ser infelizes. Não é costume as pessoas fingirem ser felizes por cá, pelo menos não no contacto pessoa a pessoa (as redes sociais são uma história diferente).

 

Aliás, só ao longo do último ano, com a vitória da Seleção no Euro 2016, a vitória de Salvador Sobral no Festival da Canção, a popularidade de Portugal lá por fora, entre outras coisas, é que nos temos atrevido a ser um pouco mais felizes.

 

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Nunca fui fã desta cultura de tristeza. No entanto, reconheço que pode ser saudável, sobretudo num contexto de uma depressão ou de outra doença psiquiátrica semelhante.

 

Agora que penso nisso, se os Paramore fossem portugueses, não teriam criado um álbum falsamente alegre, como After Laughter. Teriam cantado fado (a versão portuguesa da cultura emo).

 

Mas estou a desviar-me.

 

Só para concluir, referir que, na minha opinião, Fake Happy funcionaria bem como título alternativo a este álbum: com as suas músicas com instrumentais e melodias alegres, mas com letras deprimentes. Tenho visto muitas pessoas deixando-se enganar.

 

  

Told You So – a segunda canção de After Laughter que conhecemos – acaba por funcionar como a antítese de Rose-Colored Boy. Desta feita, lidamos com os Velhos do Restelo, aquelas pessoas que parecem sentir um gozo especial quando as suas previsões pessimistas se concretizam, ou ao verem uma pessoa que invejam passando por um mau bocado. Esta sim é uma realidade bem portuguesa. Em Told You So, Hayley procura agarrar-se a uns resíduos de esperança e otimismo – algo que se torna quase impossível, com pessoas como as que acabo de descrever.

 

Gosto imenso da sonoridade de Told You So. Os riffs de guitarra e o xilofone do Taylor são excelentes, sobretudo no refrão, casando bem com os vocais, mais uma vez, ritmados e saltitantes de Hayley. Devo dizer, no entanto, que, à semelhança do que aconteceu com Hard Times, a letra de Told You So está uns furos abaixo do nível habitual dos Paramore. É demasiado curta e simplista, sobretudo a repetitiva terceira estância.

 

Por outro lado, não é fácil cantar “Throw me into the fire, throw me in, pull me out again" muitas vezes de seguida, como Hayley faz. Eu, pelo menos, troco-me toda.

 

Visto que Hard Times e Told You So saíram antes do resto do álbum, cheguei a temer que todas as letras em After Laughter fossem assim – mais fraquinhas que o habitual. Não foi o que aconteceu, felizmente, tal como já vimos e ainda vamos ver a seguir.

 

  

Queria falar, ainda, sobre o videoclipe de Told You So – que foi realizado pelo baterista da banda, Zac. Nele, começamos por ver Hayley vestida de preto, numa casa escura – uma metáfora para a depressão, quase de certeza. Os rapazes – Zac e Taylor – acabam por vir buscá-la, num carro antigo. As sombras não desaparecem completamente, mas pelo menos agora Hayley não está sozinha.

 

A banda revelou em entrevista, pouco após o lançamento do vídeo, que, aquando das gravações de After Laughter, os três costumavam viajar juntos no carro de Zac. Nessas alturas, a ansiedade de Hayley dava tréguas. Zac percebia mesmo que ela se sentia mais calma, mais aliviada, durante essas viagens. O carro dele era um porto seguro.

 

Acho amoroso que Zac tenha querido homenagear isso no videoclipe. Os Paramore podem ser uma banda de estabilidade precária, mas são coisas como estas que me ajudam a ter esperança no futuro deles.

 

É com esta nota positiva que nos despedimos por hoje. Regressamos amanhã com a segunda parte da análise a After Laughter.

 

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Músicas Não Tão Ao Calhas - Hard Times

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Em janeiro de 2013, estreava aqui no blogue a rubrica Músicas Não Tão Ao Calhas. Nela, escrevo sobre músicas inéditas que os meus artistas preferidos vão lançando – na maior parte das vezes singles antes de álbuns, mas não só. A minha primeira entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas foi sobre Now, o primeiro single do quarto álbum dos Paramore – aquele que ficou conhecido por The Self-Titled. Hoje, mais de quatro anos depois, volto a escrever sobre o primeiro single de um álbum dos Paramore – é um ciclo que se fecha.

 

Infelizmente, este ciclo nem sempre foi fácil para a banda. O início até nem foi mau. O Self-Titled é um álbum excelente, mudou por completo a maneira como encaro a vida. Graças a Deus, teve o devido reconhecimento em termos comerciais: foi platina e teve dois singles de sucesso: Still into You e Ain’t it Fun. A segunda ganhou um merecidíssimo Grammy. O ciclo desse álbum durou até meados de 2015, terminando com a digressão Writing the Future.

 

No entanto, em finais de 2015, a banda anunciou a partida do baixista Jeremy Davis. Desde essa altura, os Paramore têm passado por… bem, tempos difíceis.

 

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Ainda não tive oportunidade para escrever sobre a desistência de Jeremy. Custou-me, para ser sincera, ainda me custa. Nos primeiros tempos, ainda pensei/esperei que tivesse sido uma “rescisão” amigável, que ele tivesse partido porque tem uma filha e não pode andar em digressão.

 

Essa ilusão não durou muito. Meses depois surgiram notícias de que Jeremy e a banda estavam envolvidos numa disputa judicial, alegadamente devido a honorários da música e dos concertos. Como o processo ainda está em decurso, ainda não foi divulgada oficialmente a razão da partida de Jeremy. A ideia com que fico – e posso estar errada – é que, no centro disto tudo, está aquele três vezes maldito contrato celebrado, algures em 2005, entre a Atlantic Records e Hayley Williams, excluindo os restantes membros da banda. O mesmo contrato que já tinha sido um dos motivos para a partida dos irmãos Farro, em finais de 2010.

 

Toda esta história dá-me vontade de bater com a cabeça numa parede. Aquando do Self-Titled, a ideia que os Paramore davam era de que a banda tinha resolvido os seus problemas, aprendido com os erros cometidos. O trio estava mais forte, mais unido do que nunca, capaz de sobreviver a tudo. Eu acreditei nisso. Talvez os próprios membros da banda acreditassem nisso.

 

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Mas a verdade é que não devia ter ficado surpreendida. A banda nunca teve estabilidade – desde a ausência de Jeremy das gravações de All We Know Is Falling, passando pela saída dos irmãos Farro, e agora isto. A verdade é que Hayley tem sido a única constante em Paramore (ainda que Taylor só não se tenha juntado oficialmente à banda até depois do lançamento de Riot! porque os seus pais não deixaram). Por um lado, toda a gente sabe que Hayley podia, desde o início, optado por uma carreira a solo. Se não o fez até agora é porque, obviamente, não o quer. Por outro lado, para os membros estarem sempre a entrar e a sair, alguma coisa não está bem.

 

Não quero pensar que Hayley seja o problema. Ela parece ser uma miúda simpática, com valores parecidos com os meus – aliás, é atualmente uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música. Mas como não a conheço pessoalmente, não dá para ter a certeza.

 

Nestas alturas, a música Pressure, do primeiro álbum, faz mais sentido do que nunca.

 

 

Em defesa deles, os membros da banda parecem tão frustrados com esta história toda como eu. Ainda mais, já que esta é a vida deles. Hayley tem referido várias vezes que pensou em desistir. Disse que os Paramore parecem mais uma novela do que uma banda, que estava farta de perder amigos e de se questionar sobre o que estava a fazer de errado. Considerou várias alternativas: dedicar-se à sua linha de tintas para o cabelo, ter uma família (ela casou-se no ano passado), compôr para outras pessoas, começar um projeto diferente com Taylor.

 

Terá sido este último a salvar os Paramore, segundo Hayley. Taylor disse-lhe que a apoiaria independentemente da decisão que ela tomasse relativamente à banda. Isso aliviou a pressão sobre Hayley – que, no meio desta história toda, chegou a debater-se com depressão e ansiedade. Assim, os dois foram compondo música a pouco e pouco.

 

Entretanto, Taylor chamou Zac, o mais novo dos irmãos Farro, para tocar bateria no álbum novo. Inicialmente, veio apenas como músico contratado. Ao fim de algum tempo, Taylor convidou Zac para regressar oficialmente à banda. Ele disse que sim.

 

Toda a gente ficou feliz, como seria de esperar. Em primeiro lugar, Zac é um ótimo baterista e sentiu-se a falta dele em certos momentos do Self-Titled. A música dos Paramore fica a ganhar. Além disso, eu mesma referi, há pouco mais de dois anos, que tinha esperanças de que, um dia, os irmãos Farro regressassem. Cinquenta por cento desse desejo já se realizou.

 

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Mas fica um amargo de boca por Jeremy já lá não estar.

 

Os membros da banda chegaram mesmo a dizer que já não sabem muito bem por que os Paramore continuam a ser uma banda. Nesta altura, deve ser só por nós, os fãs – porque eles sabem que a música deles é uma das coisas que nos ajuda a sobreviver. Eu, apesar de tudo, fico grata por isso. E, agora, teremos um álbum novinho em folha daqui a menos de duas semanas.

 

Suponho que haja uma qualquer metáfora para a vida no meio desta história toda. Talvez seja assim que as coisas funcionem: uma batalha sem fim, com perdas e ganhos, cometendo os mesmos erros, sempre a desfazermo-nos e a reconstruirmo-nos outra vez, sempre a aprendermos. Uma pessoa vai continuando, às vezes só por causa daqueles que ama, às vezes só porque… qual é a alternativa?

 

 

Gonna make you wonder why you even try

 

Com isto tudo, vamos quase em mil palavras e ainda nem sequer falámos de Hard Times. Mas eu tinha de escrever sobre as aventuras e desventuras dos Paramore nestes últimos anos porque, na minha opinião, a letra da música fala sobre elas. As estâncias falam claramente sobre depressão, com referências a um buraco onde nos enfiar até os nossos problemas terem desaparecido e a uma nuvem negra que nos segue para todo o lado. No refrão, questiona-se mesmo como é que se consegue aguentar tudo isto e continuar.

 

Na verdade, a letra de Hard Times não me impressiona por aí além. Não me interpretem mal, não a acho má. É, aliás, melhor que muito do que se ouve por aí. No entanto, cai muito nos clichés habituais de Paramore. Por exemplo, o primeiro verso (“All that I want is to wake up fine”) remete para Last Hope – “Every night I try my best to dream tomorrow makes it better”. “Tell me that I’m alright” recorda-me Tell Me It’s Okay. Os versos “And I’m gonna get to rock bottom!” e “We’ll kick it when I hit the ground” fazem lembrar Turn It Off: “I’m better off when I hit the bottom”. Eu podia continuar. Não há nada na letra de Hard Times que não tenhamos ouvido antes, o que é uma pena.

 

Isso, de resto, é a única falha que tenho a apontar a Hard Times – e nem sequer a acho grave no primeiro single de um álbum novo. A letra pode não trazer nada de novo, mas o mesmo não se passa com o acompanhamento musical. Depois de músicas como Grow Up, Still into You e Ain’t it Fun, Hard Times parece lógica como o passo seguinte. À semelhança de Ain’t it Fun, Hard Times começa com notas de xilofone, que são rapidamente substituídas por notas de guitarra – são estas as responsáveis pelo ritmo dançante da música. Ouvem-se também algo que se assemelha a tambores africanos, algo que se mantém durante toda a faixa. A bateria de Zac dá personalidade à música (sobretudo numa altura em que este instrumento está em vias de extinção). No refrão, noto elementos de Daft Punk - sensação que se reforça no fim da música, com os vocais distorcidos.

 

Não sei se o mesmo aconteceu com vocês, mas eu demorei algum tempo a decifrar esses vocais. Se não estou em erro, dizem “Makes you wonder why you even try” e “Still don’t know how I even survive”. Em suma, em termos musicais, à semelhança das melhores músicas do Self-Titled, Hard Times conjuga vários elementos de forma primorosa, podendo-se ouvir a contribuição de cada membro da banda. Eu gosto. Não estou propriamente caída de quatro, mas também não estava por Now quando esta foi lançada e, com o tempo, a música foi ganhando novos significados. Estou certa de que o mesmo acontecerá com Hard Times. Sobretudo quando puder ouvi-la no contexto do álbum. Para já, espero que não demore muito a chegar às rádios portuguesas.

 

 

O quinto álbum dos Paramore chama-se, então, After Laughter, e sai dia 12 de maio. Sim, daqui a menos de duas semanas. Confesso que fiquei estonteada com esse anúncio, ainda estou. Um dia, tínhamos a vaga ideia de que os Paramore estariam a trabalhar num álbum, algumas pistas como músicas registadas no site da ASCAP. No dia seguinte, temos nome, capa, tracklist, data de lançamento, primeiro single com videoclipe e pessoas que já ouviram o álbum (inveja!). Tendo em conta que os álbuns da Avril Lavigne têm sempre um parto longo e complicado (e o sexto álbum não está a ser exceção), esta é uma alternativa atordoante, mas muito mais agradável.

 

Segundo Hayley, o título After Laughter (a melhor tradução que me ocorre é “Pós-riso”) refere-se àquele momento após uma gargalhada em que regressamos à realidade. Dá para ver, assim, que este álbum vai ser animado… só que não. Quem já ouviu o álbum dá a entender que o resto será semelhante a Hard Times. Ou seja, os Paramore vão fazer o que fazem desde o início da sua carreira: queixar-se da vida. A diferença é que, enquanto antes, Paramore depressivo equivalia a guitarras pesadas e estética emo, agora equivale a música rítmica, falsamente alegre (o nome de uma das faixas novas é Fake Happy, por sinal), e tons pastel.

 

Gostava de chamar a atenção para o símbolo no centro da capa: as barras de néon que criam uma ilusão de ótica, de modo que não sabemos se são duas ou três. É obviamente uma variante do símbolo que a banda adotou em 2011, uma provável alusão à recente troca de membros. Eu, de qualquer forma, gosto imenso deste símbolo. Já encomendei, até, um dos conjuntos de merchandising da banda que inclui uma t-shirt preta com este símbolo, para além do álbum em CD (uma encomenda que, admito, foi para aí quarenta por cento impulso).

 

Havemos de falar mais sobre os Paramore quando analisar o resto de After Laughter. Ainda não decidi se analiso faixa por faixa, por ordem crescente de preferência, ou se analiso em texto corrido. Mas vou tentar publicá-la não muito depois do lançamento do álbum. Entretanto, vou ganhar vergonha na cara e ver se acabo e publico de vez a análise ao quarto filme de Digimon Adventure Tri.

O meu gosto musical

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Como poderão ter deduzido, no último mês não tenho tido muito tempo aqui para o blogue. Isto porque me tenho focado mais nos meus livros. Infelizmente, num futuro próximo não deverei ter muito mais tempo porque o Euro 2016 está aí à porta, logo, darei prioridade ao meu outro blogue. Para não deixar aqui o estaminé ao abandono por tanto tempo, nos intervalos, vou tentar escrever uns textos mais ou menos rápidos. Hoje respondo à TAG "O meu Gosto Musical".

 

1) Qual é o teu estilo musical preferido?

 

Tal como respondi antes, o meu estilo musical preferido é o rock.

 

2) Qual é o teu cantor ou banda preferido?

 

Mais uma vez, tal como respondi antes, o meu cantor masculino preferido é Bryan Adams. A minha cantora feminina preferida é Avril Lavigne. De momento, a minha banda preferida é Paramore.

 

3) Qual é o estilo musical de que menos gostas?

 

Há uns anos responderia dubstep e/ou EDM, mas a verdade é que tenho músicas deste estilo entre as minhas favoritas. Acho que não existe estilo musical de que não goste mesmo nada: só música pimba e mesmo assim.

 

4) Indica uma música que te faça chorar.

 

Tenho várias, mas a maior culpada é Tears in Heaven, de Eric Clapton.

 

 

5) Indica uma música que tenha marcado algum momento da tua vida.

 

Posso falar de vários momentos diferentes?

 

 

Eu podia continuar...

 

6) Que música andas a ouvir muito ultimamente?

 

 

Neste momento, ando a ouvir imenso o álbum da Lorde - algo que me surpreende a mim mesma. Houve altura há um par de anos em que ganhei ódio a Royals depois de a ter ouvido milhões de vezes na rádio (agora, gosto imenso dessa música). Por outro lado, apaixonei-me por completo por Team quando a ouvi pela primeira vez, há cerca de ano e meio. Essa ainda hoje é a minha preferida dela - aquele refrão é perfeito.

 

Há umas semanas resolvi ouvir Pure Heroine na sua totalidade e gosto da maioria das músicas. As minhas preferidas são 400 Lux, Tennis Court, Ribs e Buzzcut Season, para além daquelas que já referi. O estilo musical dela é muito sui generis, não dá para encaixar em nenhum género - só o "indie", que de resto engloba tudo o que não seja mainstream - já que Lorde quase não usa instrumentos (ela nem sequer sabe tocar nenhum deles), o instrumento principal é a voz. Apesar de eu não ir muito na conversa de anti-popstar (essa fase nunca dura muito, querida...), acho que ela tem muito potencial e quero ver o que fará com o resto da sua carreira.

 

7) Indica três artistas que gostarias de ver ao vivo.

 

  • Avril Lavigne, mas, pelo andar das coisas, mais depressa Jesus Cristo desce à Terra...
  • Gostava de ver os Paramore mais uma vez.
  • Os Within Temptation

 

8) Que música te recorda a infância?

 

O primeiro tema da série animada de Pokémon (esta versão é a minha preferida). A banda sonora dos jogos Pokémon versão Gold/Silver/Crystal.

 

Ah, e Brave Heart. O Daniel Costa da Animedia, aliás, já arranjou um ficheiro áudio decente da versão orquestral que tocou em Saikai e de que gostei tanto. Fica aqui o áudio...

 

 

 

9) Que música melhora o teu humor?

 

Dreaming, dos Smallpools. Esta música é tão alegre, tão contagiante, é uma coisa parva. É-me muito difícil ouvir esta música sem abanar o esqueleto.

 

 

Uma música com um efeito semelhante, mais antiga, é What Is Love, de Haddaway.

 

10) O teu filme preferido em termos de banda sonora.

 

Spirit é a resposta óbvia, mais óbvia do que eu gostava, até... Existem muitas músicas de que gosto que fizeram parte da banda sonora de filmes, mas não consigo pensar em mais nenhuma película em que aprecie toda ou quase toda a banda sonora. Só mesmo o Mamma Mia, mas nem sei se conta pois o musical foi baseado das músicas dos Abba, não o oposto. Já agora, referir que Mamma Mia é o meu feel-good movie, aquele que me deixa facilmente bem disposta. E partilho a minha cena preferida (relembro que esta é a mesma atriz que faz de Diane Lockhart, em The Good Wife).

 

 

 

11) Que tipo de música gostas de ouvir quando estás triste?

 

Depende muito das ocasiões. Lembro-me que, no Mundial 2014, no dia a seguir ao jogo com os Estados Unidos (em que Portugal ficou praticamente eliminado da prova), a única coisa que me apetecia ouvir era o álbum The Hunting Party, dos Linkin Park. Tinha acabado de sair e o estado de espírito Linkin Park era o que mais se adequava ao meu desânimo e mau humor. 

 

Houve outra ocasião em que a única coisa que me consolava eram canções de amor. 

 

À parte isso, regra geral, quando ando em baixo evito música demasiado triste.

 

12) Em que altura houves mais música?

 

Quando estou a conduzir. Oiço cada vez menos rádio, prefiro pôr o meu telemóvel a tocar a minha música. Adoro cantar quando estou a conduzir, quer quando estou sozinha no carro, quer quando estou a minha irmã.

 

13) Que música mais gostas de cantar em voz alta?

 

Existe música para ser cantada e música para ser apenas ouvida. Não significa que uma seja pior do que outra, depende muito do artista e do estilo musical. Dito isto, a única que consegue pôr-me sempre a cantar é Avril Lavigne. Quer com músicas mais alegres, quer com músicas mais calmas, quer com melodias fortes, quer com raps. Ela agarra-me sempre. 

 

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