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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Pokémon através das gerações - La belle Kalos #2

Em X&Y, temos outra personagem importante, mas que só nos é apresentada numa fase muito avançada do jogo: um velho sem-abrigo gigantesco de nome AZ. Este, a certa altura, é aprisionado por Lysandre, pois possui a chave para a arma suprema que o líder dos Team Flare quer ativar.

  

 

AZ conta-nos a origem dessa arma. Fala-nos da guerra que assolou a região três mil anos antes dos eventos dos jogos. O rei de Kalos na altura teve de enviar o seu Floette para a guerra e este não sobreviveu. Consumido pelo luto, o rei construiu uma máquina que ressuscitasse o Pokémon. Ele foi bem sucedido e o Floette regressou à vida, mas o rei ainda alimentava desejos de vingança. Assim, transformou a máquina na arma suprema e usou-a para terminar a guerra, aniquilando inúmeros Pokémon dos dois lados em conflito. Depois desta, Floette, destroçado por tantas vidas se terem perdido por causa dele, abandona o rei.

 

Acho que isto não foi confirmado preto no branco, mas parece que a máquina conferiu vida eterna ao rei. Este passou os três milénios seguintes vagueando, à procura do seu Floette ou, pelo menos, do seu perdão.

 

AZ conclui a história pedindo ao jogador que faça tudo para que não se voltem a cometer os mesmos erros.

 

Havemos de regressar ao gigantesco sem-abrigo, mas, de qualquer forma, cumprimos a vontade dele. Com a ajuda de Shauna, Calem ou Serena e os outros rivais, invadimos o quartel-general onde a arma suprema está escondida. Enfrentamos uma data de membros do Team Flare até encontrarmos a arma, que possui Xerneas ou Yveltal (consoante a versão) aprisionado. Numa sequência espetacular nos gráficos em 3D, libertamos o Lendário e combatêmo-lo.

 

 

  

Tal como acontece com Reshiram e Zekrom em Black&White, respetivamente, somos obrigados a capturar o Lendário antes de prosseguirmos com o jogo e temos a hipótese de adicioná-lo logo à nossa equipa. Desta vez, no entanto, não sei se faz assim tanto sentido neste contexto. Não me admirava, aliás, se isto foi adicionado só para piscar o olho a Black&White.

 

Depois de capturarmos Xerneas ou Yveltal, desativando a arma suprema, temos de combater Lysandre uma última vez. O líder do Team Flare surge assustador, com uma série de implantes robóticos e um Mega Ring, disposto a recuperar o Lendário que resgatámos e a prosseguir com o seu plano.

 

Quando o derrotamos, Lysandre tem um ataque de fúria, não muito diferente dos de Ghetsis – incluindo a parte em que palavras de apelo à sua humanidade caem em saco roto. A diferença é que Lysandre age sob a influência da sua fúria – ativando a arma suprema, mesmo com pouca energia. Felizmente, tudo o que consegue fazer é destruir o quartel-general, enterrando-se debaixo dele. Em Y, Lysandre provavelmente morre. Em X, Lysandre provavelmente deseja ter morrido.

 

 

 

Havemos de regressar a Lysandre. Voltamos a ver AZ depois de vencermos a Liga – durante a grande festa em Lumiose em honra do protagonista, que travou a arma suprema e se sagrou Campeão. AZ desafia-nos para um combate, para “saber o que é um treinador”. Depois do combate, vemos AZ sorrir pela primeira vez e este agradece-nos por o ajudarmos a libertar-se da “parte de si que criou a arma suprema”.

 

Sim, caso ainda não tenham percebido, AZ é o rei da história.

 

É nesse momento que, numa cena que já se tornou icónica, o Floette desce dos céus, aparecendo perante AZ pela primeira vez desde a arma suprema. A frase “It’s been 3000 years” tornou-se conhecidíssima, já foi usada em vários memes (tenciono fazer um quando a Avril Lavigne anunciar o seu álbum), mas a cena é verdadeiramente comovente – com AZ caindo de joelhos, as mãos e os ombros a tremer. É preciso ter um coração de pedra para não ficar com, pelo menos, uma lágrima no canto do olho.

 

 

  

É uma história lindíssima, a de AZ. Faz lembrar as dos vilões de Once Upon a Time, sobretudo a de Regina. À semelhança de AZ, ela perdeu um ente querido e, em diversos momentos da sua vida, teve de escolher duas opções: ou ficava presa ao passado, consumida pelo ódio, pela raiva, procurando vingança. Ou libertava-se do passado, optava pela esperança, pelo perdão. procurava  amar de novo, tanto às pessoas à sua volta e ao mundo em geral, como a si mesma. Regina (e outros vilões da série) tomou demasiadas vezes a opção errada, demorou muito tempo a escolher o caminho certo.

 

Da mesma forma, AZ escolheu a opção errada, mesmo depois de recuperar o seu Floette, e teve de viver três mil anos com as consequências dessa decisão. Mas, no fim, só lhe bastou abrir, por um momento, o seu coração à esperança – mesmo sendo uma coisa tão simples como um combate de Pokémon – para Floette o perdoar.

 

Dito isto tudo… a história de AZ deixa um bocadinho a desejar, na minha opinião. Conforme disse antes, AZ é-nos apresentado demasiado à frente no jogo e a história deles, ainda que bonita, parece-me algo apressada. Além disso, não acho que AZ tenha feito o suficiente para merecer o perdão. Pode-se argumentar que três mil anos de solidão são castigo suficiente, mas gostava que ele tivesse tido uma participação mais ativa na luta contra Lysandre. Afinal de contas, o Team Flare estava a usar a mesma arma que AZ construira. E haverá melhor maneira de se redimir por um massacre do que impedir outro?

 

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Podia-se, aliás, ter feito um melhor paralelismo entre AZ e Lysandre (que até é descendente distante do primeiro): dois homens que, a certa altura, ganharam ódio à Humanidade e ao mundo em geral e quiseram destruí-lo. AZ passa das intenções aos actos, o que só provoca sofrimento, a si e ao resto do Mundo. AZ podia ter tentado dissuadir Lysandre dos seus planos, fazer-lhe ver que conferir imortalidade a uns quantos escolhidos ou matar toda a gente não resolverá nada, não apaziguará o seu ódio ou a sua dor.

 

O que nos leva aos problemas que tenho com Lysandre. Já tinha dado a entender acima que a motivação do vilão destes jogos não me convence por aí além. A justificação que dão para ele odiar a Humanidade é vaga – uma boa pessoa que sofreu uma desilusão? Não podiam ter sido mais específicos? Ao menos com AZ sabemos que foi a morte do seu Floette que o atirou para um caminho destrutivo. Lysandre tornar-se-ia mais credível como vilão se tivesse uma história desse género, nem que fosse um cliché tipo “cresceu como órfão”, como o Batman.

 

E mesmo assim não disfarçaria a hipocrisia da sua mensagem. Já antes comentámos que ele estava disposto a sacrificar Pokémon inocentes. Pior ainda é o facto de pregar contra a ganância e corrupção… mas é necessário pagar uma quantia exorbitante para fazer parte dos Team Flare e, como tal, ser poupado ao massacre.

 

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Pois…

 

Não sei se é suposto Lysandre ser mesmo hipócrita, representar uma forma extrema de elitismo, ou se pura e simplesmente a personagem e respetiva organização criminosa foi construída em cima do joelho.

 

Em todo o caso, é por isso que, tirando a parte que diz respeito a AZ, e mesmo assim, o enredo principal de X&Y deixa muito a desejar, na minha opinião. Representam vários passos atrás depois de uma quinta geração que se caracterizou por boas histórias e personagens bem desenvolvidas – não apenas as diretamente envolvidas no enredo principal, mas também as mais secundárias, como os rivais e os líderes de ginásios.

 

Em X&Y, no entanto, os rivais dão pouquíssimas para a caixa e os líderes de ginásio são, de novo, esquecíveis A única com um papel mais ou menos importante é Korrina, que nos ensina acerca da Mega Evolução. Diantha é Campeã de Kalos, mas é uma mera figura decorativa – nem funciona como mentora, nem ajuda a travar Lysandre e o Team Flare. A única exceção é mesmo o professor Sycamore, que sempre aparece um bocadinho mais do que o habitual para um Professor de região e faz um mea culpa por nunca ter discordado abertamente com a mensagem que Lysandre pregava.

 

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É possível que, num jogo que se destaca tanto pelas melhorias estéticas e pelas funcionalidades novas, o enredo e o desenvolvimento das personagens tenha sido deixado um bocadinho de lado. 

 

Se formos a ver, o enredo de X&Y partilha as falhas do conceito de beleza em si: a superficialidade.

 

Existe, no entanto, uma história no post-game que tem muito pouco a ver com o enredo principal: a história de Looker e Emma.

 

Looker é uma personagem recorrente nos jogos desde Platinum. Foi a estrela de Pokémon Generations, conforme escrevi na altura. Sempre gostei dele, com os seus modos pomposos e vaidosos (acreditam que só no outro dia é que me apercebi que “Looker” significa “atraente, bem-parecido”? Ele deu a si mesmo o nome-código “Bonitão”!), mas a sua participação em X&Y é a minha preferida até ao momento.

 

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Devo avisar, no entanto, que esta foi a única parte de X&Y que só fiquei a conhecer quando joguei eu mesma. É possível que isso me tenha dado um viés.

 

No post-game, Looker convida-nos para o ajudarmos em certas missões. É numa delas que conhecemos Emma, uma sem-abrigo orfã (semelhante a outra Emma nossa conhecida), acompanhada apenas por Mimi, a sua Espurr. Descobrimos, mais tarde, que Emma se tornara, sem dar por isso, líder de um míni-gangue (que, pelo menos a mim, parece lançar as bases para a Team Skull, da sétima geração).

 

Mesmo tendo em conta as origens duvidosas, Looker acolhe Emma no seu escritório – eu confesso que pensaria duas vezes antes de tomar esta decisão, até porque receava que Emma se revelasse uma anti-heroína, que a certa altura apunhalaria Looker pelas costas. O detetive dá-lhe emprego como assistente, ensina-a a ler, a escrever e a contar. Os dois acabam por desenvolver um laço de pai e filha.

 

A partir de certa altura, no entanto, Emma começa a sentir-se culpada por andar a viver à custa de Looker. Não que este tenha problemas com isso – quando a jovem lhe fala no assunto, o detetive aconselha-a a focar-se nos estudos. No entanto, Emma continua sem se sentir bem com a situação. Desse modo, começa a procurar outro emprego.

 

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Depois disto, Emma começa a desaparecer durante intervalos de tempo prolongados – na mesma altura que surge uma mulher, vestida como se fizesse parte dos Daft Punk, utilizando diversos disfarces para roubar Pokémon, usando o nome de código Essentia.

 

Quando, a certa altura, Looker, Mimi e o protagonista conseguem cercar Essentia, descobrimos que esta é, na verdade, Emma. Descobrimos também que, no emprego que a jovem arranjou, o seu patrão é Xerosic, antigo cientista da Team Flare. Este anda a usar Emma como cobaia para o seu “fato de Expansão”, controlado remotamente. As notas de Xerosic, nos laboratórios do Team Flare, referem que Emma não está consciente enquanto usa o fato – depois de usá-lo, não se lembra do que fez com ele.

 

Também se descobre que Emma, no início, não sabia nada acerca de ser treinadora de Pokémon – as notas referem mesmo que a jovem prefere brincar com os Pokémon em vez de fazê-los combater. Xerosic teve de ensiná-la.

 

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Devo confessar que acho o papel de Xerosic nesta história deveras intrigante. Os produtores são capazes de ter criado um vilão bem mais interessante e complexo que Lysandre sem darem por isso. É certo que foi cúmplice no que toca à arma suprema e afins e construiu um fato que lhe permite manipular outras pessoas. No entanto, Xerosic não é cruel para Emma. Ensina-a a ser treinadora, ou seja, dá-lhe armas para singrar na vida – algo que, provavelmente, ninguém tinha feito por ela, tirando Looker. Quando mais tarde é apanhado, Xerosic entrega-se sem reservas e ainda oferece a Emma o fato que desenvolveu e os Pokémon que utilizou.

 

Por fim, Emma parece genuinamente gostar dele – embora não deixe de censurá-lo pelas suas ações vilanescas.

 

Nada disto faz de Xerosic uma boa pessoa, nem sequer lhe serve de redenção. Mas há que reconhecer que possui um código de honra que nem todos os vilões possuem.

 

Devo dizer que, nesta parte do jogo, senti-me muito mais aflita e motivada para salvar Emma do que antes, para travar Lysandre e a arma suprema – ainda que seja um bocadinho chato termos de combater três vezes de seguida contra ela, enquanto a jovem se debate contra o controlo do fato.

 

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E fiquei de coração partido quando Looker teve de partir, deixando Emma para trás, deixando-lhe o seu escritório em Lumiose.

 

De qualquer forma, com o escritório de Looker, o fato, os Pokémon de Xerosic e o seu novo estatuto como treinadora, Emma torna-se verdadeiramente a Essentia – uma espécie de super-heroína, guardiã de Lumiose City. Tal como a sua homónima de Once Upon a Time, a jovem passou de orfã e sem-abrigo a heroína. Até se pode dizer que encontrou uma família, com Looker, o gangue e o protagonista do jogo – mesmo que o primeiro tenha partido.

 

É uma história bonita.

 

Outro dos motivos pelos quais queria uma sequela de X&Y era para voltarmos a vê-la: uma Emma possivelmente mais madura, mais experiente como treinadora, talvez aliando-se ao protagonista na luta contra o Team Flare (se eles se mantivessem como equipa vilanesca).

 

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Eu acredito mesmo que estes jogos precisavam de uma sequela ou, pelo menos, uma versão melhorada, sobretudo para compensar pelas falhas do enredo. Penso que era esse o plano inicial da Game Freak – talvez um ano ou dois após os remakes, como aconteceu com Emerald. Só que, entretanto, veio 2016 com o vigésimo aniversário da franquia e eles acharam melhor inaugurar uma geração nesse ano.

 

Bem, o mundo nunca saberá.

 

Voltando aos jogos X&Y em si, o meu maior problema com eles, mais do que o enredo, é o facilitismo. O Experience Share foi alterado e, agora, atribui pontos a toda a equipa, mesmo a Pokémon que não tenham participado nos combates. Aliado a isto, outro dos benefícios do Amie é um bónus nos pontos de experiência. Desse modo, os Pokémon sobem de nível muito mais depressa que antes e a dificuldade do jogo desaparece.

 

E com ela a piada. Quem é que quer jogar um jogo que não nos desafia minimamente? Cheguei a ver pessoas no YouTube com Pokémon dez níveis acima dos treinadores que enfrentava – o que é ridículo.

 

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Eu joguei X com o Experience Share desligado e, desse modo, o jogo teve um nível de dificuldade mais aceitável – mesmo assim, os únicos ginásios onde tive de me esforçar foram os do Grant (aquele Amaura é traiçoeiro) e o de Valerie (só porque não tinha opções na equipa para lidar com o tipo Fada). A Elite 4 e a Diantha, por sua vez, não foram nada de especial.

 

Este problema repetir-se-à em Omega Ruby & Alpha Sapphire, falaremos sobre isso na altura. Para já, devo dizer que, com todo o facilitismo e uma história que deixa muito a desejar, na minha opinião, X&Y são os jogos mais fraquinhos de Pokémon para a 3Ds. Não são maus, mas os remakes e a sétima geração estão melhor conseguidos, a meu ver, conforme explicarei mais tarde.

 

Para concluir, falemos, como o costume, sobre a música: X&Y podem estar longe de ser os melhores jogos da franquia, mas a sua banda sonora não desilude. Nenhuma das bandas sonoras dos jogos principais de Pokémon desiludem, é quase uma impossibilidade física.

 

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Sem surpresa, a música em X&Y caracteriza-se pelas influências francesas. O maior exemplo é o tema do Professor Sycamore, que parece mesmo saído de um trailer de uma comédia francesa. Outros exemplos são o tema de introdução ao jogo, o tema do laboratório do Professor, o tema de Dendemille – cujos acordeões, por acaso, me fazem pensar em moinhos.

 

Já que falamos nas cidades, os dois melhores temas, na minha opinião, são o de Laverre e o de Snowbelle. O primeiro, como referiu o Miguel, um dos meus seguidores mais recentes, bem podia ser o tema do tipo Fada. As notas de xilofone ou ferrinhos (não consigo descortinar todos os instrumentos) conferem um carácter delicado e mágico ao tema, como se estivéssemos a entrar no País das Maravilhas. A flauta e os violinos, mais tarde, no entanto, têm um tom um bocadinho mais para o nostálgico.

 

O tema de Snowbelle acaba por usar essencialmente os mesmos instrumentos, mas de uma maneira diferente. Começa sereno com as notas de xilofone ou ferrinhos e da flauta, mesmo adequado a uma cidade nevada, acabando por ganhar intensidade com a orquestra e com as notas de clarinete.

 

Por sinal, um dos melhores temas da banda sonora de X&Y é o da bicicleta: com a sua melodia alegre, primeiro no teclado (ou xilofone? Não tenho mesmo jeito nenhum para identificar estes instrumentos), depois na guitarra elétrica  e a percussão. Se o Professor Oak ouvisse isto, deixaria de implicar connosco por andarmos de bicicleta dentro de portas. Este foi o último tema de bicicleta inédito até agora, na franquia, e na minha opinião é o melhor de todos.

 

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Posso não gostar assim muito dos rivais em XY, mas a música que toca quando os encontramos é gira: alegre, inocente, perfeita para representar um grupo de amigos ainda crianças.

 

...isto apesar de, tecnicamente, o protagonista dos jogos ter dezasseis anos? Acho que alguém diz, a certa altura, que o protagonista tem a mesma idade que Emma, que é definitivamente adolescente.

 

Enfim, perdoem-me este aparte. Dizia eu que gostava do tema dos rivais. Melhor ainda são as versões lentas do mesmo. Uma delas parece uma canção de embalar. A outra lembra os temas de N, da quinta geração.

 

Na mesma linha, está o tema que soa durante os foguetes a que assistimos com Shauna. Na verdade, esta música é demasiado boa para aquilo que, essencialmente, é um capricho de um homem rico e mimado.

 

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Falemos agora sobre os temas de combate. Não sou grande fã dos temas de Pokémon selvagens e de treinadores comuns, mas o tema dos ginásios tem sido um dos meus favoritos nestes jogos desde o início. É um tema muito eletrónico: começa grave e tenso, minimalista de certa forma, ganhando novas emoções quando soam as notas de guitarra elétrica.

 

Para além dos combates de ginásio, esta música foi também atribuída ao combate contra AZ e ainda toca quando, no fim, este sorri pela primeira vez. Esse é outro motivo para gostar desta música – porque fica associada a esse momento.

 

Mais uma vez, este é o último tema inédito de ginásios até ao momento. Ao contrário dos temas de bicicletas, no entanto, gosto dos seis de modo mais ou menos igual, não sou capaz de escolher um preferido.

 

O tema do combate com Korrina, com os Mega Lucario é muito parecido com este: a melodia é a mesma, com percussão e notas de guitarra elétrica mais intensas. É fixe, mas eu gosto mais do tema dos ginásios, por ser um pouco mais minimalista – o que não é muito comum na franquia.

 

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Gosto do tema do combate contra Xerneas e Yveltal, conduzida por órgãos e com as notas ameaçadoras de guitarra elétrica logo a abrir. O único senão é mesmo o facto de a introdução durar mais de meio minuto, antes de a guitarra regressar.

 

Por sua vez, o tema do combate com os Lendários de Kanto é um remix épico do velhinho tema de Pokémon selvagens da primeira geração – mete um pouco de 8-bit e tudo!

 

Muito gosta a Game Freak the ordenhar a teta da nostalgia. O pior de tudo é que… resulta!

 

Por fim, Diantha pode não ser grande coisa enquanto personagem, mas o seu tema de combate é fantástico, representa-a bem enquanto Campeã: mistura a graça e o glamour de uma estrela de cinema, com a tensão e a solenidade de um combate final.

 

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E é isto. Estiquei-me um bocadinho sobre estes jogos, mas teve de ser. Encerraremos a análise à sexta geração no próximo texto, sobre Omega Ruby e Alpha Sapphire. Já o tenho mais ou menos rascunhado (espero que não tenha de dividi-lo em dois...), não quero demorar muito a publicá-lo, mas não posso dar-vos uma data certa – com o Mundial à porta, vou ter de dar prioridade ao meu outro blogue.

 

Em todo o caso, obrigada pela vossa paciência. Continuem por aí!

Pokémon através das gerações - La belle Kalos #1

Hoje retomamos a série "Pokémon através das gerações". Eu queria falar sobre Pokémon X e Pokémon Y no mesmo texto, mas exagerei um bocadinho e o Sapo Blogs literalmente não me deixou publicar aquela monstruosidade. Assim, a análise a estes jogos virá em duas partes. Esta é a primeira, a próxima vem amanhã.

 

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Depois de ter falhado a quarta e a quinta gerações dos jogos Pokémon, desta feita pude acompanhar o lançamento da sexta geração, desde os primeiros anúncios revelando os starters e os Lendários-mascote. Não cheguei a jogá-los eu mesma até alguns meses depois do lançamento de Omega Ruby e Alpha Sapphire, mas ia vendo “Let’s play”'s no YouTube. Não é de todo a mesma coisa que jogar nós mesmos, mas sempre dá para ficar com uma ideia

 

A sexta geração foi a primeira a ser hospedada pela Nintendo 3DS. Como tal, veio com uma impressionante melhoria estética. O tema da geração, aliás, é precisamente “beleza”.

 

Eu gosto em particular dos gráficos em 3D. Era algo que eu desejava para os jogos principais havia cerca de uma década – desde que combatera contra um amigo meu no seu jogo de Pokémon Colosseum, usando a minha equipa da FireRed. Os Pokémon tornam-se completamente diferentes quando ganham três dimensões. Os criadores deram-se ao trabalho de dar animações únicas a cada um dos setecentos e vinte e um Pokémon – fazendo com que ganhassem uma camada extra de personalidade.

 

Por exemplo, já referi aqui no blogue que os gestos elegantes da Gardevoir fizeram-me gostar ainda mais dela. Adoro, também, a maneira como o Torchic corre de volta para o seu lugar, depois de um ataque.

 

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Por outro lado, adiantando-me um pouco à sexta geração, o efeito estende-se a Pokémon Go, já que o jogo reutiliza as animações destes jogos. Alguns exemplos de que me lembro agora são a Roselia – que, de vez em quando, faz gestos de menina de claque – o Hitmontop – que parece estar a dançar –  e o Snorunt – que se tornou irresistível ao aparecer a tremer de frio.

 

Adiantando-me ainda mais, quando saiu o vídeo que apresentava os segundos estágios dos starters de Sun/Moon, acho que não teria achado tanta graça ao Dartrix e, sobretudo, à Brionne (que tem um desenho um pouco deslavado) se não fossem as animações de combate e do Pokémon Refresh.

 

O que nos leva a uma das funcionalidades introduzidas nesta geração: o Pokémon Amie. Esta é parecida com o Nintendo Dogs – essencialmente fazemos festinhas aos Pokémon e alimentamo-los com queques (que ganhamos jogando mini-jogos). Se o fizermos vezes suficientes, os níveis de afeição aumentam, trazendo vários benefícios.

 

  

Não surpreende que tenham criado esta funcionalidade. Afinal de contas, a larga maioria dos Pokémon são criaturas engraçadas, equivalentes a animais de estimação (embora mais inteligentes, pelo menos no meu headcannon). Dito isto, uma coisa é fazer festinhas a um Eevee, um Pikachu, mesmo a um Absol ou a um Charizard. Quando começamos a fazer festinhas a um Pokémon como um Jynx, ou a um Lendário como o Mewtwo, torna-se esquisito – embora o Pokétuber TrueGreen7 tenha uns vídeos irresistíveis sobre isso, como podem ver acima.

  

Tirando essa parte, na minha opinião, o Pokémon Amie é uma funcionalidade muito bem vinda. Não só por nos dar mais maneiras de interagirmos com os nossos Pokémon, mas também pelos benefícios em combate. Um Pokémon com afeição elevada provoca alterações no diálogo do combate, faz mais critical hits, pode desviar-se de ataques ou, então, evitar ser derrotado por 1 HP – tudo por amor a nós.

 

Uma das primeiras vezes que isto aconteceu comigo e com a minha irmã foi da primeira vez que jogámos (mais ou menos a meias) Alpha Sapphire. A certa altura, andei a brincar com o Blaziken dela no Pokémon Amie. Mais tarde, quando ela estava a combater contra o Steven, já no último Pokémon, o Blaziken aguentou um ataque ficando apenas com 1 HP. Pôde, portanto, dar o golpe final para a vitória depois dessa.

 

Um aparte rápido só para referir que comprámos Alpha Sapphire na mesma altura em que adótamos a Jane, a nossa cadela. Eu ainda estava na fase de adaptação e sentia-me culpada por andar com mais vontade de fazer festinhas a criaturas virtuais e não à minha cadela, de carne, osso e muito pêlo.

 

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Hoje, obviamente, já não tenho esse problema. Hoje em dia, uma coisa que faço é usar o Amie e o Refresh para provocar ciúmes à Jane. Ponho-me a dizer coisas como “Ah que menino bonito! Queres festinhas?”, ela pensa que estou a falar com outro cão e ladra.

 

Fechando o aparte, estes benefícios do Amie podem ser considerados facilitismo, não sem razão. Ainda assim, pelo menos nesta geração, usar o Amie dá algum trabalho, torna-se moroso e entediante – sempre compensa o colinho que o jogo dá.

 

Além disso, é bom para a parte sentimental. Olhemos para a situação de que falei neste texto, que fez com que o Vaporeon se tornasse o meu Pokémon preferido. Alguns de nós, se calhar, imaginavam que estas coisas ocorriam porque os Pokémon em questão gostavam mesmo de nós. Na minha opinião, foi uma boa jogada transformarem isso numa funcionalidade dos jogos.

 

Havemos de voltar a falar de facilitismo mais à frente. Conforme disse antes, a sexta geração foi a primeira em que experimentei a parte online dos jogos. Não fiquei desiludida. Muitos dizem mal do GTS, não sem razão – eu fico impressionada pela lata das pessoas que oferecem um Magikarp em troca de um Mewtwo. No entanto, se propusermos trocas decentes – isto é, oferecermos Pokémon de valor/raridade equivalente ao que queremos – a coisa funciona bem.

 

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Uma novidade nesta geração é o Wonder Trade, em que as trocas são feitas ao calhas, é uma lotaria completa. Eu acho super divertido, chega a tornar-se viciante. É certo que, na maior parte das vezes, só obtemos Pidgeys ou equivalentes, mas de vez em quando apanham-se coisas interessantes, como Pokémon com bons IVs ou Egg Moves.

 

Eu, por exemplo, afeiçoei-me a uma Lopunny que recebi, com o Fire Puch, o Ice Punch e o Thunder Punch. Também já me calharam um par de shinies, o que é sempre fixe, um Volcarona em troca de um Baltoy de nível 1 (numa altura em que este ainda não tinha sido lançado oficialmente) e um Slakoth chamado… Lay-Z (melhor alcunha de sempre!).

 

Outra funcionalidade de que gosto muito é do Pokémon Bank – que me permitiu, pela primeira vez em imenso tempo (se não for desde sempre), reunir Pokémon de várias gerações no mesmo sítio. Neste momento, tenho Pokémon da quinta à sétima geração – e só não tenho da primeira e da segunda porque ainda não completámos os jogos da Virtual Console.

 

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Sei que, tecnicamente, isto tem sido possível ir passando Pokémon de uma geração em diante desde a terceira. Há fãs que ainda têm os Pokémon que usaram em Ruby&Sapphire. Eu, no entanto, só pude fazê-lo com o Bank e, pura e simplesmente, adoro-o. Ter Pokémon que usei em jogos diferentes, com quem vivi histórias diferentes, todos juntos, disfrutando do paraíso do Mohr no Pokémon Pélago. E quero tentar guardá-los enquanto puder.

 

Outra das novidades destes jogos diz respeito à Mega Evolução: uma evolução temporária, que requer um objeto especial e que só ativada em combate, depois de se formar um laço entre treinador e Pokémon.

 

Lembra-vos alguma coisa?

 

Aqui entre nós, o possível plágio de Digimon não me incomoda. Pelo contrário, se era para copiar alguma coisa de Digimon, copiaram um dos meus aspetos preferidos da franquia. A cena em que o jogador ativa o Mega Ring traz inclusivamente um bocadinho da euforia e epicidade das digievoluções.

 

  

Só uma mão-cheia de Pokémon é que obteve Mega Evoluções. Não surpreende que a larga maioria deles sejam dos mais populares entre os fãs. Os starters de Kanto (o Charizard teve direito a duas Mega Evoluções, porque… Charizard) e de Hoenn (com os remakes era inevitável), o Mewtwo (também com direito a duas, porque o Mewtwo ainda não era suficientemente OP), o Lucario, a Gardevoir e o Gallade, o Gengar, o Salamence… mas não o pobre Flygon, consta que por bloqueio criativo de Ken Sugimori (a sério?!?).

 

Conforme referi na resposta a um comentário no último texto desta rubrica, nunca pensei assim muito muito nas minhas Mega Evoluções preferidas. Se tivesse de escolher neste momento, escolheria a Mega Lopunny – em parte por aquela de que falei acima e também porque me faz lembrar a protagonista de Millian Dollar Baby (apesar de nunca ter visto esse filme) – e o Mega Rayquaza – que ganhou um visual muito mais intimidante e feroz.

 

Na verdade, na minha opinião, quase todas as Megas Evoluções foram bem sacadas, deram uma versão mais impressionante aos Pokémon em questão. As únicas exceções são o Mega Sableye (pouco imaginativo) e o Mega Slowbro (até dá pena…).

 

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Mas chega de falar das funcionalidades, passemos aos jogos em si. Conforme referi antes, vi várias pessoas jogando X&Y desde que os jogos saíram – sobretudo Pokétubers, mas também a minha irmã. No entanto, só a joguei eu mesma em junho de 2016.

 

Um bocadinho de contexto. Numa altura em que já andava a fazer planos para esta série de textos, sobre as várias gerações de Pokémon, a minha ideia inicial era jogar X depois do Euro 2016. Conforme referi antes, sabia que ia andar em baixo quando a Seleção Portuguesa, inevitavelmente, fosse expulsa do Europeu. O jogo seria uma boa distração.

 

A minha irmã, no entanto, disse-me que também queria jogar X em julho, quando entraria de férias. Ela acabaria por mudar de ideias e nem sequer jogar, mas eu aceitei começar o meu jogo um mês antes do previsto – na véspera do início do Europeu.

 

Isso acabou por me dar a ideia de seguir um tema nas alcunhas dos meus Pokémon, em X. Todos receberam nomes de jogadores da Seleção Nacional.

 

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Eu sei. Isto é mesmo o cúmulo da Sofia.

 

Sem problemas com isso, porque acabou por ser uma das melhores ideias que tive. Tornou ainda mais especial a minha aventura por Kalos – que, por sinal, foi inspirada em França, mas só me apercebi da coincidência uns dias depois. Eu e a minha mini-Seleção à conquista de França à nossa maneira, tal como a Seleção de carne e osso.

 

O facto de, no fim, Portugal ter ganho o Europeu tornou tudo ainda melhor (o emblema que nós recebemos após vencermos a Liga é, aliás, muito parecido com o logótipo do Euro 2016). Aquela equipa tornou-se ainda mais especial por ter sido a que usei durante o primeiro campeonato de seleções que ganhámos – um dos períodos mais felizes da minha vida. Por serem uma espécie de avatares dos jogadores que nos deram o nosso primeiro título.

 

Foi um jogo divertido ir adicionando Pokémon à minha equipa e tentando descobrir, de entre os 23 Convocados, quem melhor se encaixava. Começando pelo meu starter, o Chespin: um Pokémon muito defensivo, que ganha o tipo Luta quando evolui.

 

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Ora, tendo em conta que o Bruno Alves era defesa e fizera isto na semana anterior, não foi difícil decidir a alcunha.

 

O segundo membro da minha equipa foi um Fletchling, que evoluiria para Tallonflame. Chamei-lhe Renato Sanches, por vários motivos. Primeiro, porque é vermelho e baseado numa ave de rapina – embora se pareça mais com um falcão do que com a águia, que serve de mascote ao Benfica, onde Renato se formou. Segundo, durante a sexta geração, o Tallonflame era um dos Pokémon mais populares no modo competitivo – ao mesmo tempo, nos meses anteriores ao Europeu, surgiu um hype como nunca tinha visto em torno do Renato. Foi uma coisa parva – eu mesma acabei por me deixar levar, porque o miúdo até correspondeu durante o Euro 2016.

 

Curiosamente, a popularidade do Renato e do Tallonflame começou a decair mais ou menos na mesma altura: alguns meses após o Europeu. O Tallonflame, porque a habilidade Gale Wings foi nerfada (este termo irrita-me um bocado) na sétima geração. O Renato, porque foi aquecer bancos para o Bayern de Munique e nunca mais conseguiu voltar ao nível de antes.

 

Ao usar um Tallonflame, acabei por me aperceber de outras semelhanças com o Renato. Os dois melhores stats do Tallonflame são o Attack e, sobretudo, o Speed. Caracteriza-se assim por ataques rápidos e letais – tais como famosas arrancadas do Renato, uma das quais dando-nos na vitória perante a Croácia.

 

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Ao mesmo tempo, o grande problema do Tallonflame é a sua defesa – ou melhor, a falta dela. O Tallonflame tem mesmo de se valer dos seus ataques rápidos e letais, porque não consegue aguentar mais do que dois ou três golpes. De maneira similar, o Renato ainda cometia vários erros defensivos comprometedores – por falta de experiência, sobretudo.

 

Não consigo mesmo pensar num Pokémon que melhor represente o Renato.

 

Também usei um Dedenne. Chamei-lhe Raphael Guerreiro, porque ambos têm ar inofensivo. O Dedenne é literalmente um ratinho fofinho (podiam era ter-lhe dado umas cores diferentes, para que não parecesse tanto um Raichu em miniatura). O Raphael é baixinho e tem cara de miúdo. Mas ambos são bem mais fortes do que parecem. O meu Dedenne é, pelo menos. E o Raphael tem um talento incrível, conquistou-me logo nos seus primeiros jogos pela Seleção.

 

Para os restantes membros da minha equipa, as comparações são um tudo nada mais forçadas. O Nani, por exemplo, não tem muitas semelhanças com um Vaporeon, tirando o facto de ambos estarem entre os meus favoritos há muitos anos.

 

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Da mesma maneira, só chamei Quaresma à minha Meowstic porque uma das alcunhas de Ricardo Quaresma é Harry Potter. E como o tipo Psíquico sempre foi o mais associado a magia, sobretudo antes de introduzirem o tipo Fada… Como era uma fêmea, usei só o apelido do jogador.

 

Por fim, chamei Rui Patrício ao meu Absol. Afinal de contas, tal como este Pokémon aparece sempre antes de acontecer uma coisa má, quando um guarda-redes aparece muito em jogo, é mau sinal. Além disso, em ambos os casos, quando as desgraças acontecem, eles acabam por arcar com a culpa, muitas vezes. É mesmo possível que sejam mais recordados pelas tragédias que não conseguiram evitar, do que por aquelas que conseguiram.

 

Isso, felizmente, não acontece com Rui Patrício. Pelo contrário, ele possui literalmente uma das suas defesas imortalizada em estátua.

 

De qualquer forma, tal como expliquei antes, prefiro pensar no Absol como um guardião do que com um profeta de desgraças. E, acho que todos concordam, Rui Patrício encaixa-se bem nesse papel. (Pena é ninguém ter feito o mesmo por ele na semana passada...)

 

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Existem uns quantos outros Pokémon, que estiveram perto de ser titulares na minha equipa, que também receberam nomes de jogadores da Seleção. Dos starters de Kanto, escolhi o Squirtle, mas só o mantive na minha equipa até evoluir para Wartortle. Não precisava de outro Pokémon fisicamente defensivo com o Chespin na equipa. Tal como o meu starter, o Squirtle também recebeu o nome de um central. Entre Pepe e José Fonte escolhi o segundo, por motivos óbvios.

 

Também apanhei um Honedge, a quem chamei William Carvalho. Por fim, tive um Ducklett a quem chamei… Éder.

 

Sim, isto aconteceu antes da final do Europeu. Usei esse nome precisamente porque Éder era o patinho feio da Seleção, mas eu tinha esperanças de que se transformasse num cisne durante o Euro – ele pelo menos dizia, meio a brincar meio a sério, que podia tornar-se o melhor marcador da prova.

 

Infelizmente, Fernando Santos deixou-o no banco durante a maior parte do Europeu. Eu fiz o mesmo com o “meu” Éder: deixei-o no PC, preferi usar um Vaporeon.

 

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O Éder de carne e osso, no entanto, arranjou outra maneira de se transformar num cisne – e nenhum de nós alguma vez esquecerá essa transformação.

 

Depois da final, fiquei com pena de não ter dado titularidade ao meu Ducklett, confesso. No entanto, para compensar, treinei-lhe os E.V.s (tarefa bastante facilitada nesta geração) para poder, pelo menos, usá-lo na Battle Maison e afins.

 

Mas chega do meu sentimentalismo – por agora, pelo menos. Falemos dos jogos X&Y em si. Depois de uma quinta geração bastante arrojada e inovadora em termos de conteúdo e enredo, os jogos X&Y recuperam fórmulas antigas: rivais, oitos ginásios, equipa vilanesca com administradores e líderes, Elite 4, Campeão (ou melhor, Campeã), sem desvios.

 

Bem, quase.

 

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Uma das poucas variações da fórmula, na verdade, diz respeito ao facto de termos um total de quatro rivais. A perspetiva de explorar uma região integrada num grupo de amigos até é agradável, não o nego – sobretudo durante a parte de defrontar a equipa vilanesca. No entanto, nenhum destes quatro é particularmente interessante.

 

A única de de gosto é de Shauna, que parece nutrir um fraquinho pelo protagonista, independentemente do género. Destaque para a famosa cena na varanda do Parfum Palace, com os fogos-de-artifício, em que no fim o mordomo nos oferece o TM para… o Protect.

 

É sempre giro ver a Game Freak piscando o olho aos fãs mais velhos.

 

No geral, prefiro que os criadores se limitem a um ou dois rivais, minimamente desenvolvidos e interessantes. Felizmente, tem sido essa a regra após X&Y.

 

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O tema desta geração é “Beleza” e os jogos X&Y exploram bem esse conceito – começando pelas melhorias gráficas e pela capacidade, até esta altura inédita, de personalizarmos os nossos avatares. “Kalos”, o próprio nome da região, aliás, significa “beleza” em grego.

 

É de facto uma região lindíssima – pudera, é baseada em França. Estive lá de férias no ano passado e posso confirmar que os criadores capturaram bem o ambiente e o estilo arquitetónico. O Parfum Palace é provavelmente o maior exemplo. Apesar de ter sido baseado no Palácio de Versailles, que eu não cheguei a visitar, encontrei muitas semelhanças entre ele e os castelos que visitei: como o Chatêau de Chambord, o de Villandry (cujos jardins são muito parecidos aos do Parfum Palace) e o de Chinon.

 

Há quem acuse os produtores de se terem baseado apenas na perspetiva turística de França (outros dizem o mesmo sobre Alola, da sétima geração). Talvez seja por isso que os jogos possuem tantas referências à Idade Média, à nobreza e realeza, com várias personagens usando títulos nobiliárquicos e com a arrogância associada a sangue azul…

 

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…isto apesar de a França ter sido dos primeiros países da Europa a implementar a República. Enfim.

 

X&Y aborda também o lado negro deste conceito, não apenas a parte glamourosa. Isto da beleza é tudo muito bonito, literalmente, mas é efémero: flores murcham, a chuva dá lugar ao sol, as pessoas envelhecem e morrem. Não surpreende, assim, que, numa sociedade tão centrada na beleza, surjam extremistas como Lysandre. Pessoas tão revoltadas com a efemeridade da beleza que fazem de tudo para preservá-la eternamente… ou para destruir todos aqueles que se considerem “feios”.

 

Consta que Lysandre, o líder dos Team Flare, a equipa vilanesca destes jogos, não foi sempre assim. Até costumava ser boa pessoa e ajudar os mais necessitados. No entanto, acabou por se cansar dos vícios da Humanidade e assim se tornou no misantrópico que conhecemos em X&Y.

 

É uma motivação como qualquer outra, mas existe por aí muito boa gente misantrópica que não se põe a destruir o mundo. Além disso, Lysandre chega a ser hipócrita, pois está disposto a sacrificar Pokémon inocentes, alegando que eles, de qualquer forma, estavam destinados a ser escravizados pelos humanos.

 

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Deve ser, deve.

 

As motivações de Lysandre acabam por ser parecidas com as de Cyrus, na quarta geração, mas, a meu ver, fazem mais sentido no conceito de X&Y. Além disso, os paralelismos com Hitler e os nazis são um bocadinho óbvios – como se o termo “Holo Caster” nos deixasse duvidar...

 

Lysandre distingue-se de outros líderes vilanescos porque encontra-se bem integrado na sociedade de Kalos. Conforme vimos em Generations, ele é essencialmente o Steve Jobs da região, bom amigo de Diantha, a Campeã, e Sycamore, o Professor. Durante uma boa parte do jogo, Lysandre fala dos seus planos para “criar um mundo lindo”, tenta recrutar o protagonista para os seus planos, sem que uma sobrancelha se erga. Mas é um choque para o elenco (não necessariamente para a audiência) quando Lysandre anuncia as suas intenções via Holo Caster.

 

Agora que penso nisso, não sei se esse anúncio terá sido a decisão mais inteligente – é como se estivesse a pedir para ser travado. Ou o Steve Jobs lá do sítio não é assim tão inteligente ou temos uma falha no enredo (aposto mais na segunda).

 

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Conforme referi quando escrevi sobre Generations a ascensão se Lysandre mostra o lado negro e corrupto da sociedade de Kalos. Eu gostava de ter visto mais reações a esta revelação – uma maior reflexão por parte de Sycamore, Diantha e outros membros da sociedade sobre os motivos pelos quais Lysandre ganhou tanto poder. Porque é que ninguém se apercebeu das suas verdadeiras intenções. Talvez chegassem à conclusão de que este é o lado negro de toda uma cultura centrada em algo tão efémero e relativo como beleza.

 

Este é um dos motivos pelos quais estes jogos precisavam de uma sequela. Ou, pelo menos, de uma versão melhorada.

 

Havemos de regressar a esta ideia... amanhã. Vamos também falar, entre outras coisas, das melhores personagens e histórias destes jogos, sobre coisas que não resultaram tão bem e, claro, sobre a música. Não percam!

 

Pokémon através das gerações - Cinquenta sombras de Black&White

Eis-me aqui continuando a minha rubrica “Pokémon através das gerações”... mais de um ano depois do último texto. Pensar que a minha ideia inicial era publicar todas as análises (às seis primeiras gerações e a Pokémon Go) no verão de 2016…

 

Hoje em dia, que demoro séculos a escrever e a publicar um texto, acho impressionante ter conseguido publicar análises (com um tamanho considerável) às três primeiras gerações em menos de um mês.

 

Mas não quero falar do passado. Neste momento, quero ver se termino esta série ao longo dos próximos meses – ou pelo menos publicar dois ou três textos, a contar com este. De qualquer forma, neste último ano consegui, finalmente, acabar de jogar Sun. Uns meses mais tarde, joguei Ultra Moon assim que saiu. Como tal, esta rubrica incluirá uma análise à sétima geração.

 

E com um bocadinho de sorte, hei de conseguir publicá-la antes de sair a oitava geração. É por isso que eu preferia que os próximos jogos ainda demorassem algum tempo a sair. Por isso… e porque quero adiar a inevitável compra da Nintendo Switch o mais possível.

 

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Mas falemos sobre os jogos de Unova, os últimos a serem lançados na Nintendo DS. Como tenho imenso a dizer sobre esta geração, resolvi analisá-la em dois textos. No de hoje, o foco principal serão os jogos Black&White. No texto de amanhã, falaremos sobretudo sobre Black2&White2.

 

Esta geração – sobretudo os primeiros jogos, Black&White – foi das mais polarizantes de toda a franquia. Mais ou menos como a terceira. Tínhamos visto no texto anterior desta rubrica que a quarta geração não inovou por aí além, apoiando-se muito nas gerações anteriores, apresentação uma região confusa e uma história que deixou muito a desejar – embora a mitologia e os lendários em si sejam interessantes.

 

A geração que se seguiu foi a antítese completa.

 

À semelhança do que a terceira geração fizera até certo ponto, a quinta geração fez tábua rasa à franquia, sobretudo nos primeiros jogos Black&White. Estes são capazes de ser os jogos mais isolados da série principal até ao momento – com pouquíssimas referências às gerações anteriores e Pokémon cem por cento inéditos até ao post-game. Em nenhum dos jogos desta geração, aliás, é impossível obter o Pikachu sem ser transferido de outros jogos (não sabia que isso era legal…).

 

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Junichi Masuda disse, na altura, que isto foi intencional: “Temos miúdos que jogaram Diamond e Pearl e adultos que cresceram com Red e Blue. Quando esses jogadores combatem, alguns saberão mais sobre as respetivas fraquezas que outros. Nós quisemos que todos começassem do zero e liderassem equipas que nunca tivessem treinado antes.

 

Depois de uma geração com pouquíssimos Pokémon completamente novos, conforme vimos antes, faz sentido que Masuda e os demais criadores tenham querido fazer algo diferente. Falando por experiência própria, quando estreio um jogo, às vezes é difícil resistir à tentação de usar Pokémon que já conheço bem, em vez de tentar fazer uma equipa com Pokémon novos. Em Black&White não existe esse risco, para o melhor e para o pior.

 

Apesar de a ideia ser boa, no entanto, a meu ver, a execução deixou um bocadinho a desejar.

 

Esta geração apresentou-nos 156 Pokémon novinhos em folha, mas, como conjunto, estes são capazes de ser os de que menos gosto de toda a franquia. Um dos principais motivos prende-se com o facto de, apesar de tecnicamente serem Pokémon inéditos, na prática, muitos reciclam conceitos de Pokémon já bem conhecidos, sobretudo da primeira geração. Tal como vimos antes, todas as gerações têm equivalentes ao Pidgey, ao Ratatta, ao Pikachu. A quinta geração, no entanto, vai mais longe.

 

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Admito que, em alguns casos, os novos são melhores. Ninguém gosta muito do Trubbish e do Garbodor, mas gosto mais deles do que do Grimer e do Muk, que, conforme expliquei antes, são apenas massas disformes e nojentas. Por sua vez, o Drilbur e o Excadrill são melhores Pokémon inspirados em toupeiras que o Diglett e o Dugtrio. Por fim, pode haver quem argumente que o Zorua e o Zoroark são uma reciclagem do Ditto, mas acho que todos concordam que são muito mais fixes.

 

A maior parte, no entanto, parecem versões deslavadas de Pokémon antigos. Como os Woobat e Swoobat, substituindo a família dos Zubat (ninguém gosta muito do Zubat, mas este ao menos tem uma excelente evolução final); os Audino substituindo a Chansey; os Foongus e Amoongus que, tal como os Voltorb e Electrode, se confundem com Poké-bolas; as famílias do Roggenrola e do Timburr, que partilham muitas características com a família do Geodude e do Machop, respetivamente; o par Troh e Sawk fazem lembrar o par Hitmonlee e Hitmonchan; Boufalant e Alolomola são tão parecidos com o Tauros e o Luvdisc que muitos pensaram serem evoluções dos últimos, respetivamente. E estes são apenas aqueles de que me lembro agora.

  

Dentro do universo, estes conceitos repetidos podem ser casos de evolução convergente – não falo da evolução típica em Pokémon, antes em evolução darwiniana (que foi acrescentada ao cânone da franquia na sétima geração). Trocando por miúdos, Pokémon sem ancestrais comuns e habitando em regiões muito distantes umas das outras (e já foi confirmado que Unova está muito longe das demais regiões) acabam por desenvolver características comuns ao adaptarem-se a ambientes similares. Por exemplo, o Zubat e o Woobat pertencerão a linhas evolutivas muito distantes, mas, como tiveram de se adaptar ao ambiente das cavernas, tornaram-se parecidos.

 

Por contraste, adiantando-me um bocadinho de novo, as formas de Alola são um exemplo de evolução divergente. Por exemplo, um Vulpix normal e um Vulpix de Alola têm muitas coisas em comum, mas o segundo teve de se adaptar às montanhas nevadas de Alola, logo, ganhou um tipo novo.

 

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Não sei se algum dia num futuro distante, quando fizerem remakes da quinta geração, irão incluir a minha teoria da evolução convergente no cânone oficial. Porque, tirando isso, as semelhanças que listei acima parecem-me mais falta de imaginação do que outra coisa qualquer. Se queriam criar um jogo só com Pokémon novos, podiam ter criado mais conceitos novos, funções novas, em vez que reciclarem categorias antigas.

 

Para além desta questão, temos uma série de Pokémon que parecem estar lá só para encher chouriços, como o Basculin, o Alolomola e o Maractus. Também temos uns quantos com desenhos que, não sendo horríveis, não gosto muito: como o Munna e Musharna, o Darumaka (tem cara de parvo), a família do Solosis e do Tynamo, o Ferroseed e Ferrothorn, o Elgyem e o Beheeyem, o Stunfisk, o Shelmet, o Heatmor.

 

Os starters, por sua vez, são a meu ver os menos apelativos de todas as gerações até agora. O único de que gosto – e mesmo assim não por aí além – é da família do Snivy. A família do Tepig é a terceira de seguida com o tipo Fogo/Luta e, comparada com o Infernape e o Blaziken, é a pior.

 

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Voltamos, também a ter um número excessivo de lendários – ainda bem que isso mudou na geração seguinte, apesar de tudo. Tirando o trio Reshiram, Zekrom e Kyurem, não sou grande fã de nenhum deles. As Swords of Justice, mais uma vez, parecem-me uma versão deslavada das bestas de Johto. Por sua vez, os génios da meteorologia são redundantes depois do trio Groudon/Kyogre/Rayquaza. Também não gosto do desenho deles – embora saiba que foram inspirados nos kamis da mitologia japonesa.

 

Como podem ver, existem muitos Pokémon de que não gosto nesta geração mas aqueles de que gosto, gosto a sério.

 

A começar pelos Lendários-mascote do jogo, Zekrom e Reshiram – sobretudo pelo conceito e história por detrás deles. Estes foram outrora um único dragão, que ajudou dois irmãos a criar e a governar Unova. Estes dois irmãos, no entanto, acabaram por se voltar um contra o outro. Supostamente porque um era a favor da verdade e o outro a favor dos ideais – eu acho que esta é uma outra maneira de dizer que um era mais para o cínico e realista, enquanto outro era idealista e sonhador. Em todo o caso, como os irmãos não se entendessem, o dragão dividiu-se em dois, cada um tomando um dos lados no conflito.

 

Esta história faz-me lembrar a lenda da criação de Roma, também por dois irmãos que se tornam inimigos. É por esse motivo que costumo chamar Romulus e Remus ao Zekrom e ao Reshiram, respetivamente.

 

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Estes dois dragões representam, assim, o yin e o yang: verdade e ideais, realismo e idealismo. Na minha opinião, representam também qualquer par de visões distintas do mundo: direita versus esquerda na política, determinismo versus livre arbítrio, religião versus ciência, Cristiano Ronaldo versus Lionel Messi.

 

Da maneira como vejo as coisas, aliás, a grande lição desta geração, sobretudo dos jogos Black/White é que este género de visões raramente são… bem, preto no branco. Duas teorias opostas nem sempre se excluem uma à outra – muitas vezes, complementam-se. Destaquemos as citações de Drayden – “I can sympathize with some of that you say, but I can’t forgive the way you reject everything else!” (reproduzida de forma excelente em Generations) – Alder – “Even if we don’t understand each other, that’s not a reason to reject each other. There are two sides to any argument. Is there one point of view that has all the answers?” – e N – “It’s not by rejecting different ideas, but by accepting different ideas that the world creates a chemical reaction. This is truly the formula for changing the world.” O tempo só tem tornado estas mensagens ainda mais relevantes, sobretudo nesta era de instabilidade política em vários países e de discussões infinitas nas internetes.

 

O que nos leva ao enredo dos jogos. Outra das coisas que caracteriza este geração, sobretudo Black&White, é o facto de a história tomar prioridade como nunca antes – ao ponto de mexer com a fórmula habitual dos oito-ginásios-equipa-vilã-Elite-4-Campeão. Foi um risco que a Game Freak decidiu correr, algo que eu aplaudo. Ainda que goste de muitos aspetos da história de Black&White, conforme veremos adiante, existiram uns quantos de não foram muito bem executados.

 

Como é do conhecimento geral, a equipa vilã é o Team Plasma que, em Black&White, faz campanha pela libertação dos Pokémon – em vez de deixá-los na posse de humanos, obrigados a lutar entre si para benefício desses humanos.

 

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Esta sempre foi uma das maiores críticas à franquia, de resto: promover, alegadamente, a crueldade animal.

 

Ainda que as acusações não sejam cem por cento descabidas, duas coisas. Primeiro, qualquer pessoa decente, crianças incluídas, sabe fazer a distinção entre realidade e fantasia.

 

Segundo, a franquia esforçou-se, desde o início, por passar a mensagem de que os-Pokémon-são-nossos-amigos, sobretudo na série animada. Logo nos primeiro episódios, Ash, o protagonista, leva um sermão quando pensam que este obrigou o Pikachu a lutar até ao limite das suas forças; treinadores que tratam os Pokémon como meras ferramentas, que os negligenciam, maltratam e/ou abandonam, são vilanizados; praticamente todos os Pokémon que Ash adiciona à sua equipa fazem-no de livre vontade; quando querem partir, é o próprio Ash que os liberta – com muitas lágrimas à mistura, incluindo da audiência.

 

Ainda assim, regressando à quinta geração, foi uma jogada corajosa por parte da Game Freak criar o Team Plasma. Obrigou tanto a audiência como os próprios jogos a refletir sobre a premissa básica da franquia, mesmo a questioná-la. Esta é, até à data, a geração mais introspetiva em Pokémon, tanto pelos dilemas éticos como pelo que referi antes sobre visões em conflito. E, apesar de toda a gente garantir a pés juntos, eu incluída, que não joga Pokémon pela história, o enredo uma das coisas que dá personalidade aos jogos e às gerações, conforme julgo ter afirmado antes.

 

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Ainda assim, mais do que a história propriamente dita, aquilo que se destaca nesta geração são as personagens: mais desenvolvidas do que em qualquer jogo anterior. Começando pelos nossos rivais.

 

Bianca e Cheren não são os meus preferidos, mas são interessantes e encaixam-se bem no tema dos jogos. Cheren é o rival mais típico: ambicioso, determinado a sagrar-se Campeão. Representa os ideais. Chega a ser um pouco arrogante, a levar-se demasiado a sério. Perto do fim do jogo, começa a questionar esse propósito e a descobrir que existem outras formas de se forte para além de, apenas, ganhar combates.

 

Bianca, por sua vez, é a menos capaz do grupo, incluindo o protagonista. No início do jogo é bastante insegura e anda algo perdida, sobretudo quando o Team Plasma lhe tenta roubar o seu Munna, ao perceber que todos em seu redor são mais fortes do que ela. Representa a verdade. No entanto, acaba por aceitar as suas próprias limitações e encontra o seu propósito como assistente da Professora Juniper.

 

No que toca a esta última, gosto particularmente da sua interação com o seu pai. Este não gosta da ideia de ter a filha, ainda adolescente, aventurando-se sozinha pelo mundo. Chega a segui-la até Nimbasa com intenções de trazê-la de volta a casa. Bianca consegue dissuadir o pai com a ajuda da líder do ginásio local, Elesa.

 

Na verdade, o único problema que tenho com este par de rivais é o facto de termos de combatê-los demasiadas vezes.

 

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Já que referimos Elesa, falemos dos líderes de ginásio: muito mais desenvolvidos que em qualquer jogo anterior, nesta geração. Todos têm uma ocupação para além dos ginásios e praticamente todos contribuem para o enredo – ajudando o protagonista resolvendo problemas causados pelos Plasma, dando informação importante ou, pura e simplesmente, servindo de mentores aos treinadores novatos. E, claro, o ponto alto é quando aparecem no castelo do Team Plasma, tal como reproduzido em Generations.

 

Já aí vamos. Antes, temos de falar da personagem mais importante da quinta geração, indiscutivelmente: N. N é uma personagem que não se encaixa perfeitamente em nenhuma das categorias típicas dos jogos. Pode ser considerado um rival, mas não no sentido habitual de ver quem é o melhor treinador. Pode ser considerado um líder vilanesco, mas é apenas uma marioneta do verdadeiro vilão. Pode ser considerado um Campeão, mas esse papel é desempenhado oficialmente por Alder. E o combate final com N não serve para determinar quem é o melhor treinador da região – serve para decidir o destino de toda Unova.

 

Comecemos pelo princípio. N terá sido encontrado em tenra idade por Ghetsis vivendo entre Pokémon selvagens. Dizem que N nasceu com o dom de entender a linguagem dos Pokémon. Eu, no entanto, acredito que ele pura e simplesmente desenvolveu essa capacidade por ter vivido entre Pokémon durante a idade em que os humanos aprendem a comunicar.

 

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De qualquer forma, esta capacidade adequava-se aos propósitos de Ghetsis. Assim, este acolheu-o e criou-o em isolamento, em contacto apenas com Pokémon maltratados por humanos – precisamente para que pensasse que humanos e Pokémon não se deviam misturar. N foi também educado pelos sete Sábios do Team Plasma (a melhor tradução que encontro para “sages”), Ghetsis incluído, para se tornar o herói da lenda, que se aliaria a Reshiram ou a Zekrom – a marioneta perfeita para quando Ghetsis e o Team Plasma começassem a fazer campanha pela libertação dos Pokémon.

 

Suponho que esteja na altura de falar do Mamoswine na sala: a campanha do Team Plasma é apenas uma desculpa para obrigar as pessoas a separarem-se dos seus Pokémon – para que ninguém lhes faça frente quando, como praticamente todas as equipas vilanescas, tentarem a dominação mundial.

 

Muitos fãs detestaram esta reviravolta no enredo e eu concordo com eles, pelo menos em parte. À primeira vista, parece um cop-out, como dizem os anglo-saxónicos: os argumentistas terão tido medo de ir até ao fim na questão da libertação dos Pokémon, logo, à última hora, terão decidido que era tudo a brincar.

 

No entanto, não se pode dizer que não tenham existido indícios da falsidade do Team Plasma. Só o facto de os próprios membros possuírem Pokémon e fazerem-nos combater pela sua campanha levanta suspeitas. Logo após o primeiro ginásio, vemo-los maltratando um Munna indefeso para usarem a sua… névoa de sonho?... para manipular as mentes das pessoas, obrigando-as a adotarem a sua filosofia pacifista. E, no clímax da história, um dos membros do Team Plasma admite que o castelo que se ergue na Liga Pokémon (já lá vamos) foi construído por Pokémon roubados e obrigados a trabalhar até à exaustão.

 

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Além disso, o recurso a retóricas demagógicas para ganhar apoiantes e alcançar o poder é algo que acontece na vida real. Veja-se a maneira como o atual Presidente dos Estados Unidos foi eleito: apelando aos privilegiados, que confundem a igualdade e a perda desses privilégios com opressão.

 

Não que esteja a equiparar Trump a Ghetsis. Não acho que o primeiro tenha inteligência para conceber e colocar em prática esquemas semelhantes ao do segundo. Acho mais provável que Trump seja a marioneta, não a mão por detrás dela.

 

Mas estou a desviar-me.

 

Na verdade, aquilo que salva toda esta história é mesmo o facto de N e os seus seguidores acreditarem sinceramente na mensagem que pregam. O jovem tem o coração no lugar certo, mas age limitado pelos vieses que Ghetsis lhe impôs. Conforme uma das irmãs adotivas dele afirma, “não existe nada mais belo nem mais aterrador que a inocência”.

 

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Existe um membro do Team Plasma em Black/White que dá a entender que, se a organização tivesse tentado tomar o poder e separado as pessoas dos seus Pokémon pela força – como fariam as organizações vilanescas de jogos anteriores, se calhar – as pessoas fariam finca-pé e virar-se-iam automaticamente contra eles. Mesmo que o Team Plasma conseguisse tomar o governo (?) de Unova, o povo nunca os aceitaria e tudo faria para boicotá-los.

 

Em vez disso, o Team Plasma procurou apelar ao coração das pessoas através de oradores, como N, que acreditavam sinceramente na mensagem que pregavam. Conseguiram fazer com que muitos se separassem de livre vontade dos seus Pokémon – ou pelo menos plantaram dúvidas nas mentes deles.

 

Há que lhes dar crédito. Apesar das intenções malévolas, obrigaram as pessoas – tanto no universo de Black&White como a comunidade de fãs de carne e osso – a refletir sobre a premissa básica dos jogos.

 

Só descobrimos acerca da manipulação de Ghetsis no clímax do enredo, após a Elite 4. Nesta altura, já há muito que N se aliara a Reshiram ou Zekrom, consoante a versão. Derrotara a Elite 4 antes de nós. Chegamos no preciso momento em que N derrota Alder, o Campeão de Unova, e o Castelo do Team Plasma se ergue.

 

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Na minha opinião, a cena do castelo é um bocadinho melodramática, mas o Team Plasma é isto: muita parra e pouca uva, muito show-off para esconder o facto de não passarem de criminosos vulgares – os apoiantes diretos de Ghetsis, pelo menos.

 

É também nesta altura que aparecem os líderes de ginásio para… não exatamente salvar o dia, mas para ajudar. E tal como referimos antes, é só um dos momentos mais fixes de toda a franquia.

 

Chegamos, assim, à sala do trono, onde se encontra N: pronto para tomar o controlo de Unova e ordenar a libertação dos Pokémon. Quando entra o seu dragão – Reshiram em White, Zekrom em Black – a nossa Dark ou Light Store, respetivamente, ativa-se e aparece o outro dragão para ser capturado.

 

A maneira como o jogo quer desesperadamente que capturemos Zekrom ou Reshiram, consoante a versão, é algo caricata – sobretudo porque, na altura, era inédita. Não só o dragão tem um índice de captura elevadíssimo como permanece disponível para combater de novo mesmo que o derrotemos. Temos ainda um NPC que oferece Ultra Balls. Consta que a única forma de o jogo prosseguir sem que o dragão seja capturado é termos um PC cheio – e, mesmo assim, pode voltar a ser capturado no post-game.

 

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Eles queriam mesmo que nós e N recriássemos a rivalidade dos irmãos fundadores de Unova. O único motivo pelo qual não tentaria saltar a parte em que capturo o dragão é mesmo porque gosto demasiado da simbologia deste combate: um confronto de ideologias aparentemente opostas, uma disputa pelo destino de Unova.

 

Recuando um bocadinho, no entanto, depois de se capturar o dragão, o jogo oferece a hipótese de incluí-lo de imediato na equipa, enviando outro Pokémon para o PC no seu lugar. Isto também era inédito na altura. Mas é uma pena que só tenham implementado essa funcionalidade para capturas comuns duas gerações mais tarde.

 

Dá-se, assim, o combate com N. Quando este é derrotado, ele estaca: (não era suposto isto acontecer. N achava que tinha a razão do lado dele, que nós é que estávamos errados. Seria possível que estivesse enganado? Que tanto ele como nós tivéssemos razão?)

 

Por sua vez, Ghetsis, perante a derrota da sua marioneta, descarta N de imediato de revela as suas verdadeiras intenções – para choque tanto do filho adotivo como de Alder e Cheren. Pela primeira vez, Ghetsis decide tomar o assunto nas próprias mãos e enfrentar-nos ele mesmo.

 

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Durante muito tempo, Giovanni foi o meu vilão preferido em Pokémon. No entanto, depois de ficar a conhecer o enredo desta geração, Ghetsis roubou-lhe o lugar. O homem é pura e simplesmente pérfido, um completo manipulador. Pegou numa criança inocente e manipulou-a durante anos para usar como peão (e muitos especulam que, assim que Ghetsis deixasse de precisar de N, o jovem seria… descartado). Ghetsis tentou, também, manipular um povo inteiro e não foi completamente mal sucedido. Numa cronologia alternativa, Ghetsis tentaria ainda manipular Giovanni… mas estou a adiantar-me.

 

De alguma forma, N tem presença de espírito para nos curar os Pokémon à distância, antes do combate com Ghetsis – imenso respeito! Se eu tivesse acabado de descobrir que o meu pai adotivo era um sociopata e que toda a minha vida fora uma mentira, não sei se capaz de funcionar normalmente.

 

Quando conseguimos travar Ghetsis, somos brindados com o seu mau génio. Não sei qual das duas versões do vilão é a mais assustadora: a versão calma, persuasiva, que nos faz acreditar que nós é que estamos errados. Ou a versão descontrolada, que não aceita a derrota, insulta sem piedade o próprio filho adotivo, que ameaça e chega mesmo a agredir uma menina de onze anos…

 

...e estou a desviar-me outra vez.

 

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Após Ghetsis ser levado sob custódia (para ser resgatado pela Shadow Triad mais tarde), N sofre, naturalmente (no pun intended) uma crise existencial de todo o tamanho. No fim, decide partir. Sabemos que passará os dois anos seguintes a reavaliar a sua vida, a ver o mundo em liberdade, tal como é, sem os vieses impostos por Ghetsis.

 

Depois disto – ou seja, no post-game – não há muito para fazer (e o salto de quase dez níveis entre a equipa de Ghesis e os primeiros treinadores depois da Liga é um bocadinho ridículo). Looker regressa e pede-nos ajuda para procurar e prender os Seis Sábios. Teria sido fixe se desse para combater com cada um deles, mas limitamo-nos a encontrá-los, a ouvir-lhes os monólogos e a ver Looker prendendoos. Tirando isto e umas quantas novas localizações, é um post-game fraquinho.

 

Felizmente, os jogos seguintes compensam nesse capítulo.

 

Antes de partirmos para esses, uma palavra sobre o visual de Hilda, a protagonista feminina destes jogos. O guarda-roupa dela é exatamente aquilo que sempre gostei de vestir – sobretudo quando era mais nova. Boné que faz rabo-de-cavalo, top, colete (adoro coletes!), ténis ou botas com atacadores. Só trocava os calções por calças de ganga – por algum motivo, as protagonistas femininas em Pokémon estão contratualmente proibidas de usar calças…

 

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E ficamos aqui por hoje. O resto da análise à quinta geração virá amanhã. Continuem desse lado!

Pokémon através das gerações - Indo às origens

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Chegamos, finalmente, à parte da franquia que só conheci vários anos depois da sua estreia – a quarta e quinta gerações – quando já tinha chegado à casa dos vinte. Isso confere-me um grande viés, não apenas por, conforme já expliquei antes, a Internet esclarecia toda e qualquer dúvida que tivesse, mas também porque, quando joguei estes jogos, o seu sistema wi-fi já tinha há muito sido desativado. Não experimentei, assim, uma das maiores inovações desta geração: a possibilidade de combater e trocar Pokémon através da Internet quando joguei Pearl, Platinum e Heart Gold (só viria a fazê-lo nos jogos da sexta geração). Por esse motivo, não falarei muito dessa faceta do jogo.

 

Isto pode ter sido propositado, por os remakes das versões Gold e Silver estarem provavelmente já nos planos da Game Freak, mas existem várias semelhanças entre a quarta geração e a segunda. Uma dessas semelhanças é evidente se olharmos para os novos Pokémon: temos várias evoluções e pré-evoluções novas para Pokémon antigos, como acontecera nos primeiros jogos de Johto. Naturalmente, algumas são melhores e/ou mais necessárias do que outras, como em tudo, mas, no geral, considero isto um ponto forte. Sobretudo porque voltou os holofotes para diversos Pokémon que antes passavam quase despercebidos e/ou eram desvalorizados (por sinal, vários deles são nativos de Johto) – como Aipom, Misdreavus, Murkrow, Sneasel, Piloswine, Gligar, entre outros. Introduziu também duas Eeveelutions, o que para mim é naturalmente um ponto a favor. O reverso da medalha disto tudo é que, por comparação, foram introduzidos relativamente poucos Pokémon completamente inéditos.

 

Na verdade, esta é capaz de ser a minha geração preferida em termos de Pokémon. Tirando uns casos específicos que explicarei no fim do texto, gosto das novas evoluções de Pokémon antigos. Ao contrário de gerações anteriores, tirando Phione (que, mesmo assim, destaca-se por ser a primeira pré-evolução de um Lendário ou Mítico e a única até à sexta geração), desta vez não tenho nada contra os Pokémon bebés. O Bonsly e o Mime Jr. recebem, aliás, palmas por, respetivamente, esta e esta cena do filme do Lucario, um dos meus preferidos. De todos os voadores-tipo de cada geração, a linha de Starly é a minha segunda preferida. Ao Kricketune, chega-lhe o seu “cry” para se destacar. Toda a gente gosta do Garschomp. Gosto do Drapion, do Toxicroak e do Abomasnow, apesar de ainda nunca ter usado nenhum deles. E isto são apenas gostos no geral. Dos meus preferidos falarei mais adante.

 

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Outra das semelhanças com a segunda geração prende-se com o foco na História e na mitologia. A quarta geração vai mais longe ao explorar as próprias origens do mundo Pokémon. Já fiz algumas referências a essa mitologia aqui no blogue, a propósito do filme centrado em Arceus. Segundo a Bulbapedia, este foi o primeiro Pokémon a existir, nascendo de um ovo num vortex de extremo caos. Este, de seguida, criou Dialga, para que regulasse o tempo, Palkia, para que regulasse o espaço, e Girantina oara que regulasse a antimatéria e que, pelo seu comportamento destrutivo, posteriormente foi banido para o Mundo da Distorção – já referi este Lendário antes, bem como as semelhanças que apresenta com o mito de Lúcifer. Arceus criou também o chamado Lake Trio/Trio dos Lagos, cada um representando uma característica diferente. Assim, Mesperit simboliza Emoção, Uxie simboliza Conhecimento e Azelf simboliza Força de Vontade.

 

Já que falo neste trio, devo dizer que as equipas em Pokémon Go parecem seguir temas semelhantes aos do Lake Trio. A Team Valor (da qual faço parte) valoriza a força e o poder natural dos Pokémon, caracterizam-se pela competitividade – o que condiz com a Força de Vontade de Azelf. O lago onde Azelf vive chama-se Lake Valor e tudo. A Team Mystic valoriza o conhecimento e a lógica – o que condiz, naturalmente, com Uxie. O paralelismo não é tão claro no que toca a Mespirit e à Team Instinct, que valoriza os instintos, mas pode-se argumentar que estes se assemelham a emoções. Não sei se estas semelhanças entre o Lake Trio e as equipas de Pokémon Go foram propositadas. De qualquer forma, estas três virtudes (cérebro, coração e coragem) costumam aparecer em conjunto frequentemente em vários sítios, quer em mitologia, quer na ficção – o Feiticeiro de Oz é o exemplo mais óbvio.

 

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Uma curiosidade: nos meus jogos, costumo chamar Tai ao Azelf, Izzy ao Uxie e Sora ao Mespirit.

 

Regressando à criação do mundo Pokémon, depois do trabalho de Arceus, Palkia, Dialga e Girantina ter criado as dimensões como são conhecidas, com tempo e espaço, Groudon criou os continentes, Kyogre criou os oceanos e Regigigas ficou encarregado de mover as placas tectónicas. Não tenho fontes sobre o seguinte, mas assumo que, a certa altura, Xerneas e Yveltal tenham sido criados, o primeiro para dar vida aos humanos e Pokémon criados por Arceus. O segundo para lhes conferir mortalidade, como forma de manter o equilíbrio no ecossistema.

 

Não é muito claro onde é que Mew (que se assume ser o ancestral de todos os Pokémon, por conter o DNA de todos eles) e os outros Lendários se encaixam nesta teoria. Uma hipótese possível é Mew ter sido, na verdade, o primeiro Pokémon a ser criado por Arceus, usando-o, depois, para criar todos os outros. Quanto aos outros Pokémon Lendários/Míticos, tirando casos como Mewtwo (que foi criado pelo Homem), suponho que terão um estatuto semelhante a deuses menores ou divindades locais, a quem foram atribuídos domínios e/ou terras para governarem ou protegerem – embora, nesta fase, já exista redundância nas funções dos Lendários.

 

O que me leva a uma crítica a esta geração: o número absurdo de Lendários. Temos nove no total, e não conto com os chamados Pokémon Míticos.

 

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Suponho que esta seja uma boa altura para referir a diferença entre Lendários e Míticos. A segunda designação é usada oficialmente para referir “Pokémon que são avistados tão raramente no mundo Pokémon que muitos questionam a sua existência”. Na prática, os Míticos são Pokémon que não é possível capturar normalmente nos jogos – exigem a participação em eventos ou, então, recorrendo a glitches (como o famoso glitch do Mew). No caso da quarta geração, os Pokémon Míticos são três: Darkrai, Shaymin e Arceus.

 

Confesso que não acho grande piada ao conceito. Ao longo das gerações, estes Pokémon vão sendo apresentados com cada vez menos histórias associadas e sem ligação ao resto do jogo. O evento de Celebi de Heart Gold e Soul Silver (de que voltaremos a falar mais adiante), por exemplo, revelou uma história até à altura desconhecida, envolvendo Giovanni e o rival Silver. Além disso, obtê-los não depende do esforço do jogador, como nos Lendários propriamente ditos (que sempre exigem uma estratégia envolvendo, por exemplo, False Swipe, um ataque que induza Sono e pelo menos cinquenta Ultra Balls). Em vez disso, depende de estarmos no lugar certo à hora certa para os eventos (ou seja, é uma questão de sorte). E hoje já nem isso é preciso: basta ter wi-fi. Como nas distribuições mensais do último ano, pelo vigésimo aniversário da franquia. Mew pode ter sido determinante para o sucesso dos jogos da primeira geração (consta que, quando circulou o rumor de que havia um Pokémon secreto escondido no código dos originais Red&Green, as vendas dispararam), mas, na minha opinião, os Pokémon Míticos tornaram-se demasiado anticlimáticos.

 

Dos muitos Lendários desta geração, queria chamar a atenção para Regigigas. O caso dele é interessante pois encontra-se ligado diretamente a Lendários de uma geração anterior (tanto quanto sei, é um caso único). Ele criou o trio Regi, pertencente à terceira geração – interrogo-me se ele terá recolhido as rochas de várias partes do mundo e o gelo dos pólos para criar, respetivamente, Regirock e Regice enquanto movia as placas tectónicas (este cartoon, que ilustra a criação do trio Regi, derrete-me o coração). Já em Ruby, Sapphire e Emerald existem referências a Regigigas. Numa das mensagens de braille, pode ler-se: “Nesta caverna vivemos. Devemo-lo tudo ao Pokémon. Mas trancámos o Pokémon. Temíamo-lo. Quem tiver coragem, quem tiver esperança. Abra uma porta. Um Pokémon eterno aguarda.” Tendo em conta que os três Regi são necessários para aceder a Regigigas (não apenas nos jogos de Sinnoh, também em Black2&White2 e em Omega Ruby e Alpha Sapphire), é possível deduzir, a partir desta mensagem, que, em tempos, o povo selou Regigigas no templo de Snowpoint, em Sinnoh, e escondeu os três Regi – as três chaves – em Hoenn. Assim, Regigigas só seria libertado por alguém suficientemente astuto. Regigigas individualmente não é nada de especial – a sua habilidade, Slow Start, prejudica-o muito – mas a sua história é fascinante, na minha opinião.

 

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Outro dos pontos fortes destes jogos diz respeito a Cynthia, a Campeã de Sinnoh. Muitos fãs consideram-na a melhor Campeã de toda a franquia. Eu sinto-me particularmente satisfeita por esse estatuto pertencer a uma mulher… mas, por outro lado, o estatuto de pior Campeã também pertence a uma mulher (NOTA: Aquando deste texto, ainda não completei nem Sun nem Moon e, como tenho procurado evitar spoilers, ainda não sei quem é a(o) Campeã(o) de Alola). Cynthia tem um papel ativo no enredo destes jogos, sobretudo de Platinum, como estudiosa da mitologia da região e mentora do protagonista. Ganhou, no entanto, o respeito da comunidade de fãs ao possuir a equipa mais difícil de toda a franquia, com nada menos que os melhores Pokémon disponíveis na geração como, por exemplo, Lucario, Garchomp, Spiritomb (que possui uma combinação de tipos que, antes da introdução do tipo Fada, não tinha fraquezas), Togekiss e Milotic. O seu tema de combate também é muito apreciado. Por fim, gosto muito do seu visual, ao mesmo tempo sóbrio e majestoso. Bonita, sábia e poderosa, não se podia pedir mais nada.

 

Passamos, agora, aos defeitos de Diamond, Pearl e Platinum. Sinnoh é capaz de ser a região mais confusa e difícil de explorar até ao momento. O percurso que temos de fazer ao longo do jogo é muito pouco linear, com muitas estradas bloqueadas sem motivo aparente. Percurso, esse, que é dificultado ainda mais, sem necessidade, por estradas com lama, neve e, sobretudo, nevoeiro.

 

Esta última condição meteorológica é capaz de ser a pior ideia que alguma vez tiveram em Pokémon. O nevoeiro só pode ser eliminado recorrendo ao HM Defog, o que já de si é uma chatice (obriga-nos a desperdiçar um ataque dos dos nossos Pokémon) mas, para piorar, só é obtido numa área lateral do percurso do jogo – ou seja, pode passar ao lado de muitos jogadores. Passou-me ao lado quando joguei Pearl. Sem este HM, temos de combater no meio do nevoeiro, o que reduz a visibilidade dos Pokémon – ou seja, perdemos anos de vida à espera que os nossos Pokémon acertem um ataque.

 

Tudo isto, mais a menor velocidade das animações em comparação com outros jogos da franquia, torna estes jogos extremamente lentos.

 

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A própria região de Sinnoh em si é pouco interessante, com muitas cidades esquecíveis, bem como os líderes de ginásio – tirando Fantina, o Crasher Wake e o último, do tipo elétrico, com uma crise existencial, não consigo lembrar-me de nenhum, tirando os gym puzzles.

 

Uma coisa que me irritou quando joguei Pearl pela primeira vez foi a falta de Pokémon de Fogo. Eu não quis usar o Chimchar (mais um do tipo Fogo/Luta), mas os únicos disponíveis eram Ponytas. Não que desgoste do Pokémon, mas este, em termos de stats, é Physical, mas não aprendem nenhuns ataques de Fogo desse género até ao nível quarenta. O mais estúpido é que, noutras versões, aprende o Flame Wheel ao nível 17. Parece que fizeram de propósito para chatear.

 

Por sua vez, o Team Galatic é capaz de ser uma das piores equipas vilãs até agora, rivalizando com o Team Flare. A larga maioria dos seus membros não parece saber ao certo o que está a fazer, nem o levam a sério. O seu líder Cyrus até tinha potencial como personagem (este vídeo prova-o), mas este, nos jogos, nunca ultrapassa a sua unidimensionalidade. O clímax da luta contra o Team Galatic, em Diamond e Pearl, acaba por ser… bem, anticlimático. Depois de, em Hoenn, termos chegado a ver o princípio do Apocalipse, em Diamond e Pearl, limitamo-nos a capturar Dialga ou Palkia, respetivamente.

 

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Muitos dos problemas de Diamond e Pearl (não todos), de qualquer forma, foram corrigidos em Platinum. No clímax, por exemplo, em vez de nos limitarmos a capturar o Lendário na capa do jogo, vamos até ao Mundo da Distorção, com leis físicas muito próprias.

 

Agora, como já é costume, falamos sobre a música em Diamond, Pearl e Platinum. A banda sonora de Sinnoh é um pouco subvalorizada, pela experiência que tenho – não possui o carácter nostálgico da música os primeiros jogos de Kanto, ou as trompetes de Hoenn ou a variedade de Unova, pelo que passa um pouco despercebida nas opiniões dos fãs. No entanto, na minha opinião, a música de Sinnoh não fica nada atrás das restantes. Nenhum jogo Pokémon (da série principal, pelo menos) tem uma banda sonora má e eu tenho sempre uma mão cheia de temas preferidos em cada jogo.

 

Em Sinnoh, gosto particularmente dos temas de combate. Desde os temas mais tocados, de combates com treinadores e Pokémon selvagens, aos temas mais especiais, como os dos Lendários e os da Campeã Cynthia, que já referi antes. Só há bem pouco tempo, com este vídeo, é que consegui identificar o instrumento comum a quase todos estes temas: o saxofone. Gosto, por exemplo, da sua melodia brincalhona na música de combate com treinadores comuns. Todo esse tema é, de resto, uma conjugação perfeita do saxofone, do baixo e do piano, com cada instrumento tendo o seu momento para brilhar. O é tão alegre e hiperativo como o próximo Barry – destaque para o xilofone (?). E como diz Ron, o autor do vídeo que referi acima, nunca um piano soou tão ameaçador como na música de Dialga e Palkia.

 

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Fora da música de combate, outro tema de que gosto muito é o da Route 201, a primeira de Diamond, Pearl e Platinum. Em todos os jogos, os temas das primeiras routes são sempre inocentes, alegres, quase infantis. Faz sentido tendo em conta que a nossa personagem, nos jogos, é uma criança de dez anos, dando os seus primeiros passos como treinador(a) numa região desconhecida. O tema da Route 201 faz mais do que isso: é inocente, reconfortante, mas também esperançoso. Como que a dizer que estamos a entrar num lugar maravilhoso: o incrível mundo dos Pokémon. Atrevo-me a dizer que este é o melhor tema de primeira route de toda a franquia – apesar de os temas da primeira e segunda geração não andarem muito longe, tanto pela qualidade como pelo valor nostálgico.

 

Outro tema de que gosto imenso é o do Game Corner. Eu já tinha ouvido este tema em vídeos do YouTube, mas pensava que pertencia à quinta geração. É tão... moderno. Parece música de discoteca! Acreditem, há uns quatro ou cinco anos, o último sítio onde esperaria ouvir música deste género seria em jogos Pokémon.

 

Tenho, como poderão concluir, uma opinião mista relativamente aos jogos de Sinnoh. Por sua vez, os remakes de Johto, Heart Gold e Soul Silver, são considerados por quase todos dos melhores da franquia. Eu concordo. Para além dos pontos fortes que herdaram dos jogos originais, HGSS acertaram em tudo em que FireRed e Leaf Green falharam. Enriqueceram Johto e Kanto relativamente aos jogos originais. Acrescentaram o Safari Zone e a Embedded Tower. Incluíram Mewtwo, Articuno, Zapdos e Moltres, mais ou menos nos sítios devidos. Transformaram o Mt. Silver numa montanha nevada, o que tornou a escalada para encontrar Red ainda mais épica (o episódio The Climb, de Arrow, recordou-me Mt. Silver). Corrigiram os níveis baixos dos líderes de ginásio em Kanto. Introduziram a opção de tornar a combater contra cada um dos dezasseis líderes de ginásio. E, sobretudo, introduziram a mecânica de ter um dos nossos Pokémon de fora da Pokébola, seguindo-nos. Toda a gente adorou isso e têm, desde essa altura, suplicado pelo regresso dessa mecânica aos jogos. O mais perto disso que recebemos foi o Buddy System em Pokémon Go.

 

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Outra das coisas que fizeram bem em HGSS foi desenvolverem o enredo e as personagens relativamente aos jogos originais – como os Executivos do Team Rocket, que ganham nomes e rostos diferenciados. O exemplo mais flagrante, no entanto, é a do rival. Ao contrário do que aconteceu nos jogos originais, desta feita houve crescimento de Silver como personagem ao longo do jogo tornando-se, na minha opinião (e não só), no melhor rival de toda a franquia.

 

No início de HGSS, não sabemos nada sobre Silver. Só muito mais tarde no jogo, no evento de Celebi (e, agora, no episódio de Pokémon Generations, The Legacy) é que descobrimos que ele é, na verdade, filho de Giovanni, líder do Team Rocket. Três anos antes dos eventos de HGSS, depois de ser derrotado pelo protagonista dos jogos de Kanto, Giovanni decide dissolver o Team Rocket e partir para o exílio, deixando o filho para trás. Silver acusa o pai e os membros do Team Rocket de agirem em grupo para disfarçar fraquezas individuais. O jovem procura fazer o oposto, procura singrar sozinho sem depender de ninguém.

 

Tal como escrevi no meu texto sobre Generations, esta é uma posição legítima. No entanto, Silver recorre aos métodos errados, os mesmos métodos a que Giovanni recorreria: rouba o seu primeiro Pokémon, trata-o, a ele e aos outros que captura, como meras ferramentas, despreza aqueles que considera fracos.

 

Várias pessoas tentam alertar Silver para a maneira como ele trata os seus Pokémon, tais como o ancião na Sprout Tower e Lance. De início, o nosso rival faz ouvidos de mercador. No entanto, como vai perdendo constantemente para o seu rival, a partir de certa altura, começa a pensar que talvez os outros tenham razão e muda a sua atitude.

 

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Outro Pokétuber de que gosto muito apresentou uma perspetiva interessante sobre Silver. Enquanto outros rivais, como Blue Oak e Barry, estão nos jogos para nos guiar, Silver está nos jogos para que nós possamos guiá-lo, ensinar-lhe a maneira correta de se ser treinador. E os resultados veem-se. Perto do fim do jogo, vemos que o Golbat de Silver evoluiu para Crobat – uma evolução que só ocorre por amizade. Quando o encontramos no Dragon’s Den, além disso, vemos que o seu starter caminha atrás de si, fora da Pokébola – sinal de que Silver se afeiçoou a ele. Silver chega mesmo a tentar devolver o seu starter ao professor Elm. Este recusa, pois vê que o Pokémon já está muito ligado ao seu treinador, logo, não faz sentido que regresse ao seu laboratório.

 

Um aparte só para referir que, às tantas, Silver não precisava de ter roubado o seu primeiro Pokémon. Acho que o professor Elm lho daria, se Silver o pedisse. Não havia necessidade…

 

Se considerarmos o episódio de Generations como parte do cânone dos jogos, depois dos eventos de HGSS, Silver decide combater por crachás e desafiar a Elite 4. Nesta fase, tal como escrevi antes, Silver nunca foi tão diferente de Giovanni. Não só porque conseguiu chegar à Elite 4 da maneira como queria – sozinho, com os seus Pokémon – mas também porque procurou corrigir os erros que cometeu, aprendeu a respeitar e a valorizar os seus Pokémon. A sua personalidade não mudou para além do realista. No entanto, Silver evoluiu mais do que qualquer outro rival na franquia e muito mais que Giovanni, seu pai. Tal como tenho vindo a repetir, tais evoluções são a essência de Pokémon.

 

Outra das coisas que HGSS fez bem foi incorporar elementos de Crystal (que continua a ser o meu jogo preferido), nomeadamente Eusine e a possibilidade de se capturar Suicune. Eusine aparece ainda mais caricaturado que em Crystal, como um autêntico fan boy de Suicune. Sempre prolongou o enredo um bocadinho mais, até mais ou menos a meio de Kanto. Além de que ter um Lendário como stalker é sempre lisonjeador… acho eu.

 

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Como já referi antes, a banda sonora da segunda geração é a minha preferida. No entanto, na minha opinião, tirando um caso ou outro, HGSS não faz justiça aos temas originais. Em compensação, depois de se completar o jogo, ganhamos o item GB Sounds, que substitui a banda sonora pela de Gold, Silver e Crystal.

 

Existem, no entanto, algumas pequenas falhas em HGSS. Para começar, como já referi antes, chateia-me imenso que tenham substituído a protagonista feminina de Crystal por uma que mais parece uma miúda de cinco anos. Introduziram, aliás, um segundo rival – o protagonista do sexo oposto ao que escolhemos  que não chega a sê-lo. Funciona mais como guia do que como outra coisa qualquer. Fiquei com a impressão de que o Concurso de Insetos estava mais difícil – o que chateia ainda mais se tivermos em conta que, na segunda metade do jogo, estes concursos são a única maneira de ganhar certas pedras de evolução.

 

Embora continue a preferir Crystal, mais por uma questão de nostalgia, concordo quando muitos afirmam que HGSS são dos melhores jogos da franquia. São definitivamente os melhores remakes até ao momento: já falei sobre os desapontantes Fire Red e Leaf Green, sobre Omega Ruby e Alpha Sapphire falarei mais tarde. E, na minha opinião, pelo menos metade dos pontos fortes destes jogos veem dos originais. Só prova que eu tenho razão: a segunda geração é a melhor de todas!

 

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A ideia que eu tenho da quarta geração é, na verdade, que ela se apoia muito nas anteriores. Tirando um aspeto ou outro – nomeadamente a introdução do wi-fi – esta geração não inovou por aí além, não arriscou muito. Não que isso seja uma coisa má. Mas não surpreende que, depois dela, a Game Freak tenha querido fazer algo diferente, criando uma geração que, na minha opinião, é o completo oposto da quarta. Explicarei porquê no próximo texto de Pokémon através das gerações.

 

Aproveito, desde já, para dizer que a próxima entrada desta série deverá demorar. Tenho uns quantos textos que quero escrever e publicar antes (incluindo, muito provavelmente, a análise ao próximo filme de Digimon Adventure Tri). Só depois começarei a escrever sobre a quinta geração. Isto está a demorar muito mais tempo do que esperava – o meu plano era escrever e publicar sobre as seis gerações e Pokémon Go ao longo do verão de 2016 mas, por este caminho, o último texto deverá ser publicado um ano após o primeiro. Paciência. Como, de resto, quero ver se eu e a minha irmã acabamos Sun algures nas próximas semanas, talvez esta série já inclua considerações sobre a sétima geração.

 

Concluímos este texto, como já vai sendo tradição, com os meus Pokémon preferidos e os de que menos gosto.

 

Pokémon preferidos:

 

  • Lucario e Gallade

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Estes não deverão surpreender quem já tenha lido textos anteriores meus sobre Pokémon no meu blogue. Lucario é o protagonista de um dos meus filmes preferidos de Pokémon. Além disso, toda a gente concorda que, em combate, é um dos melhores, com bons stats e uma grande versatilidade.

 

Gallade é a evolução masculina de Ralts, ou seja, é o homólogo masculino de Gardevoir – uma das minha preferidas da terceira geração. Os motivos pelos quais gosto de Gallade são, aliás, os mesmos pelos quais goste de Gardevoir e, também, de Lucario: por os três serem Pokémon nobres, leais, que valorizam a honra e o dever e, pelo menos no caso de Gallade e Gardevoir, serem ferozmente protetores daqueles que amam. O nome Gallade é, até, parecido com Galahad, um dos Cavaleiros da Távola Redonda, das lendas arturianas. Num combate duplo, Gallade faria um bom par tanto com Gardevoir como com Lucario.

 

  • Togekiss

 

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Conforme dei a entender antes, eu tenho um fraquinho pelo Togepi: uma criatura tão amorosa, é uma coisa parva. Sobretudo em miúda, gostava de incluir Togepis na minha equipa. No entanto, apesar de amoroso e tal, nem o Togepi nem a sua evolução, Togetic, eram muito úteis em combate.

 

A quarta geração veio, felizmente, mudar isso ao introduzir Togekiss. Este possui  bons Special Attack e Special Defense, podendo aprender ataques interessantes como o Aura Sphere e o Sky Attack – isto antes de criarem o tipo Fada. Isto deixa-me feliz pois, agora, tenho uma desculpa para conservar o Togepi que recebemos em HGSS.

 

  • Torterra

 

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Já tinha escrito antes que, nos últimos anos, ganhei apreço pelo tipo Terra, devido à sua versatilidade. Torterra, a evolução final do Turtwig, o meu starter em Platinum, foi um dos Pokémon que forneceu argumentos para essa apreciação. Diverti-me imenso usando-o. Eu sei que é um dos starters mais lentos, mas, como obtemos o Quick Claw bastante cedo no jogo, isso acaba por não ser assim tão grave.

 

Por outro lado, quando o vi pela primeira vez, soube logo que tinha sido inspirado pela teoria na tartaruga cósmica para explicar a ocorrência de sismos. Segundo esta teoria, a Terra estaria apoiada na casca de uma tartaruga gigante. Os sismos ocorreriam quando a tartaruga se mexesse demasiado e abanasse a Terra. Explica tanto o desenho como o tipo Erva/Terra. Além disso, segundo a Pokédex, outros Pokémon por vezes fazem ninho na casca de um Torterra – o que acho pura e simplesmente adorável.

 

 

Pokémon de que não gosto:

 

  • Stunky/Skunktank

 

Um Pokémon doninha, cujo cry se assemelha a um ruído de flatulência, que em HGSS aparece com o rabo para a frente? Não obrigado.

 

 

  • Rhyperior

 

Conforme referi acima, a quarta geração apostou muito em evoluções e pré-evoluções novas de Pokémon conhecidos. Existiram, contudo, algumas desnecessárias, como Tangrowth e Lickilicky. Há apenas uma de que não gosto mesmo: Rhyperior. Em termos de desenho é uma mudança radical em relação a Rhydon e, sinceramente, ridícula.

Top 10 Pokémon Generations #2

Segunda parte do meu top 10 de episódios de Pokémon Generations. Primeira parte aqui

 

5) The Cavern (A Caverna)

 

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Este episódio, The Cavern, resume-se de uma forma bastante simples. Foca-se no Team Aqua e no seu líder Archie. Este último encontra o Lendário Kyogre. Prepara-se para assumir controlo sobre ele quando Shelly aparece, a correr, para avisá-lo que que os seus planos resultarão numa catástrofe de proporções épicas. Archie ignora-a, claro, e os resultados são os esperados: Kyogre reverte para a sua forma primitiva e despoleta um dilúvio. Quando, mais tarde, Archie se apercebe do erro que cometeu (de que estava ele à espera, sinceramente?) e tenta ordenar a Kyogre que páre com aquilo, o Lendário volta-se contra ele.

 

Tal como referi quando falei de The Vision, na minha opinião, esse e The Cavern funcionam como um par. E, de facto, a ideia com que fico é que este é uma sequela a The Vision, que decorre na realidade de Omega Ruby, em que o Team Magma é a principal organização vilanesca, mas na realidade de Alpha Sapphire, em que o Team Aqua é a organização vilanesca (não vou entrar nas realidades e cronologias alternativas em Pokémon, que isso daria azo a um testamento inteiro à parte). Um aspeto que acho curioso é o facto de o Team Aqua ser a antítese do Team Magma, de certa forma: o líder é o louco e os subalternos são os sensatos. Mais uma vez, a subalterna feminina é a primeira a aperceber-se das consequências catastróficas que os planos dos seus líderes poderão ter. Shelly percebe-o, não graças a uma visão (que é consistente com a personalidade mais excêntrica de Courtney), mas de uma maneira bem mais prosaica: pesquisando no Instituto Meteorológico.

 

Pode-se especular se, depois de Vision, Courtney procurou avisar o seu líder, Maxie, sobre a visão que teve. No entanto, Shelly, mais sensata, avisaria sempre Maxie. Não que isso tenha valido de muito, pobre Shelly…

 

Por fim, destacar o remix do tema do Trio Groudon/Kyogre/Rayquaza - que, como referi no meu texto sobre a terceira geração, é o meu tema preferido de Hoenn. Se havia um tema musical em Pokémon que precisava de uma versão com um coro dramático era este. Daí que The Cavern esteja várias posições acima de The Vision nesta lista, apesar de estes episódios serem bastante semelhantes.




4) The King Returns (O Rei Regressa)

 

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O Senhor dos DNA Splicers, o Regresso do Rei… não? Ok, vou calar-me.

 

The King Returns decorre no Giant Chasm, onde Ghetsis aguarda, com Kyurem. Aquele por quem espera aparece rapidamente: N, com Reshiram. O antigo rei do Team Plasma exilara-se após a primeira derrota da organização, dois anos antes. Regressava agora, para salvar Kyurem e toda Unova de Ghetsis e do Team Plasma. Quem estiver familiarizado com o enredo de Black2&White2, saberá que esta era, desde o início, a intenção de Ghetsis: ele capturara Kyurem e congelara Opelucid City para atrair N e Reshiram. E agora, que finalmente os encontrara, podia executar o seu plano: usar os DNA Splicers para fundir Reshiram com Kyurem, obtendo o White Kyurem.

 

Não sei se sou a única, mas sempre achei a cena da formação, quer do Black Kyurem quer do White Kyruem, assustadora: ver Kyurem atacando Zekrom ou Reshiram, estes tentando fugir mas sem conseguirem escapar à fusão. É por esta cena que acho que nunca serei capaz de usar os DNA Splicers eu mesma, nos jogos. The King Returns faz justiça a esse momento - até por recorrer ao um remix do tema de combate de Ghetsis em Black&White.

 

Ghetsis ordena a White Kyurem que ataque N. Este tenta apelar a Reshiram e, aparentemente, é bem sucedido, pois White Kyurem hesita. Esta hesitação despoleta o mau génio de Ghetsis. N volta-se para ele, chama-lhe Pai, tenta apelar à sua humanidade, se é que Ghetsis tem alguma (pontos para o tema de N, que toca no fundo). Sem sucesso. Ghetsis responde com ainda mais crueldade. Ordena novo ataque e, desta feita, White Kyurem obedece. É então que aparece Hilbert, o protagonista masculino de Black&White, montado no seu Zekrom, para salvar o dia - N incluído.

 

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Este último desenvolvimento é o ponto forte de The King Returns. Este, até ao momento, não se desviara radicalmente do enredo original - o diálogo entre Ghetsis e N é quase um copy/paste dos jogos. No que toca à quinta geração, no entanto, isso não é uma coisa má por si só: em termos de matéria-prima para estes episódios, os jogos de Unova encontram-se entre os melhores.

 

No entanto, a entrada em cena de Hilbert, para além de conferir maior interesse ao episódio, ata uma ponta solta da quinta geração. Em Black2&White2, descobrimos que o protagonista de Black&White partira à procura de N, após os eventos de dois anos antes. Não há nenhuma indicação nos jogos que Hilbert (ou Hilda) o tenha encontrado - segundo a mãe dele(a), ele(a) nunca mais voltou a casa, o que me parte um bocadinho o coração. Generations, ao menos, oferece um cânone em que Hilbert (não Hilda, que pelos vistos as protagonistas femininas não existem neste universo) volta a ver N de novo. Faz mais do que isso: salva-lhe a vida e alia-se a ele para, mais uma vez, derrotarem Ghetsis (a título definitivo, espera-se) e salvarem Unova.

 

3) The Beauty Eternal (A Beleza Eterna)

 

Chegamos, então, ao pódio de Generations. Tenho de confessar, no entanto, que as diferenças entre estes três episódios são mínimas - mudei várias vezes de ideias em relação à ordem deste pódio. No entanto, estes três episódios estão num patamar acima de todos os outros em Generations, ainda que por motivos diferentes.

 

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The Beauty Eternal foca-se em Lysandre. Quem conheça os jogos X&Y saberá que este é o vilão, líder do Team Flare. No entanto, The Beauty Eternal não o retrata dessa forma, pelo menos não de início. Pelo contrário, Lysandre surge como o Steve Jobs de Kalos. Vemo-lo apresentando o mais recente gadget da Lysandre Labs, o Holo Caster (toda a gente odeia este nome, por motivos óbvios). Gadget esse que é um sucesso imediato. Lysandre também faz questão de fazer doações ao hospital - muito provavelmente para manter uma imagem pública favorável.

 

Vemos, também, que Lysandre mantém relações de amizade com outras pessoas importantes, como Diantha - estrela de cinema e campeã de Kalos. (Também sabemos, dos jogos, que Lysandre é amigo do Professor Sycamore, mas este último não aparece em Generations). A conversa que ela tem com Lysandre (mais uma vez, quase um copy/paste dos jogos) é desconcertante por dois motivos. Em primeiro lugar, Lysandre dá a entender que, na sua opinião, o dever de Diantha, como atriz, é manter-se para sempre jovem e bonita. Não consigo deixar de pensar que demasiadas pessoas de Hollywood pensam da mesma maneira. Em segundo lugar - sendo isto mais relevante para o episódio - Lysandre afirma, casualmente, que “acabaria com o Mundo num instante só para preservar a sua beleza”. É claro que Diantha não o leva a sério.

 

Pelo meio, vemos Malva como pivô de notícias. Sabemos, dos jogos, que, para além disso, Malva pertence à Elite 4… e ao Team Flare.

 

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Entretanto, os jornalistas começam a perguntar a Lysandre sobre um tal “projeto Y” - Lysandre, obviamente, não responde. Nem as pessoas trabalhando diretamente com ele sabem que projeto é esse. Mas quando vemos aquela que, nos jogos, é conhecida como a “arma suprema” (ultimate weapon), com Yveltal nela aprisionado, confirma-se aquilo que a audiência já sabia dos jogos: Lysandre, o grande ídolo de Kalos, o Steve Jobs lá do sítio, planeia matar toda a gente. Literalmente.

 

The Beauty Eternal faz, assim, um bom trabalho ao retratar a sociedade de Kalos: uma sociedade bela e glamourosa mas superficial e corrupta. De que outra forma se explica que tivessem deixado um psicopata como Lysandre ganhasse tanto poder? (O que, infelizmente, me faz pensar no que está a acontecer neste momento, no mundo real…). O que mais me frustra relativamente aos jogos de Kalos, de resto, é o facto de, como vemos, a região até ter uma história com potencial que X&Y não foi capaz de concluir satisfatoriamente… mas isso é conversa para outra ocasião.



2) The Legacy (O Legado)

 

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Chegamos, agora, ao segundo lugar desta lista e encontramos The Legacy, protagonizado por Silver, o rival dos jogos de Johto, e Looker. Não cheguei a falar de Silver  no meu texto sobre a segunda geração porque a personagem só foi decentemente desenvolvida nos remakes Heart Gold e Soul Silver. Falarei, portanto, sobre ele quando escrever sobre a quarta geração.

 

Silver é o protagonista de The Legacy, que é abordado por Looker (atentem à versão melancólica do tema de rival da segunda geração, que no fim muda para um tom triunfal). Este faz-lhe perguntas sobre o seu pai… nada mais nada menos que Giovanni, o líder dos Team Rocket, que Looker persegue há pelo menos três anos. Devo dizer que Looker mostrou um pouco de falta de tacto ao fazer perguntas tão diretas a Silver. Pedir a alguém que denuncie um familiar ou amigo é algo que nunca deveria ser feito de ânimo leve - Looker deveria sabê-lo. É uma questão de bom senso.

 

O jovem, no entanto, não parece levar a mal as perguntas de Looker. Mostra-se, aliás, mais amigável do que aquilo que conhecemos dele dos jogos… mas continua longe de ser uma pessoa simpática e calorosa. Nota-se, aliás, que ele menospreza Looker pela sua busca por Giovanni. Acho que podemos assumir que este episódio decorre depois dos eventos do enredo da segunda geração - isto é, após Silver ter ganho afeição aos seus Pokémon e de ter tentado devolver o starter que roubou ao professor Elm. The Legacy dá a entender que, depois disso, Silver decidiu combater pelos crachás de Johto, qualificando-se para a Liga Pokémon.

 

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É possível que nem todos os fãs soubessem que Silver é filho de Giovanni, uma vez que isso só foi confirmado oficialmente no evento de Celebi. (Há quem especule, por sua vez, que a sua mãe seja Ariana, uma dos Rocket Executives). O último diálogo entre Silver e Giovanni é essencialmente o mesmo que ocorre nesse evento. Esta conversa, de qualquer forma, mostra uma perspetiva intrigante sobre Giovanni: o facto de ele precisar de um grupo de pessoas às suas ordens para conseguir o que quer. Naturalmente, Silver quer fazer o oposto, quer fazer tudo ele mesmo, sem depender de ninguém. É uma posição legítima. No entanto, durante muito tempo, o jovem recorre aos métodos errados - métodos esses que acabam por não diferir muito aos que o pai usaria.

 

Silver não se mostra muito interessado em colaborar com Looker e não é difícil pensar em motivos para isso: restos de afeição pelo pai, não querer ver-se envolvido nos esquemas dele, achar que não vale o esforço já que, de qualquer forma, a organização criminosa dissolveu-se outra vez. De qualquer forma, a verdade é que, no momento deste episódio, Silver nunca foi mais diferente do seu pai. O jovem procurou corrigir os erros que cometeu, aprendeu a respeitar e a valorizar os seus Pokémon e ganhou os crachás necessários para a Liga de forma legítima (quero acreditar nisso, pelo menos). Tornou-se melhor treinador, melhor pessoa, que Giovanni alguma vez será. Isso, de resto, é a essência de Pokémon, tal como afirma uma citação que utilizei antes: "O coração da história de Pokémon não é combater e competir - é o espírito de crescer, explorar a natureza e ver o mundo de modo a tornarmo-nos pessoas melhores". Silver é um dos muitos bons exemplos disso e é por estas e por outras que o considero o melhor rival de toda a franquia.



1) The Scoop (O Exclusivo)

 

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Eis, então, o primeiro lugar desta lista. Os protagonistas de The Scoop são Gabby e Ty, a dupla de repórteres que encontramos frequentemente nos jogos de Hoenn. Estes invadem o Centro Espacial de Mossdeep, à procura de informações sobre a destruição do meteorito que estivera em rota de colisão com a Terra (ou qualquer que seja o nome do planeta onde decorre a ação de Generations). Gabby consegue encontrar um ficheiro de vídeo que mostra o protagonista dos jogos de Hoenn (não dá para ver se é Brendan ou May, a protagonista feminina) voando montado no Mega Rayquaza ao encontro do meteorito. Aí, o episódio reproduz a cena do Delta Episode de Omega Ruby e Alpha Sapphire, em que o Mega Rayquaza destrói o meteorito, revelando uma icónica placa triangular, que se transforma no Deoxys.

 

O encontro e combate com o Deoxys já é um dos momentos mais épicos de Omega Ruby e Alpha Sapphire. Em Generations, como não têm de respeitar as mecânicas rígidas dos jogos,  com os movimentos limitados e os ataques à vez, conseguem elevar o combate entre o Deoxys e o Mega Rayquaza a um nível ainda maior, mais dinâmico e eletrizante. Gostei do pormenor do treinador (ou treinadora) saltando para o satélite e assistindo ao combate a partir daí - algo que não sei se seria possível na ausência de gravidade, contudo. E, tal como acontece nos jogos, a banda sonora eleva ainda mais a  grandiosidade do momento.

 

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Até Gabby e Ty se deixam levar pelas imagens, descurando a vigilância. Acabam por ser surpreendidos por um cientista e vários seguranças, que lhe exigem o vídeo de volta. Gabby é uma mulher astuta e consegue enganá-los. O episódio termina com ela e Ty fugindo dos seguranças..


Fiquei desapontada por não termos podido ver Zinnia em Generations. Tirando isso, The Scoop faz tudo o que um episódio de Generations podia fazer de melhor. Mostra uma parte fixe de Omega Ruby e Alpha Sapphire (e, em Pokémon, conforme afirmei antes, poucas coisas são mais fixes que um bom combate entre Lendários) sem fazer apenas copy/paste. Ao mesmo tempo, oferece uma nova perspetiva à história que já conhecemos: quer mostrando que uma boa parte da população de Hoenn não terá percebido ao certo que história foi aquela do meteorito, quer mostrando que aqueles que sabem não têm interesse em revelar a verdade ao público, quer mostrando uma faceta diferente de personagens icónicas de Hoenn. Daí que, na minha opinião, seja o melhor episódio de Generations.

 

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O anime em Pokémon tem como objetivo principal promover os jogos - toda a gente sabe isso. Origins, por exemplo, foi criada para cativar fãs mais velhos, com saudades da primeira geração, para X&Y - daí que, no fim, o Charizard de Red, o protagonista, obtenha uma Mega Evolução. Por essa lógica, talvez Generations tenha servido para promover Sun&Moon mas, a ser verdade, fá-lo de uma forma muito discreta - bem mais discreta que Origins, diga-se de passagem. Na minha opinião, faz mais sentido que Generations tenha vindo integrada nas celebrações do vigésimo aniversário da franquia: desta feita, celebrando os melhores momentos de vinte anos de jogos. E numa altura em que Pokémon voltava a estar na moda, como não estava havia, pelo menos, quinze anos, o timing dificilmente podia ser melhor. Eu gostei muito. As tardes de sexta-feira nunca mais foram o mesmo desde essa altura.

 

Já que falamos disso, já terão reparado que estou epicamente atrasada com os meus textos de Pokémon através das gerações - a última data que tinha prometido era o dia do lançamento de Sun&Moon. Não devia ter dado uma data sequer, não estou em condições para isso. Dito isto, tenho o texto sobre a quarta geração bastante adiantado. Devo conseguir publicá-lo algures nas próximas semanas. Continuem desse lado!

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