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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Digimon Frontier #9 – Crise de Identidade

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Não preciso de falar sobre o papel da música em Digimon. Qualquer análise da franquia que eu faça aqui no blogue tem de incluir no mínimo uma referência a música – ou, no caso destas análises longas, uma secção. 

 

Esta é a primeira temporada em Digimon em que não gosto do tema principal de digievolução. O que é uma pena, pois With the Will é o primeiro cantado por Wada Kouji. Não quero dizer que seja má – sei que alguns gostam e, afinal de contas, dá nome a um conhecido site de fãs. Apenas não clicou comigo. 

 

The Last Element, que soa nas digievoluções Extremas e com o Susanoomon, é uma história diferente, no entanto. Muito mais agradável ao meu ouvido, sobretudo o início: as notas eletrónicas no fundo, a guitarra elétrica, o ritmo que abranda e acelera de novo. O início é sempre a parte mais importante no que toca a temas de digievolução, por motivos óbvios, e nesse aspeto The Last Element cumpre muito bem. Mas o resto também está bem conseguido, sobretudo o refrão.

 

Regra geral, não costumo ligar muito às chamadas “character songs”, mas queria falar de duas. A primeira é Salamander, o tema de Takuya, uma das que mais gosto em Fronteira. Funcionaria bem como um tema de abertura. Gosto muito do momento em que soa, no episódio da corrida dos Trailmon. 

 

Por outro lado, a música merecia soar num momento mais significativo da história de Takuya – por exemplo, quando decide regressar ao Mundo Digital – em vez de ser relegada para um mero filler

 

Eu gostava do tema de Kouichi, With Broken Wings, quando o ouvia em episódios como o 33. Um tema blues rock, adequado à personagem e àquela parte da história. No entanto, quando fui ouvir a versão completa da música, apanhei uma desilusão: esta a meio adota um estilo completamente diferente, estraga tudo. 

 

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Falta falarmos sobre a abertura e os encerramentos – deixei-os para o fim deliberadamente. Fire é muito fixe. Todas as aberturas até aqui têm sido boas, mas ainda assim Fire é uma das melhores. É melhor que The Biggest Dreamer, de Tamers. Estará mais ou menos ao nível de Target e Butter-fly, embora seja difícil fazer comparações com esta última. Por um lado é icónica, por outro é demasiado batida, é difícil sermos isentos sobre ela. 

 

Existe uma versão de Fire apenas com piano e voz. Fiquei a conhecê-la com a dobragem portuguesa do último episódio de Fronteira. Não sei se isso aconteceu com a emissão original dos episódios na SIC e/ou Canal Panda ou se foi uma gracinha do PTDigi, mas eles substituíram a abertura normal por esta versão, o que foi bem sacado.

 

É bonita. À semelhança do que já tinha acontecido com Butter-fly, a música ganha uma emotividade diferente sob esta forma.

 

Não adoro a versão portuguesa de Fire, mas não ficou má. Como já aconteceu antes, é uma mulher – a cantora Ana Vieira – a cantar uma melodia composta para um homem. Ainda assim, Ana fez um bom trabalho com ela.

 

Só tenho pena que não tenham escrito a letra de modo a condizer com o “lip syncing” dos miúdos, durante a sequência de abertura (um pormenor de que sempre gostei).

 

Diz que o segundo encerramento de Fronteira, An Endless Tale, é a última contribuição de AiM em encerramentos até Tri, o que é um bocadinho triste. Este tema é um dueto entre ela e Wada Kouji. Faz-me lembrar Aikotoba, do quinto filme de Tri, embora An Endless Tale seja uma power ballad mais clássica e, tenho de admiti-lo, menos original. Nesse aspeto, prefiro o carácter mais intimista de Aikotoba. Também acho que Fronteira usou An Endless Tale um bocadinho em excesso. No entanto, adequou-se perfeitamente à cena final e ao epílogo, que discutimos no texto anterior.

 

 

Deixei o primeiro encerramento de Fronteira – Innocent ~ Mujaki na mama de ~ – de propósito. É a minha música preferida desta temporada. Não sei explicar exatamente porquê mas vou tentar. Uma parte é pura e simplesmente a melodia e o acompanhamento musical, muito agradáveis ao ouvido. Mas acho que será também o carácter agridoce, a conjugação entre a sonoridade alegre e luminosa e a letra melancólica, ainda que esperançosa.

 

Só tenho uma pequena falha a apontar. A letra fala sobre estar longe de quem se gosta, o que não encaixa na história de Fronteira. Não há companheiros Digimon sendo deixados para trás. Mesmo os miúdos nunca chegam a separar-se ao ponto de terem saudades uns dos outros.

 

Não consigo escolher entre a versão original de Innocent, cantada por Wada Kouji, e a versão dobrada em português, cantada uma vez mais por Ana Vieira – dei o título Volta P’ra Ti ao ficheiro áudio no meu telemóvel. À primeira não gostei muito, mas entranhou-se rapidamente – de tal maneira que passei o resto do verão passado absolutamente obcecada por esta música. Ana tem uma bela voz e adoro a interpretação dela. Também gosto do facto de a letra ser uma tradução bastante fiel da Innocent original.

 

Por fim, o risinho de Ana na conclusão parte tudo. 

 

O que me leva à dobragem portuguesa em geral. Não é má, ainda que não seja tão boa como a dobragem de Tamers. E mesmo assim sempre tem os seus pontos fortes, como a voz da Lucemon que referi antes. Por estes dias não sou demasiado dura com as dobragens portuguesas – regra geral, não têm um orçamento tão generoso como outros países. 

 

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Queria falar agora sobre os nomes dos Digimon, que, como o costume, diferem entre a dobragem nipónica original e as influenciadas pela dobragem americana, como a nossa. Temos coisas boas e coisas más aqui. Por um lado, a dobragem original já incluía referências óbvias a Adventure ao incluir variações de Greymon e Garurumon nas linhas digievolutivas do Agnimon e do Wolfmon. A dobragem vai ainda mais longe, não só ao chamar BurningGreymon ao Vritramon, por exemplo, mas também ao incluir referências semelhantes nas outras linhas, Como, por exemplo, chamar MetalKabuterimon ao Bolgmon ou KaiserLeomon ao JagerLoweemon (o que, nesta fase, já é mau gosto).

 

Por outro lado, alguns nomes americanos são melhores que os originais. Os produtores deviam estar com pouca imaginação quando criaram nomes tão insonsos como Wolfmon, Fairymon e Shutumon. Lobomon sempre é um bocadinho mais interessante – e simpático para nós, que falamos português – e Kazemon e Zephyrmon são muito fixes, talvez dos melhores nomes em Fronteira.

 

Aliás, acho que, se não fosse a sexualização desnecessária, a linha da Fairymon seria a minha preferida.

 

E com isto já abordei todos os aspetos de Fronteira que queria. Na minha opinião, o principal problema desta temporada, que explica muitas das suas falhas, resume-se a isto: Fronteira não sabe o que é, o que quer ser. Não se decide entre ser uma história de profundidade semelhante às temporadas anteriores ou se quer ser uma história menos sombria, mais “kid friendly”

 

Daí os paradoxos todos. Um elenco de heróis em que quatro têm passados simples (e, segundo consta, os produtores quiseram mesmo seguir tropos habituais de anime) e dois têm dos passados mais retorcidos de todo o anime de Digimon – que, mesmo assim, não foi abordado de forma completamente satisfatória. Um Mundo Digital com uma história rica, com racismo fantástico, política, Power Players teoricamente do lado dos bons com atitudes questionáveis… e tudo isso se traduz em meros conflitos bem versus mal, sem quaisquer nuances (tirando o caso do Duskmon/Kouichi).

 

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Além disso, os vinte primeiros episódios da temporada, mais coisa menos coisa, foram muito leves, mesmo parvos nalguns momentos ("parvo" não é obrigatoriamente uma coisa má), mas depois os quinze episódios seguintes ganham quase literalmente um filtro escuro – que nem sequer é devidamente aproveitado para desenvolver as personagens. E depois temos os Cavaleiros Reais. Ou seja, só um terço da temporada, mais coisa menos coisa, pode ser considerada “leve”. 

 

Por fim, o fator Takuya-e-Kouji-mais-quatro pode não ter diretamente a ver com esse paradoxo, mas certamente não ajudou – anulando os benefícios da jogada arrojada de cortarem com os companheiros Digimon, como vimos antes.

 

É possível que, no início do planeamento de Fronteira, a ideia era esta ser uma temporada semelhante a 02 ou Tamers em termos de complexidade e seriedade. No entanto, depois da famosamente sombria reta final de Tamers, os produtores de Fronteira poderão ter recebido instruções para tornar a história menos pesada – com razão porque, por muito que goste de Tamers hoje, não sei se teria gostado tanto se a tivesse visto em miúda. Os digiguionistas terão feito o melhor que conseguiram.

 

Mas isto sou só eu a especular. Há quem diga nas internetes que o desenvolvimento de Fronteira teve algumas complicações nos bastidores, mas não encontrei nenhuma prova em concreto. 

 

Nesse aspeto, o Reboot de Adventure foi melhor conseguido como uma versão mais leve de Digimon. Adventure 2020 tem algumas semelhanças com Fronteira – um Mundo Digital com um passado de conflitos, Seraphimon, Cherubimon e Ophanimon como Power Players, companheiros Digimon como reencarnações de antigos guerreiros – mas o enredo e as personagens são ainda mais superficiais. Em claro contraste com o elenco original de Adventure, como referi há pouco tempo numa caixa de comentários, as personagens descrevem-se com uma frase: Taichi nunca desiste, Sora é uma típica menina heroína de ação, Koshiro é o cérebro, Mimi é a neta do Rui Nabeiro, etc. 

 

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Em suma, muita parra e pouca uva, muito espetáculo e profundidade quase zero. Como especulam aqui, este Reboot terá tido uma população-alvo mais jovem que a habitual para Digimon.

 

Adventure 2020 pode ser mais consistente nas suas intenções, mas eu ainda assim prefiro Fronteira. Mal por mal, Fronteira tinha muito mais ambições. Tentou. Respeito-a por isso, mesmo não tendo conseguido cumprir.

 

Não que me ressinta do Reboot por não ter feito o mesmo. Este pura e simplesmente não era para mim, que já estou na casa dos trinta e que, mesmo em miúda, preferia as camadas mais profundas do anime de Digimon. Sempre deu para entreter, sobretudo por ter coincidido com o primeiro ano e meio da pandemia. E foi suficientemente bem sucedida para dar luz verde à arrojada Ghost Game.

 

Regressemos a Fronteira e àquilo que falei na introdução desta análise. Sim, esta temporada deu um tombo significativo em termos de qualidade, comparada com as suas antecessoras – sobretudo em relação à excelente Tamers. Esta e Adventure continuam a ser as minhas temporadas preferidas e, sobretudo, os meus elencos preferidos. Não desgosto dos miúdos de Fronteira (tirando Junpei) mas, ao contrário dos miúdos de Adventure, Tamers e mesmo 02, não guardo nenhum deles no coração. 

 

Por outro lado, se isso é uma coisa boa ou má é questionável. Nos últimos anos o facto de adorar os elencos de Tamers e sobretudo Adventure só me tem trazido mágoa. Mais sobre isso já a seguir. 

 

Se Fronteira merece o constante “roast” do pessoal do Digimon PT? Não. Como foi sendo assinalado, Fronteira tem várias qualidades redentoras, não a classificaria como “má”. Se é para bater nalguma temporada, o Reboot merece mais. 

 

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E penso que já disse tudo o que queria sobre Fronteira. Eu devia referir o seguinte mais vezes, mas as opiniões que expressei nesta análise – bem como quaisquer outras que exprima aqui neste blogue – não estão gravadas em pedra. Estas irão evoluir com o tempo. E, claro, vocês estão à vontade para questionar e discordar. É para isso que servem os comentários, estou disponível para continuar a conversa.

 

Queria deixar aqui algumas notas sobre a atualidade de Digimon em termos de anime. Já ficaram as minhas impressões sobre o Reboot uns parágrafos acima. Antes dizia que faria uma análise longa ao Reboot, estilo esta, mas mudei de ideias. Essa temporada não dá sumo suficiente. Talvez mude de ideias de novo no futuro, mas duvido. 

 

Ghost Game é o anime de Digimon em decurso no neste momento. O conceito é excelente: essencialmente Digimon versão terror. Terror adequado a menores de 12 anos, mas mesmo assim precisei de me adaptar, que esse género de histórias nunca foi a minha praia. 

 

De início soube muito bem, depois de um Reboot tão desenxabido. No entanto, Ghost Game já foi melhor. A novidade dos elementos de terror já se dissipou há muito, a história está demasiado episódica. O enredo marco nunca foi muito claro e passámos de pistas pontuais a pistas nenhumas. O elenco de heróis começou semi-interessante, mas tem dado pouco para a caixa (embora o último episódio, focado em Ruli, não tenha sido nada mau). Em todos os episódios temos Digimon criando o caos, atacando civis, por vezes matando-os – e ninguém, tirando os nossos heróis, se rala. Yamaki, no universo de Tamers, ativou o Shaggai por muito menos. 

 

Ghost Game ainda vai mais ou menos a meio – vá lá, já estará na segunda metade – ainda vai a tempo de se redimir. Consta, aliás, que o enredo deverá adensar-se em breve. É bom que o faça. Reservo as minhas opiniões finais para mais tarde. 

 

Aliás, é possível que Ghost Game tenha direito a análise longa aqui no blogue. Ainda não decidi se a escrevo mal Ghost Game chegue ao fim ou se avanço para Savers/Data Squad. Não será tão cedo, de qualquer forma. Passei muito tempo a preparar esta análise (a minha segunda maratona de Fronteira, já com papel e caneta, começou há pouco mais de um ano, mesmo com longas pausas pelo meio). Preciso de uma pausa de Digimon aqui no blogue.

 

 

Entretanto, estão a acontecer coisas giras. A maior de todas é a exibição de Digimon Adventure Last Evolution Kizuna nos cinemas portugueses (spoilers ligeiros nos próximos parágrafos). Em português de Portugal. Com as mesmas pessoas que dobraram Adventure e 02 há vinte anos ou mais. 

 

Vamos chorar em português.

 

Eu ainda nem acredito que isto vai mesmo acontecer. Nem sequer me lembro da última vez que houve um evento de Digimon com alcance próximo de mainstream cá em Portugal. Se me contassem esta há meia dúzia de anos…

 

Estou um bocadinho arrependida de não ter esperado para ver Kizuna pela primeira vez agora. Mas também não sei se conseguiria evitar spoilers durante dois anos e meio. 

 

Infelizmente a estreia do filme tem sofrido vários adiamentos. De início ia estrear-se a 9 de junho. Para mim não era ideal: ainda estava a meio desta análise. 11 de agosto era uma boa data para mim – dava-me tempo para concluir esta análise e era perto do Odaiba Memorial Day, o que seria adequado. 

 

Mas agora há dias anunciaram novo adiamento, para 8 de setembro… e essa sim, deixou-me chateada. Agora que as pessoas começavam a reparar nos cartazes e eu começava a sentir-me entusiasmada… Ainda por cima, estou de férias fora de Lisboa nessa altura, não me dará jeito ir ao cinema. Talvez consiga ir no fim de semana seguinte mas, mesmo assim… é chato. Não havia necessidade.

 

 

Ao menos terei mais de um mês para limpar o palato, depois de tanto tempo imersa no universo de Fronteira. E pode ser que setembro dê mais jeito a algumas pessoas. Mas chega de adiamentos, por favor!

 

Esta será a primeira vez que verei Kizuna desde a minha análise, no início de 2021. Vou ser sincera, estou com um bocadinho de medo de reabrir a ferida. Desta vez não estarei sozinha, ao contrário da primeira vez que vi o filme. Se isso é uma coisa boa ou má é questionável: por um lado, chorar perante estranhos não costuma ser divertido. Por outro lado, se houverem lágrimas da minha parte, essas não serão as únicas. Sobretudo tendo em conta testemunhos como estes

 

Em todo o caso, vou levar lencinhos, tanto para mim como para oferecer a quem precise. E talvez uma bebida. E o meu bonequinho da Biyomon para abraçar. 

 

Um consolo para quem vá ver Kizuna pela primeira vez é saber que teremos em breve uma sequela. Já tinham dado pistas no ano passado. O filme chamar-se-á Digimon Adventure 02: The Beginning (O Início), decorrerá dois anos depois dos eventos de Kizuna, terá Daisuke e V-mon como protagonistas e focar-se-á na primeira pessoa a ter um companheiro Digimon.

 

É altamente provável que seja este filme a “corrigir” o final de Kizuna e a fazer a ponte com o epílogo de 02. A premissa parece encaixar-se. Aposto que a primeira pergunta que farão a esse misterioso primeiro Escolhido será “O que aconteceu ao teu companheiro Digimon?”. A história seguirá a partir daí. 

 

Por um lado, fico entusiasmada. Mais um filme no universo de Adventure, com personagens que adoro, mais uma análise aqui no blogue. E possivelmente mais um filme para dobrarem em português de Portugal.

 

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Por outro lado, estou com medo. Levei imenso tempo a recuperar de Kizuna. Acho que ainda não o fiz por completo. Não preciso de outro filme mexendo com as minhas emoções dessa maneira – sobretudo se este também não tiver um final feliz.

 

Uma parte de mim, aliás, está ressentida com tudo isto. Com a Toei insistindo em ordenhar desta vaca, insistindo em brincar com o final feliz de 02 e Tri, enviando mensagens contraditórias. Kizuna dizendo-nos para deixarmos Adventure e as nossas infâncias para trás, mas a Toei não fazendo o mesmo. 

 

Mas pronto, este é o meu lado mais amargo a escrever. Diz que deveremos descobrir mais sobre The Beginning este fim de semana, durante as celebrações do DigiFest. No entanto, a ideia que tem passado é que o filme demorará algum tempo a estrear. 

 

Não me importo. Não tenho pressa. Pensar que por esta altura, há três anos, estávamos a celebrar a presença do elenco de 02 em Kizuna. Eles foram uma bênção nesse filme, como escrevi na altura, mas agora merecem estar no papel principal. 

 

E chegámos ao fim. Isto foi divertido. Mesmo não tendo gostado tanto de Fronteira como de outros trabalhos, é sempre um prazer escrever sobre Digimon. Mas agora estou contente por poder partir para outra, depois destes meses todos.

 

Obrigada por todas as visitas e comentários. Os meus parabéns a Fronteira e aos seus fãs pelo vigésimo aniversário. 

 

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Digimon Frontier #8 – Alienação parental e outras coisas adequadas ao público-alvo

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Conforme temos vindo a assinalar ao longo desta análise, a maior parte dos miúdos de Fronteira não têm passados particularmente dramáticos, em contraste com temporadas anteriores. Kouji é uma exceção, como vimos antes, com uma história mais complicada. Mas mesmo assim, apesar das semelhanças com a história de Juri, resolve-se com relativa facilidade quando Kouji decide aceitar a madrasta.

 

E depois, decorridos três quartos da temporada, surge Kouichi, o irmão gémeo idêntico perdido de Kouji e o herói de Digimon com um dos passados mais sombrios até ao momento. 

 

Não fui a única a achar isto bizarro, pois não?

 

Isto é basicamente uma versão (ainda mais) retorcida do enredo de Pai Para Mim… Mãe para ti/The Parent Trap. Os pais de Kouji e Kouichi separaram-se quando os filhos eram muito pequenos. Cada progenitor ficou com um dos irmãos e estes cresceram ignorando a existência um do outro.

 

Mesmo sem contarmos as particulares deste caso específico, penso que todos concordamos que separar gémeos à força é uma crueldade. Eu até gosto do Pai Para Mim… Mãe Para Ti – a cena em que Hallie reencontra a mãe ainda hoje me traz lágrimas aos olhos – mas, se pensarmos nas premissas do filme durante mais do que uns minutos, tudo se torna menos fofinho. Que tipo de pessoas separam irmãs gémeas e nem sequer as informam da existência uma da outra? Que tipo de pessoas permitem que uma das filhas seja criada a um oceano de distância, sem qualquer contacto?

 

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É daquelas coisas que até são românticas em ficção – um gémeo que não sabíamos que tínhamos, um pai ou mãe desaparecidos que reentram nas nossas vidas – mas que na vida real têm repercussões graves. Como o ato de separar gémeos deliberadamente. Há estudos que comprovam que gémeos começam a interagir logo dentro do útero, logo a partir das catorze semanas de gestação – sobretudo se estivermos a falar de gémeos idênticos, já que partilham o saco amniótico. 

 

Tendo isto em conta, calcula-se que a separação de gémeos à nascença ou de tenra idade seja traumática para as crianças. Pela lógica deverá ser assim… mas nas minhas pesquisas sobre o assunto não encontrei nenhum artigo sobre o impacto psicológico da separação nos próprios gémeos. Tirando este e mesmo assim. A maior parte dos artigos que encontrei foca-se no facto de estes gémeos separados apresentarem muitas semelhanças entre si, apesar de não terem crescido um com o outro – uma demonstração do peso da genética.

 

Encontrei mais informações sobre o impacto da morte de um gémeo à nascença no gémeo que sobrevive. Infelizmente tivemos um exemplo conhecido disso há pouco tempo. Estudos demonstraram que os irmãos sobreviventes apresentam um risco maior de desenvolverem problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade – mesmo quando não sabem que perderam um irmão gémeo. 

 

Pode-se deduzir a partir destes dados que os efeitos de uma separação à nascença ou na primeira infância serão semelhantes. Pode-se argumentar que, pelo menos em parte, é daí que virá a personalidade mais emo de Kouji, as suas tendências anti-sociais e sobretudo a sensação de que algo não bate certo na sua família. E, claro, a afinidade de Kouichi para a escuridão, como veremos já a seguir. 

 

Isto tudo já de si é cruel. Ainda se torna mais cruel quando consideramos o resto: o pai dos gémeos não só aceitou abdicar de um dos filhos (isto se não tiver sido dele que partiu a iniciativa) como ainda mentiu a Kouji durante toda a sua vida. Não só ao não esconder-lhe a existência de um irmão mas também ao dizer-lhe que a mãe biológica tinha morrido. A sua insistência em que Kouji trate a sua segunda mulher por mãe ganha contornos (ainda mais) mesquinhos: é como se ele quisesse apagar a ex-mulher (e indiretamente Kouichi) da existência.

 

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Que tipo de monstro faz isso?

 

Eu uso o termo “alienação parental”, mas nem sequer sei se esta é a designação correta. Também não sei até que ponto a situação seria realista. Acho que, mesmo dentro do universo, mesmo sem a intervenção de Kouichi e/ou Ophanimon, Kouji descobria a verdade mais cedo ou mais tarde.

 

Depois temos a questão da pensão de alimentos. Em flashbacks vemos que a mãe dos gémeos tem dificuldades económicas, mantém-se num emprego fisicamente exigente para sustentar Kouichi. Isto dá a entender que o pai dos gémeos não lhe dá apoio monetário nenhum – ou, se dá, este é claramente insuficiente. Outra pedra para lhe atirarmos. 

 

Havemos de regressar ao tema da família dos gémeos mais à frente. Eu no título refiro o público-alvo de Fronteira mas a verdade é que duvido que uma criança visse a situação da maneira que eu vejo. Provavelmente pensa apenas algo tipo “Que fixe, o Kouji tem um irmão gémeo perdido!”. Um adulto é que não conseguirá evitar pensar nas implicações todas. 

 

Um pouco antes dos eventos de Fronteira, Kouichi descobre a verdade da boca da sua avó, literalmente no seu leito de morte. A partir desta altura, o jovem começa a fazer stalking a Kouji e ao seu núcleo familiar, tentando juntar coragem para se apresentar ao irmão. Nós na audiência sabemos que, mesmo antes de saber a verdade sobre o irmão e a mãe biológica, a vida familiar de Kouji não era perfeita. No entanto, visto de fora por Kouichi, ele, o pai, a madrasta e o pastor-alemão (que eu aprovo) parecem uma família feliz. Kouichi sente afeição a Kouji, mas ao mesmo tempo sente raiva, a ele e ao pai, por terem uma vida desafogada enquanto ele e a mãe passam por dificuldades.

 

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O dia em que os eventos de Fronteira começam é outra ocasião em que Kouichi faz stalking a Kouji. Da primeira vez que vemos Kouichi no comboio, no episódio 21 (aquele em que Takuya regressa ao Mundo dos Humanos e ao passado), eu imaginei um cenário diferente. Kouji saberia perfeitamente que tinha um irmão mas estava a fugir dele e mentira quando lhe perguntaram se tinha irmãos.

 

Também poderia ter sido interessante.

 

Depois de não ter conseguido entrar no elevador onde Kouji e Takuya tinham entrado, Kouichi vai pelas escadas mas dá uma queda feia. Quando volta a si encontra-se no Mundo Digital, numa estranha dimensão de trevas – chega a perguntar-se se morreu e aquilo é o Além (...mais sobre isso adiante). É aqui que Cherubimon o encontra. Este aproveita-se das emoções mais negativas de Kouichi em relação à sua família para assumir o controlo sobre a sua mente e impôr-lhe o Espírito da Escuridão – ao ponto de o jovem se esquecer de quem é, só começando a lembrar-se mais tarde, quando se cruzou com Kouji. 

 

Pergunto-me se Cherubimon se identificou com os sentimentos de solidão, abandono e rejeição de Kouichi, daí tê-lo escolhido para marioneta. Teria sido interessante se Fronteira tivesse ido por aí. 

 

Este é um caso excecional nos Espíritos Digitais dos Guerreiros Lendários. Em vez de se limitar a representar um elemento (ou possivelmente uma zona do Mundo Digital), este tem características parecidas com os Cartões e/ou virtudes  (virtudes é como quem diz…) do universo de Adventure – no sentido em que exploram uma faceta da personalidade de Kouichi. 

 

Neste caso em particular, Fronteira brinca com o tropo do gémeo bom e o gémeo mau – e devia tê-lo explorado melhor. É engraçado porque, à primeira vista, se me dissessem que um dos gémeos teria o Espírito da Luz e o outro o Espírito da Escuridão, eu atribuiria a Luz a Kouichi, que tem um temperamento mais gentil que o irmão. É um caso curioso de yin e yang, de gémeos semelhantes nalgumas coisas e diferentes noutras. 

 

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Eu gostava de explorar esta ideia mais a fundo, mas a caracterização de Kouichi é escassa, deixa-me com pouco com que trabalhar. 

 

Não é a primeira vez que Digimon explora a ideia de luz e escuridão como dois lados da mesma moeda. E também a ideia de usar a escuridão para fazer o bem – veja-se o Ken de 02, que usou a sua afinidade com o Mar Negro para ajudar os heróis a derrotarem o Demon. Kouichi passa por um desenvolvimento semelhante ao reconhecer o seu lado sombrio e ao usá-lo para desbloquear as digievoluções corretas do Espírito da Escuridão e fazer frente a Cherubimon.

 

Infelizmente, depois de ser libertado da influência de Cherubimon, Kouichi tem pouco que fazer. Isso em parte é um efeito secundário do Takuya-e-Kouji-mais-quatro, mas também Kouichi interage pouco com os outros tirando o irmão, não altera as dinâmicas do grupo.

 

O “problema” é que Kouichi é facilmente perdoado. O que faz sentido, atenção! Ao contrário de Ken e Oikawa em 02, o jovem não tinha controlo quase nenhum sobre as suas ações quando estava sob influência do Cherubimon, nem sequer se lembrava de quem era. Não precisou de ser perdoado individualmente por cada um dos outros Escolhidos, ao contrário de Ken. O que é uma pena no sentido em que se perdeu uma oportunidade para desenvolver os outros – e para desenvolver Kouichi. 

 

Na verdade, Kouichi ainda é um dos não-Takuya-ou-Kouji que mais tem para fazer, por pouco que seja, durante o arco dos Cavaleiros Reais. Conforme já referi antes, o jovem traz ao de cima a faceta mais calorosa de Kouji. Mas, mais importante, Kouichi começa a reparar que, nas inúmeras vezes que os Cavaleiros Reais derrotam os heróis, surgem anéis de DigiCódigo à volta de cada um dos miúdos… exceto Kouichi.

 

Eventualmente, Kouichi suspeita que poderá estar morto no Mundo dos Humanos, tendo vindo ao Mundo Digital apenas em espírito. O jovem procura guardar segredo, sobretudo de Kouji – que ainda por cima começa a falar sobre passarem tempo um com o outro depois de salvarem o Mundo Digital.

 

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É uma situação dolorosa, talvez um pouco sombria demais para o que Fronteira estabelecera até ao momento. Dito isto, é uma das melhores partes do arco dos Cavaleiros Reais. Fronteira fez um bom trabalho com esta linha narrativa.

 

Kouichi a certa altura desabafa com Bokomon e Neemon. O primeiro, alguns episódios mais tarde, dá com a língua nos dentes ao resto do grupo, quando os gémeos estão a ter uma conversa a sós. Kouji suspeita que algo está errado, mas fica completamente às escuras até ao último momento. Só descobre a verdade na pior altura possível: em pleno combate com Lucemon, depois de o Louwemon levar com um ataque, quando tentava escudar os amigos. 

 

Imenso respeito a Kouichi por esta, por ter conseguido usar a situação a seu favor – de novo as semelhanças com Ken. Ao sacrificar-se e ao entregar os seus espíritos ao irmão, permitiu aos amigos desbloquearem Susanoomon. 

 

Kouichi só volta a ser mencionado dois episódios mais tarde, na segunda metade do último episódio. O que é um pouco estranho, mesmo frio. Parece que os miúdos ultrapassaram a perda muito depressa. 

 

Só depois de Lucemon ter sido finalmente derrotado, de os miúdos se terem despedido do Mundo Digital, de Bokomon e dos outros, quando já estão a meio caminho do Mundo dos Humanos, é que o espírito do Louwemon revela que Kouichi ainda está vivo. 

 

Assim, mal chegam ao Mundo dos Humanos, os miúdos correm para o local onde Kouichi tinha caído pelas escadas abaixo. O jovem já lá não estava, já tinha sido levado para o hospital. Aqui os médicos tentavam reanimar Kouichi, sem grande sucesso. Os miúdos irrompem pela sala de tratamento (ou bloco operatório?), Kouji à frente. A lágrima deste, bem como a luz dos dispositivos digitais regredindo à forma de telemóveis, chegam para trazer Kouichi de volta à vida e aos braços do irmão.

 

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É um momento lindíssimo, um dos melhores de Fronteira, acho que ninguém discorda. Dito isto, o Dr. Mike podia encher um vídeo inteiro só com as imprecisões médicas nos dois ou três minutos que a cena dura. 

 

Para começar, como é que Kouichi teve uma paragem cardíaca após uma queda? A minha irmã médica confirmou-me que isso é impossível. Só se ele tivesse partido uma costela e esta lhe tivesse lacerado o coração. Além de que Fronteira comete o erro comum em ficção de usar o desfibrilhador num caso de paragem cardíaca. Só se usa o desfibrilhador quando o coração está em fibrilhação o que também não aconteceria após uma queda. 

 

Além disso, como é que cinco crianças conseguem entrar numa sala de tratamento sem que ninguém as impeça? Como é que conseguem permanecer junto à cama de Kouichi tempo suficiente para o milagre acontecer sem que ninguém intervenha?

 

Eu podia continuar mas pronto, estamos a falar de uma história para crianças. E, como disse acima, foi um momento bonito. 

 

Pergunto-me se Kouji se cruzou com a mãe biológica no hospital, durante o internamento de Kouichi (mesmo depois do milagre, ele deve ter ficado internado durante algum tempo para observação). Pena não termos visto esse reencontro.

 

O que nos leva ao epílogo de Fronteira. Não ao estilo de 02, ao estilo de Tamers, mostrando o futuro próximo do elenco. Pegando de novo da história da família dos gémeos, descobrimos que, no pós-Fronteira, Kouji reencontrou a mãe biológica e estabeleceu uma relação com ela (bem como com o irmão), mas considera a madrasta a sua verdadeira mãe. Por seu lado, a mãe dos gémeos está mais feliz agora – pelo menos é o que Kouichi acha.

 

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Pois bem, eu tenho algumas dúvidas. Ou, na melhor das hipóteses, não nos estão a contar a história toda. Se antes dos eventos de Fronteira Kouji hesitava em aceitar a madrasta, a sua aventura no Mundo Digital deveria ter exacerbado essas dúvidas. Não que o contrário não seja credível – talvez Kouji ache que a madrasta não é cúmplice nas mentiras do pai. E talvez a afeição que nutre por ela tenha nascido de forma natural, independente das pressões do pai. Mesmo assim, acham mesmo que Kouji aceitou bem o facto de toda a sua vida ter sido uma mentira até aos eventos de Fronteira?

 

É possível que o pai tenha caído em si, tenha pedido desculpa à ex-mulher e aos filhos pelo mal que fez e começado a pagar a pensão de alimentos, melhorando significativamente a qualidade de vida da mãe dos gémeos. Mas isto são especulações minhas, eu tentando ter boa vontade para com os digiguionistas em vez de assumir que é apenas mais escrita. O texto dá pouco em que me basear. A ideia com que fico é que os digiguionistas criaram esta situação familiar mas não pensaram nas implicações. Como tal, esta foi uma conclusão insatisfatória para esta linha narrativa. 

 

No geral, Kouichi até é das personagens mais complexas e interessantes em Fronteira. E ainda assim acho pouco. Queria mais caracterização dele para além do facto de ter sido a marioneta de Cherubimon, a relação com Kouji e a sua experiência de quase-morte. Mas lá está, ninguém neste elenco teve grande desenvolvimento, porque seria Kouichi uma exceção?

 

Uma palavra breve para o epílogo. Não adoro pois é um exemplo de explicar em vez de mostrar (uma adaptação da expressão anglo-saxónica “show, don’t tell”), dizendo-nos diretamente que os miúdos mudaram, evoluíram, em vez de o vermos diretamente. No caso de Tomoki, dos gémeos e de Takuya até certo ponto, aceita-se até certo ponto pois já tínhamos visto sinais do desenvolvimento deles. No entanto, nos casos de Izumi e Junpei não resulta – nunca chegámos a ver exemplos daquilo que referem.

 

Por outro lado, este é o final mais feliz a ocorrer em Digimon até ao momento. Ninguém morreu (embora Kouichi tenha ficado perto), para começar. Além disso, é mais fácil a este elenco deixar o Mundo Digital pois não têm de deixar companheiros Digimon para trás. Só mesmo Bokomon, Neemon e as formas Infantis dos três Anjos, mas quem terá saudades deles, sobretudo Bokomon? Os miúdos de Fronteira nem sequer mantém os dispositivos digitais, mas não estou a vê-los com grande vontade de regressar ao Mundo Digital. Não tanto como os miúdos do universo de Adventure ou de Tamers, pelo menos. 

 

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No geral, as falhas que apontei aqui não chegam para estragar este final emocionante. O caminho até aqui deixou muito a desejar, mas no fim os digiguionistas acertaram no essencial. Dou-lhes crédito por isso. E os miúdos de Fronteira mereceram esta vitória. 

 

Nós, no entanto, ainda não terminámos. Ainda falta uma publicação para falarmos de música, dobragens, entre outras coisas. Continuem por aí.

Digimon Frontier #6 – Takuya e Kouji mais quatro

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Quero resistir à tentação de dizer que Takuya e Kouji são meras cópias de Taichi e Yamato de Adventure. É uma leitura demasiado comum, demasiado simplista, que se torna preguiçosa. 

 

Não que esteja errada. Sim, existem semelhanças entre os dois pares de personagens e é óbvio que estas foram intencionais. Veja-se a maneira como as linhas digievolutivas incluem referências às linhas do Agumon e do Gabumon. 

 

No entanto, existem pontos de divergência claros entre as personagens mais velhas e as personagens mais novas. Para começar, Takuya e Kouji são menos desenvolvidos que Taichi e Yamato em Adventure. Além disso, as suas situações familiares podem ser parecidas à primeira vista (o líder é um irmão mais velho com uma típica família nuclear, o “lancer” vive com o pai divorciado e tem um irmão que vive com a mãe), mas olhando mais de perto não são assim tão semelhantes. E é sobretudo daí que, na minha opinião, nascem as diferenças.

 

Começando por Takuya, que tem um irmão mais novo, Shinya. Aliás, os eventos de Fronteira começam – podemos dizer mesmo que decorrem – no dia de anos de Shinya. Longe do estranho vínculo que Taichi e Hikari cultivavam em Adventure, Takuya tem uma relação mais normal com Shinya: não se dão particularmente bem, mas aparentemente não há nada de tóxico entre eles. Como irmão mais velho, Takuya ressente-se por os pais serem mais indulgentes para com o irmão mais novo (sei o que isso é…), mas não deixa de reconhecer que ele também não é perfeito como irmão.

 

No entanto, quando vem para o Mundo Digital, um dos companheiros de Takuya é Tomoki, um miúdo da idade de Shinya. Quando Tomoki tem um descontrolo emocional quase suicida ao chegar à Aldeia do Fogo, o primeiro instinto de Takuya é protegê-lo – o que o leva ao seu Espírito Humano.

 

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Aliás, uma das coisas de que mais gosto em Fronteira é o vínculo entre Takuya e Tomoki. A maneira como estes se adotaram um ao outro como irmãos. Na versão original, Tomoki trata o amigo mais velho por Takuya-oniichan. Não sei se é habitual em japonês, mas imagino que seja precisamente para ilustrar a maneira como Tomoki vê Takuya. Ao mesmo tempo, é possível que Takuya esteja a tentar compensar com o amigo mais novo pelas suas falhas com o seu irmão biológico.

 

Tendo tudo isto em conta, eu diria que, no início da história, Takuya tem mais em comum com Yamato do que com Taichi. Um episódio em que isso se vê bem é o sétimo, imediatamente depois da primeira derrota perante o Grottemon. Takuya, Kouji e Tomoki são separados do resto do grupo e falam sobre o que aconteceu no episódio anterior. 

 

Eu acho piada a este episódio pois faz de Takuya e Kouji pais adotivos de Tomoki, em conflito sobre a melhor maneira de educar o filho. Kouji é o pai mais severo. Como veremos adiante, nesta parte da história, ele é o mais motivado do elenco para cumprir a missão. Está preocupado com a derrota recente e não tem paciência para os choradinhos de Tomoki, acha que o miúdo não tem estaleca para ser uma Criança Escolhida e que Takuya o mima demasiado. Por sua vez, Takuya considera que Kouji é demasiado duro para com Tomoki, que é um par de anos mais novo que eles e nem sequer veio para o Mundo Digital de livre vontade.

 

É um daqueles casos em que nenhum dos lados está cem por cento ou errado. Sim, Tomoki precisa de se adaptar às dificuldades da sua missão no Mundo Digital. No entanto, já tínhamos visto em Adventure o que acontece quando insistimos em seguir em frente às cegas, sem pararmos para cuidarmos de nós mesmos e lidarmos com o que está a acontecer.

 

Os papéis de Takuya e Kouji invertem-se mais tarde, quando Duskmon se junta à festa. E a quem os miúdos não conseguem fazer um arranhão que seja, ficando obrigados a bater em retirada. Kouji em particular percebe que este adversário não é como os anteriores, não está ao alcance deles. Por muito determinado que esteja em levar a missão para a frente, Kouji não é estúpido, não tenciona arriscar a vida ao desbarato. 

 

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Por seu lado, Takuya formula um plano para enfrentarem o Duskmon. Basicamente, ele digievoluirá para Agnimon, agarrará o Duskmon pelas costas e os outros atacá-lo-ão em conjunto.

 

Como se o Duskmon aceitasse placidamente ser agarrado pelo Agnimon.

 

Kouji discorda e di-lo abertamente, mas também não tem nenhuma ideia melhor que ir fugindo ao Duskmon. Na minha opinião, este é outro caso em que ninguém está cem por cento errado. Kouji faz bem em alertar os amigos para o poder do adversário. No entanto, até quando conseguiriam escapar a Duskmon? Um segundo confronto era inevitável, mesmo que a iniciativa não partisse dos miúdos. Mais valia terem um plano para quando isso acontecesse. 

 

Kouji chega a ter uma conversa em privado com Takuya. Acusa-o de não levar nada daquilo a sério, de não ter consciência da mortalidade, tanto dele como dos amigos. Conclui dizendo a Takuya para executar o plano por sua conta e risco, se morrer pela sua própria estupidez, o problema é dele. Mas que deixe Kouji e os outros de fora das consequências.

 

O Duskmon ataca-os pouco depois. Os miúdos executam o plano de Takuya que, como o previsto, dá para o torto. Agnimon fica à mercê do Duskmon, que se prepara para um ataque possivelmente fatal. Apesar do que dissera antes, Kouji (sob a forma de Garummon) não aguenta e atira-se para a frente do ataque.

 

Como disse antes, este é o meu momento preferido em Fronteira. Um plot twist bem feito que desenvolve o carácter de três personagens principais. Takuya, que vê Kouji quase morrendo por causa dos seus erros; Kouji, que revela assim não ser tão desprendido como dá a entender; Duskmon, que tem uma reação estranha ao descobrir a identidade do Digimon que atacou e enche o campo de batalha com uma estranha névoa. Takuya decide embarcar num Dark Trailmon de regresso ao Mundo dos Humanos. 

 

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(fonte)

 

As semelhanças deste evento ao que aconteceu a Taichi em Adventure, no final do arco do Etemon, são evidentes. Para além do óbvio, ocorrem numa parte da história em que tanto Taichi como Takuya são confrontados com a sua própria imprudência. Ao mesmo tempo, ambos os eventos são a antítese um do outro. Taichi regressa ao Mundo dos Humanos num ato de coragem. Takuya regressa num ato de cobardia.

 

Mais: Takuya nem sequer regressa como ele mesmo. Regressa como Flamon, a forma Infantil do Agnimon. Algo que impede Takuya de retomar a sua vida normal, algo que o recordará daquilo que fez sempre que se olhar ao espelho. A marca da vergonha. É brilhante, na verdade. 

 

Não podendo ficar ele mesmo no Mundo dos Humanos, Takuya decide tentar impedir o seu eu do passado de regressar ao Mundo Digital – por motivos que não são explicados, Takuya viaja ligeiramente para trás no tempo. O jovem passa, também, todo o episódio sendo assombrado pelo espectro do Duskmon. Como era de esperar, no último momento, Takuya muda de ideias e decide regressar para proteger os amigos. 

 

É facilmente um dos melhores episódios da temporada. É uma pena que a repercussão no resto da história seja mínima. Takuya reencontra os amigos com relativa facilidade no episódio seguinte e ninguém torna a comentar o facto de Kouji lhe ter salvo a vida, depois de ter prometido que não o faria. O impacto emocional teria sido maior se a visita de Takuya ao Mundo dos Humanos (fruto da sua própria cobardia, recordo) tivesse feito com que o grupo se dividisse, como aconteceu em Adventure (hum…). 

 

Aliás, depois deste evento, o desenvolvimento de Takuya é quase inexistente. As únicas exceções serão quando ajuda Kouji a salvar Kouichi (mais sobre isso mais tarde) e o último episódio, quando ele finalmente vai abaixo depois de tantas derrotas – e mesmo assim não dura muito. Infelizmente não é caso único em Fronteira – e nem sequer é dos piores casos.

 

Falemos sobre Kouji, que sempre é um bocadinho mais interessante como personagem. Como referimos antes, o jovem é o mais motivado do grupo para salvar o Mundo Digital. Isto porque a missão é pessoal para ele: o apelo de Ophanimon inclui a possibilidade de o Mundo Digital lhe dar respostas sobre si e a sua família.

 

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Kouji vem de uma situação familiar muito particular. Descobrimos durante o arco do Sephirotmon que ele é órfão de mãe (isto é… mais ou menos). O pai voltou a casar e praticamente obriga o filho a tratar a madrasta por “mãe”. Kouji estava a preparar-se para dar esse passo quando recebeu a mensagem de Ophanimon. 

 

Se formos a ver, isto é basicamente a mesma história de Juri. No entanto, a maneira como as personagens lidam com isso é diametralmente oposta – Kouji parece-se mais com Ruki nesse aspeto. Além de que Juri está mais longe de aceitar a madrasta. 

 

Aliás, acho interessante que, apesar de estar a meio do ato de comprar flores para a madrasta, Kouji larga tudo para ir para o Mundo Digital. Prova que, apesar de tudo, o jovem ainda tinha dúvidas – e a mensagem de Ophanimon reforçou-as. Isso serve-lhe de motivação durante os primeiros episódios de Fronteira, mas por alturas do arco do Sephirotmon, Kouji está mais determinado do que nunca a regressar a casa e a adotar a madrasta como mãe. Isso não muda, nem mesmo com os eventos dos episódios seguintes – mais sobre isso noutra ocasião.

 

No fundo, Kouji é parecido com Yamato, sim, mas com um Yamato sem Takeru. O Yamato do Reboot, aliás, é mais parecido com Kouji do que o Yamato original. Nenhum deles tem um irmãozinho com eles no Mundo Digital e estão mais motivados que os outros para cumprir a missão. No caso do Yamato do Reboot, este tem Takeru sozinho no Mundo dos Humanos e quer protegê-lo à distância do efeito dos distúrbios no Mundo Digital. 

 

Para além deste aspeto, tanto Kouji como o Yamato do Reboot são introvertidos (também se aplica ao Yamato original), preferem agir sozinhos no início da respetiva história, não têm grande consideração pelo resto do elenco de heróis mas acabam por se juntar ao grupo quase sem darem por isso. No caso de Kouji, mesmo quando entra na equipa, são várias as vezes em que se afasta e procura resolver os seus problemas a solo. 

 

No entanto, é de notar que, no momento mais difícil de Kouji – quando descobre a verdade sobre a sua família e sobre Kouichi – ele apoia-se nos amigos. Sobretudo Takuya. Ele explica-lhe, da melhor maneira que consegue, o que é ser irmão e, mais importante, dá-lhe o equivalente psicológico a um murro à 02 – para que Kouji se recomponha e salve o irmão da influência de Cherubimon. 

 

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Depois disto, Kouji torna-se um pouco mais caloroso, ainda que seja quase só com Kouichi e, vá lá, um pouco com Takuya – mais em situações de combate. 

 

Uma vez mais, não existe um desenvolvimento por aí além de Kouji. A partir de certa altura a história é “Takuya e Kouji mais quatro” em termos de combates, Fronteira é infame por isso, mas nem sequer temos um desenvolvimento decente dos dois. Mas esse é um problema global, como vimos no texto anterior. 

 

E ficamos por aqui hoje. Continuaremos a analisar as personagens individualmente no próximo texto. Eu já me demorei mais do que queria com este e o próximo poderá demorar outra vez – a Seleção irá regressar ao ativo e terei de dar prioridade ao meu outro blogue. Em todo o caso, obrigada pela vossa visita. Até à próxima!

Saltando a Fronteira, vinte anos depois #1

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Hoje completam-se vinte anos desde a estreia do primeiro episódio de Digimon Frontier – ou Digimon Fronteira, como é conhecido em terras portuguesas – no Japão. Vou aproveitar a ocasião para, finalmente, analisar esta temporada. 

 

Quem conheça o nosso grupo do Digimon PT/Odaiba Memorial Day PT saberá que o facto de ninguém gostar de Fronteira já é um meme entre nós. Não que não compreendesse, pelo menos em parte. Praticamente a única coisa que sabia sobre Fronteira antes era que o elenco não incluía companheiros Digimon. Havemos de falar sobre isso, claro, mas esta é uma queixa legítima. Até agora (assumo eu, que ainda não vi Savers, nem Xros Wars, nem Appmon), as parcerias entre humanos e Digimon eram a imagem de marca do anime. Sobretudo em Tamers, a temporada imediatamente anterior. Cortar com isso foi uma decisão arrojada que nunca iria agradar a toda a gente.

 

Ainda assim, quando me sentei para ver Fronteira pela primeira vez há quase dois anos, fi-lo com a mente aberta. Tentei dar uma hipótese a esta temporada para provar que merece sentar-se sem vergonha entre Adventure, 02 e Tamers. 

 

No entanto… bem, é melhor mostrá-lo em vez de explicá-lo.

 

A minha primeira maratona de Fronteira – a versão original – às cegas, foi relativamente rápida. Cerca de um mês e meio, encaixada confortavelmente na pausa do reboot de Adventure. A minha segunda maratona – dobrada em português, já tomando notas para a análise – só começou mais de um ano mais tarde, sobretudo porque precisei de tempo para digerir Kizuna. Comecei durante o verão de 2021, mas só terminei em fevereiro deste ano, mais de seis meses depois. Cheguei a estar dois meses sem progredir nessa maratona.

 

Por comparação, quando foi com Tamers, a minha segunda maratona demorou muito menos. Cerca de um mês, mais coisa menos coisa. O que é que isto vos diz?

 

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Pois é, tenho de concordar com a opinião popular, pelo menos na minha tribo. Não gosto muito de Fronteira. Pelo menos não tanto como de Adventure, Tamers, mesmo Tri e 02. No que toca ao reboot de Adventure, ainda não tenho opinião formada.

 

Dito isto, tal não significa que Fronteira seja completamente má. Pelo contrário, tem vários aspetos que a redimem. Nos próximos tempos aqui no blogue iremos, então, discutir o que resultou e o que não resultou nesta temporada. 

 

Esta análise irá estender-se por várias partes, seguindo uma estrutura semelhante ao que fiz com as temporadas anteriores. Não deverá ser tão longa como a de Tamers – Fronteira não tem material para tanto. Irei usar os nomes japoneses e, como deverá ser óbvio, spoilers em todo o lado. A primeira parte da análise virá ainda hoje. No entanto, ainda estou a trabalhar nas partes seguintes. Para ter tempo de terminá-las, vou publicar apenas uma por semana. 

 

Como o costume, obrigada pela vossa visita. Fãs de Fronteira, tenham um feliz vigésimo aniversário. Se gostarem do que escrevo, podem pagar-me um café na minha conta do Ko-fi, se quiserem.Continuem desse lado. 

Música 2021 #5: A definição de divisivo

 

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No início de 2021, o terceiro álbum de Lorde era uma das minhas maiores expectativas para esse ano. Agora que estamos em inícios de 2022, Solar Power é uma das minhas desilusões. Não que estivesse à espera de um álbum da mesma qualidade estratosférica de Pure Heroine e Melodrama, mas estava à espera de algo um pouco melhor. 

 

Eu explico melhor aqui.

 

Não tenho muito a acrescentar à minha análise a Solar Power. No entanto, desde que publiquei esse texto, Lorde lançou dois videoclipes para músicas deste álbum: Fallen Fruit e Leader of a New Regime. 

 

O vídeo de Fallen Fruit está muito bem feito em termos de cinematografia. A maneira perfeita como alterna entre o “antes” e o “depois”, o paraíso e o inferno. E a mensagem não podia ser mais clara.

 

Isto é, tirando o momento final em que Lorde decide deixar aquilo tudo para trás. No entanto, no vídeo seguinte, para Leader Of A New Regime, Lorde aparece de novo num lugar paradisíaco. Em termos de meta, sabemos que é a mesma praia em que os vídeos de Solar Power e Fallen Fruit foram filmados (isto é, acho eu).

 

 

Dentro do universo, não sei se é suposto assumirmos que é um lugar diferente – a tal ilha para onde a narradora de Leader of a New Regime fugiu aquando da queda da civilização. E o que é que impede de acontecer o mesmo que aconteceu em Solar Power? 

 

No seu último e-mail, Lorde referiu que este vídeo representa o meio da história. Talvez a coisa fique mais clara nos vídeos seguintes.

 

Não se sabe ainda quais serão, no entanto. The Path parece ser a candidata mais óbvia. Depois Dominoes? Oceanic Feeling? Quem sabe…

 

Pelo meio, Lorde partirá em digressão este ano. Ela tem dado a entender que não irá demorar tanto tempo com o próximo álbum. Talvez comece a trabalhar nele pouco depois do fim da digressão. 

 

Por um lado aplaudo. Por outro, só cria mais buracos na história do “ai e tal, estou farta de ser famosa”. Um dos vários problemas que tenho com Solar Power.

 

 

Não fui a única pessoa a não ficar satisfeita com este álbum, mas existem muitas pessoas que gostaram. Chegou a ocorrer um caso caricato: um site em que Solar Power surgiu tanto numa lista de “melhor do ano” como numa lista de “pior do ano” – escolhas de pessoas diferentes, claro. 

 

A definição de um álbum divisivo. 

 

Alguns membros da equipa “Solar Power Yay” acusam os membros da equipa “Solar Power Nay” de sermos puristas, de querermos um segundo Melodrama. É possível que hajam casos desses, mas não é o meu. 

 

Vocês sabem que, por norma, não critico mudanças só por serem mudanças. Eu até gosto de pelo menos algumas das ideias de Solar Power. O meu problema é a execução, conforme expliquei na análise. Esperávamos um álbum leve, solarengo, mas Solar Power em demasiados momentos soa demasiado aborrecido e incompleto. Além de que se foca demasiado em problemas de primeiro mundo.

 

No entanto, no fim do dia, são apenas opiniões. Não me choca que haja quem goste. Melhor para eles.

 

E a verdade é que tenho de destacar uma música: o tema-título, lançado no início do verão, mesmo não sendo a melhor do álbum ou mesmo a minha preferida. Estávamos todos à espera de um primeiro single com mais substância, não apenas de uma mera música de verão. Porém, era aquilo de que precisava na altura, depois de meses de confinamento, stress e música triste. “Forget all of the tears that you’ve cried, it’s over”.

 

 

O meu verão mais tarde não seria grande coisa, mas Solar Power foi um bom consolo, ajudou-me a aproveitar aquilo que pude do estio. 

 

Isso compensa tudo o resto.

 

Muito bem, ficamos por aqui. Só fica a faltar um texto. A ver se o publico até ao fim da semana. 

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