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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas – Shine a Light

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Bryan Adams lançou, na passada quinta-feira, dia 17 de janeiro, o single Shine a Light, primeiro avanço do álbum com o mesmo nome, que sai a 1 de março.

 

Shine a Light foi co-composta com Ed Sheeran. Consta que os dois se conheceram há uns meses, em Dublin, e mantiveram o contacto. Porque ninguém do mundo da música é idiota ao ponto de conhecer Ed Sheeran e não manter o contacto. A certa altura, Bryan enviou-lhe aquele que se tornaria o refrão de Shine a Light. Uns dias depois, recebeu o esboço de volta, com estâncias compostas por Ed.

 

Tenho uma certa pena que Ed não tenha também cantado, até porque Bryan disse que “devíamos tê-lo ouvido a cantar”. Por outro lado… não estou a ver ao certo onde está a influência de Sheeran nesta música. Não sei o que é que ele fez pela música que Bryan não podia ter feito. O estilo musical dos dois não é assim tão diferente quanto isso. Não havia necessidade, na minha opinião.

 

Mas, lá está, é o Ed Sheeran. Como disse acima, nos dias que correm, ninguém deixaria a oportunidade escapar.

 

 

"Big city lives, fast lane living but
You never forgot your roots"

 

Cinismo à parte, esta é uma canção que, não sendo extraordinária, cativou-me à primeira audição com o seu tom luminoso – a condizer com o título da música. A guitarra acústica domina (ouve-se muito pouca guitarra elétrica), num ritmo acelerado marcado pela bateria. Lembra-me um bocadinho Oxygen, do álbum 11, se bem que a bateria de Shine a Light não seja tão dominadora.

 

Outra música que Shine a Light me recorda é Breakin’, dos All-American Rejects.

 

Infelizmente, regressa uma das falhas de Get Up: a ausência de solos de guitarra. De que serve ter um guitarrista excelente, como Keith Scott, se não podemos ouvir a guitarra dele na música de Bryan?

 

Enfim. Passemos à frente.

 

O tema de Shine a Light não é inédito na discografia de Bryan. À semelhança de Walk on By, do álbum 11, a letra aborda a história, muito típica na cultura americana e canadiana, da jovem que deixa a terra pequena onde nasceu e parte para a cidade para seguir os seus sonhos. Enquanto a letra de Walk on By é mais cautelosa, Shine a Light conta a mesma história numa luz (pun intended) bem mais otimista. Aqui ninguém duvida que a menina em questão conseguirá desenrascar-se sozinha e tornar os seus sonhos realidade – até porque ela ilumina tudo o que a rodeia.

 

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Em suma, Shine a Light é uma boa introdução ao álbum com o mesmo nome. Não acho que se vá tornar uma das minhas músicas preferidas, mas imagino-a ganhando um estatuto parecido ao de I thought I’d seen Everything, do álbum 11, e de She Knows Me.

 

Esta última, aliás, tem andado a subir na minha consideração ao longo do último ano. De vez em quando passa na Rádio Comercial, enquanto estou a trabalhar. Quando a oiço, lembro-me que saiu num dos períodos mais difíceis da minha vida. Só o percebi muito depois, mas na altura soube-me a um dia de sol, no meio de um verão invulgarmente cinzento e gélido.

 

Espero que seja esse o significado do nome deste álbum. Talvez o objetivo de Shine a Light seja mesmo esse: trazer música que nos aqueça neste inverno, que nos ilumine os dias, numa altura em que as vidas de muitos de nós já foram bem mais fáceis.

 

Já se conhece a tracklist do álbum Shine a Light. Desta feita, não temos apenas nove faixas inéditas, com quatro versões acústicas para nos poderem cobrar o preço de um álbum inteiro – mais de três anos depois de Get Up, ainda acho uma jogada super manhosa.

 

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Nada disso desta vez. Vamos ter direito a treze faixas inéditas. Bem, mais ou menos, uma é um cover de Whiskey in a Jar. A versão digital, em CD e em cassete (?) vai ter The Last Night on Earth como faixa exclusiva, enquanto a versão em vinil terá I Hear You Knockin’.

 

Um destaque da tracklist é o dueto com Jennifer Lopez. Confesso que não estava à espera desta. Não sou grande fã de JLo – tirando uma música ou outra, considero-a uma cantora mediana. No entanto, estou com algumas expectativas em relação a este dueto. Acho que pode sair uma coisa gira daqui.

 

Como disse antes, o álbum Shine a Light sai a 1 de março. Ou seja, no próximo mês e meio, vou receber três álbuns novos de artistas do meu nicho, com um intervalo de duas semanas. Resist, dos Within Temptation, a 1 de fevereiro. Head Above Water, de Avril Lavigne, a 15. Shine a Light a 1 de março. Que luxo!

 

Ainda bem que aderi à promoção do Spotify, que oferecia três meses de Premium pelo preço de um. Fiz a compra perto do Ano Novo e abarca estes três lançamentos. Bem jogado, Sofia-do-passado!

 

Já arranjei, aliás, uma playlist para toda a música nova que foi saindo este ano, para me ser mais fácil ir-me familiarizando com o material novo até arranjar os CDs. E também para ir manipulando o número de reproduções.

 

 

Entretanto, tenho andado a trabalhar num texto de Músicas Ao Calhas sobre duas músicas, uma de Bryan, outra de Avril Lavigne. Talvez o timing não seja o melhor – vai ser muita Avril e muito Bryan em pouco tempo neste blogue. Por outro lado, vou regressar às origens neste texto. Já que os dois se preparam para lançar álbuns novos, acho que é uma boa altura para voltar atrás e recordar o início da nossa relação musical.

 

Preparem-se, então, para muita música aqui no blogue nas próximas semanas, se não forem meses. Estamos apenas a começar. Continuem desse lado!

Músicas Não Tão Ao Calhas – Tell Me It's Over

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Avril Lavigne lançou, no ano passado 12 de dezembro, a música Tell Me It’s Over, que serve de segundo avanço ao seu sexto álbum – que se chamará Head Above Water, tal como o primeiro single, e será lançado a 15 de fevereiro.

 

"Oh, you come and you leave
Shame on me for believing every word out of your mouth"

 

Se a faixa Head Above Water não representou uma grande inovação no que toca à Avril, pelo menos em termos musicais, Tell Me It’s Over é outra história. Esta é uma música soul com elementos de jazz, uma faixa que parece saída do século passado (anos 50 ou assim), com saxofones à mistura com piano e violinos. Faz lembrar o tema Love on the Brain, da Rihanna – uma música bastante boa mas, na minha nada enviesada opinião, Tell Me It’s Over é melhor.

 

Acho que ninguém estava à espera desta – o mais próximo que Avril tinha estado deste estilo foi com o cover de How You Remind Me. Julgo ter referido há uns anos que esperava ouvir mais músicas dela nesse género. Mas daí a ouvir a voz da Avril num coro de soul vai um pedaço.

 

Julgo que a Avril referiu uma ou outra vez, em entrevistas, que gostava de ouvir jazz nas horas vagas. Em declarações mais recentes, a propósito deste lançamento, referiu mesmo que se inspirou em nomes como Aretha Franklin, Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Etta James, em parte por serem ícones feministas (mais sobre isso adiante).

 

 

De qualquer forma, gosto muito do resultado final.

 

Começando pela interpretação. Esta música pode ter sido território novo para a Avril mas, baseando-se no seu desempenho vocal, não se nota nada. Quando saiu uma prévia da faixa, com os seis primeiros segundos, eu contava com vocais graves, estilo Give You What You Like.  Em vez disso, Avril alterna sem dificuldade entre agudos e graves, dá voz aos coros, como se tivesse passado os seus (*faz contas de cabeça*) quase dezassete anos de carreira cantando neste estilo.

 

Tanto Head Above Water como Tell Me It’s Over mostram que a voz da Avril nunca esteve em melhor forma – ótimas indicações para o álbum novo.

 

A letra de Tell Me It’s Over, não sendo nada do outro mundo, é melhor que a de Head Above Water – mais fluida e consistente, sem partes que parecem só lá estar para a rima ou para preencher buracos. No que toca à Avril, está acima da média em termos de qualidade.

 

Esta é mais uma canção entre várias na discografia da Avril sobre relações falhadas. Tell Me It’s Over fala sobre uma relação tóxica, sem futuro, mas em que o homem insiste em permanecer na vida da narradora. Não é capaz de dar-lhe o que ela quer, ou de tratá-la como deve ser, mas consegue manipulá-la demasiadas vezes. Na terceira parte da canção, a narradora está determinada a cortar com ele de vez e para sempre.

 

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É curioso que Avril tenha escrito esta letra nesta altura do campeonato. Ela sempre deu a impressão de ser bastante exigente em termos românticos – músicas como He Wasn’t e The Best Damn Thing deixam-no bem claro. Se olhássemos para essas duas faixas, nunca imaginaríamos a narradora delas (assumindo que é a mesma narradora nas três músicas), presa numa relação tóxica – antes, não aceitava um homem que não lhe abrisse as portas, mas agora não consegue largar um que, no videoclipe, lhe destrói o telemóvel?

 

Só prova que , por vezes, somos os nossos piores conselheiros.

 

Como podem ver, estou bastante satisfeita com Tell Me It’s Over. A única falha que tenho a apontar é à percussão – a batida soa um bocado artificial. Não havia necessidade, podiam ter gravado uma bateria a sério.

 

É apenas um pormenor, não afeta a qualidade da música, na minha opinião. Só reparei nisso porque uma pessoa o referiu no Twitter – se não o tivesse lido, ter-me-ia passado ao lado.

 

Não digo que Tell Me It’s Over esteja já entre as minhas músicas preferidas, mas é um passo na direção certa. O álbum homónimo jogou muito pelo seguro, tirando uma ou outra exeção. Tanto esse como o Goodbye Lullaby pareceram seguir um critério comercial na escolha dos singles – o quarto álbum, por exemplo, era cerca de oitenta por cento, mais coisa menos coisa, baladas e/ou música maioritariamente acústica, mas só uma dessas faixas se tornou single.

 

Não que tenha dado grande resultado.

 

Desta feita, foram lançadas duas baladas como singles – pela primeira vez em toda a carreira da Avril. A única exceção poderá ser Nobody’s Home depois de My Happy Ending, para o Under My Skin, mas não considero My Happy Ending uma balada.

 

Calculo que ela tenha mais controlo sobre a sua carreira e estratégias de marketing, depois de se ter mudado de gravadora. Faz bem. Se é para ser flop, que o seja com liberdade criativa, segundo os termos da Avril!

 

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Como disse antes, o álbum chamar-se-á Head Above Water, tal como o primeiro single. É um bom nome para este álbum, tendo em conta as circunstâncias e tudo o que a Avril revelou, quando lançou o single. Só acho estranho que ela não tenha revelado na altura que o álbum teria o mesmo nome (talvez só o tenha decidido depois).

 

O nome, data de lançamento, capa e tracklist foram revelados oficialmente no passado dia de 7 de dezembro – exatamente oito anos após o mesmo ter acontecido com o Goodbye Lullaby (mais um argumento para a minha previsão de que Head Above Water será uma versão melhorada de Goodbye Lullaby).

 

A capa não é das mais populares entre os fãs. Eu mesma não gostei muito à primeira – não pela nudez, mais por a achar demasiado escura. É, aliás, a segunda capa de seguida em preto. Eu sei que é a cor preferida da Avril, mas acho que ficava um pouco melhor a cores, com o fundo em azul.

 

Além de que aquele braço é um fail de Photoshop. Espero que corrijam antes do lançamento do álbum. Duvido que o façam, no entanto, já que a capa tem sido publicada em vários sítios sem alterações desde essa altura.

 

Agora que já se passaram alguns dias, já gosto um pouco mais da capa. Continuo a achar que a capa do álbum homónimo é pior.

 

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Na verdade, acho a tracklist muito mais interessante – com títulos como Love Me Insane e Bigger Wow. Além de que tem piada haver uma música chamada I Fell In Love With the Devil, num álbum cuja faixa-título é essencialmente uma oração.

 

Dumb Blonde é, segundo Avril, a música mais agitada, mas parecida com os seus típicos singles pop rock. Segundo um texto que vazou por umas horas há um par de meses, Dumb Blonde será uma música contra estereótipos misóginos como, lá está, “a loira burra”.

 

Quase quinze anos após Don’t Tell Me, Avril vai finalmente lançar outra música feminista. Ainda bem!

 

Por sua vez, Warrior é um título que conhecemos há quase dois anos. Pelos vistos, foi escolhida para encerrar o álbum. Baseando-me nisto, acho que Warrior funcionará como um epílogo à história contada em Head Above Water. Avril refletirá sobre tudo por que passou, concluindo que é uma guerreira, que sobreviverá e sairá mais forte desta luta.

 

Ficamos à espera, então. Talvez saia mais um single antes mas, se não sair, não me importo. Pode haver quem não tenha gostado de ter de esperar três meses por Tell Me It’s Over, depois de Head Above Water. Eu, no entanto, acho-o preferível a levar com metade de um álbum antes do lançamento oficial.

 

Só espero que o resto do álbum esteja ao nível dos primeiros dois singles, sobretudo de Tell Me It’s Over.

 

Antes, tenho planeado um texto de Músicas Ao Calhas centrando-se em duas músicas, uma delas da Avril. Mesmo que não hajam mais entradas de Músicas Não Tão Ao Calhas antes do lançamento de Head Above Water, preparem-se para uma dose saudável de Avril Lavigne neste blogue.

 

Entretanto, ando já a trabalhar no habitual texto de fim de ano. Este deverá ser um pouco mais curto que o do ano passado – ainda não sei se vou sequer dividi-lo em duas partes. De qualquer forma, já comecei a escrever o primeiro rascunho. Espero conseguir publicá-lo a tempo.

 

Obrigada pela sua visita, como sempre.

Músicas Não Tão Ao Calhas – Head Above Water

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Avril Lavigne lançou, no passado 19 de setembro, Head Above Water, uma música que serve de primeiro avanço ao seu sexto álbum de estúdio (ainda sem nome e sem data de lançamento).

 

Quem siga este blogue há pouco tempo, se calhar, não saberá que Avril é a minha cantora preferida de todos os tempos. Como ela tem estado afastada dos holofotes durante os últimos quatro anos, tirando uma ou outra ocasião, não tenho tido muitas oportunidades para escrever sobre ela.

 

O seu último álbum de estúdio, homónimo, saiu há quase quatro anos. Depois desse, Avril lançou um single isolado, Fly, deu a voz à Branca de Neve do Príncipe Bué Encantado (embora não se perceba o que está a acontecer a esse filme) e emprestou a voz a canções de outros artistas. Desses, escrevi sobre Get Over Me e Listen, mas não sobre Wings Clipped. Não gostei desta última e, como saiu na véspera do quinto filme de Tri, não quis perder tempo com ela.

 

Foi uma longa espera, mais do que com os álbuns anteriores, mas, falando por mim, não me custou tanto como antes – em parte porque andei entretida com outras coisas, outras músicas. Em parte porque, desta feita, havia um motivo excelente (mais sobre isso adiante). Fui gerindo a página do Avril Portugal, que é a última ligação que tenho ao Fórum com o mesmo nome, mas existiram várias ocasiões em que mal pensava nela.

 

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No entanto, tudo isso mudou nas últimas semanas, assim que saíram os primeiros sinais de que Avril ia lançar música nova – e não era mais uma falsa partida, era mesmo a sério, com fotografias promocionais, com filmagens de videoclipe. Tenho-me sentido como se tivesse dezanove anos outra vez – altura em que quase só ouvia, pensava e respirava Avril Lavigne. As saudades que eu tive destas coisas.

 

Avril é como se fosse a minha casa no mundo da música, a minha mãe musical. Foi uma das primeiras artistas cuja música me apaixonou. Foi ela quem me trouxe ao mundo da música, com quem aprendi a ser fã, que ajudou a formar o meu carácter (musical e não só).

 

Estive muito tempo agarrada às saias dela, quando era mais nova, pouco ouvindo de outros artistas (tirando Bryan Adams, que por esta lógica pode ser considerado o meu pai musical). Com o tempo, fui saindo de debaixo da asa dela, descobrindo outra música – música, em muitos casos, falando de modo cem por cento racional, melhor que a da Avril – mas nunca deixo de voltar para ela. Tal como uma mãe, ela sabe sempre aquilo de que gosto e nunca haverá ninguém que tome o lugar dela.

 

Isto sou eu, claro, mas estou longe de ser a única. Uma coisa de que me apercebi nos últimos anos, de resto, é que a pegada que Avril deixou no mundo da música não desapareceu – mesmo que, na última década, ela tenha deixado de ter o sucesso comercial de outros tempos. As pessoas respeitam-na, sobretudo pelos seus primeiros dois álbuns mas não só. Reconhecem, tal como eu, o seu talento enquanto cantora e compositora, que ela é genuína de uma maneira que poucos são, no mundo da música. Avril, além disso, tem sido citada como influência por toda uma geração de artistas indie rock, como Soccer Mommy e Snail Mail.

 

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Isto é, quando não falam sobre a estúpida teoria da conspiração – que, à luz das últimas declarações dela, é de péssimo gosto.

 

Conforme já referi noutras ocasiões, os últimos anos não foram fáceis para Avril – nem para ela, nem para a maioria do meu “nicho” musical, como tenho vindo a reparar. A Avril contraiu a Doença de Lyme em 2014 – mais ou menos na mesma altura em que o seu primeiro marido, Deryck Whibley dos Sum 41, se ia matando à custa do álcool. Os Paramore estiveram à beira da implosão, depois da saída do baixista Jeremy Davies, o que quase deu cabo da vocalista Hayley Williams. Mesmo os Within Temptation terão passado por uma mini-crise, por desgaste, bloqueio criativo e problemas pessoais. Por fim, e sem dúvida o pior de tudo… o Chester morreu.

 

Não tem sido fácil para ninguém. Mesmo comigo tem sido com altos e baixos.

 

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Avril já tinha falado sobre a sua experiência com o Lyme noutras ocasiões mas, tanto quanto me lembro, não tinha ido tão longe como na carta de apresentação de Head Above Water. Avril escreveu que passou uma boa parte dos últimos anos, sobretudo os dois primeiros, presa à cama; que houve uma altura em que estava nos braços da sua mãe, sentindo o corpo a desligar-se e aceitando que ia morrer.

 

Vão ter de me perdoar a linguagem mas ler isto, do punho da minha mãe musical, pouco mais de um ano depois de perder o Chester, foi fodido.

 

Terá sido nessas circunstâncias que Avril rogou a Deus que não a deixasse morrer, que “mantivesse a sua cabeça à tona da água”. Daí Head Above Water – essa prece feita música e a primeira faixa gravada para este álbum.

 

  

And my voice becomes the driving force”

 

Musicalmente, Head Above Water é uma balada – é a primeira vez que Avril usa uma balada como primeiro single de um álbum novo. É um bocadinho estranho que tenha demorado tanto tempo, quando algumas das suas canções mais populares são neste estilo – como I’m With You e Keep Holding On. Começa com piano, num ritmo um bocadinho mais acelerado que o habitual, ao qual se juntam mais instrumentos – destacando-se uma guitarra elétrica discreta, um violoncelo e aquela percussão típica de baladas.

 

Em termos de vocal, Avril entra com tudo desde o início, a voz clara e forte do princípio ao fim. Na biografia atualizada do seu site oficial, Avril refere que, após ter passado dois anos praticamente sem cantar, não sabia em que estado estaria a sua voz. Quando gravou Head Above Water, no entanto, a sua voz soou “mais forte do que nunca”. Eu tenho de concordar.

 

Destacaria, aliás, o verso que citei acima, tanto pelo seu significado como pela maneira como Avril o canta – eu fiquei de queixo caído da primeira vez que o ouvi. Yep, se há voz capaz de servir de força motriz, é esta.

 

Falemos, então, da letra. Com referi acima, Head Above Water é uma oração, um pedido de socorro a Deus, Avril rogando-Lhe que não a deixe morrer. Não que ela chegue a usar essa palavra, recorrendo antes a eufemismos (“I’m too young to fall asleep”).

 

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Um aspeto que me agrada particularmente é a temática aquática. Conforme referi noutras ocasiões, a água é o meu elemento. Entre outras coisas, sempre adorei nadar, sobretudo no mar, sobretudo debaixo de água e já escrevi aqui no blogue sobre canções que usam metáforas aquáticas. Ao contrário de Underwater e Pool, no entanto, em Head Above Water, a água, o mar, possuem uma conotação negativa – representam a doença dela.

 

Ao mesmo tempo, foi nestes momentos de dificuldade que Avril se aproximou de Deus – como acontece com muitas pessoas em circunstâncias semelhantes. (“I’ll meet you there, at the altar, as I fall down to my knees”, “I need you now, I need you most”)

 

Infelizmente, a letra de Head Above Water acaba por cair nas mesmas armadilhas que uma boa parte da discografia da Avril: a letra é demasiado vaga e acaba por se perder um pouco em clichés. Confesso que fiquei um pouco desiludida, depois de o quinto álbum tem incluído algumas letras boas, como 17 e Give You What You Like, melhorando bastante em relação ao seu antecessor, estava à espera de um bocadinho mais.

 

Não que isso prejudique demasiado a música. A letra é suficientemente sólida para transmitir a mensagem e a emoção – e para comover outros doentes de Lyme (mais sobre isso adiante).

 

  

É isto, essencialmente. Não diria que esteja caída de quatro com Head Above Water, mas é uma boa música, uma música que poderá tocar muitas pessoas, sobretudo alguém que tenha passado por uma situação semelhante – quer seja Lyme ou outra doença grave, quer sejam dificuldades económicas ou assim. Por muito que uma pessoa até possa gostar das Girlfriends e Hello Kittys desta vida e que, por vezes, Avril não queira levar a sua música demasiado a sério, a verdade é que é desta faceta da Avril que gostamos. Da música que vem do coração e que salva vidas, mesmo com letras imperfeitas.

 

E Head Above Water até tem sido bem recebida pelo público. Tem dominado as tabelas de vendas do iTunes, chegando mesmo ao primeiro lugar nos Estados Unidos, algo que não acontecia desde Girlfriend (embora eu tenha algumas dúvidas no que toca à relevância do iTunes numa era dominada pelo streaming). Tem sido ainda melhor recebida por outros doentes de Lyme – como esta senhora. Não sei como isto afetará o sucesso comercial de Avril e do próximo álbum a longo prazo, mas é um bom começo.

 

Ainda não há nenhuma pista em relação ao álbum ou mesmo a outros singles. Há quem diga que o álbum ainda sai este ano, mas eu duvido. A ideia com que fiquei foi que Avril quer ir fazendo isto aos bocadinhos, regressando a pouco e pouco ao mundo da música, não vá a sua saúde ressentir-se. Acredito, aliás, que os adiamentos se devem a recaídas (sinto-me culpada por ter reclamado antes…). Não me admirava se saíssem vários singles antes de o álbum ser lançado por completo.

 

Em todo o caso, se houver outro single nos próximos tempos, podem contar com mais um texto de Músicas Não Tão Ao Calhas. Mal posso esperar.

 

Como o costume, obrigada pela vossa visita. 

Mike Shinoda – Post Traumatic (o EP e não só)

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Como é do conhecimento geral, Chester Bennigton morreu no ano passado. A sua morte deixou a sua banda, os Linkin Park, com um futuro incerto. Tirando o concerto de homenagem em finais de outubro do ano passado, cada um dos membros sobreviventes encontra-se, neste momento, a seguir o seu próprio caminho, à parte da banda. Para Mike Shinoda – segundo vocalista, multi-instrumentista e, para todos os efeitos, cérebro dos Linkin Park –  esse caminho passa por lançar música a solo

 

Em entrevistas recentes, Mike confessou que, mesmo antes de Chester morrer, já tinha a vaga ideia de, um dia, investir num projeto a solo, em música que ele pudesse criar e lançar sem passar pelo crivo de colegas de banda. Um pouco o que o próprio Chester fez com os Dead By Sunrise. A morte do melhor amigo – da pessoa com quem, nas palavras de Mike, passava mais tempo tirando a sua esposa – acabou por acelerar esses planos. Mike afirmou que, embora nem todas as músicas deste trabalho novo sejam sobre o luto por Chester, foi por aí que o projeto começou. Sendo o luto uma jornada tão pessoal, tão íntima, Post-Traumatic é um trabalho igualmente íntimo e pessoal. Para além de compôr e produzir estas músicas ele mesmo, os videoclipes vieram todos do telemóvel de Mike – o único que não veio, foi filmado com fãs.

 

Não estou surpreendida por ouvir música a solo por parte do Mike, nesta altura do campeonato. Julgo tê-lo ouvido dizer, numa entrevista de há uns anos, que ele é daquele género de compositores que precisa de estar sempre a trabalhar em algo, para o músculo não atrofiar. Em declarações mais recentes, já a propósito de Post-Traumatic, Mike referiu mesmo que, desde miúdo, sempre se voltou para a música e para o desenho nestas alturas – são a sua maneira de lidar com momentos difíceis.

 

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Eu encaro a escrita da mesma maneira: algo que faço quase todos os dias, em parte para não perder a prática (tal como expliquei aqui), mas sobretudo por necessidade. Eu preciso de ter algo para escrever, mesmo que nunca seja publicado de nenhuma forma. Também é a minha maneira de lidar com períodos mais infelizes, quer escrevendo sobre eles ou (e isto é mais frequente, confesso) como forma de consolo ou escapismo.

 

Quando o Chester morreu, no entanto, Mike teve de se obrigar a regressar ao estúdio, reaprender a compôr. Chegou a dizer que, nas primeiras semanas, compôs uma série de “músicas grunge más”, algumas propositadamente más, algumas propositadamente ridículas, até conseguir compôr algo decente. Daí Post-Traumatic.

 

Este começou por ser apenas um EP de três músicas, lançado em finais de janeiro. Na altura não escrevi sobre ele porque ainda não tinha uma opinião formada sobre ele. Mas agora que Mike lançou mais um par de faixas, confirmando que Post-Traumatic vai ser um álbum, é uma boa altura para dar o meu parecer.

 

Antes de começar, dizer apenas que, na minha opinião, estas faixas valem mais pelas letras que pela parte musical. Desse modo, não vou focar-me tanto em instrumentais como faria noutras circunstâncias.

 

  

Sem grande surpresa, um dos temas recorrentes nestas músicas é desorientação, insegurança. É o que acontece, não apenas quando se perde um melhor amigo, mas também quando o trabalho de quase duas décadas fica comprometido. A Place to Start, que abre o EP – e que deverá abrir o álbum – reflete exatamente isso. A faixa – que, segundo Mike, chegou a ser considerada para introdução ao álbum One More Light, com uma letra diferente, claro – tem um instrumental grave e melancólico, bem a condizer com a letra.

 

Em a Place to Start, Mike afirma que, essencialmente, não tem maneira de seguir com a sua vida, que sente que não tem controlo sobre ela. Diz que receia tomar decisões, pois podem acabar mal. Ao mesmo tempo, quer fazer alguma coisa. Começar por algum lado, tal como reza o título da canção.

 

Havemos de regressar a esta ideia.

 

  

Consta que Over Again é a música mais popular do EP e eu concordo com a opinião geral. Não é difícil perceber porque é que as pessoas gostam: é a mais crua, a mais específica, de todas lançadas até agora, aquela que chama os bois pelos nomes. Mike compôs a primeira estância na véspera do concerto de homenagem a Chester, no Hollywood Bowl, e a segunda no dia a seguir. Ambas as estâncias referem-se diretamente a esse concerto e a tudo o que levou a ele.

 

Na primeira parte da canção, assim, ouvimos acerca da decisão de fazer o concerto, nas primeiras semanas a seguir à morte de Chester, de como chegara o dia do concerto… e do pavor que Mike tinha de subir ao palco.

 

Mais uma vez, sem surpresas aqui. Eu mesma chorei quando anunciaram esse concerto, em inícios ou meados de setembro. E tornei a chorar na manhã que se seguiu ao concerto. Eu, que sou apenas uma fã, cujo único contacto com Chester fora agarrar-lhe a mão durante dois segundos.

 

A segunda parte aborda o pós-concerto e é muito mais intensa, rica em raiva e revolta, em que Mike parece disparar em múltiplas direções: aos críticos da banda, ao processo de luto que parece nunca mais acabar, àqueles que que não parecem compreender a dimensão do problema de Mike. O verso “Only my life’s work hanging in the fucking balance” é esclarecedor – Mike disse mesmo no Genius (mais sobre esse site aqui) que é a ideia principal de Post-Traumatic.

 

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Ao mesmo tempo, Mike confessa que não sabe o que sente em relação ao concerto em si, que quase se foi abaixo em certos momentos – isto apesar de terem existido alturas em que ele parecia animado. A certa altura, chegou a dizer que se estava a divertir, o que lhe parecia estranho.

 

É como o próprio Mike disse durante o concerto: é uma montanha-russa de emoções. Em Over Again, Mike diz que só queria que se tornasse mais fácil. A língua inglesa tem esta palavra extraordinária, closure, que não tem tradução direta para português. É um misto entre conclusão e aceitação. Essencialmente, dar um capítulo da vida de uma pessoa por encerrado e partir para outra. Algo que Mike não consegue fazer.

 

Se esta música tivesse saído um mês antes, teria dado cabo de mim.

 

O que nos leva ao refrão. O título da música Over Again refere-se ao facto de o luto nem sempre ser um processo linear. O sentimento de perda nunca desaparece de vez, está apenas dormente, despertando quando menos esperamos. E, quando acontece, abalam uma pessoa. Mike têm dado vários exemplos em que, em suma, ele até está a ter um dia bom, sai para comprar gelado, toca uma música dos Linkin Park ou é abordado por um fã e volta tudo de novo. Como reza One More Light, “the reminders pull the floor from your feet.”

 

 

Queria, por fim, chamar a atenção para os vocais do segundo e terceiro refrões e, sobretudo, perto do fim da canção: muitos, eu incluída, julgam ouvir a voz de Chester no coro. Chegou a pensar-se que talvez fossem vocais antigos do cantor, gravados para um dos álbuns de Linkin Park mas que nunca chegaram a ser usados. No entanto, Mike disse no Twitter que não, os vocais são dele mesmo – quanto muito, estaria a canalizar o Chester dentro de si.

 

Eu gosto disso. É uma parte do Chester que continua a viver em Mike – na voz dele e não só, como reza Everglow, dos Coldplay. Sempre consola um bocadinho.

 

  

Existem muitas coisas boas em Over Again, como podem ver, é a minha faixa preferida até ao momento. Por sua vez, Watching As I Fall é das menos apelativas para mim – o que não significa que seja má.

 

Tem um ritmo um pouco mais acelerado que as outras canções do EP e, tal como em Over Again, ouve-se muita raiva e revolta na letra e interpretação. Os temas são os mesmos: o luto não linear, a desorientação, o surrealismo. Destaca-se o facto de Mike estar a passar por tudo isto sob o olhar do público.

 

Estas foram, então, as músicas lançadas quando Post-Traumatic era apenas um EP. Por sua vez, Crossing A Line e Nothing Makes Sense Anymore foram lançadas há apenas duas semanas, já como parte do álbum. Além disso, nota-se que pelo menos Crossing A Line foi composta numa fase diferente das músicas do EP.

 

  

Crossing A Line – o primeiro single oficial – está a tornar-se uma das minhas preferidas de Post-Traumatic por causa da letra, um tudo nada mais esperançosa que as outras músicas. Se em a Place to Start, Mike não sabia o que fazer consigo mesmo, em Crossing a Line, ele parece ter uma ideia mais clara. As inseguranças persistem mas, desta feita, Mike tem esperança.

 

Se dúvidas existiam antes, Mike deixa bem claro no Genius que a decisão de que Crossing A Line fala é o seu álbum a solo… e sobre o medo que Mike sentia da reação dos seus colegas de banda ao projeto.

 

Eu compreendo as inseguranças de Mike, sobretudo à luz da morte de Chester – podia parecer que ele estava a desistir dos Linkin Park. Mas eu acho que o Brad, o Phoenix e os outros nunca diriam que não. Eles nunca tiveram problemas nem com Fort Minor (ao ponto de incluírem músicas como Remember the Name na setlist de vários concertos dos Linkin Park) nem com Dead by Sunrise (ao ponto de, segundo uma entrevista que vi na altura em que escrevi a análise a Out of Ashes mas que não consigo encontrar agora, terem dado ao Chester a possibilidade de lançar Out of Ashes com o nome dos Linkin Park). Porque haveriam de levar a mal este projeto do Mike?

 

De qualquer forma, Mike queria mesmo que os amigos soubessem que ele não estava a abandoná-los.

 

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A expressão “Crossing a line” – cruzando um risco, ultrapassando um limite – faz pensar em algo proibido, irreversível. Consigo pensar em várias outras possíveis interpretações para coisas “proibidas” a que a canção pode estar a referir-se. Mike está já a cruzar um limite só pelo facto de estar a seguir com a sua vida após a morte do Chester. Ao mesmo tempo, mais uma vez remetendo para A Place to Start, Mike está a deixar um lugar depressivo mas confortável para se aventurar no desconhecido.

 

Por outro lado, só o facto de este trabalho deixar a alma de Mike a nu é algo suficientemente desconfortável para equivaler a cruzar uma linha.

 

O videoclipe para Crossing a Line é mais sofisticado que os outros, mas mantém o carácter pessoal e intimista. O vídeo foi filmado no mesmo sítio onde os Linkin Park terão começado como banda. Mike avisou quarenta e cinco minutos antes no Twitter que ia para lá, pedindo aos fãs para irem lá ter se pudessem. Como se pode ver no vídeo, apareceu imensa gente.

 

Eu com inveja deles? Não! Que ideia…

 

  

Falta apenas falar sobre Nothing Makes Sense Anymore, que foi lançada juntamente com Crossing a Line. Esta, no entanto, tem mais semelhanças com as músicas do EP, lançadas em janeiro.

 

Para esta, queria começar por falar do videoclipe. Este mistura imagens dos incêndios que assolaram Los Angeles em dezembro do ano passado com imagens do telemóvel de Mike, quando este foi visitar os terrenos ardidos. Faz-me lembrar, como é evidente, os nossos próprios incêndios, no ano passado.

 

Não me surpreende que Mike tenha escolhido este cenário para o vídeo. Suponho que ele se identifique com uma vítima dos incêndios – com as devidas ressalvas, claro, porque mal por mal Mike não perdeu a sua casa. Mesmo assim, a morte de Chester foi algo que lhe destruiu a vida que conhecia e Mike encontra-se, agora, a reconstruir uma vida nova sem Chester, a encontrar o novo “normal”.

 

É sobre isso que fala a letra de Nothing Makes Sense Anymore – à mistura com os temas recorrentes de luto e incerteza.

 

Sobre a parte musical, queria dizer apenas que os efeitos na voz de Mike irritam-me um pouco, tornam o seu desempenho demasiado artificial, pouco humano. Estes efeitos também existem em Crossing a Line, eu sei, mas só no refrão, não incomodam tanto. Talvez Mike não tenha gostado do seu desempenho vocal e tenha acho que precisava de ajustes.

 

 

Em suma, conforme dei a entender antes, estas canções são mais ou menos o que se esperava da parte do Mike, tendo em conta as circunstâncias. É possível que tenhamos mais músicas assim no resto de Post-Traumatic. Pergunto-me, aliás, se Looking for an Answer fara parte da tracklist. Mike ainda não a lançou porque, segundo um tweet dele, não conseguira descobrir a melhor maneira de apresentá-la.

 

Eu gosto do Mike, quase tanto como gostava do Chester. Para além de ser um bom músico, parece ser uma boa pessoa, um bom exemplo, com sentido de humor, chegado aos fãs. Tal como Chester era. Tenho pena de, entre muitas outras coisas, não podermos voltar a vê-los juntos, mas estou grata por ainda termos Mike na nossa vida, por termos música criada por ele, mesmo que não seja Linkin Park.

 

Aqui entre nós que ninguém nos ouve, nesta fase, não me importaria muito muito se os Linkin Park nunca mais se voltassem a reunir, se a partir de agora Mike só criasse música para si mesmo. É o que sinto neste momento – não garanto que não mude de ideias no futuro. Mas, nesta fase, estou aliviada por os Linkin Park estarem em pausa, com cada membro seguindo o seu caminho, porque ainda não me sinto preparada para ver os Linkin Park continuando sem o Chester, seja de que forma for.

 

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Mais uma vez sublinho: é o que eu sinto agora. Não está escrito em pedra.

 

Já que falo disso, suponho que faça sentido fazer uma atualização da maneira como tenho lidado com a morte do Chester, nos últimos tempos. Curiosamente, tenho estado bastante melhor este ano – a pior parte ficou em 2017. Talvez tenha ajudado escrever sobre isso nesse texto. Talvez o facto de a minha própria vida andar a correr melhor este ano tenha feito com que parasse de projetar os meus próprios dramas no que aconteceu ao Chester. De qualquer forma, está menos insuportável do que antes.

 

E, mesmo assim, de vez em quando apanha-me desprevenida – como Mike descreveu nestas canções, mas muito mais atenuado, claro. Houve uma ocasião em que estava a escrever despreocupadamente para o meu outro blogue, com o Spotify em modo aleatório. De repente, começa a tocar a música One More Light (que não ouvia há algum tempo) e deu-me um baque.

 

Esta foi a ocasião mais intensa. Para além dessa, às vezes dou por mim a lacrimejar quando oiço certas músicas. Como Breaking the Habit ou Numb (ponho-me a pensar no concerto no Hollywood Bowl, em que tocaram esta sem ninguém a cantar, apenas o microfone iluminado). Por fim, escrever este texto voltou a despertar um bocadinho do luto em mim.

 

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Entretanto, ainda tenho o álbum One More Light por analisar. Não o fiz ainda por uma questão de calendário – tenho uma data de textos que quero escrever e publicar antes de me voltar para esse. Como tal, ainda devo demorar alguns meses.

 

Para já, quero ver se o próximo texto que publico é o próximo de Pokémon através das gerações, a análise à sexta geração, que deverá vir em duas partes Não sei se consigo publicá-los já já, mas nunca depois de finais de maio.

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre. Continuem ligados!

Músicas Não Tão Ao Calhas - Hard Times

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Em janeiro de 2013, estreava aqui no blogue a rubrica Músicas Não Tão Ao Calhas. Nela, escrevo sobre músicas inéditas que os meus artistas preferidos vão lançando – na maior parte das vezes singles antes de álbuns, mas não só. A minha primeira entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas foi sobre Now, o primeiro single do quarto álbum dos Paramore – aquele que ficou conhecido por The Self-Titled. Hoje, mais de quatro anos depois, volto a escrever sobre o primeiro single de um álbum dos Paramore – é um ciclo que se fecha.

 

Infelizmente, este ciclo nem sempre foi fácil para a banda. O início até nem foi mau. O Self-Titled é um álbum excelente, mudou por completo a maneira como encaro a vida. Graças a Deus, teve o devido reconhecimento em termos comerciais: foi platina e teve dois singles de sucesso: Still into You e Ain’t it Fun. A segunda ganhou um merecidíssimo Grammy. O ciclo desse álbum durou até meados de 2015, terminando com a digressão Writing the Future.

 

No entanto, em finais de 2015, a banda anunciou a partida do baixista Jeremy Davis. Desde essa altura, os Paramore têm passado por… bem, tempos difíceis.

 

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Ainda não tive oportunidade para escrever sobre a desistência de Jeremy. Custou-me, para ser sincera, ainda me custa. Nos primeiros tempos, ainda pensei/esperei que tivesse sido uma “rescisão” amigável, que ele tivesse partido porque tem uma filha e não pode andar em digressão.

 

Essa ilusão não durou muito. Meses depois surgiram notícias de que Jeremy e a banda estavam envolvidos numa disputa judicial, alegadamente devido a honorários da música e dos concertos. Como o processo ainda está em decurso, ainda não foi divulgada oficialmente a razão da partida de Jeremy. A ideia com que fico – e posso estar errada – é que, no centro disto tudo, está aquele três vezes maldito contrato celebrado, algures em 2005, entre a Atlantic Records e Hayley Williams, excluindo os restantes membros da banda. O mesmo contrato que já tinha sido um dos motivos para a partida dos irmãos Farro, em finais de 2010.

 

Toda esta história dá-me vontade de bater com a cabeça numa parede. Aquando do Self-Titled, a ideia que os Paramore davam era de que a banda tinha resolvido os seus problemas, aprendido com os erros cometidos. O trio estava mais forte, mais unido do que nunca, capaz de sobreviver a tudo. Eu acreditei nisso. Talvez os próprios membros da banda acreditassem nisso.

 

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Mas a verdade é que não devia ter ficado surpreendida. A banda nunca teve estabilidade – desde a ausência de Jeremy das gravações de All We Know Is Falling, passando pela saída dos irmãos Farro, e agora isto. A verdade é que Hayley tem sido a única constante em Paramore (ainda que Taylor só não se tenha juntado oficialmente à banda até depois do lançamento de Riot! porque os seus pais não deixaram). Por um lado, toda a gente sabe que Hayley podia, desde o início, optado por uma carreira a solo. Se não o fez até agora é porque, obviamente, não o quer. Por outro lado, para os membros estarem sempre a entrar e a sair, alguma coisa não está bem.

 

Não quero pensar que Hayley seja o problema. Ela parece ser uma miúda simpática, com valores parecidos com os meus – aliás, é atualmente uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música. Mas como não a conheço pessoalmente, não dá para ter a certeza.

 

Nestas alturas, a música Pressure, do primeiro álbum, faz mais sentido do que nunca.

 

 

Em defesa deles, os membros da banda parecem tão frustrados com esta história toda como eu. Ainda mais, já que esta é a vida deles. Hayley tem referido várias vezes que pensou em desistir. Disse que os Paramore parecem mais uma novela do que uma banda, que estava farta de perder amigos e de se questionar sobre o que estava a fazer de errado. Considerou várias alternativas: dedicar-se à sua linha de tintas para o cabelo, ter uma família (ela casou-se no ano passado), compôr para outras pessoas, começar um projeto diferente com Taylor.

 

Terá sido este último a salvar os Paramore, segundo Hayley. Taylor disse-lhe que a apoiaria independentemente da decisão que ela tomasse relativamente à banda. Isso aliviou a pressão sobre Hayley – que, no meio desta história toda, chegou a debater-se com depressão e ansiedade. Assim, os dois foram compondo música a pouco e pouco.

 

Entretanto, Taylor chamou Zac, o mais novo dos irmãos Farro, para tocar bateria no álbum novo. Inicialmente, veio apenas como músico contratado. Ao fim de algum tempo, Taylor convidou Zac para regressar oficialmente à banda. Ele disse que sim.

 

Toda a gente ficou feliz, como seria de esperar. Em primeiro lugar, Zac é um ótimo baterista e sentiu-se a falta dele em certos momentos do Self-Titled. A música dos Paramore fica a ganhar. Além disso, eu mesma referi, há pouco mais de dois anos, que tinha esperanças de que, um dia, os irmãos Farro regressassem. Cinquenta por cento desse desejo já se realizou.

 

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Mas fica um amargo de boca por Jeremy já lá não estar.

 

Os membros da banda chegaram mesmo a dizer que já não sabem muito bem por que os Paramore continuam a ser uma banda. Nesta altura, deve ser só por nós, os fãs – porque eles sabem que a música deles é uma das coisas que nos ajuda a sobreviver. Eu, apesar de tudo, fico grata por isso. E, agora, teremos um álbum novinho em folha daqui a menos de duas semanas.

 

Suponho que haja uma qualquer metáfora para a vida no meio desta história toda. Talvez seja assim que as coisas funcionem: uma batalha sem fim, com perdas e ganhos, cometendo os mesmos erros, sempre a desfazermo-nos e a reconstruirmo-nos outra vez, sempre a aprendermos. Uma pessoa vai continuando, às vezes só por causa daqueles que ama, às vezes só porque… qual é a alternativa?

 

 

Gonna make you wonder why you even try

 

Com isto tudo, vamos quase em mil palavras e ainda nem sequer falámos de Hard Times. Mas eu tinha de escrever sobre as aventuras e desventuras dos Paramore nestes últimos anos porque, na minha opinião, a letra da música fala sobre elas. As estâncias falam claramente sobre depressão, com referências a um buraco onde nos enfiar até os nossos problemas terem desaparecido e a uma nuvem negra que nos segue para todo o lado. No refrão, questiona-se mesmo como é que se consegue aguentar tudo isto e continuar.

 

Na verdade, a letra de Hard Times não me impressiona por aí além. Não me interpretem mal, não a acho má. É, aliás, melhor que muito do que se ouve por aí. No entanto, cai muito nos clichés habituais de Paramore. Por exemplo, o primeiro verso (“All that I want is to wake up fine”) remete para Last Hope – “Every night I try my best to dream tomorrow makes it better”. “Tell me that I’m alright” recorda-me Tell Me It’s Okay. Os versos “And I’m gonna get to rock bottom!” e “We’ll kick it when I hit the ground” fazem lembrar Turn It Off: “I’m better off when I hit the bottom”. Eu podia continuar. Não há nada na letra de Hard Times que não tenhamos ouvido antes, o que é uma pena.

 

Isso, de resto, é a única falha que tenho a apontar a Hard Times – e nem sequer a acho grave no primeiro single de um álbum novo. A letra pode não trazer nada de novo, mas o mesmo não se passa com o acompanhamento musical. Depois de músicas como Grow Up, Still into You e Ain’t it Fun, Hard Times parece lógica como o passo seguinte. À semelhança de Ain’t it Fun, Hard Times começa com notas de xilofone, que são rapidamente substituídas por notas de guitarra – são estas as responsáveis pelo ritmo dançante da música. Ouvem-se também algo que se assemelha a tambores africanos, algo que se mantém durante toda a faixa. A bateria de Zac dá personalidade à música (sobretudo numa altura em que este instrumento está em vias de extinção). No refrão, noto elementos de Daft Punk - sensação que se reforça no fim da música, com os vocais distorcidos.

 

Não sei se o mesmo aconteceu com vocês, mas eu demorei algum tempo a decifrar esses vocais. Se não estou em erro, dizem “Makes you wonder why you even try” e “Still don’t know how I even survive”. Em suma, em termos musicais, à semelhança das melhores músicas do Self-Titled, Hard Times conjuga vários elementos de forma primorosa, podendo-se ouvir a contribuição de cada membro da banda. Eu gosto. Não estou propriamente caída de quatro, mas também não estava por Now quando esta foi lançada e, com o tempo, a música foi ganhando novos significados. Estou certa de que o mesmo acontecerá com Hard Times. Sobretudo quando puder ouvi-la no contexto do álbum. Para já, espero que não demore muito a chegar às rádios portuguesas.

 

 

O quinto álbum dos Paramore chama-se, então, After Laughter, e sai dia 12 de maio. Sim, daqui a menos de duas semanas. Confesso que fiquei estonteada com esse anúncio, ainda estou. Um dia, tínhamos a vaga ideia de que os Paramore estariam a trabalhar num álbum, algumas pistas como músicas registadas no site da ASCAP. No dia seguinte, temos nome, capa, tracklist, data de lançamento, primeiro single com videoclipe e pessoas que já ouviram o álbum (inveja!). Tendo em conta que os álbuns da Avril Lavigne têm sempre um parto longo e complicado (e o sexto álbum não está a ser exceção), esta é uma alternativa atordoante, mas muito mais agradável.

 

Segundo Hayley, o título After Laughter (a melhor tradução que me ocorre é “Pós-riso”) refere-se àquele momento após uma gargalhada em que regressamos à realidade. Dá para ver, assim, que este álbum vai ser animado… só que não. Quem já ouviu o álbum dá a entender que o resto será semelhante a Hard Times. Ou seja, os Paramore vão fazer o que fazem desde o início da sua carreira: queixar-se da vida. A diferença é que, enquanto antes, Paramore depressivo equivalia a guitarras pesadas e estética emo, agora equivale a música rítmica, falsamente alegre (o nome de uma das faixas novas é Fake Happy, por sinal), e tons pastel.

 

Gostava de chamar a atenção para o símbolo no centro da capa: as barras de néon que criam uma ilusão de ótica, de modo que não sabemos se são duas ou três. É obviamente uma variante do símbolo que a banda adotou em 2011, uma provável alusão à recente troca de membros. Eu, de qualquer forma, gosto imenso deste símbolo. Já encomendei, até, um dos conjuntos de merchandising da banda que inclui uma t-shirt preta com este símbolo, para além do álbum em CD (uma encomenda que, admito, foi para aí quarenta por cento impulso).

 

Havemos de falar mais sobre os Paramore quando analisar o resto de After Laughter. Ainda não decidi se analiso faixa por faixa, por ordem crescente de preferência, ou se analiso em texto corrido. Mas vou tentar publicá-la não muito depois do lançamento do álbum. Entretanto, vou ganhar vergonha na cara e ver se acabo e publico de vez a análise ao quarto filme de Digimon Adventure Tri.

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