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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Especial Dia dos Namorados: Top 10 Canções de Amor

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À semelhança de muito boa gente, não sou fã do Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim. Do comercialismo associado, do romance por imposição, sem originalidade, e tudo o que muitos já listaram melhor do que eu. Dito isto, não acho que exista nada de errado, no seu essencial, com um dia dedicado ao amor romântico - da mesma maneira como existe um dia para os pais ou para as mães, para a solidariedade e família (a.k.a. o Natal), para a mulher, para a criança, para o bullying, etc. A sociedade é que escolhe alguns desses dias para explorá-los comercialmente até ao enjoo.

 

Como já fui dando a entender aqui, apesar de nunca me ter apaixonado a sério, apesar de não acreditar em conceitos como almas gémeas ou amor à primeira vista ou outros clichés que vemos nos filmes, de não ter uma visão assim tão idealizada do amor, de achar, por vezes, que o amor romântico é sobrevalorizado, eu tenho uma forte costela romântica. Gosto de uma boa canção de amor, que mexa com as minhas emoções, que me inspire para a parte romântica da minha escrita. Assim, este ano, a propósito do Dia dos Namorados, resolvi compilar um top 10 de canções de amor.

 

Não foi fácil escolher as músicas deste top. Por um lado, os meus gostos são um bocadinho voláteis: hoje posso gostar de uma música e, daqui a uns meses, ter-me fartado dela. Para este top quis escolher músicas que se tivessem mantido de forma mais ou menos consistente entre as minhas preferidas. Mesmo assim, esta classificação não está gravada em pedra, daqui a um ano ou dois - ou mesmo daqui a uns meses - pode ter algumas alterações.

 

Além disso, tive de escolher entre inúmeras músicas. Daí que a lista de Menções Honrosas seja extensa:

 

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Como fã de Bryan Adams, várias músicas dele estão entre as minhas canções de amor preferidas, algumas das quais ele cantou no concerto do mês passado: Straight From the Heart (esta versão), Have You Ever Really Loved a Woman, Cloud Number Nine, Flying e She's Got a Way. Não refiro (Everything I Do) I Do It For You. É uma das mais populares dele, tida como a canção de amor dele, mas, embora goste, não está entre as minhas preferidas. 

 

Também tenho algumas de Avril Lavigne, como Fall to Pieces e 4 Real. Existe uma, Daydream, que só não está no Top 10 porque não conhecemos a versão completa cantada pela Avril, apenas uma versão encurtada. Daydream foi excluída da tracklist final de Under My Skin. Chegou a ser interpretada por Demi Lovato nos seus primeiros concertos ao vivo, mas acabou por ser reclamada e regravada por Miranda Cosgrove. A versão de Miranda não é má, mas, mesmo numa versão reduzida e de qualidade longe do ideal, dá para ver que Avril canta com maior emotividade. Daydream é uma balada rock cuja narradora está a apaixonar-se, mas sente-se relutante em abrir-se para o apaixonado, em confiar nele, em ceder ao amor. A Avril não tem nenhuma outra canção como esta, é um desperdício ela nunca ter querido lançá-la, nem sequer como b-side. No entanto, ainda não perdi a esperança de ouvir a versão original na íntegra, depois de termos conseguido fazê-lo há dois anos, com Breakaway

 

Leona Lewis também contribui com algumas músicas para estas Menções Honrosas. I Got You é uma das minhas preferidas dela. Esta caracteriza-se por notas de guitarra nas estrofes, em crescendo para um refrão emotivo. A letra faz uma oferta de abrigo, de consolo, sem pedir nada em troca. Bleeding Love é uma óbvia. Acrescento também Whatever It Takes, do seu primeiro álbum e uma das minhas preferidas dela, Favourite Scar, uma música que tenho ouvido imensas vezes no último ano, ano e meio. 

 

As Long As You Love Me dos Backstreet Boys possui uma melodia muito açucarada, talvez demais, mas eu não lhe consigo resistir. Por sua vez, Baby Can I Hold You, de Tracy Chapman, vale pela simplicidade, mesmo pela inocência. Também já falei de 23, de Shakira.

 

Sem mais delongas, comecemos pelo número 10 que, na verdade, diz respeito a dois temas:

 

 10) Listen to Your Heart/What About Love

 

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"And there are voices that want to be heard"

 

"The love I'm sending ain't making it through to your heart"

 

Hão de reparar que quase todas as músicas deste top são baladas rock. Estas duas faixas são o exemplo clássico disso. Lembro-me de ouvi-las na rádio algures entre os quinze e os dezassete anos e de pensar: "Sim. É disto que eu gosto: canções de amor com guitarras elétricas". Coloco as músicas uma ao lado da outra porque são muito parecidas uma com a outra (eu cheguei a confundi-las), tanto em termos de sonoridade como de mensagem - basta ler os títulos para termos uma ideia. Em alturas diferentes, eu identificava a mensagem das músicas - incitando o destinatário a dar uma oportunidade ao amor - com personagens da minha escrita.

 

Listen to Your Heart tem uma letra mais vaga que a de What About Love, mais sólida e direta, cantada de uma forma mais intensa, mais urgente. No entanto, odeio o final da segunda - de tal forma, que hoje em dia oiço mais vezes um cover que termina de uma maneira diferente. De qualquer forma, estas músicas figuram neste top sobretudo por as considerar clássicos. 

 

9) Give Me Your Name

 

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"Inside of your arms

Taking me deeper

Giving me new life"

 

Muito boa gente não imaginaria Chester Bennington, dos Linkin Park, sendo romântico, mas é isso que acontece em Give Me Your Name. Já falei aqui do side project de Chester, Dead By Sunrise, do álbum Out of Ashes e já tinha referido brevemente esta canção.

 

Give Me Your Name é conduzida pela guitarra acústica, com notas de guitarra elétrica no fundo. A voz de Chester soa incrivelmente suave e cheia de sentimento. A letra não foge muito do típico das canções deste género: é uma declaração de amor pura e dura, uma serenata. Tal como escrevi antes, adequar-se-ia a um casamento, sobretudo pelos versos "Give me your name, girl/Let them know that your mine/And I'll do the same for you"

 

8) The Story

 

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"No, they don't know who I relly am

And they don't know what I've been through, like you do"

 

The Story, de Brandi Carlile, esteve muito na moda há uns anos. Em parte devido a um célebre anúncio da Super Bock, em part devido à sua inclusão na banda sonora da série Anatomia de Grey. A canção começa com uma guitarra acústica, estilo folk, antes de explodir com guitarras elétricas. Destaque para o solo. A voz de Brandi soa algo rouca, à country, mas isso dá personalidade à canção. 

 

Também gosto da versão cantada por Sara Ramirez no episódio musical de Anatomia de Grey (foi a única música de que gostei nesse episódio...). Em termos de instrumentação, não soa muito díspar da versão original (a alteração mais significativa foi terem substituído a guitarra acústica inicial por piano), apenas o suficiente para ter um carácter próprio.

 

A letra é, de novo, uma declaração de amor, mas também fala de intimidade, de segredos e experiências partilhadas. Identifiquei-me muito com ela em termos da minha escrita e cheguei a citá-la no meu primeiro livro. Na verdade, esta música só não está mais acima neste top porque, nos últimos anos, me cansei um bocadinho dela. A longo prazo, no entanto, será sempre uma canção especial para mim.

 

 7) I Will Be/Best Of Me

 

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"You're the one thing I got right

The only one I let inside

Now I can breathe 'cause you're here with me"

 

"I will stand accused, with my hand on my heart

I'm just trying to say I'm sorry"

 

Não vou falar muito destas duas musicas pois tenciono, um dia destes, falar melhor sobre elas numa entrada de Músicas Ao Calhas. Digo apenas que a mensagem destas baladas de Avril Lavigne e Sum 41 servem, essencialmente, para pedir perdão e prometer ser melhor pessoa em nome da pessoa amada - uma situação por que todos passam a certa altura.

 

 6) Anyone Else But You

 

 

Esta música é diferente de todas as outras neste top... e de quase todas as canções de amor, na verdade. Anyone Else But You foi lançada originalmente em 2001 pelo dueto indie the Moldy Peaches, composto por Adam Green e Kimya Dawson. Na altura, nenhum dos trabalhos do par vendeu muito, mas conseguiram cativar a atriz Ellen Page, que, aquando do filme Juno, sugeriu a música do dueto como banda sonora. Quando o filme foi lançado, a música ganhou uma enorme popularidade.

 

Juno é um dos meus filmes preferidos, com uma mensagem semelhante à da música de que estamos a falar. Adam e Kimya escreveram a letra de Anyone Else But You listando as coisas que diriam aos respetivos amores da sua vida, coisas essas fora do convencional. É um romance de pessoas humildes, terra-a-terra, sem glamour mas também sem drama - um romance a que todos devíamos aspirar. A sonoridade da música coincide com a simplicidade da mensagem: a melodia é algo desafinada, o instrumento principal é a guitarra acústica, apenas com dois acordes (em que só é preciso mudar dois dedos para passar de um ao outro), tocada de maneira simples.

 

Já que falamos de Juno e é Dia dos Namorados, fica uma mensagem de sabedoria sobre o amor:

 

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5) Cose Della Vitta/Can't Stop Thinking Of You

  

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"Some for worse and some for better

But through it all we've come so far!"

 

Cose Della Vita foi lançada originalmente em 1993 pelo cantor romântico italiano Eros Ramazzotti. Quatro anos mais tarde, a canção foi transformada num dueto bilingue com Tina Turner. Os versos em inglês saíram do punho dela. Existe também uma versão em Espanhol/Inglês - eu vou alternando entre as duas.

 

Está é mais uma balada rock ao meu gosto, com uns riffs e solos de guitarra interessantes. A voz de Eros é naturalmente romântica e a voz de Tina é naturalmente apaixonada, logo, fazem um dueto fantástico. A letra fala de um romance antigo, que teve altos e baixos, mas cujas partes estão a pensar um no outro de novo, a apaixonar-se de novo, dispostos a fazer uma nova tentativa. Pode também ser interpretada como a celebração de um amor que resistiu ao teste do tempo, à semelhança de outra música neste top. Qual? Continuem a ler...

 

 

 4) Underneath Your Clothes

 

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"Because of you I forgot the smart ways to lie

Because of you I'm running out of reasons to cry"

 

Conheço esta música há uma data de anos, mas ainda hoje me toca. Talvez não seja correto chamar-lhe uma balada rock, mas definitivamente tem guitarra elétrica: é conduzida por notas desse instrumento, complementada com trompetes e uma bateria leve. Shakira tem uma das minhas vozes preferidas do mundo da música, extremamente versátil, e esta não desilude nesta música.

 

A letra de Underneath Your Clothes apresenta semelhanças com outra música neste top no sentido em que entra em território romântico-erótico. É outra declaração de amor, também falando de intimidade e confiança, em que o ser amado surge como uma fonte de consolo. Underneath Your Clothes tem aquele toque de genuinidade que, muitas vezes, faz a diferença entre uma música boa e uma música extraordinária - algo que voltaria a acontecer mais tarde.

 

 

3) The Only Exception

 

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"And I'm on my way to believing"

 

The Only Exception é uma canção muito única na discografia dos Paramore. Foi a primeira canção de amor propriamente dita da banda - pelo menos nas palavras de Hayley. É conduzida maioritariamente por uma doce guitarra acústica, que se mantém suave até o segundo refrão, antes de um solo de guitarra e bateria, abrindo caminho para os vocais mais sentidos de Hayley.

 

A história por detrás da canção é conhecida e até um bocadinho óbvio: à semelhança de muitos filhos de pais divorciados, Hayley sempre foi algo céptica em relação ao amor: algo que músicas como Emergency e Stop this Song (Lovesick Melody) já haviam referido. Isso mudou quando Hayley conheceu Chad Gilbert dos New Found Glory, o seu atual noivo (a menos que já se tenham casado sem eu dar conta...). Muita gente pode identificar-se com a mensagem de The Only Exception, mesmo eu de certa forma - os meus pais têm um casamento feliz e eu acredito no amor, mas tenho algum receio em apaixonar-me.

 

No entanto, mais do que a letra, é a interpretação vocal de Hayley, a emoção que transmite para a melodia, a sinceridade que impede a canção de entrar em território demasiado meloso. Ainda hoje me arrepio e lacrimejo com a sua interpretação. A minha parte preferida é o verso final "And I'm on my way to believing" - o verso que mais me emociona, por, na sua simplicidade, estar associada a tanta esperança, a tantas promessas, ao início daquilo que se poderá tornar uma linda história de amor.

 

É por isto tudo que The Only Exception, para além de estar no pódio das minhas canções de amor preferidas, foi, a par de Crush Crush Crush, uma das músicas que me convenceu a dar uma oportunidade aos Paramore. Encontra-se, assim, entre as minhas canções preferidas de todos os tempos.

 

 

2) Naked

 

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"You see right through me and I can't hide"

 

Os dois primeiros lugares deste top não constituirão surpresa por já falei deles aqui no blogue. Naked é uma das minhas músicas preferidas de Avril Lavigne. Há pouco menos de dois anos escrevi sobre ela e sobre outras músicas com temas semelhantes. De maneira resumida, Naked é uma emocionante balada rock, que fala daquilo que, para mi, é o mais difícil e incompreensível no amor: baixar a guarda, assumir as nossas vulnerabilidades, abandonarmo-nos em mãos alheias.

 

Para uma reflexão mais extensa sobre o assunto, cliquem aqui.

 

 

1) Heaven 

 

 

"Now our dreams are coming true

And through the good times and the bad

Yeah, I'll be standing there by you!"

 

Já tinha escrito aqui que Heaven é a minha canção de amor preferida, que está reservada para o meu casamento. Como disse antes, é uma música de final feliz, celebrando um amor que resistiu a muito. Tem inúmeras versões diferentes, por artistas diferentes, soando linda em todas. Hoje, partilho a versão que Bryan e respetiva banda tocaram no concerto do mês passado - muito parecida com a versão de estúdio, por sinal. Um dos pontos altos da noite, conforme referi antes. Conforme já tinha assinalado, nós, o público, cantámos a primeira estância sozinhos - o mesmo acontecera quatro antes quando ouvi outra das minhas canções de amor favoritas ao vivo.

 

Está concluído o top. Se já estão fartos de tanta lamechice, recomendo-vos Linkin Park para vos baixar a glicémia  - eles até têm uma música chamada Valentine's Day, apropriadamente depressiva. Se, pelo contrário, estão mesmo dentro do espírito do Dia dos Namorados, deixem nos comentários as vossas canções de amor preferidas.

 

Bryan Adams - 30 anos de Reckless (2014) #2

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Segunda parte da análise a Reckless (primeira parte aqui). Falemos agora de...

 

5) Somebody

 

 

 

"But when the silence leads to sorrow

We do it all again. All again!"

 

Somebody é um exemplo entre muitos de um conceito recorrente na discografia de Bryan: rock clássico sobre o amor. A letra não é, por isso, nada de especial, muito genérica, até inclui uma quadra sobre guerra que parece vinda do nada - segundo Vallance, era apenas ele e Bryan divertindo-se.

 

O grande ponto forte de Somebody é a sonoridade: o padrão de acordes F e G que caracteriza a música e que dá gozo de tocar na guitarra; o solo de Keith Scott, a melodia forte, cativante, a bateria. Um dos melhores momentos da música acaba por ser, precisamente, a sequência que se segue ao segundo refrão. Inicialmente, só se ouve a bateria e o baixo; mais tarde, juntam-se as guitarras elétricas. Pode não ter a letra mais memorável mas, pela sonoridade, Somebody é daquelas talhadas para concertos ao vivo.

 

6) Summer of '69

 

 

"Oh when I look back now

That summer seemed to last forever..."

 

Summer of '69 é, a par de (Everything I Do) I Do it For You, a primeira música que vem à mente da maioria quando se fala de Bryan Adams. Na verdade, pessoalmente considero que Summer of '69 está para Bryan como Sk8er Boi está para Avril Lavigne. Por vários motivos. Para começar ambas são músicas icónicas do pop rock, com riffs e solos de guitarra que as identificam. Ambas contam uma história em que um dos protagonistas é guitarrista de rock. E ambas apresentam algumas semelhanças na estrutura.

 

No caso de Summer of '69, a letra recorda um romance de versão passado. Muitos debatem se 69 se refere ao ano ou à posição sexual. Pelo que escreveu no seu site, deduz-se que Vallance, o co-compositor, se refere ao ano. Bryan, contudo, diz que é sobre a posição sexual (demorei vários abençoados anos a perceber ao certo do que falavam...) ou, de uma maneira mais politicamente correta, "sobre fazer amor durante o verão". Em todo o caso, a minha mãe não precisa de saber sobre a interpretação de Bryan, ela que continue a pensar no ano de 1969. 

 

 

Em tinha incluído Summer of '69 nas músicas que estiveram perto de ser excluídas do álbum Reckless. No caso desta, tal deveu-se ao facto de a equipa achar que não estava a conseguir acertar no arranjo musical (uma das primeiras versões, por exemplo, começa com o riff característico da música). Consta que regravaram a música mais umas três ou quatro vezes antes de, finalmente, se decidirem por esta, mesmo continuando com reticências. Tanto Vallance como Bryan, contudo, hoje admitem que não percebem que reservas eram essas pois, obviamente, a música é espetacular. Gosto particularmente da sequência entre "I guess nothing can last forever. Forever. No" e "And now the times are changin'", em que há um chamado breakdown, em que só se ouve o riff (tocado numa guitarra de doze cordas), com a bateria e os acordes marcando o início de cada compasso; no fim, a bateria dá um pequeno solo antes de introduzir a estrofe seguinte.

 

Em suma, apesar de não ser das minhas preferidas de Bryan, Summer of '69 é daquelas músicas absolutamente clássicas, sacrossantas, que estão num patamar diferente, acima de toda a crítica. 

 

7) Kids Wanna Rock

 

 

"Musta turned the dial for a couple of miles

But I couldn't find no rock 'n roll"

 

Ainda não percebi se Kids Wanna Rock foi lançado como single ou não mas, na minha mente, como já o conhecia antes de ouvir Reckless pela primeira vez, considero-o um dos singles e, deste grupo, é provavelmente o menos pop, o mais barulhento, o mais rebelde. A letra é uma crítica à subvalorização do rock em detrimento de sons mais disco ou, como diz a letra, "computerized crap". O mais irónico é que esta música foi lançada nos anos 80, que disfrutaram de bandas de rock fantásticas (Bon Jovi, U2, Aerosmith, Queen...) - Bryan queixava-se de barriga cheia. Agora, trinta anos depois, é que, como diz a letra, percorremos toda a frequência FM e, em vez de rock, é mais provável encontrarmos sons eletrónicos (apesar de já ter gostado menos deste estilo musical). Já não me parece que "os miúdos queiram rock". Isto é... talvez queiram, a indústria musical é que não.

 

Azias roqueiras à parte, Kids Wanna Rock, contudo, rezava que "de tempos em tempos as pessoas mudam de ideias, mas a música veio para ficar" ("from time to time people change their minds, but music is here to stay"). E hoje, trinta anos depois, tal confirma-se. Pode não ser exatamente da maneira que desejaríamos mas a música em si tão cedo não irá a lado nenhum.

 

8) It's Only Love

 

  

"When you're world has been shattered

Ain't nothin' else matters

It ain't over - it's only love

And that's all"

 

It's Only Love é um fogoso dueto entre Bryan e Tina Turner. Ou melhor, muitos consideram esta faixa um dueto entre Bryan e Tina, eu considero esta um trabalho a três, sendo o guitarrista Keith Scott o terceiro elemento - ou melhor a sua guitarra. Tal como muitas músicas deste álbum, It's Only Love tem o seu padrão de guitarra que guia quase toda a sua música, definindo o seu carácter e tornando-a absolutamente irresistível. A letra de It's Only love não é nada de especial - passa despercebida por entre a grandiosidade de tudo o resto. It's Only Love alterna entre vocais, ora de Bryan ora de Tina, e a guitarra de Keith, a terceira voz. Como toda a gente sabe, Tina tem uma voz poderosa, ardente, e desempenha bem o seu papel em It's Only Love. Ela e Bryan apresentam uma química flamejante, conforme se pode ver no vídeo acima.

 

 

Apesar de serem poucas as vezes em que Tina se junta a Bryan em palco, It's Only Love não deixa de ser um ponto alto em concertos - muito porque representa uma oportunidade para Keith exibir os seus dotes como guitarrista e... enlouquecer um bocadinho, como podem ver no vídeo acima. Este concerto ocorreu em 2005, faz parte do DVD Live in Lisbon, mas quando eu fui ao concerto de 2011, se é possível acreditar, ele estava ainda mais amalucado, com autênticos bichos carpinteiros. Para mim, Keith é um dos melhores guitarristas do Mundo (melhor, só talvez Carlos Santana) e, na minha opinião a carreira de Bryan não teria sido a mesma se ele não tivesse enriquecido as músicas dele com solos fantásticos. It's Only Love é, talvez, o melhor exemplo disso.

 

Também ajuda o facto de ele oferecer momentos como este.

 

 

Muito bem, por agora chega, terceira parte em breve.

 

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