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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Músicas Ao Calhas - In The Air Tonight

Ultimamente, tenho estado a trabalhar no final do meu terceiro livro. Tal como nos dois anteriores, a parte final é a parte em que se dá o confronto entre os "bons" e os "maus". São, portanto, capítulos mais tensos, mais ricos em adrenalina e... que mais gosto de escrever. Já falei aqui, de passagem, da lista de reprodução que compilei para a escrita destas cenas, de ação, com músicas dos Within Temptation, Linkin Park, algumas dos Sum 41, entre outras.

Um dos temas principais dessa playlist é a faixa In The Air Tonight, tanto a faixa original como dois covers, um dos Full Blown Rose e outro dos Nonpoint.
 
 
"I've been waiting for this moment for all my life"
 
Um dos grandes pontos fortes desta música é a sua letra. Segundo declarações do mesmo, Phil Collins escreveu-a numa altura em que sentia fortemente enraivecido devido ao divórcio da sua primeira mulher, embora não tenha sido sobre isso que escreveu. Quando estive a pesquisar sobre a música, descobri acerca de uma lenda urbana, baseada no verso "If you told me you were drowning, I would not lend a hand", segundo a qual Phil teria testemunhado um afogamento e nada feito para ajudar o desgraçado - algo que me dá vontade de rir. Independentemente da fonte de inspiração, a letra é bastante sombria. Fala sobre raiva contida, sobre um ressentimento prolongado, deixando promessas de vingança - daí que a faixa, tanto a original como as várias versões que existem por aí, seja tão utilizada em bandas sonoras de filmes e séries. E, como não podia deixar de ser, marca um momento crucial do meu segundo livro.



"The hurt doesn't show, but the pain still grows, it's no stranger to you or me"
 
Torna-se interessante analisar o tratamento que as diferentes versões dão à música. A versão original é guiada pelo órgão, acompanhada por uma batida muito discreta no fundo, que se torna mais evidente nos últimos refrões, e algumas notas e acordes de guitarra elétrica ocasionais. Destaque para o solo de bateria antes dos últimos refrões (ba-dum, ba-dum, ba-dum, ba-dum, dum dum), reproduzido nos dois covers aqui mencionados, que já se tornou a imagem de marca de In The Air Tonight. A voz de Phil surge aqui ligeiramente alterada, dando a ideia de ecos, soando algo fantasmagórica - algo que combina com a letra, a ideia de assombração, de maldição. Todo o tratamento da versão original de In The Air Tonight, de resto, dá à faixa uma atmosfera ameaçadora. 
 
O videoclipe, como podem ver, tem precisamente um caráter algo fantasmagórico, psicadélico, em linha com o que referi acima. A versão da música que usaram tem, além disso, uma batida mais forte.

 
"I've seen your face before, my friend, but I don't know if you know who I am"

A versão de Full Blown Rose foi a primeira que conheci. Como podem ver no vídeo acima, tocou no brilhante final da primeira temporada de Tru Calling, assinalando o momento em que, em diametral oposição às intenções do seu Némesis, Jack, o desejo de vingar a morte do seu namorado Luc surge como motivação extra para Tru continuar a responder ao Apelo.


 

Aqui, In The Air Tonight surge na forma de uma balada gótica, dramática, guiada pelo piano, acompanhada por violinos e guitarra elétrica, inicialmente esporádica, tornando-se permanente a partir do segundo verso. Temos também uma batida discreta, semelhante à versão original, que se torna mais forte no segundo verso. A voz é feminina, logo, a música torna-se aplicável a histórias em que a personagem em questão é uma mulher - como Tru Calling e a minha história. Só tenho pena que a parte instrumental que toca na série, a introdução inicialmente com apenas piano a que se juntam os violinos, não tenha sido incluída na versão da música acima.
 


"Well, I was there and I saw what you did"
 
A versão original de In The Air Tonight popularizou-se graças à série Miami Vice. Logo, não é de surpreender que, quando se realizou o filme baseado na série, em 2006, tenha igualmente sido criada uma nova versão de In The Air Tonight.
 
A versão dos Nonpoint distingue-se das outras por, ao invés de se apresentar como uma balada, possuir um ritmo mais acelerado, com uma batida bem mais forte - embora não dispense o já aqui mencionado icónico solo de bateria, A música ganha assim um carácter diferente, uma atitude mais in-your-face estilo Linkin Park, mas que é igualmente compatível com a letra e melodia. Destaque para as guitarras elétricas mais evidentes a partir do meio do segundo verso, que criam um crescendo de tensão que culmina com o solo de bateria antes dos últimos refrões, cantados num tom mais agudo.



Não sei dizer qual destas três versões é a minha preferida. Cada uma distingue-se das outras por um motivo ou outro, cada uma dá um carácter diferente à faixa. In The Air Tonight é uma daquelas músicas cujo esqueleto básico é tão forte que soa sempre bem, independentemente do tratamento musical. Na minha opinião, o grande pilar da música é a letra, conforme já mencionei acima. Geralmente, neste tipo de textos, gosto de citar o verso que considero mais marcante da música em questão - em In The Air Tonight, praticamente toda a música é citável!
 
Não é raro as celebridades colecionarem casamentos falhados - os exemplos abundam. Também não são raros os casos de celebridades que lidam mal com os respetivos divórcios, que se humilham a si mesmos, aos respetivos cônjugues e a outros entes amados no processo. Mas também existem casos de famosos que conseguem lidar com isso de maneira saudável. Eu ainda não tinha nascido aquando do divórcio de Phil Collins, nem sequer sei muito sobre o cantor. Não sei dizer se ele lidou bem ou mal com o divórcio da sua primeira mulher mas, pelo que vejo, soube usar a sua raiva para criar um autêntico clássico, uma música de qualidade cada vez mais rara. Uma música que, para mim, há muito se tornou imortal. Só por isso, Phil Collins merece o meu respeito. E esta capacidade de transformar um sentimento negativo em algo extremamente positivo é o que, na minha opinião, a Arte em geral tem de melhor!

Tru Calling - O Apelo

Depois de um interregno devido a uma - se calhar, não propriamente merecida mas, sem dúvida, muito necessitada - semana de férias, estou de volta. Queria ver se, antes de setembro e do início das novas temporadas de séries televisivas, falava aqui no blogue de séries que tenho acompanhado ou que acompanhei ao longo dos últimos anos. Para já, começo com aquela que considero, sem sombra de dúvida, uma das minhas preferidas de todos os tempos.
 
 
Para aqueles que não a conhecem, a história centra-se em Tru, uma jovem de 22 anos que trabalha numa morgue e possui a capacidade de voltar atrás no tempo para alterar o passado, impedindo, deste modo, que pessoas morram. O momento mais icónico da série acaba por ser a altura em que os cadáveres despertam subitamente e sussurram "Help me!" ou uma variante.
 
Inicialmente, a dinâmica assemelha-se a uma série policial, em vários aspetos. Dá para reparar que alguns episódios da primeira temporada têm uma estrutura semelhante. A certa altura, contudo, começam a ser introduzidos novos elementos na história: a mãe de Tru, que possuía o mesmo dom que agora tem a filha, o seu assassínio mal esclarecido, o papel do pai de Tru nessa morte, o aparecimento de Jack, que se revela o oposto daquilo que Tru representa - o papel dele é certificar-se de que as pessoas morrem à mesma, apesar de o tempo voltar para trás - e a consequente discussão Destino versus Poder de Escolha. Esta série fez-me compreender verdadeiramente pela primeira vez o conceito do heroísmo como uma bênção e uma maldição em simultâneo, as consequências para a vida pessoal, para os entes queridos. Sei agora que isto tudo está muito batido, mas eu tinha dezasseis anos quando vi esta série pela primeira vez, nunca tinha refletido sobre estes conceitos. Cheguei mesmo a transferi-los para as histórias que escrevia na altura e que serviram de base a "O Sobrevivente". Nesse aspeto em particular, ajudou-me a construir Bia, a minha personagem feminina principal.
 
Cancelarem esta série apenas seis episódios depois do início da segunda temporada, precisamente numa altura em que o enredo se adensava, que a história prometia um novo ânimo, foi crime. Tal convicção reforçou-se agora, seis anos depois, quando estive a pesquisar sobre as razões do cancelamento e encontrei uns artigos sobre a direção que a história tomaria. E nos tempos que correm, passados todos estes anos, é tão difícil encontrar uma boa série... Por outro lado, por ter sido encerrada tão precocemente, ao menos assim não fui obrigada a assistir a uma potencial degradação da qualidade da série, ao contrário do que tem acontecido com outras que tenho seguido há alguns anos. Assim, Tru Calling provavelmente manter-se-à para sempre a série perfeita.
 
Mesmo assim, continuo com esperança de que, um dia, alguém volte a pegar na série, faça um remake ou algo do género. Vou fazendo figas... 

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