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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Bryan Adams - Get Up (2015) #3

 

Terceira e última parte da análise ao álbum Get Up, de Bryan Adams. Partes anteriores aqui e aqui.

 

Se olharmos para a trilogia de álbuns que Bryan lançou entre o ano passado e este ano - o álbum de covers Tracks of My Years, a reedição de Reckless e, agora, Get Up - o denominador comum é o facto de se focarem no passado. Os covers em Tracks of My Years remetem à juventude de Bryan. A reedição de Reckless foi uma celebração de canções com trinta anos de idade. Por sua vez, Get Up tem um estilo maioritariamente retro. Aparentemente isto terá ocorrido por acaso - recordo que a ideia por detrás das primeiras músicas de Get Up compostas era a banda sonora de um filme ou série passada nos anos 50 ou 60, algo independente de Tracks of My Years - mas não acredito que seja cem por cento mera coincidência.

 

De certa forma, este foco no passado não é de surpreender por parte de Bryan. Ele nunca abrirá mão do rock, estilo musical fora de moda no presente, faz sentido trazer de volta os tempos em que o rock dominava. Bryan não é o único artista musical a ir buscar ideias ao passado. E, tendo ele uma carreira mais do que feita, pode dar-se ao luxo de fazer o que quiser.

 

Get Up é um álbum interessante, mas não sem as suas imperfeições. O maior defeito é mesmo o tamanho: nove músicas inéditas (em que a maioria não chega a três minutos de duração) é pouco. Na minha opinião, Thunderbolt e Do What Ya Gotta Do são faixas menos boas e isso corresponde já a quase um quarto do álbum - o que não é pouco. É verdade que 11 já foi lançado há muito tempo, que, segundo Bryan, as editoras já não querem álbuns grandes. Mas talvez ele pudesse ter adiado a edição de Get Up por uns meses para acrescentar mais dois ou três temas. Eu ficaria frustrada por passar muito tempo sem discos novos dos meus artistas preferidos, mas talvez o álbum me agradasse mais quando saísse.

 

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Bryan tem referido este álbum como um dos seus melhores, como o álbum que desejava ter conseguido fazer há vinte e cinco anos. Ainda estou um pouco em fase de fim de estranhamento e início do entranhamento. Ainda não tenho uma opinião definitiva sobre Get Up, sobretudo no que toca à comparação com outros trabalhos do cantautor canadiano. Mas se concordo que é um dos melhores álbuns de Bryan? Se concordo que devia ter sido editado no lugar de Into the Fire ou Waking Up the Neighbours? Não. Get Up nem sequer aspira a isso - ou, pelo menos, não devia aspirar, na minha opinião. No entanto, não deixa de ser uma boa adição à discografia de Bryan. Tal como disse antes, e parafraseando uma das canções deste álbum, nesta fase da sua carreira Bryan não precisa de criar revoluções, chega-lhe divertir-se. Se é Get Up que o diverte, não tenho problemas com isso e até alinho na diversão.

Bryan Adams - Get Up (2015) #1

bryan adams cover 01.jpg

 

Depois de cerca de ano e meio - ou mesmo mais, se me recordo bem de uma ou outra entrevista - lançando pistas sobre um possível álbum de inéditos, Bryan Adams edita hoje o disco "Get Up", que sucede a 11, lançado há sete anos e meio. Este é um álbum é constituído por nove temas inéditos e quatro versões acústicas.

 

Tal como é o meu hábito quando artistas de que gosto lançam álbuns de inéditos, vou analisar individualmente cada tema. E, pela primeira vez em muito tempo, vou fazê-lo por ordem de preferência. Volto a recordar que esta ordem não está gravada em pedra. Em muitos casos, as faixas estão quase empatadas. É possível, até, que a ordem se altere radicalmente com o tempo. Como o costume, esta análise será dividida por várias entradas (em princípio duas, no máximo três).

 

Sem mais delongas, comecemos com a música de que gosto menos...

 

Do What Ya Gotta Do

 

 

"People believe what they want to believe"

 

Segundo o que li na Internet, Do What Ya Gotta Do foi composta para o filme Golpada Americana, mas acabou por não ser usada. Não vi o filme, logo, não sei dizer se a letra tem alguma ligação com ele mas, para ser honesta, duvido. A letra é uma coleção de clichés que nem sequer servem para publicações pseudo-inspiradoras no Facebook. Também não gosto da produção - uns ecos desnecessários e uma espécie de zumbidos metálicos. Se isso é uma marca da produção de Jeff Lynne, definitivamente não sou fã.

 

Thunderbolt

 

  

"A shot right out of the blue"

 

Esta também é outra música que, pelo menos de início, não me cativou particularmente. A letra não me diz muito - embora, segundo Bryan, Thunderbolt tenha sido título provisório deste álbum. O único aspeto de que gosto em Thunderbolt é da terceira estância, com uns vocais mais agudos e interessantes e uma nota martelada de piano ou teclado, bem como o solo de guitarra que se segue. À parte isso, Thunderbolt é uma faixa pouco marcante.

 

You Belong to Me

 

 

 

"While you're out there

Remember I'm right here"

 

You Belong to Me foi o primeiro avanço de Get Up. Segundo Bryan, foi a primeira canção deste álbum a ser composta, sendo depois produzida por Jeff Lynne. Bryan chegou a considerar incluí-la no álbum em que estava a trabalhar na altura (qual seria? Tracks of My Years? O concerto Bare Bones na Ópera de Sydney, cujo DVD lançou há dois anos?), mas tendo esta faixa uma sonoridade tão própria, ele decidiu criar mais músicas dentro deste estilo - e assim terá nascido a ideia para Get Up. Já falei sobre You Belong to Me aqui e não tenho muito mais a acrescentar. Este álbum tem temas bem mais interessantes.

 

Yesterday Was Just a Dream

 

 

"No more lies, I'm tired of hurting"

 

Esta faixa tem uma sonoridade familiar na discografia de Bryan - poderia encaixar-se, talvez, nos álbuns On a Day Like Today ou Room Service. Esta faixa tem uma sonoridade misteriosa, pensativa de certa forma. Gosto das notas de guitarra a seguir ao refrão, dentro do velho estilo de Bryan. A letra é interessante, fala de procura de conforto, de vontade de esquecer. A mim, lembra-me um pouco a música Help Me Make It Through the Night, cujo cover foi incluído em Tracks of My Years. Apesar de não ter sido a música que mais me agradou aquando das primeiras audições, foi uma das primeiras cujo refrão comecei a cantarolar sem dar por isso.

 

De certa forma, Yesterday Was Just a Dream condiz com o outono, com o seu tom melancólico, misterioso, mas não demasiado pesado. É uma boa canção.

 

Don't Even Try

 

 

"It's too late for love, what can you say?"

 

A sonoridade de Don't Even Try recorda-me a canção (One of Those) Crazy Girls dos Paramore, o que é expectável visto a inspiração por detrás de ambos os temas terá sido a mesma: os Beatles. Para além de You Belong to Me, este foi outro dos temas compostos para uma série passada dos anos 50 ou 60, que não chegou a passar do papel. O CD inclui uma versão acústica que nos permite apreciar o belo trabalho com a guitarra acústica - reparem na parte em que Bryan toca cada uma das cordas individualmente.

 

A letra de Don't Even Try é dirigida a um sujeito que partiu o coração a uma antiga amada, logo, deve desistir de reconquistá-la. Quando ouvi a música pela primeira vez, por altura do segundo refrão pensei "Que estranho, o Bryan não costuma ser tão pessimista...". A letra só começou a fazer sentido quando chegou ao verso "It's alright tonight, now she's with me".

 

Em suma, o sujeito narrativo dirige-se ao ex da sua atual companheira, dizendo-lhe para se manter afastado dela e atirando-lhe à cara tudo o que o desgraçado fez de mal. Por um lado, é bonito o sujeito narrativo defender a amada, por outro lado é moralmente questionável ele atacar o seu ex dessa maneira. Eu, se fosse a mulher nesta situação, não gostava. Mas fica ao critério de cada um.

 

Na próxima entrada, analisamos as músicas que faltam. Realmente não são muitas...

 

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Músicas Não Tão Ao Calhas - You Belong to Me

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Interrompemos uma longa série de entradas sobre a primeira temporada de Digimon para vos trazer o mais recente single de Bryan Adams, disponibilizado ontem: You Belong to Me, primeiro avanço de Get Up, o décimo-segundo álbum de inéditos do cantautor canadiano, com lançamento marcado para 16 de outubro. Não sei se é um single a sério, pela pouca divulgação da música até ao momento. Às tantas, é só uma faixa promocional, como acabou por ser Saturday, dos Simple Plan (e ainda bem!)

 

 You Belong to Me é uma faixa curtinha, com apenas dois minutos e meio de duração. Abre com uma linha de guitarra eléctrica que nos remete para o rock dos anos 60-70. Depressa se juntam outros instrumentos e a música ganha um carácter country, muito alegre e descontraído. A canção vai repetindo a mesma estrutura até ao fim, sem que o ritmo se altere e com pouquíssimas variações na melodia. O solo de guitarra é um dos pontos altos da faixa.

 

A letra é muito simples, dentro do registo romântico habitual de Bryan. Tirada do contexto de uma música alegre, no entanto, faz lembrar demasiado algo que um stalker - ou, pelo menos, um homem sem noção dos limites - diria. Se alguém falasse assim comigo, eu diria:

 

- Meu amigo, eu não pertenço a ninguém!

 

 

Em suma, You Belong to Me não é uma música extraordinária, nem anda perto disso. Tem o mérito de ter uma sonoridade, tanto quanto sei, única na carreira de Bryan - e isso é significativo, sabendo que o homem já lançou onze álbuns de inéditas. Nesse aspeto, ganha a She Knows Me, lançada há um ano. You Belong to Me é uma audição agradável. No entanto, os seus méritos limitam-se a isso - volto a dizer que, comparando com outros primeiros avanços, I thought I'd seen everything encantou-me mais.

 

De qualquer forma, estou curiosa em relação a este álbum. Conforme expliquei no início, este intitula-se "Get Up" - um título demasiado prosaico para um álbum, na minha opinião. Suponho que o "up" se refira a "upbeat", ou seja, alegre, animado em termos musicais. É assim que Bryan, de resto, o descreve: "animado, roqueiro, soa muito retro... e não me importo!"

 

Continuo a achar que é um título pouco imaginativo.

 

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Pegando de novo nas declarações de Bryan sobre Get Up - que ele afirma ser um dos melhores que já fez - as influências retro não me surpreendem. Depois de Tracks of My Years, estava mais ou menos à espera. No entanto, acabo de ler no site de Jim Vallance que a coisa é mais complexa do que isso: You Belong to Me e outra música, intitulada Don't Even Try foram compostas em finais de 2012 para uma série sobre uma banda pré-Beatles - logo, teriam de soar à anos 50, 60. Mais tarde, o produtor Jeff Lynne gravou-as e produziu-as. Nos dois anos que se seguiram foram criando mais faixas de longe a longe, até terem um álbum (que, mesmo assim, só tem nove músicas inéditas. Forretas...).

 

Já que falo em Jim Vallance, assinalar o facto de Get Up ser o primeiro álbum, depois de Into the Fire, em 1987, em que o compositor participa em todas as faixas. 

 

Na verdade, aquilo que mais me intriga em Get Up é o entusiasmo com que Bryan fala dele. Já referi aqui no blogue que, durante muito tempo, julguei que ele não tornaria a lançar álbuns de inéditos. E, no entanto, ei-lo aqui. Se um cantor com mais de trinta e cinco anos de carreira, com uma mão-cheia de êxitos no currículo, que já não tem nada a provar como cantautor, sente este nível de entusiasmo ao lançar um álbum novo, dizendo mesmo que este é um dos melhores da sua carreira... isso tem de significar alguma coisa!

 

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Os próximos singles de Get Up não tardarão: a 7 de setembro será lançada uma faixa chamada A Brand New Day, com a participação de Helena Bonham Carter no videoclipe (estão a ver o que eu digo? O álbum 11 não teve direito a videoclipes a sério e, agora, Bryan vai lançar um videoclipe com Helena Bonham Carter?!?!?). Para além da óbvia entrada de Música Ao Calhas, estou a pensar escrever uma crítica ao álbum Into the Fire mais ou menos na mesma altura (quando receber o CD que encomendei na Amazon). Contem, por isso, com uma overdose de Bryan Adams aqui no blogue nos próximos tempos.

 

Antes disso, no entanto, tenho muitas outras coisas sobre que escrever. Mantenham-se ligados!

 

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